EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para maio, 2011

CONSELHO DE ESCOLA – CORAÇÃO E MENTE DA ESCOLA PÚBLICA

Que bom seria se pudéssemos tomar decisões sobre a escola pública…
Bom seria se pudéssemos escolher.
Bom seria se pudéssemos dialogar com todas as pessoas envolvidas na escola – governo, gestão, professores, alunos, famílias, equipe, comunidade do entorno – antes de decidir os caminhos a seguir.
Seria muito bom se todos tivessem um espaço, um espacinho, mínimo que fosse, para colocar suas opiniões sobre o gasto de verbas, sobre as regras a serem seguidas, sobre os acontecimentos, as festas, o uso do espaço, o calendário escolar… Os caminhos pedagógicos.
Seria muito bom se pudéssemos nos reunir para conhecermos melhor um ao outro, para aprender a ouvir e a falar, para estreitar os laços, afinarmos as relações, colaborar uns com os outros e crescermos juntos.
Bom seria se a escola fosse além de onde está – levada por nossas mãos, como uma criança é levada pelas mãos dos pais, com sabedoria e carinho.
Bom seria se nossas perguntas tivessem respostas.
Bom seria se a qualidade da educação dependesse do nosso exercício de cidadania diário, quando construímos, juntos, uma nova escola a cada ação, a cada conversa, a cada tentativa de melhorar a qualidade do ensino público.
Seria tão, mas tão bom, se tivéssemos direito de sermos considerados nessa construção… E melhor ainda se todos compreendessem sua responsabilidade.
Seria bom se a escola fosse um reflexo da sociedade que queremos construir – igualitária, democrática, participativa… Boa para todos.

Seria bom… Pode ser bom.

O Conselho de Escola é a resposta para esses anseios.

No próximo sábado, dia 28 de maio, às 10 horas, teremos nossa reunião mensal do Conselho de Escola.

Todos estão convidados!

Tome seu lugar nessa caminhada, e ajude a nossa escola a ser a cada dia melhor do que é.

Contamos com você!

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AUTONOMIA SE APRENDE AQUI!

Atualmente são muitas as demandas da educação infantil. Socialização, inserção cultural, aprendizados de conhecimentos, desenvolvimento sócio-afetivo-cultural, enfim, tarefas diversas e complementares.

Nosso papel enquanto educadores é o de oportunizar as mais diversas vivências e desenvolver na criança capacidades e habilidades para que seja sujeito de sua existência hoje e no futuro, com responsabilidade, autonomia e valores para conviver em grupo.

Quando olhamos uma criança de 4 anos que, ao chegar à escola tem medo do desconhecido e, passados alguns meses, ao olharmos para esta mesma criança enxergarmos que já é capaz de se movimentar pelos espaços escolares, ir ao banheiro quando sente vontade, vivenciando experiências com seus colegas, experimentando sensações, se servindo na hora das refeições, temos uma visão do desenvolvimento humano que a escola propicia e que vai além do ensino de conteúdos.

É uma educação comprometida com os diferentes aspectos do desenvolvimento humano, onde cuidar e educar se entrelaçam e são consideradas as necessidades e o tempo de cada um para se desenvolver.

Desenvolvemos nossa identidade enquanto grupo partilhando conhecimentos, costumes, valores, enfim, tudo o que é necessário para um bom relacionamento na sociedade.

Todos somos sujeitos neste processo, pois ao nos relacionar estamos compartilhando experiências, pensamentos, estamos interagindo e nesta interação há trocas que nos enriquecem enquanto pessoas, fazendo com que repensemos processos, ações, provocando mudanças ou adaptações necessárias à nossa existência.

Educar não é tarefa de um, mas de todos os interessados no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e mais humana!

Professora Cláudia R. Moura

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Quantas aprendizagens e delícias cabem dentro de um álbum de figurinhas?

Por Professora Karina Cabral

Onde vemos números? Na sola do sapato, no calendário, na etiqueta da roupa, na régua, no cupom fiscal, no portão das casas, na capa dos livros, nos relógios, no teclado do telefone e do computador… Os números servem para contar, organizar, separar, agrupar, ordenar, qualificar, regularizar, categorizar, medir, quantificar, sequenciar, e muitas outras ações e habilidades relacionadas ao raciocínio lógico, tão importante para o desenvolvimento intelectual das crianças.

Porém, é difícil encontrar portadores numéricos que façam sentido para elas, que possam ir além da sequência de 1 a 20, ou que não se esgotem em pouco tempo. Mesmo usando o calendário convencional, ou brincando de recitar a sequência numérica básica com parlendas e músicas, eu percebi que as crianças já estavam prontas para fazer reflexões maiores sobre os números. Mas como provocá-las a pensar sobre isso de um jeito significativo?

Lembrei-me, da minha própria infância e de experiências anteriores como professora, de uma brincadeira deliciosa, e que parece esquecida pela maioria das crianças de hoje – o álbum de figurinhas. Quantas ações, possibilidades numéricas e diversão podem caber dentro de um álbum!

Fui até a banca de jornal e escolhi um álbum que pudesse interessá-los, que fosse recém lançado e que tivesse cromos auto-colantes. Ao trazê-lo para a roda de conversa e apresentar a proposta para as crianças, percebi algumas coisas:

  • Eles não conheciam “figurinhas”, nem álbuns para colecioná-las – apenas adesivos, que vivem trocando para colar nos cadernos de recados;
  • Para eles, era muito abstrato pensar em números maiores que 30 – embora soubessem que há uma nomenclatura para designar esses números ( “milhões”, “mil”, “cem” ), e soubessem também que esses números se referem a grandes quantidades, isso ainda era um mistério;
  • A leitura e escrita de algarismos ainda estava muito precária; para eles era difícil compreender que os números, tal como as letras, têm um jeito constante e regular para serem escritos.

Com esses dados em mente, foquei o objetivo do trabalho com o álbum. Ao final da brincadeira, as crianças deveriam ter tido a oportunidade de…

  • Familiarizar-se com os algarismos e com o aspecto marcador e indicativo dos números;
  • Ampliar suas referências de sequência numérica para números maiores;
  • Perceber a constância na escrita dos algarismos;
  • Ter contato com a tabela numérica, percebendo suas regularidades e seus “nós”.

Embora a atividade do álbum de figurinhas traga possibilidades mais complexas de trabalho com os números e quantidades, achei que esses objetivos iam de encontro com o que as crianças realmente precisavam, e a partir dele, pensei minhas ações.

Expliquei às crianças o procedimento de colecionar os cromos, fiz uma tabela numérica convencional e grande ( a do álbum não estava organizada em colunas iguais ), decidi com elas o procedimento de colagem ( decidimos que faríamos um calendário com os nomes anotados para saber quem ia colar os cromos a cada dia ), e pedi que as crianças informassem sobre esse trabalho a seus pais, para que ajudassem a comprar figurinhas ( alguns até ganharam o álbum para colecionar em casa ).

A tabela numérica, o calendário e o poster do àlbum - maneiras de as crianças acompanharem todo o trabalho e tomarem contato com diferentes portadores numéricos

No começo, a empolgação das crianças com o álbum era imensa, e por isso esperei um pouco para fazer maiores intervenções pedagógicas. É importante respeitar esse tempo de curtir os novos materiais, pois forçar a concentração das crianças quando estão muito empolgadas com alguma coisa é complicado e, creio eu, infrutífero. Em poucos dias brincando com o álbum eles já estavam mais calmos e prontos para me ouvir melhor.

Seguindo o calendário feito, cada criança destacava o cromo, colava e então marcava o número do cromo colado na tabela. Com o tempo, as crianças foram entendendo melhor como a tabela funcionava – que a linha horizontal representava a dezena, e a linha vertical as unidades, ainda que não soubessem usar essa nomenclatura. Em alguns dias, eles já estavam habilidosos em encontrar os números na tabela.

Marcar as figurinhas já coladas na tabela numérica - um desafio que trouxe muitas descobertas sobre os algarismos

Com o progresso do álbum, novos problemas foram surgindo. O que fazer com as figurinhas repetidas? Como conseguir as figurinhas que não estavam saindo? Como e em que lugares conseguir novos pacotinhos de figurinha? Com quem vai ficar o álbum quando ele estiver pronto? Quantas figurinhas faltam para o álbum estar completo?

A professora Daniela gostou da ideia e também comprou um álbum para a turma dela, e assim pudemos trocar cromos. As crianças ficaram práticas em encontrar o lugar certo das figurinhas, e em controlar a marcação na tabela. Mais ao final do álbum, usamos o recurso de pedir as figurinhas faltantes por carta. E quando os cromos chegaram, foi uma alegria muito grande ver o álbum completinho.

Ao final da atividade, que durou aproximadamente três meses, pude perceber que as dificuldades com os números que reconheci no início não foram completamente vencidas, mas as crianças avançaram muito. Alguns deles já estavam lendo e escrevendo os números, outros conseguiam ler e localizar números na tabela com muita rapidez e a maior parte dele ampliou o vocabulário numérico. Todas as crianças conseguiram compreender a função do número atrás do cromo, e localizar no álbum o espaço correspondente. Achei interessante também as soluções criadas para simplificar a colagem e a distribuição das figurinhas repetidas, que foram usadas como prêmio nos bingos de letras e nomes, e também nas brincadeiras competitivas que fizemos.

Foi uma experiência rica e divertida! Espero que a partir daqui, as crianças brinquem bastante de colecionar figurinhas e que possam aprender cada vez mais sobre os números.

O CANTINHO DO ANIVERSÁRIO

Por Professora Karina Cabral

Depois do sucesso do canto do mercadinho, que ressignificou a maneira como as crianças brincavam na sala, ficamos pensando em um novo canto de brincadeiras.

Eu sugeri algumas coisas, como montar um canto de fantasias, de brincar de médico, de escritório ou salão de cabeleireiros, mas nenhuma das minhas sugestões pareceu ter impacto sobre as crianças. Fiquei feliz – sinal que as elas já estão conseguindo fazer coisas por si mesmas, descentralizando de mim, conseguindo fazer escolhas e

organizarem-se sozinhas. Decidimos que daríamos um tempo e que eu continuaria observando, tentando reparar qual era a brincadeira mais frequente entre eles.

Tanto no parque como na sala, ela não demorou a surgir – percebi que as crianças montavam festas de aniversário com mil bolinhos e docinhos de areia e massinha, e depois de passar um tempo preparando a festa, se reuniam espontaneamente para cantar parabéns, mesmo que ele não tivesse um destinatário certo.

Com a massinha, as mãozinhas fizeram docinhos de extremo capricho!

Crianças conseguem ser quase sempre felizes com coisas simples, mas poucas coisas as encantam mais do que comemorar aniversários. Toda a cor, euforia, guloseimas e brincadeiras das festas são muito motivadoras para as crianças. E como a brincadeira tende a imitar a vida…

Abri uma roda de conversa sobre o assunto, e eles adoraram a possibilidade. Começaram a ter mil ideias sobre como montar, o que comprar, o que trazer de casa, como organizar, e eu percebi o quanto foi importante a experiência de ter montado a brincadeira anterior. Combinamos que eu compraria algumas coisas – como forminhas de brigadeiro, papel de bala, pratinhos e copinhos decorados – e eles trariam algumas coisas de casa, como velas, toalhas, garrafas de refrigerante vazias e o que mais tivessem que pudesse colaborar com a festa.

De propósito, ouvi tudo, mas não anotei nada. No dia seguinte, quando eles me cobraram as coisas, disse que não pude trazer, pois tinha esquecido o que eu devia comprar. Não demorou surgir a ideia de que eu fizesse uma lista de compras, e discutimos bastante sobre como essa lista deveria ser escrita, qual a ordem dos itens, e como eles estavam muito motivados e atentos, mantiveram a atenção e pude discutir aspectos notacionais da língua, como a organização das letras no papel, a posição dos itens, o sentido da escrita. Foi muito legal!

Trabalho duro e concentrado para montar toda a festa...

A partir daí, pude perceber que essa brincadeira pode motivar algumas atividades interessantes, como produzir a escrita dos convites, colocando o nome dos amigos; fazer uma receita de brigadeiro, de massinha, ou mesmo de bolo; fazer lista dos aniversariantes, ou utilizar o calendário para marcar as datas das festas… A minha intervenção, embora delicada, pode motivar as crianças a construir diversos conhecimentos a partir do cantinho do aniversário.

Hoje foi o primeiro dia da brincadeira, e fiquei muito feliz e surpresa de ver tanta animação, capricho, empenho e alegria!

O ápice da festa - a hora do parabéns, com vela acesa e muita alegria

Eu volto ( e dessa vez volto mesmo ) pra contar como está indo o nosso cantinho do aniversário.

A INCLUSÃO É UM ABRAÇO

Por Professora Karina Cabral

A INCLUSÃO É UM ABRAÇO *

A inclusão é um abraço.

Como todo abraço, envolve pelo menos duas pessoas. Como todo abraço, envolve disposição de corpo, mente e alma. Como todo abraço, causa medo e prazer. Como todo abraço, traz conforto e aprendizado. Como todo abraço, é necessária para que continuemos crescendo como seres humanos. Como todo abraço, ela é desejável e importante. Como todo abraço, a inclusão exige de nós um olhar para o outro, a partir de nós mesmos.

Desde que comecei ouvir mais sobre a proposta ousada de trazer para a sala de aula de “crianças normais” os alunos que tinham algum tipo de deficiência – física, intelectual, psicológica – eu sabia que uma hora chegaria a minha vez.

Acompanhei, de perto e de longe, amigas que receberam em suas salas crianças e jovens com problemas auditivos, visuais, motores, cognitivos, afetivos. Vi o quanto todas elas sofreram para conseguir compreender a deficiência explícita de seus alunos, e o quanto tentaram, com tudo que podiam, fazer o melhor por essas crianças.

Acompanhei o descaso das instituições – públicas e privadas – com essa situação, deixando para as professoras e suas famílias a árdua tarefa de “dar um jeito” de praticar a inclusão a todo custo.

Acompanhei também famílias inseguras, educadores despreparados, crianças assustadas, infraestrutura precária, muito choro, muita revolta, muito estranhamento. E por tudo isso, eu tinha medo de quando chegasse minha vez de receber uma criança assim.

Este ano aconteceu. G.* apareceu na lista da minha sala com um asterisco, indicando que eu estaria finalmente colocada inteira nessa roda.

Na sala das crianças de 3 anos, o G. chegou risonho. Antes dele, chegaram seus pais, ansiosos e com medo, mas firmes em seu propósito de oferecer a seu filho o melhor que pudessem – inclusive a experiência de ir para a escola. Antes deles, chegou minha coordenadora, parceirona de valor, com o diagnóstico em mãos – transtorno de desenvolvimento global ( termo que diz tudo e não diz nada ). G. não pode andar sozinho, e todas as complicações decorrentes da dependência de não andar.

O primeiro gesto de G. pra mim foi estender os braços para que eu o abraçasse, ao retirá-lo do colo de sua mãe. Uma proposta de abraço acompanhada de um sorriso imenso.

Ali eu perdi o medo, e o abracei. Não abracei só o seu corpo, mas também a idéia de estarmos juntos durante esse período, aprendendo tudo que pudéssemos aprender um com o outro.

E então eu soube que, na verdade, não estava abraçando um diferente, e sim um igual a mim.

Professora Karina Cabral

* Texto originalmente publicado na Revista Avisa-lá, número 43, em 2010, e no blog “Abraçando“, que passa a fazer parte do “Gira, Cirandinha!” a partir de agora.

** O nome de G. foi abreviado para proteger sua identidade.

CANTOS-CAIXAS

Como viabilizar a proposta de cantos de atividades sem fazer grandes mudanças estruturais no espaço da sala de aula? A professora Daniela mostra uma possibilidade frutífera que testou e aprovou com seus alunos…

Autonomia implica no direito de fazer escolhas

Por Professora Daniela Costa Ramos Pissai

Além de possibilitar escolhas, os cantos-caixa facilitam a intervenção da professora em um trabalho com jogos, arte ou escrita

A ideia dos cantos-caixas surgiu de uma dificuldade de trabalhar com jogos em sala de aula. Eu queria trabalhar jogos  com as crianças, mas como fazer com todas ao mesmo tempo… Como dar atenção para todas?

Durante algumas conversas e cursos, surgiu a ideia de montar cantos nas mesas. Cada caixa teria propostas diferentes – as crianças poderiam escolher o que fazer naquele dia. Uma das caixas teria um jogo, e assim eu conseguiria dar mais atenção às crianças.

Durante algum tempo fui vendo o que estava dando certo e o que estava dando errado. E fui verificando que as propostas das caixas precisavam ser mudadas toda semana. Muitas vezes as crianças vivenciavam as experiências em outro momento, de uma forma mais livre; e em outros momentos faziam a exploração de alguns materiais que seriam futuramente trabalhados nas aulas.

Com os cantos-caixas consegui ainda possibilitar as crianças o exercício da autonomia, a partir de oferta de diferentes atividades simultâneas, onde elas pudessem escolher o que fazer, respeitando seus interesses e necessidades.

As observações e registros das atividades me fizeram pensar mais no que colocaria em cada caixa, o que foi desafiador enquanto educadora. Fui anotando minha chuva de ideias para depois organizá-las, de forma a possibilitar mais desafios às crianças. E assim fui juntando coisas, jogos, produzindo tabuleiros, comprando materiais que achava serem úteis as crianças nessa aprendizagem.

Ao final de um ano, quantas descobertas sobre  meu trabalho pedagógico! Como mudei, como a visão de educação, de escola, de pessoas mudou… Percebi que as crianças podem muito, sabem muito e trazem uma bagagem diferente e muito rica.

Percebi que as crianças…

  • Conseguiram escolher com autonomia o que queriam fazer;
  • Realizaram ações sozinhas ou com parceiros escolhidos por elas;
  • Participaram de situações que envolviam o combinado de regras;
  • Cuidaram dos materiais individuais e coletivos;
  • Guardaram melhor os brinquedos depois de usar.

Para mim, foi uma experiência maravilhosa, e creio que para as crianças também!

É sempre bom variar as propostas das caixas, colocando algo para criar, jogar, ler, brincar, fantasiar...

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