EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Por Professora Karina Cabral

A INCLUSÃO É UM ABRAÇO *

A inclusão é um abraço.

Como todo abraço, envolve pelo menos duas pessoas. Como todo abraço, envolve disposição de corpo, mente e alma. Como todo abraço, causa medo e prazer. Como todo abraço, traz conforto e aprendizado. Como todo abraço, é necessária para que continuemos crescendo como seres humanos. Como todo abraço, ela é desejável e importante. Como todo abraço, a inclusão exige de nós um olhar para o outro, a partir de nós mesmos.

Desde que comecei ouvir mais sobre a proposta ousada de trazer para a sala de aula de “crianças normais” os alunos que tinham algum tipo de deficiência – física, intelectual, psicológica – eu sabia que uma hora chegaria a minha vez.

Acompanhei, de perto e de longe, amigas que receberam em suas salas crianças e jovens com problemas auditivos, visuais, motores, cognitivos, afetivos. Vi o quanto todas elas sofreram para conseguir compreender a deficiência explícita de seus alunos, e o quanto tentaram, com tudo que podiam, fazer o melhor por essas crianças.

Acompanhei o descaso das instituições – públicas e privadas – com essa situação, deixando para as professoras e suas famílias a árdua tarefa de “dar um jeito” de praticar a inclusão a todo custo.

Acompanhei também famílias inseguras, educadores despreparados, crianças assustadas, infraestrutura precária, muito choro, muita revolta, muito estranhamento. E por tudo isso, eu tinha medo de quando chegasse minha vez de receber uma criança assim.

Este ano aconteceu. G.* apareceu na lista da minha sala com um asterisco, indicando que eu estaria finalmente colocada inteira nessa roda.

Na sala das crianças de 3 anos, o G. chegou risonho. Antes dele, chegaram seus pais, ansiosos e com medo, mas firmes em seu propósito de oferecer a seu filho o melhor que pudessem – inclusive a experiência de ir para a escola. Antes deles, chegou minha coordenadora, parceirona de valor, com o diagnóstico em mãos – transtorno de desenvolvimento global ( termo que diz tudo e não diz nada ). G. não pode andar sozinho, e todas as complicações decorrentes da dependência de não andar.

O primeiro gesto de G. pra mim foi estender os braços para que eu o abraçasse, ao retirá-lo do colo de sua mãe. Uma proposta de abraço acompanhada de um sorriso imenso.

Ali eu perdi o medo, e o abracei. Não abracei só o seu corpo, mas também a idéia de estarmos juntos durante esse período, aprendendo tudo que pudéssemos aprender um com o outro.

E então eu soube que, na verdade, não estava abraçando um diferente, e sim um igual a mim.

Professora Karina Cabral

* Texto originalmente publicado na Revista Avisa-lá, número 43, em 2010, e no blog “Abraçando“, que passa a fazer parte do “Gira, Cirandinha!” a partir de agora.

** O nome de G. foi abreviado para proteger sua identidade.

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