EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para junho, 2011

ARRAIAL MONTE BELO!

“Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).

 Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.”

FONTE: Site “Sua Pesquisa” – Clique AQUI para saber mais.

Preparamos nossa festa junina com muito carinho!

Sabemos que ela é um evento importante no bairro, por isso ela é aberta, e chamamos toda a comunidade para participar ( desde já agradecemos todas as famílias que ajudaram a fazer nossa festa até aqui, enviando prendas, incentivando as crianças e colaborando com a escola )…

Sabemos que ela é uma festa cultural marcante no nosso país, por isso escolhemos comemorá-la ( e não por motivos religiosos, uma vez que nossa escola, como qualquer outra escola pública, não professa nenhuma religião )…

Sabemos que nossa festa é alegre e partilhada, por isso ela envolve toda a equipe e nos deixa tão animados e motivados a fazer tantas coisas…

Sabemos que nossa festa é educativa, por isso nos preocupamos em envolver as crianças na preparação dela, escolhendo músicas de qualidade que falem das coisas do nosso povo, criando coreografias em parceria com os pequenos, desenhando, pintando e enfeitando a escola com as marcas das crianças…

Sabemos que ela arrecada fundos financeiros importantes para que possamos fazer melhorias na escola e fazer coisas legais para os alunos…

Sabemos que ela é um sucesso!

Por isso temos o prazer de convidá-los para a FESTA JULINA DA EMEI JARDIM MONTE BELO!

Será no dia 02 DE JULHO, das 10h às 16h.

Teremos comidas gostosas, brincadeiras, apresentações de dança e um momento de partilha bem gostoso com todas as famílias que forem lá curtir conosco essa tão aguardada festança!

Veja os horários das aprensentações de dança:

6D ( Professora Antonia ) e 5D ( Professora Karina Francisco )  – Pipoquinha Torradinha –  10h45

5B e 6E ( Professora Lucimar ) – Abre a roda, Tindolelê! – 11h45

5A ( Professora Sílvia ) e 6A ( Professora Daniela ) –  Casa do Zé –  12h45

5C ( Professora Cláudia ) e 5E( Professora Priscila ) Rala o Côco 13h45

6B ( Professora Roseli ) e 6C ( Professora Karina Cabral ) – Peixe Vivo – 14h45

Contamos com a sua participação! Traga toda a família e venha se divertir com a gente!

Leia Também:

Como fazer uma festa junina educativa?

TODOS SÃO INCLUÍDOS

Por Professora Karina Cabral

Toda vez que a palavra inclusão é mencionada no ambiente escolar, logo imaginamos “incluir” alguém com uma deficiência explícita. Pensamos em alguém com cadeiras de rodas, alguém com um transtorno mental ou psíquico, alguém que não ouve, não fala ou não escuta bem e que precisará de ajuda extra para conviver e aprender em um ambiente com outras pessoas ditas “normais”.

Toda essa fantasia em torno da deficiência torna mais difícil a discussão e o amadurecimento de educadores e famílias. Minha experiência com meus alunos ditos deficientes me fez acordar para uma realidade – a diferença ( seja ela uma deficiência, uma qualidade, ou simplesmente uma característica ) faz parte do humano. E por isso, todos, em algum momento de nossas vidas, precisamos ser incluídos.

Fiquei pensando nas centenas de crianças que cruzaram comigo nesta vida. Cada um era de um jeito, cada um me via de um jeito, para cada um dei coisas diferentes de mim, de cada um recebi coisas diferentes. Tímidos, agressivos, falantes, inteligentes demais, arredios, desconcentrados, lunáticos, medrosos, gordinhos, magérrimos, crianças com alguma necessidade alimentar ou de saúde sutil, carentes, mimados, agitados, terríveis, abandonados, chatos, malvados, tristinhos ou alegrinhos, famílias complicadas… Cada um deles mereceu de mim um olhar especial, momentos de dedicação, uma conversa individual, um carinho diferente. Entre eles, estão as crianças deficientes. Faz parte da profissão de um educador acolher a diferença, e ao mesmo tempo, incentivar o grupo a ser um grupo de verdade.

Fiquei pensando nas vezes em que eu fiquei deficiente de algo por algum motivo. E nas deficiências que tenho até hoje. Quando torci o pé e precisei de uma rampa no meu local de trabalho, pensei na vida das pessoas que usam cadeiras de roda e muletas todos os dias. Não faz muito tempo tive uma conjuntivite fortíssima, e pensei como é horrível letras tão pequenas pra indicar as coisas em quase todos os lugares, quando a gente mal consegue ver. Penso nas minhas dificuldades que não consigo resolver, nas minhas incapacidades, nas coisas que não consegui aprender. Penso nas vezes em que não fui aceita em um grupo ou lugar por não corresponder às expectativas dos outros, pré-julgada. Tudo isso doeu, mas passou. Imagino como deve ser reviver isso todos os dias, todas as horas.

Convivendo com essas crianças, percebo que mais do que a consciência racional de uma deficiência, seja ela qual for, é preciso sensibilidade e firmeza para encará-la e transpô-la.

A verdade é que todos precisamos ser incluídos. E aí está o bonito e o difícil da coisa – se é ao nos confrontarmos com outros que nos damos conta das nossas diferenças, é também na empatia do que nos faz iguais que encontramos o conforto e a superação. E somos iguais por sermos humanos. Isso não é diferente pra nenhum de nós.

DOMINGO NO PARQUE

Quando eu era criança, eu e minha família costumávamos ir passear aos domingos no Parque da Água Branca. Me lembro das exposições de animais, dos viveiros, dos shows e das caminhadas perto das árvores… Do parquinho cheio de crianças.  No último domingo, depois de muitos, muitos anos mesmo, estive novamente passeando no parque em uma tarde de domingo. Além das lembranças doces, passei momentos muito tranquilos, educativos e agradáveis. Foi muito gostoso!

É um excelente lugar pra fazer caminhadas. Muitas árvores nativas, trilhas, gente passeando devagar, curtindo a natureza, e gente fazendo esporte. Uma excelente vista, bem no meio do concreto de São Paulo… E construções antigas, muito bonitas de se admirar na arquitetura, e também pelo valor histórico.

Os viveiros não existem mais. Os animais foram soltos e galos, galinhas, pássaros de muitos tipos, pavões e outas aves passeiam livremente pelo parque, convivendo com as pessoas. Nos lugares onde antes elas estavam presas, foram criados quiosques de leitura. Cada viveiro abriga um gênero – romances, livros infantis, quadrinhos, revistas, poesia, informação. Livros de qualidade que podem ser retirados sem nenhuma burocracia, para serem levados a um agradabilíssimo espaço para ler, com mesas e cadeiras perto das árvores. O pessoal responsável pelo projeto está sempre por perto para ajudar. Uma delícia!

Enquanto andava por lá, deu pra ver uma rodinha de samba e chorinho de muita qualidade, e também uma apresentação de música sertaneja. O parque também conta com um aquário de primeira, espaço pra jogos de mesa, um trenzinho que corre todo o espaço, feira de orgânicos, muitas programações culturais, exposições, atividades esportivas, espaço para correr, brincar, ficar abraçadinho no banco namorando e curtindo o movimento do sol… Tudo de graça. Tem também coisinhas gostosas para comer, bem baratinhas – sorvete de groselha na máquina, milho verde, cachorro-quente e pipoca. Vi muita, muita gente bem feliz passeando por lá. E saí com vontade de voltar em outras tardes agradáveis de domingo.

Fica a dica de um passeio barato e gostoso pra se fazer, sozinho ou acompanhado da família e amados, cheio de coisas para aprender, curtir e compartilhar. 🙂

Professora Karina Cabral

PS:. Aproveito para divulgar essa excelente inciativa da EMEI Eunice dos Santos, que também criou um post sobre esse assunto – http://tvcedrorosa.wordpress.com/2011/06/05/parque-agua-branca/

Quem passa aqui, também pode passar lá! 🙂

PASSEIO DE TREM

DICA CULTURAL

PASSEIO DE TREM

ESTRADA DE FERRO PERUS – PIRAPORA

O trem de ferro prontinho para sair....

Por Daniela Costa Ramos Pissai

Trouxe para vocês uma dica cultural – um passeio de trem na estrada Perus – Pirapora. Em um domingo fui com minha família realizar esse passeio e gostamos muito. Achei interessante relatar aqui. É uma atividade do bairro de Perus e com facilidade de acesso para as famílias de nossa escola.

O passeio dura mais ou menos 1 hora ( ida, parada e volta ), e percorre cerca de 2 a 3 quilômetros na estrada de ferro. Custa R$ 5,00 ( crianças até 12 anos não pagam ) e tem três saídas por domingo, a partir de um ponto na Estrada da Pedreira.

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Durante o trajeto é possível ver a fauna e flora da região além do rio Juquehy, que margeia toda a estrada de ferro e passa ao lado do Parque Anhanguera. O trem vai até um vilarejo. Lá tem um quiosque que vende quitutes deliciosos e produtos de sua marca. Daqui a uns dois meses, o trem percorrerá mais uns 2 quilômetros, para a felicidade dos passageiros!

Neste vilarejo é possível ver locomotivas paradas que estão esperando para ser recuperadas. Um funcionário vai explicando o funcionamento da Máquina a Vapor que nos trouxe até ali, e contando um pouco da história das outras máquinas que estão esperando para serem recuperadas.

 

Esta máquina a vapor é do ano de 1912 e fará 100 anos o ano que vem!

 

Durante o trajeto um funcionário vai contando um pouco da história da estrada de ferro e juntamente a da cidade de Perus. Contou um pouco  sobre as pedras de Cajamar e de Perus – uma delas seria usada para calçamento da cidade, e no entanto descobriu-se que a pedra era boa para fazer cimento. Aí nasceu a Fábrica de Cimento de Perus, que foi a primeira fábrica de cimento do Brasil.

O trem fica parado um tempo e dá para passear entre as outras locomotivas paradas – ver como eram, quando foram fabricadas e para que serviam antigamente. É triste ver que muitas delas estão bem judiadas pelo homem e pelo tempo.

Apita o trem e já é hora de voltar infelizmente.

Na volta senti o ventinho batendo em meu rosto, e fiquei imaginando como era a vida das pessoas antigamente… Foi emocionante escutar bem alto aquele Piuíiiiiiiiii….

 

Quer saber um pouco mais?

Leia aqui!

Trem de Ferro

Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Café com pão

Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô..
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pato
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
Que vontade
De cantar!

Oô…
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia
Ôo…
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Ôo…
Vou mimbora voou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Ôo…

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…

INCLUIR É UMA OPÇÃO!

O que caracteriza um educador não é o nome do seu cargo, nem se ele trabalha nos corredores da escola, na cozinha, na secretaria ou dentro da sala de aula – verdadeiro educador é aquele que trabalha pra valer contribuindo com tudo que pode, assumindo postura envolvida, investigativa, interessada e sensível em relação às crianças. Ana, uma de nossas ATEs ( inspetoras ), mostra, em seu relato sensível, a qualidade de seus ideais e de seu trabalho junto aos pequenos

INCLUIR É UMA OPÇÃO!

Por Ana Damasceno Nascimento

Olá!

Eu sou Ana, trabalho há quase três anos na EMEI Jardim Monte Belo, e o meu cargo é de ATE I – Inspetora ( Auxiliar Técnico Educacional ). Minha função na escola é auxiliar os pequenos na higiene, na alimentação, e também quando infelizmente eles estão mal de saúde ou sofrem algum acidente. Quando necessário, auxilio as professoras nas classes. Faço a entrada e saída das crianças… E onde precisarem de mim na escola, eu ajudo.

Falar de inclusão, para mim, é falar de uma via de mão dupla. Por quê? Aprendi que quando se matricula uma criança com necessidades especiais em minha escola, ela será, sim, inclusa neste novo convívio social. Mas eu, como educadora, também terei que ser inclusa na realidade dela, em seu mundo.

Tenho tido experiências indescritíveis com essas crianças… Experiências que levarei para onde eu for.

Quando comecei a trabalhar na EMEI Jardim Monte Belo, me deparei com pessoas que, querendo ou não, me assustaram, descrevendo como seria a minha realidade com alunos de inclusão. Confesso a vocês que “tremi na base”, senti medo de não saber o que fazer. Foi então que conheci o Rafael, a Vitória e o Diego. Realmente, era tudo muito diferente para mim. Por exemplo, o Rafa… Ele ia ao banheiro, mas se eu descuidasse, fazia a maior sujeira… Fora que, na hora do lanche, ele cismava de brincar de pega-pega – só que era eu quem corria atrás dele…

Não vou ser hipócrita dizendo que tudo eram flores, pois não era. Mas quando comecei a ver essas diferenças, na verdade, meus olhos mudaram… Eu comecei a ME incluir. Percebi que quando o Rafa sujava o banheiro, a sua sujeira era porque estava tentando se limpar sozinho; que quando babava demais é porque estava muito feliz com tudo que vivia na escola; e o melhor: ele entendia que eu o amava… Sinto que ele percebia o carinho das pessoas e respondia a isso do jeito dele.

Cá entre nós, me entristeço quando essas crianças têm que partir da nossa escola. Sei que lá fora há pessoas que não acreditam que é possível. A todo momento, essas crianças terão que lidar com a sorte… Sorte de cair em uma escola legal, sorte de ter quem pense sobre isso por perto, sorte de ter uma professora ou uma funcionária que abrace essa causa.

Se os educadores não optarem por dar continuidade a um trabalho como esse com essa criança, haverá a regressão… Eles estarão cada vez mais longe da autonomia, da dignidade de serem pessoas inteiras, dos seus direitos de cidadão… Do seu desenvolvimento pessoal.

Sei que o diferente, muitas vezes, assusta. Mas o que é mais aterrorizante é a indiferença!

Ana Damasceno Nascimento

VIZINHANÇA

UMA PÁSCOA REPARTIDA NA EMEI JARDIM MONTE BELO

Em visita à EMEI Jardim Monte Belo, a redação do MBE ( Monte Belo Educar-Ação ) pode conhecer um dos projetos que a escola desenvolve com um olhar diferente para a Páscoa. A convite da ex-professora Antônia Dionísio, fomos conferir, e ela nos explicou que a intenção da escola, ao comemorar a data, é marcá-la pra os pequenos como um momento de repartir e solidarizar-se, não apenas um momento de consumo ( como promove a mídia nos meios de comunicação social ).

Como parte da atividade, as crianças receberam a visita de um “coelho”, que trouxe um grande ovo de chocolate para cada sala. As crianças, junto com a professora, fizeram a divisão do chocolate para que todas se deliciassem.

A EMEI desenvolve outros trabalhos interessantes que divulgaremos nas próximas edições. Entre eles está um projeto interessante de leitura.

Apesar de estarem tão perto fisicamente e atenderem praticamente as mesmas famílias, EMEI e EMEF acabam não conhecendo os trabalhos desenvolvidos uma da outra.

Para promover maior união ( que conta também com o aniversário de 10 anos das duas unidades ), já está sendo pensada uma atividade em comum que se transforme em uma grande festa para as duas escolas.

Retirado da Edição 42 do Jornal Semanal “MB EDUCAR-AÇÃO”, de Maio de 2o11, editado por professores e alunos da EMEF Jardim Monte Belo

É isso aí! Quem tem bons vizinhos tem tudo! 🙂

O texto conta um pouco do nosso trabalho com as crianças durante a páscoa. Ao contrário do que, muitas vezes, se mostra como tradição na Educação Infantil, não costumamos trabalhar datas comemorativas com modelos prontos de trabalhinhos manuais, nem com rodas de conversa sem contextualização, nem enfocando o sentido religioso de nenhuma data ( como bem sabemos, a escola pública deve ser laica, ou seja, não pode professar nem privilegiar os princípios de nenhuma religião ). Sempre procuramos dar um enfoque cultural e significativo para as crianças e suas famílias, escolhendo apenas algumas datas para comemorar de maneira bem pensada. A Páscoa é uma delas.

Agradecemos à equipe do MB Educar-Ação, que tem nos ajudado a divulgar melhor nosso trabalho e promover a união das duas unidades.

Acesse também a página da EMEF Jardim Monte Belo, clicando AQUI.

ISSO É DE MENINA, ISSO É DE MENINO…

Se a escola pode ajudar a mudar uma realidade social de injustiça, preconceito e discriminação, também pode ajudar a mantê-la… A professora Valéria Marques Mendes propõe uma reflexão importante a todos que educam crianças pequenas – o quanto nossas ações reforçam a diferença histórica construída entre homens e mulheres, quando eles ainda são meninos e meninas?

Isso é de menina… Isso é de menino

Relações de Igualdade na Infância

Por Valéria Marques Mendes

Para começo de conversa….

Vocês já pensaram que a construção da ideia de gênero – o que entendemos como papel social do homem e da mulher – passa por nós, educadoras, na Educação Infantil?

Há várias discussões sobre o tema GÊNERO. Comecemos esclarecendo dois conceitos que nos ajudarão a entender melhor esse tema:

* Na Biologia, usamos o termo “gênero” como categoria classificatória; os animais de determinada espécie nascem machos se forem do sexo masculino, e fêmeas se forem do sexo feminino; é um dado bem objetivo…

* Nas Ciências Sociais ( sociedade ), o gênero é visto como uma construção social do que vem a ser o homem e mulher na sociedade, qual é o papel de cada um no grupo. Assim não nascemos, somos ensinados a ser; o que vem ser a construção social.

Partindo dessa concepção, gênero ( masculino ou feminino ) é uma construção social, algo que nos é ensinado desde bem pequenos.

Como ocorre isso dentro de nossas escolas?

Meninos brincando de casinha - nem por isso deixam de ser e gostarem de ser meninos...

Educadoras e educadores da infância, pensem bem! Em nossas relações com as pessoas pequenas, em todos os espaços da escola ( sala, parque, refeitório, corredor, pátio…), pensar a relação entre mulheres e homens ( meninas e meninos ) com igualdade é algo que poderá nortear nosso fazer educacional, certo?

Desta forma, podemos pensar o gênero como categoria de análise social, e não como classificatória. Deveria ser nosso papel abrir questões, reflexões, e não reforçar padrões que nem mesmo sabemos de onde vieram, e que só servem para oprimir.

Em outras palavras…

Para melhor refletirmos nossa ação como educadoras e educadores , proponho algumas perguntas. Em nossa rotina diária quantas vezes reforçamos gênero (biológico ou social), em ações simples, como:

* Pilhas de cadernos de menino de um lado e meninas do outro;

* Meninas brincam com casinha, bonecas;

* Meninos brincam com carrinhos, oficina, animais;

* Brincadeiras de meninas ( amarelinha, corda, elástico, passa anel…);

* Brincadeiras de meninos ( pega-pega, esconde-esconde, futebol…);

* As meninas sentam- se de um lado,

* Os meninos sentam-se do outro;

* Azul, verde são cores de menino;

* Rosa, lilás e vermelho só as meninas podem usar;

* “Essa menina é tão moleca…”;

* “Esse menino é tão afeminado…”;

* Fila de menino;

* Fila de menina;

* E outras tantas ações.

Você pode ser fermento da mudança…

Vocês já pararam para pensar que as mulheres são maioria dentro da Educação Básica, principalmente nas séries iniciais (Educação Infantil -CEIS/ EMEIS – e Fundamental 1)? Em sua escola, quantos educadores ( homens ) há? Será que não é papel dos homens ( pais ) educarem seus filhos/as ou somente essa é função das mulheres? Será que a baixa remuneração justifica o afastamento dos homens nesse espaço? Ou será que tudo isso foi nos ensinado socialmente ( desde cedo ), que quem educa as crianças são as mulheres?!

Há necessidade de revermos nossas ações como mediadoras/es, para além de categorizar o que é masculino e feminino. Só assim, poderemos pensar uma sociedade onde haverá equidade dentre mulheres/homens /natureza de forma sustentável. Ou reforçamos certos valores ou emancipamos com uma pedagogia libertadora – a escolha é nossa… E precisamos estar bem conscientes para fazê-la.

Professora Valéria Marques Mendes

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