EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para agosto, 2011

BICHINHOS DE JARDIM… BEM PERTINHO DE MIM! – PARTE I

Por Professora Karina Cabral

Um olhar curioso para o caracol e para o mundo... 🙂

A INTENÇÃO

Um projeto sobre bichinhos de jardim, com os objetivos principais de tomar contato com a leitura e a escrita de textos informativos, o estímulo à curiosidade científica e a tentativa de fazer desenhos detalhados e científicos.

A PROPOSTA FEITA PARA AS CRIANÇAS…

Montar um calendário para 2012 com informações sobre bichinhos de jardim.

PARA ISSO, ELAS PRECISAM…

* Saber o que é e como se faz um calendário;

* Estudar sobre os bichinhos de jardim;

* Ler e escrever sobre o que estão estudando;

* Tomar decisões sobre esse estudo e a maneira de colocá-lo no calendário;

* Entender o desenho científico e arriscar-se a fazê-lo.

Como toda boa viagem, um bom projeto com as crianças precisa ter um plano inicial, mas também a possibilidade de improviso, tomada de decisões em conjunto e espaço de folga para a descoberta.

DIÁRIO DO PROJETO – DIA 1 – 26 DE AGOSTO DE 2011

Atividade – Roda de Conversa Inicial

Hoje nós tivemos uma primeira roda de conversa, onde a professora Karina perguntou se nós já tínhamos visto bichinhos de jardim.

Todo mundo começou a falar um monte de coisas sobre bichos. É impressionante como criança gosta de bichos!

Acontece que nem todos os bichos vivem no jardim, porque o jardim não é grande como a floresta e outros lugares, ele é um espaço de terra bem pequeno, e que normalmente fica nas casas e nas escolas, ou em praças. No jardim tem flores, e tem matinhos e árvores, e os bichos de jardim são pequenos, até pra poder caber no jardim.

A Karina falou que os bichinhos de jardim na maioria das vezes são de uma família chamada insetos, e eles são animais que não têm osso. Ela também disse que os cientistas que estudam os bichos se chamam biólogos, e que eles descobriram muitas coisas. Eles dão nome aos bichos, observam o que eles fazem, o que eles comem, tiram fotos e desenham sobre eles, e por isso nós podemos ler nos livros um monte de informações legais sobre os bichos.

Alguns bichinhos de jardim que a gente lembrou: joaninha, caracol, besouro, borboleta, abelha, lagarta, grilo, formiga.

Todo mundo ficou bastante animado com a ideia de fazer um calendário de bichinhos de jardim, mas ainda mais animado com a ideia de construir um terrário.

O terrário é um jardim bem pequeno que fica dentro de um vidro. Tem um jeito certo de fazer terrário… A Karina vai pesquisar esse jeito certo e contar pra gente na segunda-feira.

DIÁRIO DO PROJETO – DIA 2 – 29 DE AGOSTO DE 2011

Atividades – Leitura da receita de como fazer um terrário, escrita de bilhete, visita livre ao jardim da escola.

Na hora da roda de leitura, a Karina trouxe uma receita de terrário que ela escreveu depois de ter pesquisado alguns sites na internet.

Ela leu a receita, e nós fomos falando sem parar, porque todo mundo está com muita vontade de ver o terrário pronto e ver os bichinhos de jardim. Nós descobrimos que para fazer um terrário é preciso ter um vidro, pedras, areia, carvão, terra, plantas e bichinhos de jardim. Algumas crianças falaram que vão trazer carvão porque têm em casa, e outras falaram que vão trazer bichinhos de jardim depois que o terrário estiver pronto.

Nós fomos então visitar um jardinzinho pequeno que tem perto da janela da nossa sala, e muita gente nem sabia que tinha esse pedacinho de jardim lá.

De longe parecia que não tinha nada, mas de perto, a gente começou a ver casa de marimbondo, aranhas, tatu-bolinha, uma mariposa morta, formigas, e um mooooooonte de caracóis!

O Irnac achou um caracol que estava dentro da casinha, e ele andou um pouco na nossa mão, todo mundo ficou muito feliz de ver isso!

Depois que a gente voltou pra sala, a Karina leu a outra parte da receita, que fala dos cuidados que temos que ter para montar um terrário:

  • Não pegar os bichinhos com força, apertando eles, porque eles podem morrer;
  • Se pegar lagartas ou outros bichos que comem folhas, tem que trazer a folha junto, senão eles morrem;
  • Depois de colocar os bichinhos e plantas dentro do vidro, precisamos prestar atenção todo dia pra ver se eles estão passando bem; plantas murchas e bichinhos parados é sinal que temos que abrir o terrário e devolvê-los pra natureza…

  • O terrário tem que ficar em um lugar que bata sol, mas não debaixo do sol diretamente, senão os bichinhos e plantas podem morrer abafados;
  • A gente tem que ter cuidado pra pegar bichos, pedindo ajuda para os adultos, pois tem bichos que queimam e picam pra se defender. A Karina disse pra gente não pegar lagartas pretas e peludas, e nem pensar em abelhas… Formigas só com proteção para as mãos, e nunca devemos mexer no formigueiro, porque a gente também ia ficar nervoso se alguém viesse mexer na nossa casa e destruísse tudo…

Amanhã vai ser dia de montar o terrário!

A gente também escreveu um bilhete para os pais e mães, e também para as pessoas da escola, explicando o projeto, e pedindo a ajuda deles para mandar calendários e materiais de pesquisa sobre os bichinhos. Amanhã a gente vai escrever também pra Meire e pra Regina, para que elas ajudem a gente a fazer uma excursão pra um lugar bem legal onde a gente possa estudar os bichos.

Fontes: http://profaline-ciencias.blogspot.com/2009/04/como-fazer-um-terrario.html

http://blogdoprofessorcarlao.blogspot.com/2009/04/dicas-para-montar-um-terrario.html

 

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LAS COLORES DE LAS FLORES

Fica a dica desse lindíssimo e curtinho documentário que conta como um menino cego conseguiu fazer uma redação sobre as cores das flores.

Como diz a Meire, nossa coordenadora… Quem sabe até onde um humano pode chegar? 🙂

Professora Karina Cabral

ELES SERÃO MELHORES…

Por

Professora Karina Cabral

Há esperança para o mundo. Digo isso olhando as crianças. Eles têm apenas 3, 4 anos. E embora eu saiba que, como pregava a linda canção do Louis Armstrong, o mundo é maravilhoso e eles saberão muito mais do que eu jamais poderei saber, algo é certo pra mim – eles farão do mundo um lugar melhor pra se viver.

Os meninos serão homens melhores, porque agora brincam com bonecas, panelinhas, perucas e casinha como qualquer menina. Eles abraçarão melhor os filhos porque ninam os bebês de brinquedo sem culpa, e dividirão as tarefas de casa com as meninas, que por sua vez, também serão mulheres melhores. Elas querem ser motoristas, médicas, querem empurrrar o carrinho, e não aceitam mais ficar de fora de nenhuma brincadeira só por serem meninas – sem deixar de adorar batom e maquiagem.

Eles serão cidadãos melhores porque não aceitam ordens absurdas sem questionar os adultos, e perguntam sobre tudo que têm dúvida. Serão melhores por entender a importância de aprender a amarrar o próprio sapato, tirar a própria blusa, resolver os próprios conflitos, tomar decisões e fazer escolhas. Serão mais ordeiros por terem muitas coisas pra organizar e guardar, e por, mesmo sendo tão pequenos, terem acesso à informações, livros, computadores, documentários, boa música, arte e cultura, internet e todo tipo de esporte.

Mas quando vejo as crianças agindo em relação às crianças com deficiências e necessidades especiais, vejo que ele serão MUITO melhores que nós.

Convivo tanto com eles que às vezes esqueço o quanto são pequenos… O quanto ainda têm pela frente. São criancinhas de apenas quatro anos, cheias de vontades individuais, egocêntricas, ainda tentando se entender no mundo. Personalidades em choque relacional, pessoas inteiras que até pouco tempo não conheciam muito mais que o bordado da barra da saia da mãe. Crianças carentes de atenção, de orientação, de descoberta, de carinho, de mim… Ávidas pelo mundo e tudo que ele tem, capazes de aprender muito, e com uma velocidade espantosa. E, ainda assim, tão pequenos e envolvidos em si mesmos, eles conseguem olhar para as necessidades do outro, com sensibiliade espantosa.

Eles conseguem esperar a vez sem empurrar. Conseguem pegar a mochila do amigo. Conseguem dar prioridade na fila do lanche. Conseguem ajudar a descer e subir da cadeira de rodas. Conseguem reduzir o ritmo de uma brincadeira para que todos possam brincar. Tratam com muito respeito o fato de um amigo não andar, não falar ou usar fraldas. Conseguem perceber quando ele precisa de água, quando não está sentado confortavelmente, quando  não alcança alguma coisa. E estão sempre lá pra ajudar.

Quando eu era criança, era feio ser diferente. Eu nunca convivi com nenhuma criança deficiente na escola. Quem era negro, gordo, quem usava óculos, ou tinha uma nacionalidade diferente, quem era mais pobre ou tinha pais esquisitos, quem era adotado ou nordestino, todas essas pessoas eram excluídas e agrupadas à parte, como se fosse feio não ser do jeito ideal. E isso causava tristeza, agressão, apatia, dor, raiva.

Alguém diria, o mundo vai estragá-los. Sim, sempre estraga, e isso é inevitável. Há um lado escuro no ser humano que é assustador.

Mas continuo crendo que eles ainda serão melhores. E isso me dá força pra ir continuar trabalhando todas as manhãs.

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