EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para outubro, 2012

PROJETO HORTA – 2012

Por Silvia Cavalheiro dos Santos Melo
 O objetivo do projeto  é sensibilizar e conscientizar as crianças de que a vida depende do ambiente e o ambiente depende de cada um de nós.
BUSCAMOS:

•Dar oportunidade para as crianças  aprenderem a cultivar plantas utilizadas como alimentos;

•Despertar o interesse  das crianças para o cultivo de horta e conhecimento do processo de germinação;

•Conscientizar da importância de uma alimentação saudável  saboreando um alimento saudável e nutritivo, que foi cultivado e colhido pelo grupo ;

•Criar condições para que as crianças construam conhecimentos no contexto interdisciplinar;

•Relacionar os conteúdos aprendidos aos problemas da vida urbana, considerando a noção de equilíbrio do ambiente;

• Propiciar a cooperação em projetos coletivos;

•  Criar na escola uma área verde produtiva pela qual todos se sintam responsáveis

A ideia do Projeto Horta surgiu no início do ano letivo numa reunião pedagógica em que estavam presentes a Equipe Escolar da Emei e o Departamento de Parques e Áreas Verdes. Eu me identifiquei com o tema e gostei da ideia de transformar um pedacinho do espaço escolar em uma área de conhecimento e vivências com as crianças.

          
Acreditei que fosse possível e junto com a turma , em agosto, iniciamos o processo. Nessa ação contei com a colaboração dos meus tios que vieram à escola para ajudar: conversaram com as crianças
prepararam o terreno e os canteiros.
         Nesse tempo muitos desafios foram vencidos e faz a diferença  trabalhar num lugar especial, que tem uma equipe escolar que se envolve, visando o bem estar da criança e que  também não mede esforços para que esta escola seja o que ela é: uma escola feliz, com  crianças felizes que são compreendidas na sua complexidade.
      O  projeto horta tem ajudado  adultos e crianças construirem a noção de que o equilíbrio do ambiente é fundamental para a sustentação da vida em nosso planeta.
       A reflexão sobre o ambiente que nos cerca e o repensar de responsabilidades e atitudes de cada um de nós, gera processos educativos ricos, contextualizados, significativos para cada um dos grupos envolvidos.
O QUE ACONTECEU?
•Visitamos uma horta bem grande da região e falamos muito sobre isso. Realizamos visita ao entorno da escola  para observação do ambiente e colheita de sementes
•Pesquisamos tipos de verduras e legumes que as crianças comiam em casa.
•Iniciamos na prática os cuidados com a horta: observação e transformação do ambiente
•Preparamos a terra: retirando as pedras, revolvendo , lidando com as ferramentas, com  a mão, etc….
 • Descobrimos que o solo que tínhamos era pobre e precisava ser adubado.
• A descoberta de inúmeras formas de vida que  existem e convive na horta foi fantástica para as crianças.
•Novas palavras foram surgindo e muitas conversas….
•O encanto com as sementes que brotam como mágica.
•A prática diária do cuidado foi e ainda é um exercício. Regar, transplantar, tirar matinhos, aprendemos que o exercício da paciência e a perseverança são necessários até que a natureza nos brinde com a transformação de pequenas sementes em verduras e legumes viçosos e coloridos.
• Estas vivências  transformam pequenos espaços da escola em cantos de muito encanto e aprendizado para todas as idades. Os adultos e as crianças se envolveram, houve um  “encantamento” pelo processo e pelo produto.Os profissionais da Emei se envolveram e alguns em particular auxiliaram diretamente.
     Notamos que a leitura de textos informativos e científicos ampliando os conhecimentos das crianças. O interesse por insetos  foi aumentando a cada dia,  com aparecimento de diversos bichinhos na horta.
As crianças também se apropriaram de palavras e conhecimentos que não tinham antes.
Aos poucos as crianças estão comendo mais legumes e verduras.
    A horta foi uma ideia que começou simples mais foi tomando corpo, deu muito trabalho e muitas alegrias.  Muitas aprendizagens aconteceram e muitas ainda virão para todos, adultos e crianças…..
Percebo que agora a horta  é a menina dos olhos da escola.

DIA DO PROFESSOR

HOMENAGEM DO BLOG DA EMEI JARDIM MONTE BELO AO DIA DOS PROFESSORES

“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.

Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê.

Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa.

Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar.”
(Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 2011)

VIVÊNCIAS DO PERÍODO INTERMEDIÁRIO – PROJETO UNIVERSO CORPO

olhar demoradamente e tocar o rosto do outro – um prazer, e uma lição para a vida…

Professora Karina Cabral / Professora Lucimar Bittencourt Lara

POR QUE AS VIVÊNCIAS COM O CORPO?

                Com a nova realidade institucional das EMEIs na Prefeitura de São Paulo – o aumento do período de permanência das crianças na escola de 4 para 6 horas diárias – nos deparamos com um desafio: como tornar esse tempo de 2 horas agradável, produtivo e inovador para as crianças?

Sabemos que em muitas escolas o aumento do tempo foi apenas uma extensão do período “normal”; mesmo com a troca de professoras, as crianças continuam se alimentando, brincando e aprendendo da mesma forma que faziam antes. E ouvimos muitos relatos de colegas de outras escolas falando sobre como os pequenos se sentem cansados, as professoras desmotivadas e a rotina da escola acaba apenas reforçando uma visão em que a criança tem pouca autonomia.

Também observando experiências positivas, pensamos que essas 2 horas poderiam ser gerida de forma diferente. E no ano de 2011 começamos um projeto de proporcionar vivências interessantes para as crianças, em linguagens que são menos contempladas na sala de aula. Cada professora montou um projeto de dois meses – música, jogos, construção de brinquedos, teatro e brincadeiras tradicionais – e as crianças puderam rodiziar entre eles a cada dois meses. Foi realmente um tempo diferente para elas, onde puderam viver experiências bem interessantes.

Na avaliação do projeto, percebemos que nossa ideia, embora fosse muito proveitosa, tinha que passar por alguns acertos. Por exemplo, menos trocas de professoras, para que os vínculos entre adultos e crianças fossem mais preservados; a troca de linguagens, para que as crianças não repetissem as mesmas experiências; e o estabelecimento de parceria entre as educadoras, para que os conjuntos de vivências não ficassem tão isolados uns dos outros.

A partir dessa avaliação, planejamos para o ano de 2012 dois grandes grupos de oficinas, com intenção de que durem 1 semestre cada uma: um projeto sobre meio ambiente, e um sobre o corpo e suas possibilidades de interagir com outros corpos e com o mundo.

OBJETIVOS GERAIS – VIVÊNCIAS DO PERÍODO INTERMEDIÁRIO

É nossa intenção que…

  • O tempo que as crianças passam na escola seja prazeroso e propicie vivências de autonomia;
  • As linguagens pouco contempladas no período de 4 horas sejam valorizadas pelo projeto;
  • Haja uma ampliação da possibilidade de interação com outros alunos, professoras e funcionários da escola;
  • As crianças possam interagir em diferentes ambientes, com diferentes bens culturais.

UNIVERSO CORPO

                Há muito o corpo foi colocado para fora da escola. Habituados a uma visão separatista do ser humano, esquecemos que somos um só. Mente, afeto, corpo – tudo faz parte de nós e nos faz ser quem somos. Esse ser integral está no mundo em contato com a natureza, com outros seres vivos, e também outras pessoas como ele.

meninos e meninas redescobrindo o prazer de explorar a pele em contato com a água e areia

Mas a realidade de hoje é tão complicada… Vivemos em um mundo consumista, individualista, onde as pessoas perderam a dimensão do que é se relacionar com outro ser humano, tocando-o, observando-o, respeitando-o. É um mundo que se confronta com o uso abusivo dos recursos naturais. Um mundo onde o tempo, cada vez mais escasso, impede que se dê valor ao prazer de ver o pôr-do-sol, de observar as nuvens no céu, de esperar o tempo passar, de ruminar os acontecimentos e sentimentos.

soprar a água, sentir o vento, ouvir os pássaros, ou simplesmente respirar… quantas possibilidades do corpo podemos trazer à tona em ações simples?

E o corpo das crianças também sofre os efeitos de tudo isso. Um corpo ansioso por movimento, mas preso nos espaços pequenos das casas e apartamentos. Um corpo desejoso de toque, mas cerceado pelo medo dos relacionamentos. Um corpo capaz de sentir e apreender o mundo, mas podado pela falta de tempo de sentir o sabor, o cheiro, a textura das coisas. Um corpo ansioso por simplicidade e silêncio, mas excitado por inúmeros estímulos visuais e sonoros que nem sempre consegue aproveitar e distinguir. Um corpo pronto para o mundo, mas negado por ele…

Pensamos em trazer de volta para as crianças vivências que ofereçam a elas a oportunidade de deixar esse corpo fluir, crescer, se relacionar, sentir. Vivências que ajudem a perceber o mundo através desse corpo… A conhecer melhor a si mesmas… A conhecer melhor os outros que estão mais próximos.

o prazer também faz parte do currículo escolar…

Tocar o corpo do outro, brincar com ar, com terra, com água… Gritar, ficar em silêncio, perceber a sombra, sentir aromas, sabores… Dançar, brincar, expressar-se pela arte… Usar o tato para tocar em massas, texturas, saliências… Criar, expressar, relacionar-se. Quanta coisa que a escola habitualmente deixa de lado… Quantos saberes possíveis!

o valor de um toque, é inestimável!

Por isso bolamos oficinas que reencontram esse corpo que a escola insiste em esquecer… Queremos conosco crianças inteiras, que se expressem em sua totalidade, com toda a complexidade de seu ser… E que consigam desenvolver habilidades e sentir prazeres que tornam a infância de qualquer pessoa alegre e inesquecível. E os frutos estão vindo! 🙂

 

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