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Arquivo para agosto, 2015

SER EDUCADORA DA INFÂNCIA É…

Na última quinta-feira, dia 27 de agosto, tivemos a alegria e a honra de representar os educadores da infância da cidade de São Paulo em uma mesa que fechou o Seminário da DRE Santo Amaro em comemoração aos 80 anos da Educação Infantil no município, no CEU Alvarenga.

Foi um momento doce, e para nós, muito profundo, estar ali, falando da nossa prática diária.

Apresentamos aqui o texto lido e debatido lá, com as imagens que retratam o cotidiano de nossa escola.

É impossível colocar em palavras o tamanho da importância de um dos amores da nossa vida, que é o nosso trabalho… Mesmo cansadas, estressadas, esgotadas, seguimos lutando pela educação da infância, porque amamos o nosso ofício, e ele nos realiza.

Registramos, com a leveza do sonho e a crueza da prática, aquilo que nos faz ser quem somos, e dá sentido ao que fazemos todos os dias.

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QUE PESSOAS DEIXAREMOS PARA O NOSSO MUNDO?

Por Professora Karina Cabral

Este foi o texto trabalhado por todas as educadoras na última reunião de pais e mães. Ele veio de uma necessidade cada vez maior de discutir as questões do preconceito, discriminação e intolerância em nossa sociedade, como elas afetam a nós mesmos e como chegam às crianças. Essa necessidade veio de situações reais que vimos e vivemos com os pequenos, e que nos assustam… Mas também nos acordam. O texto calou fundo nos representantes das famílias. Aqui partilhamos com vocês!

Olá, famílias!

Como educadoras, gostaríamos de começar com vocês uma conversa difícil, mas necessária. É uma conversa que devemos fazer não apenas na escola, mas na sociedade como um todo. Ela diz respeito a três coisas que nos ferem, como pessoas e como comunidade: O PRECONCEITO¹, A DISCRIMINAÇÃO² E A INTOLERÂNCIA³ – problemas que, frequentemente, resultam em violência (física ou psicológica).

Nossas crianças são pequenas ainda, mas já têm formadas muitas ideias sobre o mundo. Observam não apenas o que dizemos, mas também cada uma de nossas ações, e a partir disso, refletem e constroem suas visões sobre elas mesmas, sobre as outras pessoas e sobre as coisas. E, mesmo tão pequenas, muitas vezes, elas já nos mostram atitudes preocupantes em relação à aceitação de outras pessoas.

Aqui na escola as crianças convivem muito e têm o direito de expressarem o que pensam e o que sentem. Cada uma delas vem de uma família, uma origem, tem uma cor de pele, uma religião, um jeito de ver a vida. Cada criança aqui teve experiências diferentes das outras e tudo isso faz com que elas sejam quem são; a isso chamamos de identidade. Do momento de nossa concepção, até envelhecermos, estamos sempre fazendo e refazendo as linhas de nossa identidade.

E se cada um tem uma identidade (que, como nossa impressão digital, é única no mundo), e se todos somos diferentes, certamente, ao nos relacionarmos com outras pessoas, estranharemos essas diferenças. É normal que as crianças se sintam curiosas acerca das diferenças, físicas ou psicológicas, que enxergam em outras crianças. Mas é o momento de mostrarmos pra elas que o diferente não é melhor nem pior, é apenas diferente. Nossa obrigação, como pessoas, como cidadãos e cidadãs, é respeitar toda e qualquer pessoa, seja ela como seja.

Aqui na escola convivemos com muitas crianças e sabemos o quanto elas, mesmo parecendo inocentes, podem ser cruéis. Identificamos, diariamente, situações de preconceito, discriminação e intolerância, contra as quais nos posicionamos firmemente como educadoras. Algumas delas:

  • Etnia: crianças que dizem “não gostar” de outras de pele negra; comentários sobre cabelos crespos, dizendo que são “feios” ou “ruins”, comentários maldosos sobre características físicas.
  • Gênero: crianças que não deixam os amigos ou as amigas brincarem por ser “brincadeira de menino” ou “menina”; meninos que se referem às colegas como “piriguetes” ou “vagabundas” (e outros nomes piores); crianças que repreendem colegas que choram dizendo que “homem não chora”.
  • Econômico/ Social: crianças que se referem com desprezo às funcionárias da limpeza, crianças que dizem que a mochila do amigo é “de pobre”, crianças que exibem um brinquedo, roupa ou pertence dizendo que o outro “não tem” ou “não pode comprar”.
  • Estético: crianças que ofendem ou zombam de colegas gordos ou obesos; crianças que não querem brincar com um amigo por achá-lo “feio”; crianças que riem de outras por alguma característica física.
  • Deficiência/dificuldade: crianças que se negam a entender as prioridades que são dadas aos colegas cadeirantes; crianças que riem dos outros por precisar de apoio (óculos, botas especiais, etc), ou por serem mais lentos ao andar ou brincar.

Cada vez que uma coisa assim acontece, nós conversamos com as crianças – as que magoam e as que são magoadas – para tentar conscientizá-las sobre a gravidade de excluir, discriminar ou desrespeitar uma pessoa. Mas não é uma tarefa fácil. Especialmente quando as crianças justificam suas ações citando a família – pais, mães, irmãos e irmãs, avós e avôs, tios e tias – como referência e modelo de comportamento.

Por isso, queremos que esta carta sirva de reflexão para vocês… Para que possam pensar sobre a responsabilidade que é educar uma criança para que seja uma pessoa íntegra, que conversa bem com todos e todas e que respeite as pessoas.

Para tanto, vocês, adultos referência, educadores responsáveis, família… Precisam observar bem suas próprias atitudes, a maneira como expressam suas crenças e conversar com elas sobre tudo isso. Precisam ser firmes em mostrar a elas o que esperam delas, e o que desaprovam em seus comportamentos. E acima de tudo, precisam dar bons exemplos e modelos de referência para elas.

Quando elas veem que vocês respeitam os outros; que os homens não xingam nem agridem mulheres; que vocês falam educadamente com todas as pessoas, que não discriminam ninguém, que não querem impor suas ideias, que não fazem piadas sobre características ou problemas de ninguém, que estão sempre espalhando paz e harmonia, evitando brigas e confusões… Que cuidam do que elas veem na televisão, ouvem no rádio, veem na internet, na rua, na igreja, nas festas… Que tomam cuidado para salvar a infância delas e não falar de assuntos inapropriados na frente delas… Em tudo isso, vocês estão educando-as para ser aquele tipo de humano com quem se deseja conviver, que respeita os demais e que ajuda na construção de um mundo bom de fato – bom para todos e todas!

Não é fácil, mas é possível. Precisamos da ajuda de vocês!

E certos da colaboração… Já agradecemos!

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

 

 

  1. “Preconceito” se refere a ideia que temos sobre algo antes de conhecer, pré-julgando.
  2. “Discriminação” é uma ação agressiva de excluir alguém de alguma situação por ele ou ela ser como é.
  3. “Intolerância” é uma postura de não aceitar nada diferente.

 

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