EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para março, 2016

LEITURA -UMA CONVERSA COM AS FAMÍLIAS

Ideias discutidas pelas  educadoras da EMEI Jardim Monte Belo 

Dedicado às famílias de nossas crianças por ocasião do início do empréstimo de livros em nossa escola

Texto – Professora Karina Cabral

BIBLIOTECA CIRCULANTE –  RECEBA UM LIVRO DA ESCOLA EM SUA CASA!

Que ler é importante para aprender coisas, para ter prazer e se divertir, para instigar a imaginação e para ser uma pessoa melhor… Isso, todo mundo sabe.

Que as crianças, jovens e adultos brasileiros, comparados a pessoas de outros lugares do mundo, infelizmente, não gostam muito de ler e leem pouquíssimo… Isso todo mundo sabe também.

O que faltou na nossa formação para que todo mundo gostasse de ler? Por que as pessoas não leem, ou dizem não gostar de ler? Por que temos tanta dificuldade com a leitura?

Não faz muito tempo, éramos um país de analfabetos e analfabetas. Ler e escrever, estudar, não era direito de todas e todos, apenas privilégio de alguns muito ricos. Muitas pessoas não sabiam escrever, boa parte apenas assinava o nome e muitos outros até conseguiam decifrar as letras, mas não entendiam o que estavam lendo (quando isso acontece, dizemos que a pessoa é um analfabeto funcional). Faz pouquíssimo tempo que conseguimos garantir que a escola fosse uma realidade na vida de todas as crianças e jovens (e sabemos que, ainda assim, muitos ainda não chegaram até lá). Por isso, quem lê e escreve bem acaba tendo mais oportunidades na vida e no mercado de trabalho, dada a extrema dificuldade que a maioria das pessoas têm com a linguagem escrita… Uma dificuldade histórica.

Outro problema é o acesso. Livros (especialmente livros bons) são materiais caros. Em nosso país temos poucas livrarias e bibliotecas públicas, o que faz com que os livros nem sempre cheguem até as pessoas.Embora tenhamos algumas oportunidades gratuitas na cidade de São Paulo, sair de casa para ler não é um passeio comum. Em muitas casas não há um livro sequer. As crianças não veem seus pais e familiares lendo, então, não criam esse hábito.

E outra dificuldade: a escola de antigamente não formava leitores autônomos, que sabem escolher entre vários tipos de livros, que conseguem se concentrar em uma leitura mais difícil, que conseguem fazer da leitura uma conversa com os amigos e familiares, que se dedicam a ler um ou dois livros por mês. Em nossos livros didáticos só havia fragmentos de textos, e só agora vemos escolas com bibliotecas fartas e organizadas (mesmo assim, algumas escolas, não todas).

Sabendo de tudo isso, como fazemos para virar esse jogo e fazer das crianças e jovens leitores eficientes, que gostam de ler, usam a leitura a seu favor e se tornam pessoas melhores por causa dos livros?

É simples: nós lemos para as crianças desde muito cedo! E esperamos o tempo e os livros fazerem seu trabalho. Pronto!

A leitura é uma das bases do nosso trabalho aqui na escola com as crianças. Todos os dias lemos diversos tipos de livros para eles – materiais de qualidade, que desafiam e ao mesmo tempo divertem.

Mas ainda é pouco! Queremos que os livros também ocupem o tempo que as crianças têm em casa, que disputem com os computadores, celulares e televisão, a atenção e a dedicação das crianças. Por isso, é hora de participar de ativar a biblioteca circulante da nossa sala.

O compromisso da escola é:

  • Fornecer uma pasta para que a criança leve e traga o livro;
  • Oferecer vários tipos de livros de qualidade para as crianças, e deixar que elas escolham o que querem levar para a casa;
  • Organizar a retirada e devolução do livro, mantendo um espaço na rotina do dia a dia para que as crianças façam isso, sem dia marcado.

O compromisso das famílias é:

  • Enviar o livro emprestado de volta em poucos dias, dentro da pasta;
  • Separar um tempo em casa para ler para/com a criança, tornando esse momento agradável;
  • Responsabilizar-se em cuidar do livro e devolvê-lo em bom estado, cuidando para não rasgar, sujar ou perder.

E então… Podemos contar com vocês nessa atividade?

 

Assinem a autorização que está no caderno da sua criança, e em breve faremos mais textos com dicas para a leitura em sua casa.

 

Contamos com vocês!

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

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DIA DA MULHER – UM DIA DE LUTA

     

  Por Professora Karina Cabral             

CARTA ÀS FAMÍLIAS Nº 1 / 2016

08 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

               O dia 08 de março é muito mais que um dia para ganhar elogios vazios, flores ou chocolates. É um dia para lembrar uma luta histórica e não terminada contra a opressão da mulher, em todos os lugares do mundo.

A situação da mulher ainda é triste e injusta. Em nosso país – o sétimo do mundo onde mais se assassinam mulheres – a cada 15 minutos, uma mulher é agredida, geralmente por alguém que ela conhece e confia. As mulheres ganham salários menores que os homens exercendo a mesma função, mesmo estudando, em média, dois anos a mais. Ainda, quando engravidamos ou quando um filho ou filha nosso adoece e precisa ser levado ao médico, somos mal vistas por nossos chefes – a maioria, homens. Trabalhamos em casa e fora de casa, muitas vezes sem a ajuda de ninguém. Somos o tempo todo julgadas por tudo que fazemos e pensamos. Em um mundo pensado e construído sob a ótica do homem, somos desrespeitadas e chacoteadas ao falar nossa opinião, ao dirigir, ao escolher a roupa que vamos vestir, ao caminhar na rua. A mídia e a cultura em que vivemos nos dizem que nosso cabelo, nossa pele, nossas rugas, nossos quilos a menos ou a mais, nosso jeito de corpo não é bom e precisa ser mudado para se adequar a padrões impossíveis, e sofremos tentando ser aceitas. Em muitos lugares do mundo, mulheres ainda não podem votar, trabalhar, estudar, sequer mostrar o rosto, e são mutiladas, violentadas, espancadas, humilhadas, apedrejadas, torturadas, diminuídas. Por tudo isso, nossa luta contra a opressão ainda é grande.

Opressão é toda força maior que nos obriga a fazer algo que não queremos fazer, dizer o que não queremos dizer, ser o que não queremos ser, calar quando precisamos falar. Opressão é aquilo que nos humilha, nos maltrata, nos faz sentir pequenas, tristes, angustiadas… O que nos machuca, por dentro e por fora. Quem é oprimido se sente apertado, colocado contra a parede… Estragado. A opressão que vem de fora acaba construindo em nós um sentimento que passa a vir de dentro. De tanto sermos tratadas como um lixo, começamos a achar que merecemos isso, que o mundo é assim mesmo, que a pessoa que nos faz mal, na verdade, não é tão ruim assim, que o sofrimento é comum… E que não podemos ser felizes do jeito que pensávamos. Aos poucos, vai morrendo a força para lutar contra aquilo que oprime.

A opressão vem da cultura, da mídia, da televisão, da igreja, da escola, da política, do nosso trabalho, de pessoas que nunca vimos. Mas, dói mais a opressão que vem de nossos maridos ou companheiros, nosso irmãos, nossos pais, nossos filhos e também de outras mulheres que conhecemos, amamos e confiamos. Contra esses, dói muito resistir e perceber.

Amanhã é um dia de luta e reflexão sobre a condição feminina. Se você é mulher, esperamos que você pense e consiga identificar, em sua vida, aquilo que faz mal a você, que oprime e tira a sua liberdade, e consiga buscar alternativas, força e motivos para lutar contra isso, inclusive se unindo a outras pessoas que estão nessa luta também. E se você é homem, esperamos que você também reflita e consiga pensar em um jeito mais igualitário de viver, homens e mulheres, lado a lado, nas mesmas condições de pessoas inteiras que somos.

Em nossa escola, educamos as meninas e meninos com essa visão – tentando ensinar a elas e a eles que todos são livres, que todos têm direitos e merecemos ser respeitados como pessoas, sendo homens ou mulheres. Partilhamos disso com vocês e parabenizamos a todas as mulheres que lutam e se esforçam para ser, a cada dia, mais felizes consigo mesmas e com o mundo onde vivem.

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

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