EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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DIAS LEGAIS PARA COMEMORAR PARTE II – UMA CONVERSA COM AS FAMÍLIAS

Texto: Professora Karina Cabral

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Tempos atrás, postamos um texto em nosso blog que virou campeão de acessos e provocou muitas outras conversas com educadores e educadoras, via e-mail, encontros, discussões, fóruns – você pode ler o texto AQUI. Ele trata sobre a nossa postura em relação à comemoração de datas que as escolas infantis tradicionalmente comemoram. Esclarecemos, em nossa escrita, parte de anos de nossas discussões internas. Entendemos nosso papel como educadoras e educadores de escola pública. E a escola pública é laica ( não professa religião nenhuma ), inclusiva, consciente dos fatos de nossa História ( sempre contada pelos  dominantes, nunca pelos dominados ) e não pode incentivar o consumismo. Embora não fosse, na época, uma postura comum, era uma postura de acordo com as leis do nosso país ( Constituição Federal – 1988, e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB – 9394/96 ) e também de acordo com os ideais de uma educação democrática, para todos e todas, sem deixar ninguém de fora.

O texto rendeu muitas discussões, mas percebemos que faltava uma conversa que era a mais importante – com as famílias das crianças de nossa escola. Nas reuniões de Conselho de Escola, esse tema surgiu várias vezes. Todos os anos, metade dos alunos da escola vão para o Ensino Fundamental, e recebemos novas crianças. Essas novas famílias precisam entender nosso ponto de vista sobre esse assunto, tirar as dúvidas e dar sua opinião. E toda vez que essa troca acontece, também nos faz mudar de perspectiva, confirmando ou mudando nossas posições.

Aqui está o registro escrito da conversa que tivemos na última reunião de famílias e educadoras, este ano.

POR QUE COMEMORÁVAMOS DATAS NA ESCOLA?

Tempos atrás, aqui na EMEI Jardim Monte Belo, era comum comemorarmos essas datas na escola. É uma prática antiga, e que fazíamos sem pensar. Páscoa, dia das mães, festa junina, dia das crianças, dia do índio, dia disso, dia daquilo… Muitas escolas baseiam todo o seu planejamento educativo nessas datas. Mas aos poucos, começamos a nos perguntar SE deveríamos comemorar essas datas, e POR QUE deveríamos comemorá-las. E as respostas vieram… E atrás delas outras perguntas:

“Precisamos de temas para atividades pedagógicas.”

Mas…

Se estamos construindo um projeto pedagógico sério, estudando as melhores formas de educar as crianças, precisamos mesmo “disfarçar” as atividades em temas supostamente agradáveis?

“Todo mundo faz essas comemorações, é um costume.”

Mas…

De onde vem esse costume? Que ideologias estão por trás dele? Compactuamos com essa ideologia? A escola é um lugar de transformação ou reprodução do meio social?

“Fazemos isso para homenagear um determinado grupo de pessoas.”

Mas…

Será que essas pessoas estão sendo homenageadas da melhor forma? Comemorar o “dia do índio” é mesmo dar voz a um povo que é massacrado todos os dias? Comemorar o “dia da mulher” é falar sobre a luta das mulheres? Comemorar o dia das mães da maneira tradicional é respeitar as novas formatações de família que temos em nossa sociedade, e entre nossas crianças? Por que valorizar tanto o dia das mães, e negligenciar o dia dos pais?

“É um jeito de divulgar nosso trabalho para as famílias.”

Mas…

Será que as famílias não são capazes de compreender a fundo nossa proposta pedagógica, se explicarmos a elas? Será que um enfeite ou presentinho falará mais do que um debate, uma reflexão em grupo, uma conversa aberta, uma formação para os pais e mães?

“É uma desculpa para fazermos festas e brincadeiras para as crianças, elas gostam e se divertem.”

Mas…

A escola não deveria ser um lugar divertido e prazeroso para as crianças sempre? Não deveria ser um lugar  de brincadeiras, de ludicidade, de infância todos os dias do ano?

“As datas aproximam as famílias da escola.”

Mas…

Será que não podemos chamar as famílias em outras oportunidades, para vivenciar o trabalho da escola como ele é no cotidiano, e não apenas em uma ocasião “produzida” para isso?

“As datas ensinam valores religiosos, afetivos e morais importantes para as crianças.”

Mas…

Que valores são esses? Temos o direito de pisar em determinados terrenos sem permissão e tirar da família certas escolhas sobre a educação das crianças? Como fazemos com as crianças que são excluídas dessas comemorações por motivos afetivos, econômicos, sociais, religiosos? Manteremos essas pessoas à margem do padrão?

COMO FOI O NOSSO PROCESSO DE DISCUSSÃO?

Diante de tantas perguntas, pensamos, como grupo, que algo estava muito errado, e precisava mudar.

Partimos para um estudo detalhado sobre o tema de cada data, e também sobre as datas em si. Entramos em contato com os movimentos organizados da sociedade sobre as lutas das mulheres, dos índios, dos negros, e aprendemos muitas coisas.

Paralelamente à nossa discussão, foram acontecendo mudanças em nosso país também. Leis educacionais foram sendo promulgadas, garantindo direitos a grupos que antes eram desprezados pela sociedade ( Lei 10639/2003, e Lei 11645/2008). Começamos a entender que a escola só será para todos quando todos e todas forem estiverem dentro dela, podendo ser quem são, e tendo a origem, cultura e opções de vida respeitadas.

Começamos a fazer pequenas mudanças. Retiramos o viés de consumo e individualidade de datas como a páscoa. Paramos de comemorar datas que não tinham sentido para nós. Fomos eliminando algumas comemorações que não diziam respeito às crianças, e, ao mesmo tempo, nosso Projeto Político Pedagógico foi ganhando corpo, e mudando a nossa concepção de infância e de educação para a infância.

Nenhuma ação fica sem reação, e, claro, as famílias estranharam as mudanças. Abrimos um diálogo difícil, mas necessário com elas. Tocar nesse assunto é romper paradigmas; isso causa medo, insegurança; e muitas coisas precisam ser discutidas para que cheguemos a um consenso.

Amadurecendo e estudando cada vez mais… Chegamos, enfim, a um rompimento com essa prática. Abolimos as comemorações de páscoa, dia das mães, natal… E transformamos o caráter da festa junina e do dia das crianças. Foi um momento de postura radical do grupo, que já não via sentido nisso tudo.

Mas percebemos que esse também não era o caminho. Não há problema em comemorar… O problema é o que se comemora, e como se faz isso. E foi então que partimos para uma reelaboração do calendário de datas comemorativas da nossa EMEI.

FALAR DE DATAS COMEMORATIVAS NA ESCOLA É FALAR DE VALORES…

Percebemos que a ideia de valor é sempre individual ou social, nunca absoluta. Cada sociedade elege, em seu tempo, lugar e cultura, o que vai transformar em “valor” ou não. E se é assim, começamos a pensar em quais valores identificávamos em nossa sociedade. E percebemos que eles não eram, de fato, nossos, e não eram os valores que queríamos acordar com as crianças e famílias que passavam por aqui.

  • Nossa sociedade é baseada em individualismo… Cada um por si, e quem pode mais se dá melhor.

Mas nós pensamos em coletividade, em convivência mútua!

  • Nossa sociedade é baseada em meritocracia… Você ganha mais coisas tanto mais consegue produzir ou fazer, ainda que as condições não sejam as mesmas para todos no início.

Porém, acreditamos em solidariedade, justiça e igualdade!

  • Nossa sociedade é baseada em consumismo… Quanto mais você tem, mais você é valorizado.

Mas nós queremos valorizar o que as pessoas são, e não o que elas têm!

  • Nossa sociedade é baseada em esperteza… Não importa o que você faça, apenas tenha sucesso.

Mas nós buscamos a ética nos relacionamentos, onde ninguém passa ninguém para  trás para se dar bem, ainda que isso lhe custe algumas desvantagens!

  • Nossa sociedade é baseada em violência, exclusão e intolerância… Resolvemos os problemas da convivência com agressões, com discursos duros e egoísmo.

Mas nós queremos que nossas crianças respeitem todas as pessoas como são, aceitem a diversidade, incluam a todos e todas e sejam pacíficas!

  • Nossa sociedade é baseada em alienação… Fazemos as coisas no “automático”, sem pensar, refletir ou transformar; colocamos a nossa mente em uma tela de TV, celular ou computador e não observamos o que estamos fazendo com o mundo, com a natureza, com as outras pessoas, e conosco.

Mas nós acreditamos na consciência, responsabilidade, na capacidade de pensar e mudar as coisas para melhor!

  • Nossa sociedade é baseada em autoritarismo… Obedecemos ordens que nem sabemos de onde vêm, e o poder individual é sempre valorizado.

Mas nós acreditamos em diálogo, democracia e em construção de poder coletivo, dividido!

O trabalho com datas comemorativas, muitas vezes, reforçava valores da sociedade que temos, e não da que queremos ter.

COLETIVO, ESCOLA PÚBLICA E DEMOCRACIA

A palavra “coletivo” vem do latim “collectivus”, que significa “aquilo que agrupa, que ajunta” (fonte: site Origem da Palavra). Portanto, para fazer um coletivo, não podemos buscar o que entre nós é desacordo, é separado, é motivo de afastamento; buscamos aquilo que nos une.

E sendo assim, não vamos discriminar ninguém – de nenhum tipo de configuração familiar, religião, posição política. Não vamos sacrificar as posições de nenhuma família para fazer uma comemoração que é familiar, ou de um determinado grupo religioso; não vamos fazer o que é de todos e todas algo que é apenas de alguns e algumas.

A escola pública não é o quintal da casa de ninguém. Ela não é prolongamento de nenhuma família. Ela é um espaço que é, ao mesmo tempo, de todos e todas, mas não só desse ou daquela. É uma ideia difícil de entender, mas fácil de viver se conseguirmos nos respeitar e aceitar que  a nossa origem, as nossas posições, o nosso modo de ser, viver, pensar a vida não é o único… É só mais um, em um coletivo.

Há muita confusão acerca do conceito de democracia. Democracia não é apenas “seguir a vontade da maioria” massacrando as minorias… Mas é buscar soluções em conjunto para que todas as pessoas sejam, de alguma forma, acolhidas e respeitadas. Especialmente em um espaço público.

Por isso, nossa postura em relação às datas comemorativas tradicionais é firme, mas não é fechada. Ela tem princípios, mas pode se configurar de muitas maneiras alternativas. Mantendo a legalidade, a consciência, o diálogo, a inclusão, a qualificação pedagógica… Tentamos, então, dar um passo em direção ao futuro… E estamos conseguindo.

E ENTÃO… NÃO COMEMORAMOS MAIS NADA?

Mas nós gostamos de festa! Gostamos de celebrar! Há muitas datas interessantes que podemos recuperar, criar. Há muitas situações interessantes para viver com as crianças na escola, e nós agora estamos nesse momento… Em busca desse calendário alternativo.

Assim sendo, podemos não comemorar mais o “dia das mães”, ou o “dia dos pais”… Mas podemos fazer o “dia de quem cuida de mim”, que inclui todas as crianças e famílias que desejarem participar.

Podemos não mais fazer a “festa junina” tradicional da igreja católica, mas podemos fazer a “festa da cultura brasileira”.

Podemos não mais fazer comemorações sem sentido no “dia da mulher”, “dia do índio”, “dia da abolição da escravatura”. Mas podemos respeitar as lutas desses grupos e celebrar, com eles, as suas datas importantes.

Podemos não mais comemorar o “natal”, e a “páscoa”, datas religiosas extremamente tomadas pelo consumo. Mas podemos comemorar o “dia da solidariedade”, o “dia da gentileza”, o “dia da comunidade”. Por que não?

“Dia do livro”, “semana internacional do brincar”, “dia da poesia”, “dia da arte”… São muitas as possibilidades de festa, celebração e consciência.

Vamos celebrar?

DIA DA MULHER – UM DIA DE LUTA

     

  Por Professora Karina Cabral             

CARTA ÀS FAMÍLIAS Nº 1 / 2016

08 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

               O dia 08 de março é muito mais que um dia para ganhar elogios vazios, flores ou chocolates. É um dia para lembrar uma luta histórica e não terminada contra a opressão da mulher, em todos os lugares do mundo.

A situação da mulher ainda é triste e injusta. Em nosso país – o sétimo do mundo onde mais se assassinam mulheres – a cada 15 minutos, uma mulher é agredida, geralmente por alguém que ela conhece e confia. As mulheres ganham salários menores que os homens exercendo a mesma função, mesmo estudando, em média, dois anos a mais. Ainda, quando engravidamos ou quando um filho ou filha nosso adoece e precisa ser levado ao médico, somos mal vistas por nossos chefes – a maioria, homens. Trabalhamos em casa e fora de casa, muitas vezes sem a ajuda de ninguém. Somos o tempo todo julgadas por tudo que fazemos e pensamos. Em um mundo pensado e construído sob a ótica do homem, somos desrespeitadas e chacoteadas ao falar nossa opinião, ao dirigir, ao escolher a roupa que vamos vestir, ao caminhar na rua. A mídia e a cultura em que vivemos nos dizem que nosso cabelo, nossa pele, nossas rugas, nossos quilos a menos ou a mais, nosso jeito de corpo não é bom e precisa ser mudado para se adequar a padrões impossíveis, e sofremos tentando ser aceitas. Em muitos lugares do mundo, mulheres ainda não podem votar, trabalhar, estudar, sequer mostrar o rosto, e são mutiladas, violentadas, espancadas, humilhadas, apedrejadas, torturadas, diminuídas. Por tudo isso, nossa luta contra a opressão ainda é grande.

Opressão é toda força maior que nos obriga a fazer algo que não queremos fazer, dizer o que não queremos dizer, ser o que não queremos ser, calar quando precisamos falar. Opressão é aquilo que nos humilha, nos maltrata, nos faz sentir pequenas, tristes, angustiadas… O que nos machuca, por dentro e por fora. Quem é oprimido se sente apertado, colocado contra a parede… Estragado. A opressão que vem de fora acaba construindo em nós um sentimento que passa a vir de dentro. De tanto sermos tratadas como um lixo, começamos a achar que merecemos isso, que o mundo é assim mesmo, que a pessoa que nos faz mal, na verdade, não é tão ruim assim, que o sofrimento é comum… E que não podemos ser felizes do jeito que pensávamos. Aos poucos, vai morrendo a força para lutar contra aquilo que oprime.

A opressão vem da cultura, da mídia, da televisão, da igreja, da escola, da política, do nosso trabalho, de pessoas que nunca vimos. Mas, dói mais a opressão que vem de nossos maridos ou companheiros, nosso irmãos, nossos pais, nossos filhos e também de outras mulheres que conhecemos, amamos e confiamos. Contra esses, dói muito resistir e perceber.

Amanhã é um dia de luta e reflexão sobre a condição feminina. Se você é mulher, esperamos que você pense e consiga identificar, em sua vida, aquilo que faz mal a você, que oprime e tira a sua liberdade, e consiga buscar alternativas, força e motivos para lutar contra isso, inclusive se unindo a outras pessoas que estão nessa luta também. E se você é homem, esperamos que você também reflita e consiga pensar em um jeito mais igualitário de viver, homens e mulheres, lado a lado, nas mesmas condições de pessoas inteiras que somos.

Em nossa escola, educamos as meninas e meninos com essa visão – tentando ensinar a elas e a eles que todos são livres, que todos têm direitos e merecemos ser respeitados como pessoas, sendo homens ou mulheres. Partilhamos disso com vocês e parabenizamos a todas as mulheres que lutam e se esforçam para ser, a cada dia, mais felizes consigo mesmas e com o mundo onde vivem.

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

ARTE NAS ALEGRIAS DE QUINTAL – CRIAÇÃO COM LIBERDADE E PRAZER!

 

O percurso criativo depende de materiais adequados? De aprender técnicas interessantes? De conhecer e copiar a obra de grandes artistas? De tudo isso junto? Para nós, o percurso criativo depende de tudo isso sim, mas principalmente liberdade de escolha e prazer. Acompanhe essa reflexão sobre arte, apresentada no COPEDI – Congresso Paulista de Educação Infantil e no Seminário de 80 anos da Educação Infantil da DRE Pirituba/Jaraguá e perceba como as crianças podem nos surpreender com suas produções quando  têm liberdade de escolha e de criação. 

Por Professora Karina Cabral

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Arte e Infância: um encontro que muda tudo

Por que acontece? Nossos justos motivos

Na EMEI Jardim Monte Belo temos dois grandes anseios: fazer da escola realmente um lugar de infância e dar às crianças o justo direito de viver a autonomia, as relações e a expressão de linguagens.

Desde 2013, vivemos o projeto Alegrias de Quintal. Durante parte do tempo das crianças na escola, as educadoras oferecem várias atividades em espaços externos à sala das turmas. As crianças, todas juntas, escolhem o que, quando, com quem, por quanto tempo e onde querem fazer suas atividades (incluindo o almoço). As crianças são, assim, donas de seu tempo e de suas possibilidades de aprender.

Até chegar a essa configuração, foi um longo caminho. Tivemos que amadurecer, como educadoras, a ideia de que as crianças têm direito à infância, mas também amadurecer a nossa confiança nas capacidades delas, revendo nossos paradigmas como educadoras. Saímos do papel de “ensinadoras” para o papel de mediadoras e isso exigiu de nós estudo, reformulação pessoal e profissional, muitas conversas com todos envolvidos, reflexões, muitas tentativas, erros e acertos… E principalmente, muita parceria – entre nós educadoras, as famílias, a gestão e as crianças.

Hoje, temos um projeto institucional estabelecido, que muito nos alegra e nos realiza.

Todas as atividades do quintal são planejadas. E fazemos isso em conjunto em nossas reuniões semanais. Tentamos estabelecer desde o início do projeto, objetivos comuns e a partir deles, definir quais práticas contemplariam o que achamos essencial para as crianças viverem na escola – sempre atentas às respostas delas, chamando-as também para participar desse planejamento ao ouvi-las.

Pensando sobre as atividades que ofereceríamos no momento das “Alegrias de Quintal”, elencamos quatro linguagens que são fundamentais para nós: a brincadeira, a expressão artística, o movimento, e a comunicação com outras pessoas – afetiva, oral, textual, gestual. Outras linguagens de conhecimento também são fundamentos de nossas práticas, mas essas quatro áreas estão sempre contempladas em nossas propostas, posturas e atitudes junto às crianças.

Não foi fácil definir objetivos para a área de artes. Estávamos acostumadas, bem antes, a ver a arte como reprodução de padrões estéticos considerados “perfeitos”; e depois disso, até tentávamos estimular a criação, com sequências didáticas e projetos que ajudavam as crianças a experimentar materiais, conhecer técnicas, apreciar imagens… Mas ainda não era criação. Estávamos ainda presas à ideia de “ensino” da arte. Continuamos achando ser necessário apresentar experiências dirigidas para as crianças. Porém, percebemos que o “quintal” podia ser o momento tão aguardado, por nós e por elas para expressão mais livre.

Em Artes, queríamos oferecer atividades que motivassem a criação e ao mesmo tempo ampliassem o universo cultural das crianças. No “quintal” as crianças podem estar envolvidas ou não nas atividades artísticas, conforme suas escolhas; elas são livres para criar ou não. Sendo assim, queríamos “seduzi-las” para a possibilidade criar algo que fizesse sentido para elas, ampliasse seus conhecimentos e desse a elas o prazer da criação.

Mas, o que é criação? A história da relação da escola com a Arte é marcada por uma série de equívocos nesse sentido. Por muito tempo, pensávamos que a criação artística era uma espécie de artesanato, um treino – sabia desenhar, pintar, colar quem melhor imitasse algum modelo, ou alcançasse um padrão que considerássemos ideal para a idade. Nesse tempo, víamos apenas reproduções. Ninguém cria na mera aprendizagem de técnicas.

Depois, passamos para outro extremo, onde pensávamos ser proibido interferir nos processos das crianças, crendo na espontaneidade total; o que vimos foi um empobrecimento das criações. Ninguém cria no vazio. A criação depende de um delicado e difícil equilíbrio entre nossas experiências estéticas, ousadias, desejo, contato com recursos concretos; é nosso mundo interno – imaginação e capacidades cognitivas – querendo ser expresso em uma bela imagem. A arte pode ou não ter a intenção de comunicar algo a alguém; mas a criação é sempre fruto de expressão genuína de quem faz a arte. E nossos pequenos têm direito a experimentar essa linguagem com intensidade… Têm o direito de criar.

Mantivemos essa visão de arte e criação em mente. E junto a ela, nossa consciência que o foco das “Alegrias de Quintal” concentra-se na autonomia. A estrutura do projeto torna impossível planejar uma atividade em passos rígidos, com começo, meio e fim, uma vez que as crianças podem entrar e sair da atividade a qualquer momento. Foi hora, então, de definir objetivos gerais para as propostas de arte. Chegamos a quatro deles.

Queremos que cada uma das crianças:

  • Desenvolva autonomia ao exercer seu direito de escolha real, escolhendo, inclusive, apenas apreciar a arte, ou expressar-se através dela;
  • Tenha contato com diferentes fazeres artísticos na escola e fora dela;
  • Experimente e aprenda o uso de diversos materiais de qualidade e várias técnicas de expressão artística;
  • Sinta-se segura para criar a sua própria estética, apreciando, também, as produções dos colegas e outras referências artísticas da nossa cultura.

Começamos a nos arriscar em propostas de arte abertas, que tinham como fundamento a fruição, o contato livre, o desejo das crianças, as trocas entre elas, e delas com as educadoras. Não apenas no ateliê – espaço propício para esse tipo de atividade – mas também em outros espaços da escola, começamos a colocar possibilidades de pintura, desenho, colagem, instalações, montagens, cartonagem… Todas com o intuito de facilitar esse encontro das crianças com a arte. As crianças, seguras, começaram a criar coisas que superaram – e muito – nossas expectativas.

A cada quinzena as educadoras mudam de proposta e de espaço, mas temos alguns princípios práticos comuns em relação à arte:

  • Oferecer materiais suficientes e de qualidade;
  • Deixar que as crianças experimentem os materiais e as técnicas quantas vezes quiserem;
  • Produzir, experimentar, expor junto com as crianças;
  • Orientar a produção das crianças bem de perto, dando sugestões, fazendo questionamentos, alimentando as ideias, conversando com elas da forma mais horizontal possível;
  • Oferecer boas referências às crianças sobre as técnicas e/ou materiais trabalhados;
  • Ajudar as crianças na organização das atividades;
  • Chamar a atenção das crianças para as produções dos colegas;
  • Ater-se a detalhes do que estão fazendo.

Estas são posturas de mediação que todas procuramos ter e que nos afastam do mero ensino de técnicas. É um caminho fascinante, delicioso… Que também nos motiva a continuar sendo criadoras e recriadoras de nossa própria arte, de nossa própria prática.

Nas experiências de arte também aparecem vários temas importantes. Questões de gênero e etnia, padrões estéticos, a beleza; a cooperação; a coletividade e a individualidade; a apreciação; maneiras de lidar com o tempo; organização pessoal e coletiva. São muitos os aprendizados adjacentes às propostas de arte nas “Alegrias de Quintal”.

Depois de tantas experiências positivas, para nós ficou possível descrever o que é a criação. É um processo de escolha – escolha do que introjetar, do que externar; do que usar ou não usar; do que vai ser compartilhado, do que vai ser só seu… E assim por diante. Estamos nesse processo com elas e por elas. E hoje o que vemos é a arte enchendo as paredes da nossa escola, enchendo nossos olhos e nossa experiência, o que nos motiva a ousar cada vez mais.

Vejam como a proposta de misturar cores foi crescendo e ganhando corpo coletivo, e como essa experiência de criar painéis coletivos viraram também produções individuais, onde as crianças misturaram cores com muito método… Criando belas imagens!

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Como acontece? A arte invadindo o nosso quintal

Nosso trabalho com Artes nas “Alegrias de Quintal” caminha em três direções.

Algumas propostas são permanentes, ou seja, são oferecidas sempre. Acreditamos que alguns braços das linguagens artísticas, como o desenho e a construção, precisam estar todos os dias à disposição das crianças. Como atividades permanentes, temos espaços onde as crianças independem da supervisão direta de adultos para criar. É o caso da mesa de desenho livre (onde há suportes e materiais para desenhar), dos tapetes de materiais não estruturados ( onde as crianças podem construir arranjos estéticos) ou da parede de azulejos para pintura. Há também possibilidades de apreciação visual nos murais e paredes da escola, onde se pode olhar imagens produzidas por artistas ou por colegas.

Temos também algumas propostas auxiliares de arte. Nessas propostas, a arte é mais um recurso em um espaço onde outras atividades estão acontecendo. É quando, por exemplo, colocamos arte no parque, em um cantinho de brincadeira, ou no canto de descanso. Pode-se desenhar com giz ou gelo na quadra; ter um plástico no parque para desenhar; modelar massinha em um canto de brincadeira; pintar um pedaço do muro da escola; desenhar um boneco para brincar no canto das madeiras, e assim por diante.

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A arte ajudando a fazer pista de carrinho…

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Bonecos para brincar…

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E modelando massinha, a gente faz uma festa de aniversário!

E temos também as propostas de oficinas, onde há um tema e/ou técnica sugerida diretamente às crianças na quinzena. Nas oficinas quinzenais, as crianças têm oportunidade de aprofundar-se em uma possibilidade de arte, em um movimento que é só delas. Já passamos por várias experiências e fases. Há as crianças que sempre procuram as artes, e outras que vêm para essas oficinas conforme a proposta. Algumas delas chegam a ficar quase que todo tempo envolvidas no trabalho, seja observando ou produzindo algo.

A professora responsável fica no espaço e faz uma proposta aberta (mas com objetivos específicos) às crianças: fazer um painel grande de desenho e/ou pintura; trabalhar com mosaicos; construir máscaras; passar por uma oficina de percurso que mistura todos os materiais; fazer um retrato, ou autoretrato; formar um painel com colagem; modelar com argila; criar mandalas; construir brinquedos com sucata; pintar caixas de papelão para fazer carrinhos; fazer tinta com farinha; desenhar modelitos de roupas… E muitas outras possibilidades.

Aqui, a proposta de uma oficina de mandalas. No início, copiando modelos, depois, descobrindo os próprios traços… As crianças foram se superando em criar arranjos simétricos de cores e formas, que produziram belos painéis e produções:

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Considerações Finais

Com o tempo e a grande troca que acontece no quintal (a prática das crianças nos aprimorando como educadoras, e nós ajudando-as a avançar) percebemos que os limites para a criação existem, mas não estão nas crianças. Elas são capazes de “quase” tudo! Quem coloca o limite desse “quase” somos nós, adultas.

Com o tempo, nossa postura de mediação nessas oficinas foi mudando. Fomos entendendo o movimento das crianças. Percebemos que elas, frequentemente, nos surpreendem. Criam outros usos para os materiais. Trazem ideias de casa, fazem esboços, tentam muitas vezes e são extremamente exigentes consigo mesmas, colocando-se desafios. Percebemos que o fato de produzirmos junto com elas não as direciona para nossa estética, pelo contrário; compõe com a estética delas, e assim elas se sentem próximas de nós. Percebemos também que nossa relação de afeto com elas muda tudo. Elas se sentem seguras para conversar, para compartilhar coisas, para perguntar, para chorar ou rir conosco, ou perto de nós; toda essa relação de afeto aparece expressa no que estão fazendo.

Temos muitas imagens belíssimas das produções das crianças para mostrar. E também algumas imagens do processo de criação delas. Mas essas imagens não dão conta de explicar o que acontece de fato ali. É um processo de troca retroalimentado que, ao mesmo tempo, motiva e desafia a querer sempre mais.

As crianças podem escolher se levam ou não suas produções pessoais para a casa. Temos espaço de exposição dos trabalhos. Ao longo da quinzena, o trabalho vai amadurecendo, atingindo outras complexidades e contornos, enquanto as crianças ganham mais habilidade com os materiais e desenvolvem mais ideias. Às vezes, de acordo com a escolha das educadoras e das crianças, as oficinas permanecem por mais algum tempo. Os resultados são surpreendentes. É impressionante como a criação das crianças ficou mais livre e alcançou um nível de qualidade visual que nós não imaginávamos ser possível para os pequenos.

Percebemos que as crianças têm muita habilidade e um olhar estético apurado, muito propenso a se desenvolver rapidamente. Elas são críticas em tudo que fazem, e gostam de se superar. Gostam de trabalhar juntas – uma ajuda, estimula e avalia a outra.

Dividimos também esses resultados com as famílias, à medida que expomos o trabalho das crianças no mural da escola, sempre com textos que explicam o processo de criação e contam um pouco sobre nossas propostas. Usamos também o blog de nossa escola para divulgar essas práticas para as famílias e entrar em contato com outros educadores e educadoras que nos provocam novas reflexões.

Vemos também que a postura em relação à arte que é comum nas “Alegrias de Quintal” “vazou” para o trabalho que acontece nas salas de aula. Cada vez mais temos refletido todas juntas sobre o assunto, tentando abrir possibilidades de criação também nos cantinhos de artes que temos nas salas, alcançando o equilíbrio entre oferecer o contato com novas técnicas e materiais e deixar que as crianças usem esse conhecimento adquirido para criar livremente.

Continuamos tentando ser tão criativas quanto as crianças para propor coisas cada vez mais livres e cheias de possibilidades, abordando vários aspectos da linguagem artística. Para nós, também é um aprendizado superar a tendência de ver a arte como padrão, ou ato de mero ensino de técnicas. Buscamos o equilíbrio, em nossa mediação, entre a orientação direta e a espontaneidade.

As artes nas “Alegrias de Quintal” também são motivo de tudo que envolve o ideal da arte da nossa profissão: o prazer, a alegria de criar, a beleza, a cultura, o celeiro de ideias… A criação partilhada e renovada em nossa vontade de ir além.

É isso o que a arte faz: um muro velho e descascado vira um show de cores, formas, desenhos, experimentações. A criação é livre, e a aprendizagem também!

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Referências

 

BRASIL. Parecer CNE/CNB nº20/2009. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União. Brasília, D.F., 11 de Nov. 2009

 

GOBBI, Márcia e LEITE, Maria Isabel. O desenho da criança pequena: distintas abordagens na produção acadêmica em diálogo com a educação. Disponível em: <http://biblioteca.esec.pt/cdi/ebooks/docs/Gobbi_desenho.pdf>. Acesso em Setembro/ 2015

 

IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte. Porto Alegre, Artmed, 2003.

 

MAY, Rollo. A Coragem de Criar. Rio de Ja

QUE PESSOAS DEIXAREMOS PARA O NOSSO MUNDO?

Por Professora Karina Cabral

Este foi o texto trabalhado por todas as educadoras na última reunião de pais e mães. Ele veio de uma necessidade cada vez maior de discutir as questões do preconceito, discriminação e intolerância em nossa sociedade, como elas afetam a nós mesmos e como chegam às crianças. Essa necessidade veio de situações reais que vimos e vivemos com os pequenos, e que nos assustam… Mas também nos acordam. O texto calou fundo nos representantes das famílias. Aqui partilhamos com vocês!

Olá, famílias!

Como educadoras, gostaríamos de começar com vocês uma conversa difícil, mas necessária. É uma conversa que devemos fazer não apenas na escola, mas na sociedade como um todo. Ela diz respeito a três coisas que nos ferem, como pessoas e como comunidade: O PRECONCEITO¹, A DISCRIMINAÇÃO² E A INTOLERÂNCIA³ – problemas que, frequentemente, resultam em violência (física ou psicológica).

Nossas crianças são pequenas ainda, mas já têm formadas muitas ideias sobre o mundo. Observam não apenas o que dizemos, mas também cada uma de nossas ações, e a partir disso, refletem e constroem suas visões sobre elas mesmas, sobre as outras pessoas e sobre as coisas. E, mesmo tão pequenas, muitas vezes, elas já nos mostram atitudes preocupantes em relação à aceitação de outras pessoas.

Aqui na escola as crianças convivem muito e têm o direito de expressarem o que pensam e o que sentem. Cada uma delas vem de uma família, uma origem, tem uma cor de pele, uma religião, um jeito de ver a vida. Cada criança aqui teve experiências diferentes das outras e tudo isso faz com que elas sejam quem são; a isso chamamos de identidade. Do momento de nossa concepção, até envelhecermos, estamos sempre fazendo e refazendo as linhas de nossa identidade.

E se cada um tem uma identidade (que, como nossa impressão digital, é única no mundo), e se todos somos diferentes, certamente, ao nos relacionarmos com outras pessoas, estranharemos essas diferenças. É normal que as crianças se sintam curiosas acerca das diferenças, físicas ou psicológicas, que enxergam em outras crianças. Mas é o momento de mostrarmos pra elas que o diferente não é melhor nem pior, é apenas diferente. Nossa obrigação, como pessoas, como cidadãos e cidadãs, é respeitar toda e qualquer pessoa, seja ela como seja.

Aqui na escola convivemos com muitas crianças e sabemos o quanto elas, mesmo parecendo inocentes, podem ser cruéis. Identificamos, diariamente, situações de preconceito, discriminação e intolerância, contra as quais nos posicionamos firmemente como educadoras. Algumas delas:

  • Etnia: crianças que dizem “não gostar” de outras de pele negra; comentários sobre cabelos crespos, dizendo que são “feios” ou “ruins”, comentários maldosos sobre características físicas.
  • Gênero: crianças que não deixam os amigos ou as amigas brincarem por ser “brincadeira de menino” ou “menina”; meninos que se referem às colegas como “piriguetes” ou “vagabundas” (e outros nomes piores); crianças que repreendem colegas que choram dizendo que “homem não chora”.
  • Econômico/ Social: crianças que se referem com desprezo às funcionárias da limpeza, crianças que dizem que a mochila do amigo é “de pobre”, crianças que exibem um brinquedo, roupa ou pertence dizendo que o outro “não tem” ou “não pode comprar”.
  • Estético: crianças que ofendem ou zombam de colegas gordos ou obesos; crianças que não querem brincar com um amigo por achá-lo “feio”; crianças que riem de outras por alguma característica física.
  • Deficiência/dificuldade: crianças que se negam a entender as prioridades que são dadas aos colegas cadeirantes; crianças que riem dos outros por precisar de apoio (óculos, botas especiais, etc), ou por serem mais lentos ao andar ou brincar.

Cada vez que uma coisa assim acontece, nós conversamos com as crianças – as que magoam e as que são magoadas – para tentar conscientizá-las sobre a gravidade de excluir, discriminar ou desrespeitar uma pessoa. Mas não é uma tarefa fácil. Especialmente quando as crianças justificam suas ações citando a família – pais, mães, irmãos e irmãs, avós e avôs, tios e tias – como referência e modelo de comportamento.

Por isso, queremos que esta carta sirva de reflexão para vocês… Para que possam pensar sobre a responsabilidade que é educar uma criança para que seja uma pessoa íntegra, que conversa bem com todos e todas e que respeite as pessoas.

Para tanto, vocês, adultos referência, educadores responsáveis, família… Precisam observar bem suas próprias atitudes, a maneira como expressam suas crenças e conversar com elas sobre tudo isso. Precisam ser firmes em mostrar a elas o que esperam delas, e o que desaprovam em seus comportamentos. E acima de tudo, precisam dar bons exemplos e modelos de referência para elas.

Quando elas veem que vocês respeitam os outros; que os homens não xingam nem agridem mulheres; que vocês falam educadamente com todas as pessoas, que não discriminam ninguém, que não querem impor suas ideias, que não fazem piadas sobre características ou problemas de ninguém, que estão sempre espalhando paz e harmonia, evitando brigas e confusões… Que cuidam do que elas veem na televisão, ouvem no rádio, veem na internet, na rua, na igreja, nas festas… Que tomam cuidado para salvar a infância delas e não falar de assuntos inapropriados na frente delas… Em tudo isso, vocês estão educando-as para ser aquele tipo de humano com quem se deseja conviver, que respeita os demais e que ajuda na construção de um mundo bom de fato – bom para todos e todas!

Não é fácil, mas é possível. Precisamos da ajuda de vocês!

E certos da colaboração… Já agradecemos!

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

 

 

  1. “Preconceito” se refere a ideia que temos sobre algo antes de conhecer, pré-julgando.
  2. “Discriminação” é uma ação agressiva de excluir alguém de alguma situação por ele ou ela ser como é.
  3. “Intolerância” é uma postura de não aceitar nada diferente.

 

DIA DA MULHER – O NOSSO PRESENTE

Imagem: Cecília Esteves

Por Professora Karina Cabral

Texto enviado às famílias na última sexta-feira por ocasião do Dia da Mulher

Qual Presente?

Queridas mães, avós, tias, irmãs, cuidadoras, vizinhas, amigas de nossa comunidade.

Domingo, dia 08 de março é o dia internacional da mulher.

Nó, aqui da EMEI Jardim Monte Belo, somos uma equipe de mulheres. Somos mães, filhas, esposas, trabalhadoras, cidadãs, amigas…  E educadoras de pequenas e pequenos que serão homens e mulheres em pouco tempo. E gostaríamos de dar a vocês, mulheres como nós, um presente no dia 08.

Não é uma flor, um poema, uma dobradura ou uma homenagem em forma de canção. Na verdade, o presente que gostaríamos de dar a vocês, mulheres… É um mundo diferente.

Um mundo onde mulher nenhuma fosse culpada, marginalizada ou maltratada simplesmente por ser mulher…

Um mundo onde não tivéssemos mais que saber que mulheres foram estupradas, abusadas, exploradas, mutiladas, coagidas, espancadas e assassinadas apenas por serem mulheres…

Um mundo onde mulheres e homens tivessem os mesmos direitos, os mesmos salários, as mesmas obrigações, as mesmas oportunidades de trabalho e estudo, as mesmas atribuições em casa e responsabilidades na criação dos filhos.

Um mundo onde todas as mulheres não tivessem que ter vergonha de seu corpo, seja ele do tamanho, cor, jeito que for, tenha as medidas que tiver. Um mundo onde nossas ideias, sentimentos e situações valessem mais que nossa aparência, e onde não nos tratassem como um pedaço de carne a ser escolhida no açougue.

Um mundo onde as mulheres percebessem qualquer abuso emocional, financeiro, físico, e não permitissem isso nunca mais.

Um mundo onde piadas sobre nossa capacidade e nossas características femininas não tivessem a menor graça.

Um mundo onde pudéssemos escolher o que é melhor para nós, onde nossa voz fosse ouvida, nossa opinião fosse respeitada e onde fossemos donas de nós mesmas.

Mas esse mundo ainda não existe. No nosso mundo, a mulher ainda é massacrada e desvalorizada.

Então, queridas mulheres… Nosso maior presente é a luta. É a solidariedade a outras mulheres (precisamos umas das outras!). É a oportunidade de refletir juntas é a mão estendida a qualquer mulher ofendida, humilhada, espancada, vitimada que precisa de nós. É dar aos nossos meninos e meninas o mesmo tratamento, como seres humanos lindos e inteiros que são. É refletir sobre o preconceito a discriminação, a discriminação que nós mesmas sofremos, e nos posicionar, lutando contra tudo isso.

É um mundo diferente que desejamos para nós mesmas, para vocês, para nossas filhas, sobrinhas, netas, afilhadas, amigas… Para nossas alunas.

No dia 08 de março, é nosso presente o compromisso de lutar todos os dias para esse mundo acontecer.

Não nos retiremos da luta!

Parabéns a todas as guerreiras.

Texto dedicado a todas as mulheres, pela equipe da EMEI Jardim Monte Belo

INFORMAR * FORMAR* FORMAR-SE * TRANSFORMAR

Por  Meire Festa

Nosso blog fala, em diversos momentos, do Projeto Alegrias de Quintal que acontece no período intermediário na EMEI Jardim Monte Belo.

Muitos educadores nos perguntam como chegamos à “tremenda ousadia” do Projeto Alegrias de Quintal.

Acreditamos que vários foram os pilares desta transformação e gostaria de, brevemente, deter-me em alguns deles:

a história,  a transformação, o grupo, o tempo, a inverdade das certezas.

 

UM VISLUMBRE DE UMA LONGA HISTÓRIA

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            Consideramos que o Projeto Alegrias de Quintal é fruto de um caminho de transformações e de  experimentação, que foi assumindo diferentes formatos e nomes, mas vem se constituindo desde 2011, a partir da ampliação da permanência das crianças na escola de 4 para 6 horas.

            Iniciou-se sobre a forma de “ oficinas “ bimestrais que se atrelavam às diferentes linguagens expressivas. Nesse momento cada educadora se responsabilizava por uma área específica (música, brinquedos e brincadeiras, artes plásticas, teatro, etc…) e desenvolvia projetos com as turmas, alternadamente. Embora tivessem propostas interessantíssimas para vivenciar, as crianças neste momento ainda cumpriam uma série determinada de ações planejadas pelas educadoras, num tempo previsto, sendo as propostas consideradas de como tendo pouca flexibilidade, segundo nossos padrões atuais.

Num segundo momento as “oficinas”  passaram a ser semestrais. Com duplas de educadoras em cada linguagem expressiva e com a definição de temas para estudo mais aprofundado, havia um processo reflexivo mais partilhado entre as educadoras e uma observação mais significativa dos desejos, necessidades e ações das crianças.

Nessa fase do projeto buscou-se maior respeito aos “tempos infantis”, desobrigando, em alguma medida, as crianças de cumprirem determinadas tarefas em tempos muito regulados pelos adultos, facultando um maior número de propostas simultâneas e aprofundando nossa capacidade de observar e “ouvir” as crianças.

Em 2013 o projeto assumiu a configuração atual. A mudança expressiva ocorreu quando, à criança, foi possibilitado gerenciar seu próprio tempo, fazendo escolhas entre variadas propostas, num lugar aberto e propício para a efetivação das culturas infantis. Essa ação tem as adultas/educadoras como elementos desafiadores e ao mesmo tempo de apoio para a ação infantil.

Hoje acreditamos que o processo de mediação das educadoras vem tomando outras dimensões, nas ações diretas ou indiretas, fruto desse processo de autoformação que nos referiremos a seguir. Nesse contexto as crianças , bem como os adultos, estão constituindo-se  enquanto pessoas de direitos e deveres, numa horizontalidade nas relações  que permite um exercício real de autonomia e autocontrole dos pequenos, e da responsabilidade, autonomia e profissionalidade dos adultos.

A   TRANSFORMAÇÃO

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       Não há mudança sem estranhamento. O que é “cotidiano”, “normal”, está naturalizado aos nossos olhos e, o que é natural, não requer transformações, torna-se quase uma verdade absoluta.

Transformar é diferente de inovar,  transformar de fato não é apenas mudar uma prática temporária, seguir uma “moda pedagógica” ou fazer algo, a título de novidade, que irá se esvair com o tempo e com o surgimento de novas “modas”.

Por este motivo, não acreditamos em transformações sem formação. É só o diálogo com outros saberes que nos permite acessar nossas ideias mais basilares, nossas reais concepções, que são, no final das contas, aquelas que movem praticamente a totalidade de nossas ações.

Nos processos de formação continuada que ocorrem na unidade não acreditamos que um sucedâneo de informações, muitas vezes descontextualizadas do currículo desenvolvido, seja o caminho adequado para a mudança. Também sabemos que é impossível que outra pessoa “ nos forme”, como se fosse uma dádiva ou presente de outrem.

Nossa formação não pode ser “presenteada” a nós por quem quer que seja. Formar-se é um processo automotivado, construído pelo próprio indivíduo, e que requer uma predisposição por parte deste para rever suas crenças, valores e caminhar em direção a um patamar diferente de ação.

Outro ponto fundamental nesse processo de formação, que acreditamos ser a fonte das transformações efetivadas, é que nos formamos em processo de partilha. Partilha de nossos saberes com os saberes dos outros, sejam estes outros os referenciais teóricos, a legislação em vigor, os pensadores do campo da educação ou de outros campos de conhecimento, os colegas de trabalho, as práticas existentes, as respostas das próprias crianças às nossas proposições e ações, e tantos outros saberes  que podemos e devemos acessar quando queremos rever-nos a luz de diferentes olhares.

Portanto, as transformações que nos dirigiram até os projetos que hoje desenvolvemos nessa EMEI, não foram uma questão de sorte ou uma dádiva. Houve e ainda há, um processo de construção, que ao mesmo tempo é individual e coletivo, que emerge do desejo de fazer cada vez melhor aquilo que nos propomos a fazer, e que esta sempre em continuidade, acreditando ser a qualidade da educação algo transicional, sujeito a progressivas  transformações.

 O   GRUPO

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       Pelo que já colocamos acima é fácil perceber que fazer parte de um grupo é mais do que trabalharmos uns ao lado dos outros. Fazer parte de um grupo não é trabalhar perto de alguém, mas com esse alguém.

Um grupo se forma na divergência e na convergência dos saberes, das concepções, das práticas. Um grupo nos sustenta e apoia, mas também nos desafia, pois muitas vezes as decisões do coletivo nos contrariam ou amedrontam.

Trabalhar em grupo exige disponibilidade, exige respeito pelos outros e pelos saberes destes, mas também exige clareza da necessidade e da urgência de seguirmos os princípios comuns para a educação das crianças pequenas, estabelecidos através dos variados diálogos possíveis.

Trabalhar em grupo não é nada fácil. Não escolhemos nossos colegas de trabalho como escolhemos nossos amigos. Estamos numa mesma viagem, num mesmo local de trabalho, unidos pelo amor, pela dor e pela delicadeza da totalidade de nossas diferenças (como humanos e como profissionais).

Ser flexível com nossas crenças mais profundas é tarefa para os fortes, exige romper o individualismo em favor de um bem maior. Falar, expor nossas ideias, defender nossos pontos de vista, parece-nos fácil, mas ouvir o outro, na totalidade que esse termo integra, é sempre muito complicado.

Por isso acreditamos que um grupo se constitui no conflito, não no conflito interpessoal e emocional, mas no conflito intelectual, onde as ideias de todos têm o mesmo peso e valor, mas as decisões do coletivo têm validade acima das questões individuais.

       Nosso objetivo é, ao longo do tempo, construir um grupo permeável o suficiente para adequar-se às constantes transformações que o contexto social, cultural e histórico exige, ao mesmo tempo que construímos um grupo resistente a fatores externos, que tenha consolidado saberes e práticas que valorizam e apoiam a construção de conhecimentos das crianças pequenas, bem como as suas culturas.

Nosso grupo hoje, apesar de sua completa diversidade, já consegue perceber a criança como centro de todo processo educativo e persegue diariamente a execução dos princípios acordados como adequados para implementação das ações educativas.

Temos o desejo e já encadeamos algumas ações para que o grupo-escola seja efetivamente maior do que o grupo de funcionários. Pensamos ações ora acertadas ora nem tanto, para envolver as famílias e a comunidade na constituição de grupo efetivamente cooperativo e “empoderado”,  que haja em favor de todos os meninos e meninas da escola e da comunidade. A constituição de um Conselho de Escola forte e participativo é um desses avanços alcançados.

 

O TEMPO

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       Não se constitui um grupo no imediatismo. Também não de faz a reconstrução dos saberes e das verdades de um grupo numa formação de 30 horas, por melhor que esta seja.

O tempo tem sido nosso aliado e também nosso desafiante.

Aliado porque temos uma equipe de educadoras bem estável, que já construiu relações com as demais colegas e a comunidade e também para as quais os acordos efetuados em torno dos princípios éticos, estéticos e políticos que se decidiu implementar para a educação dos meninos e das meninas bem pequenos, estão bem claros e são fruto de construção parceira e dialogada.

O tempo também é um desafio, à medida que, enquanto humanos, não passamos por processos imediatos de revisão de valores e crenças. Sabemos que há conceitos, muitas vezes até inconscientes, que movem nossas ações e que só são possíveis de transformação através de um processo intencional e paulatino de desconstrução, feito pelo próprio individuo em contato com outras pessoas e saberes .

Esse desafio de transformar as ações “para melhor”, no  mesmo momento em que estas estão sendo desenvolvidas na escola, torna-se angústia e estímulo para a revisão das práticas.

Sabemos que o tempo dos adultos nem sempre é o tempo das crianças, mas o fato das crianças ficarem apenas dois anos na unidade, nos amplia a responsabilidade de revisão de nossas crenças e práticas, pois reconhecemos o direito dos meninos e das meninas de receber o melhor da cultura e da humanidade nesse período na escola, tendo apoio incondicional a para seus processos de aprendizagem e de desenvolvimento.

Falando do tempo, vale ressaltar que os processos formativos individuais têm diferentes tempos e uma diversidade de acontecimentos, mas os processos de formação continuada e de discussão coletiva na unidade, apenas sobre minha coordenação já somam 7 anos e foram precedidos por outros processos, que constituem, em comunhão com as práticas efetivadas, a cultura institucional da EMEI Jardim Monte Belo.

Formar-nos e transformar não é nada fácil nem rápido, mas algo necessário, impreciso, estimulante, que apesar de  estar sempre incompleto, é extremamente gratificante.

 

A INVERDADE DAS CERTEZAS

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       Tudo está em mudança, já dizia Heráclito de Éfeso (500a.c): “Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez não somos os mesmos, e também o rio mudou.”

       As certezas nos dão segurança, mas também podem impossibilitar as mudanças necessárias. Partindo desse exercício reflexivo de identificar nossas certezas e nossas práticas “naturalizadas”, concluímos que nossos saberes sobre a criança, sobre o processo educativo, sobre as ações desenvolvidas e tudo mais, necessitam de avaliações e reconstruções sistemáticas sendo, apenas dessa maneira, passíveis de transformações realmente significativas e que beneficiem os processos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças pequenas.

Enquanto grupo, decidimos então enfrentar nossas certezas, confrontando-as com outros saberes e ações possíveis. Decidimos que as inovações não fundamentadas eram desnecessárias e indesejáveis, mas que as transformações profundas, frutos de processos partilhados e reflexivos, que permitissem cada vez mais, às crianças pequenas, o exercício de autogestão e a valorização de suas culturas, seriam nossa meta.

Diante do medo inevitável do que poderia acontecer durante a jornada por esses caminhos até então desconhecidos, COMBINAMOS QUE PODERÍAMOS ERRAR.

Simples assim….O erro, considerado enquanto fruto do processo de busca e experimentação, evidencia que nosso esforço, embora valoroso, deve seguir em outra direção, apenas isso.

O erro não é um fracasso pessoal, não é um desastre, não é algo por que se culpar ou envergonhar-se. O erro é apenas um alerta, um sinal, identificando a necessidade de mudança de rota.

Essa maneira de enfrentar a situação de contrariedade sem medo ou resistência, e com apoio do grupo, mostrou-se eficaz na produção de ações cada vez mais propositivas, já que acreditamos que os equívocos cometidos evidenciam apenas a necessidade de outras tentativas, diversas das  utilizadas até o momento.             Cada vez mais temos clareza da inverdade e da transitoriedade de nossas certezas e percebemos que isso nos coloca ainda mais em movimento.

 

FRUTOS DE NOSSO PROCESSO:

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            Um dos frutos desse processo, que já podemos identificar, é que o atendimento aos meninos e meninas dessa escola, já está fundamentado em princípios comuns, que regem as ações de todos da unidade.

Esses princípios são ao mesmo tempo motivo de orgulho e de responsabilidade, e como tudo que está em movimento, há a clareza de que não chegamos ao ponto que almejamos em todos esses aspectos, embora avanços já sejam muito visíveis.

Outra questão é a possibilidade de ver, diariamente, pelos corredores da escola, crianças cada vez mais falantes, atuantes, questionadoras e que a todo momento demonstram sua autonomia intelectual.

Estamos nos tornando profissionais mais observadores e reflexivos, e isso nos tem possibilitado “estranhar” o cotidiano, o que nos faz cada vez mais  buscar formas de transformá-lo e qualificar nossas ações com a infância.

Em síntese, nosso processo atual busca:

 

Formar para transformar (as concepções, as ideias, os saberes…..)

Transformar para qualificar ( as ações, os espaços, as intervenções….)

Qualificar para valorizar (os humanos grandes e pequenos envolvidos na ação educativa…)

 

“Talvez, para além do aparente ou para além do discurso esperado, a transformação signifique encontrar-se no chão, amparada, mas estando ali, simultaneamente, em movimento intenso. Manter-se na roda, sem tirar o chão do outro, sem perder seu próprio chão, sendo puxada, incentivada, acionada, para cima, continuando no lugar, vibrando, mantendo-se em mudança, embora imperceptível, sem estardalhaço, sem holofote nem espetáculo. Parece ser essa a mudança de que precisamos…. é preciso mexer, movimentar o pedagógico de modo que a mudança possa garantir que as pessoas continuem crescendo e permaneçam humildes, isto é, humanas, sem alardear o conhecimento científico supostamente novo como se fossem medalhas. Não se trata de mérito, mas da luta de muitos. Luta diária, quieta.”     Sonia Kramer in Cad. Pesqui. vol.34 no.122 São Paulo May/Aug. 2004

 

NOSSOS PENSAMENTOS …NOSSAS PALAVRAS

Por Meire Festa

“Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança…”

Carlos Drumond deAndrade

 

          Numa ação reflexiva, nos propusemos a escrever uma carta, e compartilhar com alguma amiga (real ou imaginária) nossos pensamentos sobre educação, sobre a escola que temos e a que queremos e sobre a prática que ora desenvolvemos.

           Cada educadora/autora em seu estilo peculiar, fez escolhas e recortes da ação e das concepções que queria partilhar. Recortes estes que evidenciam seus valores, formas de pensar e agir.          Nada no estilo acadêmico, nada formal demais… Escritos fortes e sinceros,  que nos revelam e expõe para nós mesmas e para os outros o que somos e o que pensamos  hoje.

           Apesar da diversidade de olhares, foi uma descoberta fantástica perceber quantos princípios comuns são partilhados e valorizados pelos diferentes profissionais da escola. Identificamos esse fato enquanto resultado das construções de um grupo que não separa ação da reflexão, que pensa, que partilha, que duvida, que erra e acerta buscando manter sempre uma postura de constante aprendente.

           Decidimos partilhar essas reflexões com os leitores do nosso blog, mas como diz Drumond, “estritamente reservadas para companheiros de confiança”, e esperamos que vocês, com bons e generosos olhares, saibam um pouco mais de nós e de nossa escola.

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra,
 e assim se faz um livro,
um governo, ou uma revolução,
alguns dizem que assim é que a natureza
 compôs as suas espécies.” 
 Histórias sem Data: Primas de Sapucaia. 
 Machado de Assis

          Boa Leitura.

Quer saber um pouco mais sobre o que eu penso e sinto ao trabalhar nesta escola? leia a carta que escrevi para minha amiga Cecília e descubra…

Abraços , Grazielli A Ferreira Lopes

carta do pea Grazi

Em minha carta contei como não paramos nunca de mudar, e como mudou a minha visão sobre o papel da professora e sobre o que as crianças pequenas são capazes de fazer.

Karina dos Santos Cabral

Carta Karina C 2013

Escrever essa carta me fez relembrar de um percurso feliz, de construção de grupo, onde encontrei parceiras fantásticas, que me transformaram e que também mudaram…. Quer saber mais?

Meire Festa

Oi Rosângela- Carta Meire

Uma escola de crianças felizes !!!

Angelita G de Araújo Silva

Uma escola de crianças felizes_ por Angelita

Saiba mais sobre o lindo, intrigante e desafiador trabalho desenvolvido na EMEI Jardim Monte Belo.

Aline Costa Ferreira

carta PEA revisada ALINE

Surpresa boa, que enche os olhos

Giseli Novelli

carta do blog – giseli novelli

Lucimar A B Lara

carta registro LUCIMAR

Você quer mudar para cá?

Carolina Lemos Roland

avaliação pea outubro – versão blog- Carolina

Roseli Zaparolli

Carta para a cris- ROSELI

 

Sabe quando você levanta, mesmo com sono e cansada, para ir trabalhar e vai feliz?
Sabe quando você chega e sente alegria e clima de amizade no ar?
Sabe quando você vê olhinhos curiosos e acolhedores quando chega?
Sabe quando você ouve, sente, ri, chora e cresce como pessoa e educadora?
É assim que me sinto, é assim que minhas amigas e companheiras relatam em suas cartas…
Quer saber de onde são aquelas fotos e frases que compartilho com vocês quase diariamente?
Um pouco de nós p/ vcs …

Valeria Marques Mendes

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