EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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O NOSSO DESEJO PARA 2014

BEM VINDAS, PESSOAS!

Por Professora Karina Cabral

Pessoas, sejam bem vindas a nossa escola!

A EMEI Jardim Monte Belo foi feita para os filhos e filhas de vocês. É uma escola pública, que todos pagamos com nossos impostos. Ela tem salas de aulas que são feitas para crianças pequenas – por isso, nessas salas, os móveis, os brinquedos, a disposição dos espaços – tudo isso foi pensado para elas. Aqui tem lugar para comer, para brincar sob o sol, para se molhar. Tem banheiros, tem corredores, tem pátio, quadra, ateliê de artes. Quem sabe consigamos fazer um jardim ou uma horta, pintar os muros e torná-la mais bonita. Mas ela já é linda. Tem livros, muitos livros. E brinquedos. Lugares onde as crianças podem se movimentar com liberdade e descansar, quando quiserem. Um lugar que é nosso, de todos nós.

Pessoas, sejam bem vindas em nosso grupo.

Aqui trabalham pessoas. Uma equipe que educa. Não importa se estamos assinando papéis, atendendo telefone, dirigindo uma perua, cuidando do portão, cozinhando, limpando, falando com as crianças na sala de aula, resolvendo problemas – estamos sempre trabalhando pelas crianças. Nós somos pessoas, e como pessoas, temos uma identidade, um jeito de ser, uma história, uma formação. E nós gostamos de pessoas. Não importa a cor da sua pele, a sua religião, a sua idade, o seu estilo de vida, não importa como é a sua família ou o lugar de onde você veio. Fazemos questão de que, aqui, todos os meninos e meninas sejam tratados com respeito por serem crianças… Por serem pessoas.

Pessoas, sejam bem vindas para partilhar das nossas ideias.

Acreditamos em muitas coisas, e queremos que, aos poucos, vocês compartilhem dessas crenças também. Defendemos a infância, o direito da criança ao brincar, o acesso dos pequenos e pequenas à cultura, à ciência, à convivência pacífica, à alegria. Não estamos só preocupadas em fazer uma escola onde a criança aprenda ou decore coisas, mas estamos preocupadas em dar a elas momentos onde possam se apaixonar pelo conhecimento e vencerem o desafio de conhecer a si mesmas e outros seres humanos.

Pessoas, sejam bem vindas para somar na nossa militância.

Acreditamos em gestão democrática. E isso significa que lidamos com transparência e respeito com as famílias. Queremos vocês aqui dentro tirando dúvidas, participando do Conselho de Escola, verificando as contas financeiras, dando a opinião de vocês. Queremos que vocês compreendam como as coisas funcionam, que se coloquem, que lutem conosco quando for necessário, que busquem o direito de seus filhos e filhas a uma educação de qualidade.

Pessoas… Sejam todas bem vindas ao nosso sonho.

O sonho de uma escola onde seu filho ou sua filha possa aprender, conviver e ser criança em plenitude. Nem sempre vamos acertar. Mas queremos você conosco. Agradecemos a sua confiança… E nos colocamos abertas ao diálogo. O nosso sonho é uma escola de qualidade que a gente construa juntos… E, a partir de agora, vocês estão convidadas a sonhar conosco.

Bem vindas, pessoas!

Um ótimo 2014 para nós.

NOSSOS PENSAMENTOS …NOSSAS PALAVRAS

Por Meire Festa

“Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança…”

Carlos Drumond deAndrade

 

          Numa ação reflexiva, nos propusemos a escrever uma carta, e compartilhar com alguma amiga (real ou imaginária) nossos pensamentos sobre educação, sobre a escola que temos e a que queremos e sobre a prática que ora desenvolvemos.

           Cada educadora/autora em seu estilo peculiar, fez escolhas e recortes da ação e das concepções que queria partilhar. Recortes estes que evidenciam seus valores, formas de pensar e agir.          Nada no estilo acadêmico, nada formal demais… Escritos fortes e sinceros,  que nos revelam e expõe para nós mesmas e para os outros o que somos e o que pensamos  hoje.

           Apesar da diversidade de olhares, foi uma descoberta fantástica perceber quantos princípios comuns são partilhados e valorizados pelos diferentes profissionais da escola. Identificamos esse fato enquanto resultado das construções de um grupo que não separa ação da reflexão, que pensa, que partilha, que duvida, que erra e acerta buscando manter sempre uma postura de constante aprendente.

           Decidimos partilhar essas reflexões com os leitores do nosso blog, mas como diz Drumond, “estritamente reservadas para companheiros de confiança”, e esperamos que vocês, com bons e generosos olhares, saibam um pouco mais de nós e de nossa escola.

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra,
 e assim se faz um livro,
um governo, ou uma revolução,
alguns dizem que assim é que a natureza
 compôs as suas espécies.” 
 Histórias sem Data: Primas de Sapucaia. 
 Machado de Assis

          Boa Leitura.

Quer saber um pouco mais sobre o que eu penso e sinto ao trabalhar nesta escola? leia a carta que escrevi para minha amiga Cecília e descubra…

Abraços , Grazielli A Ferreira Lopes

carta do pea Grazi

Em minha carta contei como não paramos nunca de mudar, e como mudou a minha visão sobre o papel da professora e sobre o que as crianças pequenas são capazes de fazer.

Karina dos Santos Cabral

Carta Karina C 2013

Escrever essa carta me fez relembrar de um percurso feliz, de construção de grupo, onde encontrei parceiras fantásticas, que me transformaram e que também mudaram…. Quer saber mais?

Meire Festa

Oi Rosângela- Carta Meire

Uma escola de crianças felizes !!!

Angelita G de Araújo Silva

Uma escola de crianças felizes_ por Angelita

Saiba mais sobre o lindo, intrigante e desafiador trabalho desenvolvido na EMEI Jardim Monte Belo.

Aline Costa Ferreira

carta PEA revisada ALINE

Surpresa boa, que enche os olhos

Giseli Novelli

carta do blog – giseli novelli

Lucimar A B Lara

carta registro LUCIMAR

Você quer mudar para cá?

Carolina Lemos Roland

avaliação pea outubro – versão blog- Carolina

Roseli Zaparolli

Carta para a cris- ROSELI

 

Sabe quando você levanta, mesmo com sono e cansada, para ir trabalhar e vai feliz?
Sabe quando você chega e sente alegria e clima de amizade no ar?
Sabe quando você vê olhinhos curiosos e acolhedores quando chega?
Sabe quando você ouve, sente, ri, chora e cresce como pessoa e educadora?
É assim que me sinto, é assim que minhas amigas e companheiras relatam em suas cartas…
Quer saber de onde são aquelas fotos e frases que compartilho com vocês quase diariamente?
Um pouco de nós p/ vcs …

Valeria Marques Mendes

carta_pea

A POESIA DO DIA A DIA

Por Professora Antonia

No início do ano, educadores se reúnem para planejar. É tempo de avaliação, de sonhar, de discutir, de pensar… De projetar um novo ano. É um momento importante para a escola. Nesses dias de planejamento, aprendemos muitas coisas! A a professora Antonia registrou, de maneira poética, o que ficou para nós desse tempo – muita vontade de arregaçar as mangas e fazer coisas maravilhosas pelas nossas crianças! Junto à poesia dela, um poema clássico de Chico Buarque que é um hino dos bons grupos. 

A POESIA DO DIA A DIA

Professora Antonia

A escola em que trabalho
Tem muitas diferenças…
Aliás, ela faz a diferença.
 
De tudo tem um pouco.
Às vezes me parece louco…
Tem que rir da situação
Tem quem é oposição…
Mas tem muita inclusão!
 
Ao final do dia, quando saio do sufoco,
Vejo que valeu o esforço
De me empenhar a cada instante
Por acreditar na humanização
Acima de tudo, pela educação.
 
Todos tem liberdade, e isso,
Traz dificuldades…
O compromisso
Exige responsabilidade
De assumir que não acolheu,
Que se escondeu,
Que não entendeu,
Que se esqueceu.
 
Mas faz parte refletir
Nesse processo de construção
Tem que ser de coração
Pra entender qual é a razão
De estarmos na EDUCAÇÃO.
 
Há que se ampliar a visão
Acreditar que mudar é preciso.
Não se desesperar.
Todos estamos torcendo,
E essa é a diferença.
Juntos faremos a mudança.
Não só de uma criança…
Mas daquela criança
Que se encontra no interior de cada um de nós.
 

Uma gata, o que é que tem?
– As unhas
E a galinha, o que é que tem?
– O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bichinho se assanhar

E o jumento, o que é que tem?
– As patas
E o cachorro, o que é que tem?
– Os dentes
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
– Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
– Esperta
E o jumento, o que é que é?
– Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar

E o cachorro, o que é que é?
– Leal
E a galinha, o que é que é?
– Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
– Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós!

DIA DO PROFESSOR

HOMENAGEM DO BLOG DA EMEI JARDIM MONTE BELO AO DIA DOS PROFESSORES

“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.

Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê.

Não posso ser professor a favor simplesmente do homem ou da humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa.

Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.
Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.
Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.
Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar.”
(Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 2011)

INCLUSÃO NA ESCOLA MUDANDO A SOCIEDADE EXCLUDENTE!

Hoje é um dia muito especial para a nossa EMEI! A qualidade do nosso trabalho com crianças portadoras de necessidades educacionais especiais foi reconhecida e estaremos no VI Congresso Paulista de Educação Infantil ( COPEDI ) para falar sobre nossos princípios, nossa prática e nossa equipe no tocante à inclusão.

É muito especial para nós mostrar a outros educadores, com alegria e paixão, que a inclusão dá certo!

Segue abaixo o texto que enviamos para o COPEDI. Ele retrata quais são as crenças e ações que guiam nosso trabalho com todas as crianças… Inclusive as portadoras de alguma necessidade especial.

Por Karina Cabral, Ana Damasceno e Lucimar Lara

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Inclusão: a escola que transforma vidas mudando uma sociedade excludente

A história de nossa EMEI com a inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais no contexto escolar, como tantas outras, começou a partir de um direito garantido externamente. Por determinações legais, as crianças com algum tipo de deficiência ou inseridas em alguma situação especial, passaram a ter direito de frequentar a escola regular. A Constituição Brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e posteriormente as portarias de matrícula da Prefeitura de São Paulo vieram para nós como uma determinação.

Não demorou em que essas crianças começassem a chegar à escola. Recebemos crianças com deficiência física e motora, e também um caso de deficiência intelectual. E embora nossos órgãos superiores tenham sido rápidos em apontar legalmente o direito das crianças, todas elas, de frequentar a escola… Também não demorou em percebemos que estaríamos sozinhas nesse processo, sem apoio institucional, sem orientação ou estudo especial, sem nenhuma mudança estrutural, sem tempo para refletir. As crianças e suas famílias estavam ali, nós também… E era preciso encontrar um modo de tornar esse convívio uma real oportunidade para que todos os envolvidos conseguissem conviver e avançar, de alguma forma, para o ideal proposto – uma escola onde todos tenham oportunidade de estar juntos… Uma escola como sonhou o mestre Paulo Freire – com todos se educando em comunhão.

E foi um longo caminho. Um caminho onde passamos por uma nova formação para os educadores; uma nova visão da equipe; um novo jeito de conversar com as famílias; uma nova visão de mundo; uma longa reflexão sobre a fragilidade e a força humana; um novo jeito de planejar e avaliar as práticas educativas; uma nova visão da função social dos educadores e da escola. Uma grande desconstrução e reconstrução de conceitos, práticas, ideais. E hoje, 10 anos depois, descobrimos que todas as inclusões de crianças com necessidades educativas especiais transformou nossa EMEI em uma nova escola para todos. Aprendemos todos… Todos fomos incluídos em um novo jeito de pensar as relações humanas, dentro e fora do ambiente escolar.

A história da escola, de maneira geral, é de exclusão. Por muitas vezes, ao longo de sua existência, a instituição educativa existiu para reforçar e propagar a diferença que se fazia na sociedade. Pobres, mulheres, negros e outras etnias, deficientes, idosos, pessoas com problemas e desajustes sociais e afetivos… Todos eles, em algum momento – hora de forma aberta e declarada, hora de forma velada – tiveram a porta do conhecimento e do convívio fechada por serem maiorias ou minorias rejeitadas e marginalizadas pela sociedade. Foi, e é uma luta muito grande abrir, escancarar, arrombar essa porta e deixar que todos passem por ela. Uma luta legal, ideológica, prática. E ao tomar parte disso como escola, nos engajamos nessa luta.

São muitas as histórias de sucesso, e poderíamos contar como Guihermes, Gustavos, Anas, Marias, Nicoles, Joãos e tantos outros entraram aqui e, a partir do que viveram na EMEI, conseguiram transpor seus limites. Poderíamos também dizer como receber essas crianças, apesar do medo, da dor, da revolta, do cansaço, mudou a vida de cada um dos educadores da escola. Mas para relatar nossa prática com a inclusão, pensamos no que todas essas crianças, seus pais e os educadores que passaram por aqui e cuidaram delas deixaram conosco, no que ajudaram a construir. Elencamos alguns princípios que fundamentam nosso trabalho. Esperamos assim esclarecer qual a nossa visão do assunto – sempre em construção, sempre mutante, sempre em busca de melhoria – e como chegamos a afirmar, com muita tranquilidade e orgulho, que a inclusão na escola infantil é possível… E que a desejamos. Cada vez mais.

 

  • INCLUIR É UM DIREITO INQUESTIONÁVEL

A criança com necessidade especial tem o direito de estar na escola, seja qual for sua característica peculiar, problema de saúde ou histórico. E isso não se discute – é direito dela. Ouvimos dos pais que chegaram com um filho diagnosticado com algum tipo de deficiência relatos doloridos de como foram rejeitados em outros lugares… De como lhes foi negado o direito de matricular seu filho ou filha na escola. Por isso, tomamos muito cuidado em esclarecer essas famílias que a inclusão é um direito.

O primeiro movimento por parte da escola é consciente, e sempre de aceitação – desde a secretaria, até a chegada na sala de aula, com a professora, procuramos abrir os braços para essa criança e sua família.

Não assustamos as famílias, não recomendamos que deixem a matrícula para depois, não damos informações erradas querendo expulsá-las de perto, não nos escondemos. As crianças – todas – são aceitas e participam de todas as atividades, conforme suas possibilidades.

  • INCLUIR É UM TRABALHO DE TODA A EQUIPE

Todos os funcionários da escola são educadores. Cremos nisso e procuramos agir de acordo com essa crença. A secretária que recolhe os documentos para a matrícula, a merendeira que prepara um alimento especialmente para aquela criança que não pode comer gordura ou açúcar, a auxiliar de limpeza que corre para limpar o vômito de um aluno, a diretora, o transportador, a professora, as agentes de apoio… Todos tomam parte responsável desse trabalho. Essas crianças precisam de atenção especial, cuidados especiais e isso envolve toda a equipe, que deve conhecer todos os casos e participar da vida da criança; o aluno ou aluna não é só da professora, mas de todos.

Essa unidade na equipe anula um dos principais fatores que dificultam a inclusão na maioria das escolas: sentindo-se amparada, a professora consegue lidar melhor com a criança e com a realidade da inclusão. Dividindo a responsabilidade, o peso físico, as dificuldades e avanços dos portadores de necessidades especiais, os educadores se envolvem mais no trabalho, a professora consegue refletir mais sobre suas ações de mediação, a família se sente mais tranquila e a criança, com toda certeza, é melhor atendida.

  • DENTRO DA ESCOLA QUE INCLUI NÃO PODE HAVER PEQUENAS EXCLUSÕES

Aos poucos fomos aprendendo que uma criança que não anda pode dançar; uma criança que não fala pode se comunicar, cantar, falar em público; uma criança que não consegue   controlar seus impulsos pode participar de uma festa de aniversário, ou de uma gincana; uma criança que não estabelece vínculos afetivos pode fazer amigos – e é justamente esse o nosso papel. A criança com necessidades especiais, mesmo que não entendamos muito sobre seus problemas, e levando em consideração questões de segurança e saúde, não deve ser negligenciada, e nem excluída de nenhuma atividade – seja dança, leitura de histórias, brincadeiras, refeições, escritas, desenhos, pinturas, passeios. Elas estão sempre junto às outras crianças, e se precisar de ajuda para realizar movimentos, ou para fazer algum tipo de raciocínio, o professor ou outra pessoa, ou mesmo as outras crianças estarão perto, ajudando a desafiá-las, para que possam contornar suas dificuldades, e até mesmo superá-las.

Não concordamos com a visão de colocar uma espécie de “babá” para a criança deficiente, fazendo com que ela seja acompanhada todo o tempo. Pensamos que ela, como todas as outras, pode conviver em grupo, aprendendo a colocar suas necessidades e viver os prazeres e dificuldades desse convívio.

  • NOSSO PLANEJAMENTO DIDÁTICO E AVALIAÇÃO SÃO REPENSADOS PARA ACOLHER AS CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

Ao contrário de tantas outras visões de educação, que pregam a homogeneidade como condição principal para a boa educação, acreditamos nas diferenças. Acreditamos na interação entre crianças de diferentes jeitos, idades, classes sociais, possibilidades. Acreditamos no adulto com intenções educativas claras mediando a ação de todas as crianças com objetos de conhecimento. E acreditamos no direito das crianças em ter acesso ao que de melhor a humanidade produziu em termos de cultura humana – ciência, arte, letras, tecnologia, relações, música, corpo, movimento. Acreditamos na brincadeira como grande estratégia de trabalho, como grande prazer. Acreditamos na capacidade das crianças de cuidarem de si mesmas, de cuidarem de outras crianças, de solicitarem a ajuda dos adultos. E tudo isso também deve ser oferecido às crianças com necessidades especiais.

Crianças diferentes são bem vistas, desejadas e participam de maneiras diferentes de nossas propostas… São avaliadas de maneiras diferentes. E não falamos apenas das crianças inclusas, mas de todas elas. Lutamos contra um ideal de aluno em nós, educadores; lutamos, em nós mesmas, contra essa ideia de que todos serão ensinados e aprenderão da mesma maneira. Planejamos situações onde as crianças podem contribuir com o que sabem, aprender com seus pares e mediadores… E avaliamos cada criança em comparação com ela mesma, e não apenas com nossas metas pedagógicas. Reconhecemos seus avanços e passamos a trabalhar as dificuldades que ainda restam.

  • A FAMÍLIA E A COMUNIDADE TAMBÉM SÃO INCLUÍDAS

No começo, é sempre estranho para todos. A criança com deficiência que chega é recebida com muito cuidado. Sua família é ouvida pela coordenadora e pela professora. A escola e os profissionais são todos apresentados. A criança tem uma conversa prévia e individual com a professora, para conhecê-la. E o horário de acolhimento é diferente – sempre respeitando as possibilidades da criança – para que ela possa se acostumar aos poucos com a escola.

A família da criança com necessidade especial é sempre acolhida com muito cuidado. As angústias dos pais são ouvidos à exaustão, porém, sempre deixamos clara a nossa postura – cuidado, sim, mas sem protecionismo. A criança irá participar de todas as atividades, e não a pouparemos de fazer coisas, e nem do convívio saudável com outras crianças.

Acompanhamos os tratamentos médicos, informamos periodicamente a família sobre o desenvolvimento da criança, e sempre que vai haver algum evento especial na escola – festas, danças, teatros, etc – fazemos questão de informá-los de maneira especial, pedindo que a criança participe.

Muitas mães e pais não admitem as necessidades especiais do filho ou filha, e com essas famílias as conversas costumam ser mais longas e difíceis… Mas são feitas mesmo assim. Muitas vezes é na escola que os problemas começam a aparecer, e nesse momento, tão difícil para a família, tentamos nos colocar como parceiros. Se a criança tem alguma necessidade prática especial – de alimentação, de material – ajudamos a providenciar, e organizar.

As outras famílias também são incluídas no debate. Tentamos esclarecer as coisas quando acontece algum ato de discriminação por parte delas, do tipo “não quero que meu filho brinque com esse tipo de criança”. E também ouvimos todas as angústias e dúvidas delas.

Buscamos na comunidade entidades, atividades, diálogos – especialmente através do Conselho de Escola – que possam ajudar nesse caminho, que não fazemos sozinhas.

  • A INCLUSÃO É UMA LUTA SOCIAL

Se dentro da escola fazemos o que podemos, fora dela também temos um papel muito importante. Por isso, estamos sempre lutando pelas crianças portadoras de necessidades especiais.

Lutando para que haja menos alunos por sala, lutando para que a equipe tenha mais pessoas e mais formação, lutando para que tenhamos material, apoio multidisciplinar suficiente, lutando para que todas as crianças sejam atendidas nos serviços médicos que necessitam, lutando para que as pessoas sejam informadas sobre o que é o direito do deficiente e do portador de necessidade especial.

  • BUSCAMOS AJUDA FORA DA ESCOLA, E OFERECEMOS NOSSA AJUDA TAMBÉM

Fazemos de tudo para interagir com os profissionais que cuidam dessa criança fora da escola, e para buscar apoio para ela. Se for preciso alguma adaptação na rotina, nos materiais que usamos ou no jeito de falar com a criança, ensiná-la, interagir com ela, será feito, na medida do possível – e às vezes do impossível também… Não nos negamos a participar de nenhum tratamento ou recomendação médica. E nos colocamos à disposição das equipes para relatar, conversar ou aprender coisas sobre a criança.

  • BUSCAMOS DIVULGAR NOSSAS PRÁTICAS COM INCLUSÃO

Nas reuniões de pais, em encontros com outros educadores, em revistas especializadas e em nosso blog estamos sempre contribuindo, escrevendo, registrando nossa prática, para que ela não seja perdida, e também para que a escola tenha uma cultura educacional que vá além das pessoas que lá estão hoje.

  • TODOS SÃO INCLUÍDOS

Toda vez que a palavra inclusão é mencionada no ambiente escolar, logo imaginamos “incluir” alguém com uma deficiência explícita. Pensamos em alguém com cadeiras de rodas, alguém com um transtorno mental ou psíquico, alguém que não ouve, não fala ou não escuta bem e que precisará de ajuda extra para conviver e aprender em um ambiente com outras pessoas ditas “normais”.

Toda essa fantasia em torno da deficiência torna mais difícil a discussão e o amadurecimento de educadores e famílias. A experiência com alunos ditos deficientes fez acordar para uma realidade – a diferença ( seja ela uma deficiência, uma qualidade, ou simplesmente uma característica ) faz parte do humano. E por isso, todos, em algum momento de nossas vidas, precisamos ser incluídos.

Cada criança que recebemos é de um jeito. Tímidos, agressivos, falantes, inteligentes demais, arredios, desconcentrados, medrosos, de todas as etnias e tipos físicos, crianças com alguma necessidade alimentar ou de saúde sutil, carentes, estressados, agitados, abandonados, tristes ou alegrinhos, com histórias familiares complicadas… Cada um deles merece um olhar especial, momentos de dedicação, uma conversa individual, um carinho diferente. Entre eles, estão as crianças deficientes. Faz parte da profissão de um educador acolher a diferença, e ao mesmo tempo, incentivar o grupo a ser um grupo de verdade.

Todos às vezes ficamos deficientes de algo por algum motivo. Alguém que torce o pé e precisa de uma rampa no local de trabalho, pensa na vida das pessoas que usam cadeiras de roda e muletas todos os dias. Podemos pensar em nossas dificuldades que não conseguimos resolver, nas incapacidades, nas coisas que não conseguimos aprender. Todos às vezes não são aceitos em um grupo ou lugar por não corresponder às expectativas dos outros, pré-julgada.

Convivendo com essas crianças, percebemos que mais do que a consciência racional de uma deficiência, seja ela qual for, é preciso sensibilidade e firmeza para encará-la e transpô-la. Todos precisamos ser incluídos. E aí está o bonito e o difícil da coisa – se é ao nos confrontarmos com outros que nos damos conta das nossas diferenças, é também na empatia do que nos faz iguais que encontramos o conforto e a superação. E somos iguais por sermos humanos. Isso não é diferente pra nenhum de nós.

 

RESULTADOS

Os benefícios da educação inclusiva não são apenas para a criança deficiente ou com alguma necessidade especial atendida, mas para todos. Os educadores começam a repensar seus métodos e intenções – não só para a criança em questão, mas para todos. Outros funcionários começam a se envolver mais no processo educativo, compreendê-lo melhor, e portanto começam a compreender melhor sua função educativa – TODOS na escola são educadores. O grupo de educadores também começa, a partir das necessidades dessa criança, a se ajudar, entrosar mais e trabalhar em conjunto. Funcionários e outras famílias começam a mudar o olhar sobre questões como deficiência, igualdade de direitos, limites, solidariedade – mudanças de paradigmas e de visão.

Mas o principal ganho está para as crianças que convivem com o portador de necessidade especial. Eles são colocados nessa reflexão sobre o relacionamento com outro ser humano diferente, e começam a pensar em coisas como respeito, ritmo, ajuda, diferença. Começam a enxergar as facilidades da criança com necessidade especial e também suas próprias dificuldades, e encarar isso como parte da vida. Eles serão cidadãos melhores na medida em que convivem com e deficiência, com a especificidade de outro ser humano e são envolvidos nesse processo de ajuda. Compreenderão melhor a conviver com essas pessoas, até que chegue um dia em que não precisemos mais falar em inclusão… Porque já será natural essa convivência e aceitação do diferente.

ESCOLA É…

Por Paula Vicente

Afinal, que tipo de lugar é a escola? Que tipo de lugar ela pode ser? O que compõe a escola – paredes ou pessoas? A A.T.E. Paula, nossa secretária, faz uma bela reflexão sobre a escola como ambiente sadio de conhecimento e de relações. O mestre Paulo Freire concorda com ela!
Acredito que a escola seja mais que uma instiuição de ensino, ou um local onde se fomenta a educação de um povo. Ela é também um espaço para a formação do ser humano. Por essa razão, não deve ser vista apenas como um espaço físico, e sim como um alicerce de pessoas que convivem e trabalham em benefício de outras.
Ao ingressar aqui na EMEI Jardim MOnte Belo, constatei que o interesse em melhorar a vida dos demais, através de pequenas ações em um esforço altruísta pelo próximo, ainda existe. Atitudes dos funcionários que ultrapassam a mera obrigação expressam o trabalho de profissionais que atuam paa proporcionar o pleno desenvolvimento das crianças, apoio aos pais e a toda a comunidade.
Minhas experiências anteriores não foram as mais agradáveis, causadas pela desilusão de me deparar com um misto de indiferença e pouca vontade, atreladas ao egocentrismo de cargos de chefia, e diluídas no conceito da estabilidade funcional. No entanto, o trabalho realizado pela equipe da EMEI Monte Belo supera a burocracia da legislação escolar, apoiando-se no ser humano e no cotidiano, expressando a diversidade das relações humandas, tornando a escola mais do que um local de passagem para alunos… Mas um micro partícula de um futuro convívio social.
Além de um local de trabalho, nossa escola é um lar. Um lugar onde se aprende bem e se convive em paz e alegria.
Paula Vicente – Auxiliar Técnica Educacional – Secretaria

A Escola – Paulo Freire


“Escola é…

O lugar onde se faz amigos.
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos…
Escola é, sobretudo, gente.
Gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente,

o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém
nada de ser como o tijolo que forma a parede,
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se ‘amarrar nela’!
Ora , é lógico…
numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,

ser feliz.”

CARTA ABERTA AOS CIDADÃOS BRASILEIROS

Há muitos anos temos escola pública em nosso país, um espaço onde todos podem estudar sem pagar, independente de sua religião, condição de saúde, raça, classe social. Uma escola com acesso a TODOS.

Então, por que ainda temos tantas crianças sem vaga nas escolas de nosso bairro? Por que tantos jovens desistem da escola antes de concluir seus estudos? Por que tantos adolescentes saem do Ensino Fundamental sabendo apenas assinar seu nome? Por que as vagas de alfabetização de adultos estão cada vez mais escassas, se ainda temos tantas pessoas adultas sem saber ler nem escrever? Por que ainda temos tantas crianças – deficientes, miseráveis, indigentes, moradoras de rua – fora da escola?

A escola pública surgiu para que todos fossem iguais em direitos, e tivessem um ensino de qualidade; um espaço de convivência, de paz, de aprender muitas coisas sobre o mundo e sobre a cultura. Um espaço onde a vida acontece e onde se prepara para a vida.

Então por que tantas famílias, quando possível, preferem colocar seus filhos em escolas particulares? Por que os educadores têm de lidar com a violência e o tráfico de drogas dentro da escola? Por que as professoras têm salas com 35 crianças pequenas, 40 crianças maiores para ensinar e cuidar sozinhas?

A escola pública conta com o apoio do governo oficial, que por meio de impostos recolhidos dos cidadãos, a constrói, sustenta e modifica para melhor, com transparência e compromisso.

Então, por que estamos em abril e não temos ainda material escolar e uniforme para as crianças? Por que nem sempre a merenda é suficiente? Por que nem todos os cidadãos sabem o que acontece com as verbas destinadas à educação? Por que temos escolas sem espaços adequados, sem salas de apoio, sem material suficiente, sem acessibilidade aos deficientes? Por que se gasta milhões com terceirizações de serviços e não se abrem concursos públicos para provimento de cargos de apoio?

Na escola pública trabalham educadores – servidores públicos, concursados, a quem o governo paga salários e benefícios, e oferece formação para que sejam profissionais cada vez melhores.

Então por que a cidade mais rica do país paga salários tão defasados a seus professores graduados e formados? Por que alguns profissionais do quadro ganham menos que um salário mínimo? Por que os educadores quase não têm cursos de formação e atualização? Por que não temos mais jovens que sonham  ser professores? Por que professores são vistos como coitados, desvalorizados pela sociedade? Por que tantos educadores estão em licença médica, doentes de depressão e estresse? Por que professores têm que trabalhar em duas e até três escolas, muitas vezes fazendo turnos de 16 horas diárias, para conseguir sustentar suas famílias?

A escola pública está longe de ser uma escola para o POVO. E é o povo quem precisa ajudá-la a se tornar aquilo que precisa ser! E o momento propício é este, quando estamos prestes a entrar em um processo eleitoral e temos o direito e dever de cobrar dos que nos governam resposta para essas perguntas!

Nós, educadores ( professoras, agentes escolares, auxiliares, gestores ), estamos parando em greve e protesto a tudo isso nos próximos dias 02, 03 e 04 de abril, cobrando do governo que abrace a escola pública e se esforce para resolver todas essas questões e muitas outras. A comunidade também precisa dar esse abraço na escola pública e exigir que o governo não a abandone mais!

 

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