EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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INFORMAR * FORMAR* FORMAR-SE * TRANSFORMAR

Por  Meire Festa

Nosso blog fala, em diversos momentos, do Projeto Alegrias de Quintal que acontece no período intermediário na EMEI Jardim Monte Belo.

Muitos educadores nos perguntam como chegamos à “tremenda ousadia” do Projeto Alegrias de Quintal.

Acreditamos que vários foram os pilares desta transformação e gostaria de, brevemente, deter-me em alguns deles:

a história,  a transformação, o grupo, o tempo, a inverdade das certezas.

 

UM VISLUMBRE DE UMA LONGA HISTÓRIA

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            Consideramos que o Projeto Alegrias de Quintal é fruto de um caminho de transformações e de  experimentação, que foi assumindo diferentes formatos e nomes, mas vem se constituindo desde 2011, a partir da ampliação da permanência das crianças na escola de 4 para 6 horas.

            Iniciou-se sobre a forma de “ oficinas “ bimestrais que se atrelavam às diferentes linguagens expressivas. Nesse momento cada educadora se responsabilizava por uma área específica (música, brinquedos e brincadeiras, artes plásticas, teatro, etc…) e desenvolvia projetos com as turmas, alternadamente. Embora tivessem propostas interessantíssimas para vivenciar, as crianças neste momento ainda cumpriam uma série determinada de ações planejadas pelas educadoras, num tempo previsto, sendo as propostas consideradas de como tendo pouca flexibilidade, segundo nossos padrões atuais.

Num segundo momento as “oficinas”  passaram a ser semestrais. Com duplas de educadoras em cada linguagem expressiva e com a definição de temas para estudo mais aprofundado, havia um processo reflexivo mais partilhado entre as educadoras e uma observação mais significativa dos desejos, necessidades e ações das crianças.

Nessa fase do projeto buscou-se maior respeito aos “tempos infantis”, desobrigando, em alguma medida, as crianças de cumprirem determinadas tarefas em tempos muito regulados pelos adultos, facultando um maior número de propostas simultâneas e aprofundando nossa capacidade de observar e “ouvir” as crianças.

Em 2013 o projeto assumiu a configuração atual. A mudança expressiva ocorreu quando, à criança, foi possibilitado gerenciar seu próprio tempo, fazendo escolhas entre variadas propostas, num lugar aberto e propício para a efetivação das culturas infantis. Essa ação tem as adultas/educadoras como elementos desafiadores e ao mesmo tempo de apoio para a ação infantil.

Hoje acreditamos que o processo de mediação das educadoras vem tomando outras dimensões, nas ações diretas ou indiretas, fruto desse processo de autoformação que nos referiremos a seguir. Nesse contexto as crianças , bem como os adultos, estão constituindo-se  enquanto pessoas de direitos e deveres, numa horizontalidade nas relações  que permite um exercício real de autonomia e autocontrole dos pequenos, e da responsabilidade, autonomia e profissionalidade dos adultos.

A   TRANSFORMAÇÃO

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       Não há mudança sem estranhamento. O que é “cotidiano”, “normal”, está naturalizado aos nossos olhos e, o que é natural, não requer transformações, torna-se quase uma verdade absoluta.

Transformar é diferente de inovar,  transformar de fato não é apenas mudar uma prática temporária, seguir uma “moda pedagógica” ou fazer algo, a título de novidade, que irá se esvair com o tempo e com o surgimento de novas “modas”.

Por este motivo, não acreditamos em transformações sem formação. É só o diálogo com outros saberes que nos permite acessar nossas ideias mais basilares, nossas reais concepções, que são, no final das contas, aquelas que movem praticamente a totalidade de nossas ações.

Nos processos de formação continuada que ocorrem na unidade não acreditamos que um sucedâneo de informações, muitas vezes descontextualizadas do currículo desenvolvido, seja o caminho adequado para a mudança. Também sabemos que é impossível que outra pessoa “ nos forme”, como se fosse uma dádiva ou presente de outrem.

Nossa formação não pode ser “presenteada” a nós por quem quer que seja. Formar-se é um processo automotivado, construído pelo próprio indivíduo, e que requer uma predisposição por parte deste para rever suas crenças, valores e caminhar em direção a um patamar diferente de ação.

Outro ponto fundamental nesse processo de formação, que acreditamos ser a fonte das transformações efetivadas, é que nos formamos em processo de partilha. Partilha de nossos saberes com os saberes dos outros, sejam estes outros os referenciais teóricos, a legislação em vigor, os pensadores do campo da educação ou de outros campos de conhecimento, os colegas de trabalho, as práticas existentes, as respostas das próprias crianças às nossas proposições e ações, e tantos outros saberes  que podemos e devemos acessar quando queremos rever-nos a luz de diferentes olhares.

Portanto, as transformações que nos dirigiram até os projetos que hoje desenvolvemos nessa EMEI, não foram uma questão de sorte ou uma dádiva. Houve e ainda há, um processo de construção, que ao mesmo tempo é individual e coletivo, que emerge do desejo de fazer cada vez melhor aquilo que nos propomos a fazer, e que esta sempre em continuidade, acreditando ser a qualidade da educação algo transicional, sujeito a progressivas  transformações.

 O   GRUPO

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       Pelo que já colocamos acima é fácil perceber que fazer parte de um grupo é mais do que trabalharmos uns ao lado dos outros. Fazer parte de um grupo não é trabalhar perto de alguém, mas com esse alguém.

Um grupo se forma na divergência e na convergência dos saberes, das concepções, das práticas. Um grupo nos sustenta e apoia, mas também nos desafia, pois muitas vezes as decisões do coletivo nos contrariam ou amedrontam.

Trabalhar em grupo exige disponibilidade, exige respeito pelos outros e pelos saberes destes, mas também exige clareza da necessidade e da urgência de seguirmos os princípios comuns para a educação das crianças pequenas, estabelecidos através dos variados diálogos possíveis.

Trabalhar em grupo não é nada fácil. Não escolhemos nossos colegas de trabalho como escolhemos nossos amigos. Estamos numa mesma viagem, num mesmo local de trabalho, unidos pelo amor, pela dor e pela delicadeza da totalidade de nossas diferenças (como humanos e como profissionais).

Ser flexível com nossas crenças mais profundas é tarefa para os fortes, exige romper o individualismo em favor de um bem maior. Falar, expor nossas ideias, defender nossos pontos de vista, parece-nos fácil, mas ouvir o outro, na totalidade que esse termo integra, é sempre muito complicado.

Por isso acreditamos que um grupo se constitui no conflito, não no conflito interpessoal e emocional, mas no conflito intelectual, onde as ideias de todos têm o mesmo peso e valor, mas as decisões do coletivo têm validade acima das questões individuais.

       Nosso objetivo é, ao longo do tempo, construir um grupo permeável o suficiente para adequar-se às constantes transformações que o contexto social, cultural e histórico exige, ao mesmo tempo que construímos um grupo resistente a fatores externos, que tenha consolidado saberes e práticas que valorizam e apoiam a construção de conhecimentos das crianças pequenas, bem como as suas culturas.

Nosso grupo hoje, apesar de sua completa diversidade, já consegue perceber a criança como centro de todo processo educativo e persegue diariamente a execução dos princípios acordados como adequados para implementação das ações educativas.

Temos o desejo e já encadeamos algumas ações para que o grupo-escola seja efetivamente maior do que o grupo de funcionários. Pensamos ações ora acertadas ora nem tanto, para envolver as famílias e a comunidade na constituição de grupo efetivamente cooperativo e “empoderado”,  que haja em favor de todos os meninos e meninas da escola e da comunidade. A constituição de um Conselho de Escola forte e participativo é um desses avanços alcançados.

 

O TEMPO

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       Não se constitui um grupo no imediatismo. Também não de faz a reconstrução dos saberes e das verdades de um grupo numa formação de 30 horas, por melhor que esta seja.

O tempo tem sido nosso aliado e também nosso desafiante.

Aliado porque temos uma equipe de educadoras bem estável, que já construiu relações com as demais colegas e a comunidade e também para as quais os acordos efetuados em torno dos princípios éticos, estéticos e políticos que se decidiu implementar para a educação dos meninos e das meninas bem pequenos, estão bem claros e são fruto de construção parceira e dialogada.

O tempo também é um desafio, à medida que, enquanto humanos, não passamos por processos imediatos de revisão de valores e crenças. Sabemos que há conceitos, muitas vezes até inconscientes, que movem nossas ações e que só são possíveis de transformação através de um processo intencional e paulatino de desconstrução, feito pelo próprio individuo em contato com outras pessoas e saberes .

Esse desafio de transformar as ações “para melhor”, no  mesmo momento em que estas estão sendo desenvolvidas na escola, torna-se angústia e estímulo para a revisão das práticas.

Sabemos que o tempo dos adultos nem sempre é o tempo das crianças, mas o fato das crianças ficarem apenas dois anos na unidade, nos amplia a responsabilidade de revisão de nossas crenças e práticas, pois reconhecemos o direito dos meninos e das meninas de receber o melhor da cultura e da humanidade nesse período na escola, tendo apoio incondicional a para seus processos de aprendizagem e de desenvolvimento.

Falando do tempo, vale ressaltar que os processos formativos individuais têm diferentes tempos e uma diversidade de acontecimentos, mas os processos de formação continuada e de discussão coletiva na unidade, apenas sobre minha coordenação já somam 7 anos e foram precedidos por outros processos, que constituem, em comunhão com as práticas efetivadas, a cultura institucional da EMEI Jardim Monte Belo.

Formar-nos e transformar não é nada fácil nem rápido, mas algo necessário, impreciso, estimulante, que apesar de  estar sempre incompleto, é extremamente gratificante.

 

A INVERDADE DAS CERTEZAS

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       Tudo está em mudança, já dizia Heráclito de Éfeso (500a.c): “Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez não somos os mesmos, e também o rio mudou.”

       As certezas nos dão segurança, mas também podem impossibilitar as mudanças necessárias. Partindo desse exercício reflexivo de identificar nossas certezas e nossas práticas “naturalizadas”, concluímos que nossos saberes sobre a criança, sobre o processo educativo, sobre as ações desenvolvidas e tudo mais, necessitam de avaliações e reconstruções sistemáticas sendo, apenas dessa maneira, passíveis de transformações realmente significativas e que beneficiem os processos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças pequenas.

Enquanto grupo, decidimos então enfrentar nossas certezas, confrontando-as com outros saberes e ações possíveis. Decidimos que as inovações não fundamentadas eram desnecessárias e indesejáveis, mas que as transformações profundas, frutos de processos partilhados e reflexivos, que permitissem cada vez mais, às crianças pequenas, o exercício de autogestão e a valorização de suas culturas, seriam nossa meta.

Diante do medo inevitável do que poderia acontecer durante a jornada por esses caminhos até então desconhecidos, COMBINAMOS QUE PODERÍAMOS ERRAR.

Simples assim….O erro, considerado enquanto fruto do processo de busca e experimentação, evidencia que nosso esforço, embora valoroso, deve seguir em outra direção, apenas isso.

O erro não é um fracasso pessoal, não é um desastre, não é algo por que se culpar ou envergonhar-se. O erro é apenas um alerta, um sinal, identificando a necessidade de mudança de rota.

Essa maneira de enfrentar a situação de contrariedade sem medo ou resistência, e com apoio do grupo, mostrou-se eficaz na produção de ações cada vez mais propositivas, já que acreditamos que os equívocos cometidos evidenciam apenas a necessidade de outras tentativas, diversas das  utilizadas até o momento.             Cada vez mais temos clareza da inverdade e da transitoriedade de nossas certezas e percebemos que isso nos coloca ainda mais em movimento.

 

FRUTOS DE NOSSO PROCESSO:

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            Um dos frutos desse processo, que já podemos identificar, é que o atendimento aos meninos e meninas dessa escola, já está fundamentado em princípios comuns, que regem as ações de todos da unidade.

Esses princípios são ao mesmo tempo motivo de orgulho e de responsabilidade, e como tudo que está em movimento, há a clareza de que não chegamos ao ponto que almejamos em todos esses aspectos, embora avanços já sejam muito visíveis.

Outra questão é a possibilidade de ver, diariamente, pelos corredores da escola, crianças cada vez mais falantes, atuantes, questionadoras e que a todo momento demonstram sua autonomia intelectual.

Estamos nos tornando profissionais mais observadores e reflexivos, e isso nos tem possibilitado “estranhar” o cotidiano, o que nos faz cada vez mais  buscar formas de transformá-lo e qualificar nossas ações com a infância.

Em síntese, nosso processo atual busca:

 

Formar para transformar (as concepções, as ideias, os saberes…..)

Transformar para qualificar ( as ações, os espaços, as intervenções….)

Qualificar para valorizar (os humanos grandes e pequenos envolvidos na ação educativa…)

 

“Talvez, para além do aparente ou para além do discurso esperado, a transformação signifique encontrar-se no chão, amparada, mas estando ali, simultaneamente, em movimento intenso. Manter-se na roda, sem tirar o chão do outro, sem perder seu próprio chão, sendo puxada, incentivada, acionada, para cima, continuando no lugar, vibrando, mantendo-se em mudança, embora imperceptível, sem estardalhaço, sem holofote nem espetáculo. Parece ser essa a mudança de que precisamos…. é preciso mexer, movimentar o pedagógico de modo que a mudança possa garantir que as pessoas continuem crescendo e permaneçam humildes, isto é, humanas, sem alardear o conhecimento científico supostamente novo como se fossem medalhas. Não se trata de mérito, mas da luta de muitos. Luta diária, quieta.”     Sonia Kramer in Cad. Pesqui. vol.34 no.122 São Paulo May/Aug. 2004

 

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PROJETO BLOG – DEPOIMENTO DAS CRIANÇAS DO 6 A

Olá,

Nós comemos no refeitório, mas lá tudo mudou, agora tem flores, bebedouro e  podemos colocar a comida sozinhos.

Não podemos quebrar nem bagunçar.

Lá almoçamos muito bem, podemos pegar o garfo e a faca.

Sejam bem-vindos.

Texto coletivo registrado pela professora Carolina Lemos Roland

Fotos tiradas pelas crianças:

Primeira foto: Maria e Rita (Auxiliar Técnico Escolar e Agente Escolar)

Terceira foto: Regina (Diretora)

PROJETO BLOG – DEPOIMENTO DAS CRIANÇAS DO 6 E

Amigos,

Venham conhecer nosso novo restaurante e nossa comida, nossos pratos de vidro e nossas flores.

Nós almoçamos, tiramos fotos e tomamos lanche no nosso refeitório.

Obrigado.

 

 

 

Texto coletivo registrado pela professora Carolina Lemos Roland

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS TRANSFORMANDO E HUMANIZANDO O ESPAÇO FÍSICO

Por Regina Celia Soares Bortoto

Enfim, a palavra emotiva da diretora Regina, que explica a delicada e forte relação entre escola e comunidade por ocasião dos 10 anos da nossa EMEI


O título acima foi escrito em 2002 num dos livros pedagógicos desta Escola. Nada mais atual que esse título, pois esta Escola, que nasceu desejada como a um filho querido, continua em busca da transformação e humanização do espaço físico.

Essa característica original é preservada por seus funcionários através do sonho permanente de construir uma Escola de qualidade para os filhos dos trabalhadores que moram num dos montes mais belos desta região por sua geografia, por sua natureza e por sua população organizada. Quem aqui chegou primeiro certamente ficou assustado com os desafios com os quais se depararam. Foram corajosos. Mas era isso, ou seja, lutar sem trégua… Ou se contentar com o abandono do poder público. Sem luz, sem água tratada e encanada, sem asfalto, sem rede de esgoto, sem coleta de lixo, sem transporte, sem equipamentos públicos… Enfim sem quase nada—e com muito sofrimento.

Hoje, só podemos olhar com muito orgulho ao nosso redor, ver tudo que melhorou, e dar parabéns a todos que fizeram parte dessa História. Passados 10 anos, o Jardim Monte Belo, bem como a EMEI que carrega o mesmo nome, mudaram muito, causando sensações, sentimentos e opiniões. Moradores ergueram suas casas com as próprias mãos para abrigar suas famílias. Na mesma medida, professores e demais funcionários que por aqui passaram ou que por aqui ficaram edificaram um lugar para abrigar conhecimento.

Assim como os moradores, esses funcionários amassaram muito barro, passaram muito calor, muito frio, na escola de latinha, na escola de madeira, ficaram sem água, ou sofreram com a enchente, correram atrás de prefeito, de secretário da Educação, de subprefeito, de padre, de líderes comunitários… Não pouparam energia física e mental por acreditar e principalmente por amar o que fazem, lembrando realmente o Educador Paulo Freire que dizia “que não se faz Educação sem amor”.

Sinto-me feliz e muito à vontade para afirmar pela gestão – Regina, Valéria e Meire— que trabalhar nesta EMEI é dar a cada dia de trabalho um significado novo, pois contamos com um grupo de professoras e funcionários dispostos a pensar a Educação Infantil pra valer. São Educadores que conseguem transitar pela teoria e prática sem perder o rumo e a paixão. Cuidam com carinho, mas com a autoridade e responsabilidade de um adulto que Educa, sabendo discernir a hora de elogiar, advertir ou impor limites sem temer as conseqüências, porque refletem constantemente o seu fazer pedagógico.

Pessoas dedicam parte de suas vidas dentro deste prédio; e cada criança que entra pelo portão, trazida pelas mãos das monitoras do transporte escolar ou pelas mãos de sua família—pais, mães, irmãos, avós, avós, primos, primas, cuidadoras – é carinhosamente acolhida e tratada como seus filhos e filhas. Educadores atentos ao aprendizado escolar de crianças que não são vistas apenas como um número de matrícula, mas como seres completos aqui e agora, com sonhos, opiniões, direitos e ávidos por experimentar a vida.

Hoje, relembro e entendo alguns cumprimentos que recebi quando em 2010 para cá me removi. Foram manifestações de elogios—você vai adorar a Escola, você teve muita sorte, você vai trabalhar com uma Coordenadora Pedagógica que entende muito de Educação Infantil, você vai ver que grupo maravilhoso de professoras.. Expressando e reconhecendo o quanto esta EMEI é especial, composta por funcionários comprometidos com uma Educação de qualidade, que desenvolvem projetos voltados para a formação de sujeitos autônomos e capazes de viver e conviver com o outro com respeito e solidariedade.

Conhecer de perto e respeitar essa comunidade é o que possibilita  construir uma Escola onde as crianças sintam o mesmo prazer em ficar seja na classe, no parque, na quadra, na sala multiuso, no refeitório, ou em qualquer dependência, livres e felizes como se estivesse em suas próprias casas.

Sabemos que temos muito a fazer pelo nosso espaço ainda. Tratamos disso com muita seriedade. Ainda bem que não estamos sós, podemos contar com um Conselho de Escola e uma Associação de Pais e Mestres muito atuante e forte. Acreditamos que juntos e organizados somos co-autores de uma obra em constante movimento de vir a ser.

Por fim, só cabe dar parabéns a todos Educadores desta Escola que acreditam nos tempos de hoje que a Educação é uma ferramenta que contribui na formação de seres humanos capazes de compreender, intervir e transformar a realidade em que vivem.

COMO SE CONTA UMA HISTÓRIA DE 10 ANOS?

Podemos contar 10 anos em números. 2000 dias letivos. 100 reuniões de conselho de escola, 50 de A.P.M.. Mais de 5000 matrículas e rematrículas. Mais de 150 funcionários. Mais de 15 milhões de refeições.

Talvez fosse melhor contar 10 anos como um conto de fadas. Era uma vez… Uma comunidade que desejou uma escola, lutou por ela, esperou por ela… E ela aconteceu! Foi assim…

Podemos contar 10 anos de problemas… Escola de lata e de madeira, falta dinheiro, falta funcionário. Aquela reunião que não apareceu ninguém, aquela regra que ninguém respeitou, aquele problema que ninguém percebeu, aquele cano que ninguém consertou, aquilo que todo mundo estava esperando acontecer, e nada. Problemas de todo dia, problemas ocasionais, problemas raros, problemas fáceis e outros impossíveis de resolver. Atrasou, brigou, discutiu, rompeu, faltou, quebrou, magoou, não entendeu, decepcionou, não deu certo, não veio, desistiu… Foi embora.

Quem sabe… 10 anos em conquistas. Um prêmio, um reconhecimento, a reunião que deu certo, um artigo na revista, a criança que aprendeu, a professora que conseguiu, a família que ajudou, aquilo que saiu melhor do que a gente supunha, aquilo que agradou a todo mundo, aquele monte de sorrisos, aquela cantoria toda, aquela festa grandiosa em que todo mundo veio, aquele dia de sol que parece que nunca mais acabou.

E como seriam 10 anos de abraços? Seja bem vindo! Muito prazer. Parabéns pelo seu aniversário, seu casamento, o nascimento do seu filho, pelo sucesso do seu trabalho. Senta aqui no meu colinho, sua mãe já vai voltar. Gosto tanto de você… Ainda bem que trabalhamos juntas. Nossa equipe arrasou! Sinto muito pela sua perda. Calma, sua dor já vai passar. Conte comigo. Não solta da minha mão, senão você se perde. Adeus… Foi muito bom te conhecer.

Podemos também contar 10 anos de nomes. Marias, Joãos, Déboras, Karinas, Reginas, Jeniffers, Josés, Pedros, Matheus, Danis, Lúcias, Elis,Anas, Cláudias, Paulas, Vicentes, Antônias, Valérias, Nices, Vergínias, Helenas, Meires, Betes, Fátimas… Jurandyr.

E 10 anos de reuniões e festas? Encontros pedagógicos, chás-de-panela e bebê, conselhos de escola, paradas, formações, festa junina, aniversários, nhoque da sorte, festa do sorvete, do macarrão, da leitura, natal, semana da criança, formatura, jogral, despedidas, apresentações de cinema, de teatro, show de mágica, lanche comunitário, excursões para museus, para  o circo, para o sítio, para o concerto, para o parque, para a biblioteca.

10 anos de papéis. Sim, de papéis!  Regimentos, matrículas, desenhos, bilhetes, pinturas, ocorrências, diários de classe, registros, portifólios, livros, cadernos, cartazes, informativos, boletins, relatórios, comunicados, pedidos, recibos, listas, cartões, telegramas… Ufa!

Existem muitas maneiras de se contar uma história de 10 anos. Mas o melhor de tudo é ter 10 anos de história para contar. Uma história de partilha… Partilha de ideais, de trabalho, de luta, de sonhos… De alegrias e tristezas. Uma história que temos muita felicidade em contar e fazer parte. Uma história viva… Uma história nossa!

Apareça para comemorar!

QUANDO A ESCOLA SEMPRE É UMA FESTA…

Por Professora Karina Cabral

Como educadoras e educadores, temos orgulho do trabalho que realizamos na EMEI Jardim Monte Belo.

E ao comemorar 10 anos de escola, estamos felizes, muito felizes.

E estamos felizes não só pelos sucessos pedagógicos, pelos trabalhos que dão certo, pelas experiências bem sucedidas, que – ainda bem – são muitas.

Estamos felizes não só pelos nossos erros, para os quais olhamos com reflexão e bondade, pois muito nos ensinaram.

Estamos felizes não só por olhar para trás e ver de quanto suor, sorrisos e lágrimas se faz uma comunidade escolar.

Estamos felizes não só por ver quantas dificuldades foram superadas.

Estamos felizes não só pelas conquistas da comunidade que, através do nosso Conselho de Escola bem estruturado e atuante,  e da nossa política de aproximação das famílias, conseguimos apoiar e compartilhar.

Estamos felizes não só pela gestão democrática e transparente de pessoas e recursos, que aproxima todos os membros da comunidade escolar e melhora, com muita luta, o nosso espaço físico e nossos recursos.

Estamos felizes não só pelo excelente trabalho realizado em uma escola pública, laica, gratuita e de qualidade, que tem por princípio respeitar todos os seres humanos, criando espaços para que se expressem livremente como cidadãos.

Nossa principal felicidade… São as crianças.

Sim, as crianças! Diante da proposta de fazer um concurso para escolher um desenho que representasse a escola que elas tinham, e a escola que queriam, por ocasião dos 10 anos da escola… Elas mostraram como são felizes dentro da EMEI Jardim Monte Belo. Foram muitos desenhos, até que todos conseguissem votar em um que simbolizasse esses 10 anos de festa.

E nossas crianças mostraram em suas pinturas que nossa escola sempre é uma festa para elas…

Uma escola colorida, alegre e cheia de detalhes…


Uma escola cheia de brinquedos interessantes para brincar…

Uma escola onde adultos e crianças estão sempre juntos, apoiando um ao outro…

Uma escola que é proteção para as crianças com necessidades especiais…

Uma escola inserida em um contexto social, que não está distante do que acontece no bairro…

Uma escola onde se brinca de montão…

Uma escola com um parque sempre iluminado por um sol sorridente…

Uma escola cercada de corações, carinhos e flores, com alguém de braços abertos, bem na porta…

Uma escola com adultos grandes e protetores…

Uma escola que é abrigo…

Uma escola que é espaço para crianças diferentes entre si…

Uma escola cheia de espaços diferentes…

Uma escola debaixo de um arco-íris…

Uma escola de paredes simpáticas, e de festas diversas…

Uma escola que é de professores e de alunos…

Uma escola que é da comunidade…

Uma escola que merece festa, bolo e brigadeiro…

Uma escola cheia de sorrisos…

Uma escola que é sempre uma festa!

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS DE FESTA!

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