EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Arquivo para a categoria ‘Projeto “Alegrias de Quintal’ – 2013’

REGISTROS DE ALEGRIAS DE QUINTAL – 2017 – HORA DO ALMOÇO!

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ARTE NAS ALEGRIAS DE QUINTAL – CRIAÇÃO COM LIBERDADE E PRAZER!

 

O percurso criativo depende de materiais adequados? De aprender técnicas interessantes? De conhecer e copiar a obra de grandes artistas? De tudo isso junto? Para nós, o percurso criativo depende de tudo isso sim, mas principalmente liberdade de escolha e prazer. Acompanhe essa reflexão sobre arte, apresentada no COPEDI – Congresso Paulista de Educação Infantil e no Seminário de 80 anos da Educação Infantil da DRE Pirituba/Jaraguá e perceba como as crianças podem nos surpreender com suas produções quando  têm liberdade de escolha e de criação. 

Por Professora Karina Cabral

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Arte e Infância: um encontro que muda tudo

Por que acontece? Nossos justos motivos

Na EMEI Jardim Monte Belo temos dois grandes anseios: fazer da escola realmente um lugar de infância e dar às crianças o justo direito de viver a autonomia, as relações e a expressão de linguagens.

Desde 2013, vivemos o projeto Alegrias de Quintal. Durante parte do tempo das crianças na escola, as educadoras oferecem várias atividades em espaços externos à sala das turmas. As crianças, todas juntas, escolhem o que, quando, com quem, por quanto tempo e onde querem fazer suas atividades (incluindo o almoço). As crianças são, assim, donas de seu tempo e de suas possibilidades de aprender.

Até chegar a essa configuração, foi um longo caminho. Tivemos que amadurecer, como educadoras, a ideia de que as crianças têm direito à infância, mas também amadurecer a nossa confiança nas capacidades delas, revendo nossos paradigmas como educadoras. Saímos do papel de “ensinadoras” para o papel de mediadoras e isso exigiu de nós estudo, reformulação pessoal e profissional, muitas conversas com todos envolvidos, reflexões, muitas tentativas, erros e acertos… E principalmente, muita parceria – entre nós educadoras, as famílias, a gestão e as crianças.

Hoje, temos um projeto institucional estabelecido, que muito nos alegra e nos realiza.

Todas as atividades do quintal são planejadas. E fazemos isso em conjunto em nossas reuniões semanais. Tentamos estabelecer desde o início do projeto, objetivos comuns e a partir deles, definir quais práticas contemplariam o que achamos essencial para as crianças viverem na escola – sempre atentas às respostas delas, chamando-as também para participar desse planejamento ao ouvi-las.

Pensando sobre as atividades que ofereceríamos no momento das “Alegrias de Quintal”, elencamos quatro linguagens que são fundamentais para nós: a brincadeira, a expressão artística, o movimento, e a comunicação com outras pessoas – afetiva, oral, textual, gestual. Outras linguagens de conhecimento também são fundamentos de nossas práticas, mas essas quatro áreas estão sempre contempladas em nossas propostas, posturas e atitudes junto às crianças.

Não foi fácil definir objetivos para a área de artes. Estávamos acostumadas, bem antes, a ver a arte como reprodução de padrões estéticos considerados “perfeitos”; e depois disso, até tentávamos estimular a criação, com sequências didáticas e projetos que ajudavam as crianças a experimentar materiais, conhecer técnicas, apreciar imagens… Mas ainda não era criação. Estávamos ainda presas à ideia de “ensino” da arte. Continuamos achando ser necessário apresentar experiências dirigidas para as crianças. Porém, percebemos que o “quintal” podia ser o momento tão aguardado, por nós e por elas para expressão mais livre.

Em Artes, queríamos oferecer atividades que motivassem a criação e ao mesmo tempo ampliassem o universo cultural das crianças. No “quintal” as crianças podem estar envolvidas ou não nas atividades artísticas, conforme suas escolhas; elas são livres para criar ou não. Sendo assim, queríamos “seduzi-las” para a possibilidade criar algo que fizesse sentido para elas, ampliasse seus conhecimentos e desse a elas o prazer da criação.

Mas, o que é criação? A história da relação da escola com a Arte é marcada por uma série de equívocos nesse sentido. Por muito tempo, pensávamos que a criação artística era uma espécie de artesanato, um treino – sabia desenhar, pintar, colar quem melhor imitasse algum modelo, ou alcançasse um padrão que considerássemos ideal para a idade. Nesse tempo, víamos apenas reproduções. Ninguém cria na mera aprendizagem de técnicas.

Depois, passamos para outro extremo, onde pensávamos ser proibido interferir nos processos das crianças, crendo na espontaneidade total; o que vimos foi um empobrecimento das criações. Ninguém cria no vazio. A criação depende de um delicado e difícil equilíbrio entre nossas experiências estéticas, ousadias, desejo, contato com recursos concretos; é nosso mundo interno – imaginação e capacidades cognitivas – querendo ser expresso em uma bela imagem. A arte pode ou não ter a intenção de comunicar algo a alguém; mas a criação é sempre fruto de expressão genuína de quem faz a arte. E nossos pequenos têm direito a experimentar essa linguagem com intensidade… Têm o direito de criar.

Mantivemos essa visão de arte e criação em mente. E junto a ela, nossa consciência que o foco das “Alegrias de Quintal” concentra-se na autonomia. A estrutura do projeto torna impossível planejar uma atividade em passos rígidos, com começo, meio e fim, uma vez que as crianças podem entrar e sair da atividade a qualquer momento. Foi hora, então, de definir objetivos gerais para as propostas de arte. Chegamos a quatro deles.

Queremos que cada uma das crianças:

  • Desenvolva autonomia ao exercer seu direito de escolha real, escolhendo, inclusive, apenas apreciar a arte, ou expressar-se através dela;
  • Tenha contato com diferentes fazeres artísticos na escola e fora dela;
  • Experimente e aprenda o uso de diversos materiais de qualidade e várias técnicas de expressão artística;
  • Sinta-se segura para criar a sua própria estética, apreciando, também, as produções dos colegas e outras referências artísticas da nossa cultura.

Começamos a nos arriscar em propostas de arte abertas, que tinham como fundamento a fruição, o contato livre, o desejo das crianças, as trocas entre elas, e delas com as educadoras. Não apenas no ateliê – espaço propício para esse tipo de atividade – mas também em outros espaços da escola, começamos a colocar possibilidades de pintura, desenho, colagem, instalações, montagens, cartonagem… Todas com o intuito de facilitar esse encontro das crianças com a arte. As crianças, seguras, começaram a criar coisas que superaram – e muito – nossas expectativas.

A cada quinzena as educadoras mudam de proposta e de espaço, mas temos alguns princípios práticos comuns em relação à arte:

  • Oferecer materiais suficientes e de qualidade;
  • Deixar que as crianças experimentem os materiais e as técnicas quantas vezes quiserem;
  • Produzir, experimentar, expor junto com as crianças;
  • Orientar a produção das crianças bem de perto, dando sugestões, fazendo questionamentos, alimentando as ideias, conversando com elas da forma mais horizontal possível;
  • Oferecer boas referências às crianças sobre as técnicas e/ou materiais trabalhados;
  • Ajudar as crianças na organização das atividades;
  • Chamar a atenção das crianças para as produções dos colegas;
  • Ater-se a detalhes do que estão fazendo.

Estas são posturas de mediação que todas procuramos ter e que nos afastam do mero ensino de técnicas. É um caminho fascinante, delicioso… Que também nos motiva a continuar sendo criadoras e recriadoras de nossa própria arte, de nossa própria prática.

Nas experiências de arte também aparecem vários temas importantes. Questões de gênero e etnia, padrões estéticos, a beleza; a cooperação; a coletividade e a individualidade; a apreciação; maneiras de lidar com o tempo; organização pessoal e coletiva. São muitos os aprendizados adjacentes às propostas de arte nas “Alegrias de Quintal”.

Depois de tantas experiências positivas, para nós ficou possível descrever o que é a criação. É um processo de escolha – escolha do que introjetar, do que externar; do que usar ou não usar; do que vai ser compartilhado, do que vai ser só seu… E assim por diante. Estamos nesse processo com elas e por elas. E hoje o que vemos é a arte enchendo as paredes da nossa escola, enchendo nossos olhos e nossa experiência, o que nos motiva a ousar cada vez mais.

Vejam como a proposta de misturar cores foi crescendo e ganhando corpo coletivo, e como essa experiência de criar painéis coletivos viraram também produções individuais, onde as crianças misturaram cores com muito método… Criando belas imagens!

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Como acontece? A arte invadindo o nosso quintal

Nosso trabalho com Artes nas “Alegrias de Quintal” caminha em três direções.

Algumas propostas são permanentes, ou seja, são oferecidas sempre. Acreditamos que alguns braços das linguagens artísticas, como o desenho e a construção, precisam estar todos os dias à disposição das crianças. Como atividades permanentes, temos espaços onde as crianças independem da supervisão direta de adultos para criar. É o caso da mesa de desenho livre (onde há suportes e materiais para desenhar), dos tapetes de materiais não estruturados ( onde as crianças podem construir arranjos estéticos) ou da parede de azulejos para pintura. Há também possibilidades de apreciação visual nos murais e paredes da escola, onde se pode olhar imagens produzidas por artistas ou por colegas.

Temos também algumas propostas auxiliares de arte. Nessas propostas, a arte é mais um recurso em um espaço onde outras atividades estão acontecendo. É quando, por exemplo, colocamos arte no parque, em um cantinho de brincadeira, ou no canto de descanso. Pode-se desenhar com giz ou gelo na quadra; ter um plástico no parque para desenhar; modelar massinha em um canto de brincadeira; pintar um pedaço do muro da escola; desenhar um boneco para brincar no canto das madeiras, e assim por diante.

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A arte ajudando a fazer pista de carrinho…

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Bonecos para brincar…

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E modelando massinha, a gente faz uma festa de aniversário!

E temos também as propostas de oficinas, onde há um tema e/ou técnica sugerida diretamente às crianças na quinzena. Nas oficinas quinzenais, as crianças têm oportunidade de aprofundar-se em uma possibilidade de arte, em um movimento que é só delas. Já passamos por várias experiências e fases. Há as crianças que sempre procuram as artes, e outras que vêm para essas oficinas conforme a proposta. Algumas delas chegam a ficar quase que todo tempo envolvidas no trabalho, seja observando ou produzindo algo.

A professora responsável fica no espaço e faz uma proposta aberta (mas com objetivos específicos) às crianças: fazer um painel grande de desenho e/ou pintura; trabalhar com mosaicos; construir máscaras; passar por uma oficina de percurso que mistura todos os materiais; fazer um retrato, ou autoretrato; formar um painel com colagem; modelar com argila; criar mandalas; construir brinquedos com sucata; pintar caixas de papelão para fazer carrinhos; fazer tinta com farinha; desenhar modelitos de roupas… E muitas outras possibilidades.

Aqui, a proposta de uma oficina de mandalas. No início, copiando modelos, depois, descobrindo os próprios traços… As crianças foram se superando em criar arranjos simétricos de cores e formas, que produziram belos painéis e produções:

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Considerações Finais

Com o tempo e a grande troca que acontece no quintal (a prática das crianças nos aprimorando como educadoras, e nós ajudando-as a avançar) percebemos que os limites para a criação existem, mas não estão nas crianças. Elas são capazes de “quase” tudo! Quem coloca o limite desse “quase” somos nós, adultas.

Com o tempo, nossa postura de mediação nessas oficinas foi mudando. Fomos entendendo o movimento das crianças. Percebemos que elas, frequentemente, nos surpreendem. Criam outros usos para os materiais. Trazem ideias de casa, fazem esboços, tentam muitas vezes e são extremamente exigentes consigo mesmas, colocando-se desafios. Percebemos que o fato de produzirmos junto com elas não as direciona para nossa estética, pelo contrário; compõe com a estética delas, e assim elas se sentem próximas de nós. Percebemos também que nossa relação de afeto com elas muda tudo. Elas se sentem seguras para conversar, para compartilhar coisas, para perguntar, para chorar ou rir conosco, ou perto de nós; toda essa relação de afeto aparece expressa no que estão fazendo.

Temos muitas imagens belíssimas das produções das crianças para mostrar. E também algumas imagens do processo de criação delas. Mas essas imagens não dão conta de explicar o que acontece de fato ali. É um processo de troca retroalimentado que, ao mesmo tempo, motiva e desafia a querer sempre mais.

As crianças podem escolher se levam ou não suas produções pessoais para a casa. Temos espaço de exposição dos trabalhos. Ao longo da quinzena, o trabalho vai amadurecendo, atingindo outras complexidades e contornos, enquanto as crianças ganham mais habilidade com os materiais e desenvolvem mais ideias. Às vezes, de acordo com a escolha das educadoras e das crianças, as oficinas permanecem por mais algum tempo. Os resultados são surpreendentes. É impressionante como a criação das crianças ficou mais livre e alcançou um nível de qualidade visual que nós não imaginávamos ser possível para os pequenos.

Percebemos que as crianças têm muita habilidade e um olhar estético apurado, muito propenso a se desenvolver rapidamente. Elas são críticas em tudo que fazem, e gostam de se superar. Gostam de trabalhar juntas – uma ajuda, estimula e avalia a outra.

Dividimos também esses resultados com as famílias, à medida que expomos o trabalho das crianças no mural da escola, sempre com textos que explicam o processo de criação e contam um pouco sobre nossas propostas. Usamos também o blog de nossa escola para divulgar essas práticas para as famílias e entrar em contato com outros educadores e educadoras que nos provocam novas reflexões.

Vemos também que a postura em relação à arte que é comum nas “Alegrias de Quintal” “vazou” para o trabalho que acontece nas salas de aula. Cada vez mais temos refletido todas juntas sobre o assunto, tentando abrir possibilidades de criação também nos cantinhos de artes que temos nas salas, alcançando o equilíbrio entre oferecer o contato com novas técnicas e materiais e deixar que as crianças usem esse conhecimento adquirido para criar livremente.

Continuamos tentando ser tão criativas quanto as crianças para propor coisas cada vez mais livres e cheias de possibilidades, abordando vários aspectos da linguagem artística. Para nós, também é um aprendizado superar a tendência de ver a arte como padrão, ou ato de mero ensino de técnicas. Buscamos o equilíbrio, em nossa mediação, entre a orientação direta e a espontaneidade.

As artes nas “Alegrias de Quintal” também são motivo de tudo que envolve o ideal da arte da nossa profissão: o prazer, a alegria de criar, a beleza, a cultura, o celeiro de ideias… A criação partilhada e renovada em nossa vontade de ir além.

É isso o que a arte faz: um muro velho e descascado vira um show de cores, formas, desenhos, experimentações. A criação é livre, e a aprendizagem também!

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Referências

 

BRASIL. Parecer CNE/CNB nº20/2009. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União. Brasília, D.F., 11 de Nov. 2009

 

GOBBI, Márcia e LEITE, Maria Isabel. O desenho da criança pequena: distintas abordagens na produção acadêmica em diálogo com a educação. Disponível em: <http://biblioteca.esec.pt/cdi/ebooks/docs/Gobbi_desenho.pdf>. Acesso em Setembro/ 2015

 

IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte. Porto Alegre, Artmed, 2003.

 

MAY, Rollo. A Coragem de Criar. Rio de Ja

NOSSO QUINTAL É ALEGRE… NOSSO QUINTAL É DA INFÂNCIA! – O QUINTAL DA LUCIMAR

Por Professora Lucimar Apª Bittencourt Lara

A professora Lucimar revela, em seu relato, a qualidade das relações que tem com as crianças e também algumas possibilidades de propostas para a quadra; mas, além disso, revela também a flexibilidade de seu planejamento, ao compartilhá-lo com as crianças.

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O NOSSO QUINTAL É ALEGRE… O NOSSO QUINTAL É DA INFÂNCIA – O QUINTAL DA CAROLINA E DAS CRIANÇAS

Por Professora Carolina Lemos Roland

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