EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

BEM VINDO, 2016!

20150227_135537Famílias e crianças que chegam, bem vindos, bem vindas ao nosso jardim!

Aqui, um lugar onde há muita plantação, muita cor, muitas borboletas voando, muita delicadeza e vontade de sair do casulo, muito aprendizado e muita alegria. Vocês vão gostar!

Famílias e crianças que voltam este ano, que bom vê-los novamente!

Contamos com vocês para fazer as honras da casa e para continuar trilhando juntos e juntas essa estrada que vocês iniciaram conosco o ano passado. Nós somos melhores hoje do que éramos antes também por causa de vocês! Obrigada e sejam bem vindos também.

Funcionárias e funcionários novos, bem vindos! Que bom que vocês vieram somar conosco e nos mostrar coisas que não tínhamos visto até aqui. Que bom que poderemos mostrar a vocês um pouco do que já aprendemos. E nesse círculo de aprendizagem e carinho, que vocês façam o nosso jardim crescer mais e mais.

Que 2016 seja um ano fantástico para todos e todas que fazem parte da comunidade da EMEI Jardim Monte Belo.

“Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira…

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho…

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também…

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé…

Eu apenas queria que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte das novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida…”

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Por Professora Joseane Barboza de Carvalho

O olhar do adulto para a infância é um olhar reflexivo, nostálgico, analítico… Um olhar de fora para dentro de si mesmo e dentro do outro.

Já o olhar da criança para a própria infância, e para a infância que partilha com os amigos e amigas é um olhar vivo, atual, presente, intenso… Cheio de emoção e sabedoria.

A professora Jose fez um interessante diálogo sobre a infância envolvendo crianças, famílias e adultos da escola. O resultado foi uma beleza de relatos e imagens que são mais que um simples registro… São memória viva de um tempo vivido e sentido, que, quando partilhado, vira contato… Vira cultura… Vira conhecimento.

Apreciem o livro de registro da professora Jose e da turminha do 6F. 🙂

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Por Professora Edvania Moraes

A poética da brincadeira e da infância se cruzam e se retroalimentam, formando personalidades, ampliando o olhar sobre a cultura, unindo o saber da criança e do adulto, dando a nós uma sensação incrível e desafiadora de pertencimento.

A professora Edvania reconheceu, em seus pequenos, a vontade e a habilidade de criar brinquedos e brincadeiras. E aproveitou isso para fazer um projeto incrível que uniu arte, cultura, brincadeira, faz de conta, linguagem oral e escrita… E muitas oportunidades de aprender – sobre o mundo, sobre si mesmas, sobre os outros.

Vejam que lindo o livro de registro dessa preciosa experiência, feito pela professora Edvania e pela turminha do 6E!

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Por Professora Priscila Amorim

A professora Priscila desenvolveu com sua turminha do 6D um projeto interessante, que uniu leitura de vários tipos de texto, oportunidades diferentes de escrita, culinária, oportunidade de interagir com muitas linguagens de conhecimento… E muita diversão entre os pequenos.

A partir de algumas histórias que as crianças gostavam, e que tinham como ação dos personagens o envolvimento com alguma comida gostosa, as crianças foram recolhendo e inventando receitas, escrevendo registros, desenhando, fazendo propostas, gráficos, tomando decisões, partilhando… Cozinhando!

O resultado está nesse delicioso livro que a classe montou como registro do projeto, e que a professora Priscila divide aqui com vocês agora.

Apreciem! 🙂

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O percurso criativo depende de materiais adequados? De aprender técnicas interessantes? De conhecer e copiar a obra de grandes artistas? De tudo isso junto? Para nós, o percurso criativo depende de tudo isso sim, mas principalmente liberdade de escolha e prazer. Acompanhe essa reflexão sobre arte, apresentada no COPEDI – Congresso Paulista de Educação Infantil e no Seminário de 80 anos da Educação Infantil da DRE Pirituba/Jaraguá e perceba como as crianças podem nos surpreender com suas produções quando  têm liberdade de escolha e de criação. 

Por Professora Karina Cabral

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Arte e Infância: um encontro que muda tudo

Por que acontece? Nossos justos motivos

Na EMEI Jardim Monte Belo temos dois grandes anseios: fazer da escola realmente um lugar de infância e dar às crianças o justo direito de viver a autonomia, as relações e a expressão de linguagens.

Desde 2013, vivemos o projeto Alegrias de Quintal. Durante parte do tempo das crianças na escola, as educadoras oferecem várias atividades em espaços externos à sala das turmas. As crianças, todas juntas, escolhem o que, quando, com quem, por quanto tempo e onde querem fazer suas atividades (incluindo o almoço). As crianças são, assim, donas de seu tempo e de suas possibilidades de aprender.

Até chegar a essa configuração, foi um longo caminho. Tivemos que amadurecer, como educadoras, a ideia de que as crianças têm direito à infância, mas também amadurecer a nossa confiança nas capacidades delas, revendo nossos paradigmas como educadoras. Saímos do papel de “ensinadoras” para o papel de mediadoras e isso exigiu de nós estudo, reformulação pessoal e profissional, muitas conversas com todos envolvidos, reflexões, muitas tentativas, erros e acertos… E principalmente, muita parceria – entre nós educadoras, as famílias, a gestão e as crianças.

Hoje, temos um projeto institucional estabelecido, que muito nos alegra e nos realiza.

Todas as atividades do quintal são planejadas. E fazemos isso em conjunto em nossas reuniões semanais. Tentamos estabelecer desde o início do projeto, objetivos comuns e a partir deles, definir quais práticas contemplariam o que achamos essencial para as crianças viverem na escola – sempre atentas às respostas delas, chamando-as também para participar desse planejamento ao ouvi-las.

Pensando sobre as atividades que ofereceríamos no momento das “Alegrias de Quintal”, elencamos quatro linguagens que são fundamentais para nós: a brincadeira, a expressão artística, o movimento, e a comunicação com outras pessoas – afetiva, oral, textual, gestual. Outras linguagens de conhecimento também são fundamentos de nossas práticas, mas essas quatro áreas estão sempre contempladas em nossas propostas, posturas e atitudes junto às crianças.

Não foi fácil definir objetivos para a área de artes. Estávamos acostumadas, bem antes, a ver a arte como reprodução de padrões estéticos considerados “perfeitos”; e depois disso, até tentávamos estimular a criação, com sequências didáticas e projetos que ajudavam as crianças a experimentar materiais, conhecer técnicas, apreciar imagens… Mas ainda não era criação. Estávamos ainda presas à ideia de “ensino” da arte. Continuamos achando ser necessário apresentar experiências dirigidas para as crianças. Porém, percebemos que o “quintal” podia ser o momento tão aguardado, por nós e por elas para expressão mais livre.

Em Artes, queríamos oferecer atividades que motivassem a criação e ao mesmo tempo ampliassem o universo cultural das crianças. No “quintal” as crianças podem estar envolvidas ou não nas atividades artísticas, conforme suas escolhas; elas são livres para criar ou não. Sendo assim, queríamos “seduzi-las” para a possibilidade criar algo que fizesse sentido para elas, ampliasse seus conhecimentos e desse a elas o prazer da criação.

Mas, o que é criação? A história da relação da escola com a Arte é marcada por uma série de equívocos nesse sentido. Por muito tempo, pensávamos que a criação artística era uma espécie de artesanato, um treino – sabia desenhar, pintar, colar quem melhor imitasse algum modelo, ou alcançasse um padrão que considerássemos ideal para a idade. Nesse tempo, víamos apenas reproduções. Ninguém cria na mera aprendizagem de técnicas.

Depois, passamos para outro extremo, onde pensávamos ser proibido interferir nos processos das crianças, crendo na espontaneidade total; o que vimos foi um empobrecimento das criações. Ninguém cria no vazio. A criação depende de um delicado e difícil equilíbrio entre nossas experiências estéticas, ousadias, desejo, contato com recursos concretos; é nosso mundo interno – imaginação e capacidades cognitivas – querendo ser expresso em uma bela imagem. A arte pode ou não ter a intenção de comunicar algo a alguém; mas a criação é sempre fruto de expressão genuína de quem faz a arte. E nossos pequenos têm direito a experimentar essa linguagem com intensidade… Têm o direito de criar.

Mantivemos essa visão de arte e criação em mente. E junto a ela, nossa consciência que o foco das “Alegrias de Quintal” concentra-se na autonomia. A estrutura do projeto torna impossível planejar uma atividade em passos rígidos, com começo, meio e fim, uma vez que as crianças podem entrar e sair da atividade a qualquer momento. Foi hora, então, de definir objetivos gerais para as propostas de arte. Chegamos a quatro deles.

Queremos que cada uma das crianças:

  • Desenvolva autonomia ao exercer seu direito de escolha real, escolhendo, inclusive, apenas apreciar a arte, ou expressar-se através dela;
  • Tenha contato com diferentes fazeres artísticos na escola e fora dela;
  • Experimente e aprenda o uso de diversos materiais de qualidade e várias técnicas de expressão artística;
  • Sinta-se segura para criar a sua própria estética, apreciando, também, as produções dos colegas e outras referências artísticas da nossa cultura.

Começamos a nos arriscar em propostas de arte abertas, que tinham como fundamento a fruição, o contato livre, o desejo das crianças, as trocas entre elas, e delas com as educadoras. Não apenas no ateliê – espaço propício para esse tipo de atividade – mas também em outros espaços da escola, começamos a colocar possibilidades de pintura, desenho, colagem, instalações, montagens, cartonagem… Todas com o intuito de facilitar esse encontro das crianças com a arte. As crianças, seguras, começaram a criar coisas que superaram – e muito – nossas expectativas.

A cada quinzena as educadoras mudam de proposta e de espaço, mas temos alguns princípios práticos comuns em relação à arte:

  • Oferecer materiais suficientes e de qualidade;
  • Deixar que as crianças experimentem os materiais e as técnicas quantas vezes quiserem;
  • Produzir, experimentar, expor junto com as crianças;
  • Orientar a produção das crianças bem de perto, dando sugestões, fazendo questionamentos, alimentando as ideias, conversando com elas da forma mais horizontal possível;
  • Oferecer boas referências às crianças sobre as técnicas e/ou materiais trabalhados;
  • Ajudar as crianças na organização das atividades;
  • Chamar a atenção das crianças para as produções dos colegas;
  • Ater-se a detalhes do que estão fazendo.

Estas são posturas de mediação que todas procuramos ter e que nos afastam do mero ensino de técnicas. É um caminho fascinante, delicioso… Que também nos motiva a continuar sendo criadoras e recriadoras de nossa própria arte, de nossa própria prática.

Nas experiências de arte também aparecem vários temas importantes. Questões de gênero e etnia, padrões estéticos, a beleza; a cooperação; a coletividade e a individualidade; a apreciação; maneiras de lidar com o tempo; organização pessoal e coletiva. São muitos os aprendizados adjacentes às propostas de arte nas “Alegrias de Quintal”.

Depois de tantas experiências positivas, para nós ficou possível descrever o que é a criação. É um processo de escolha – escolha do que introjetar, do que externar; do que usar ou não usar; do que vai ser compartilhado, do que vai ser só seu… E assim por diante. Estamos nesse processo com elas e por elas. E hoje o que vemos é a arte enchendo as paredes da nossa escola, enchendo nossos olhos e nossa experiência, o que nos motiva a ousar cada vez mais.

Vejam como a proposta de misturar cores foi crescendo e ganhando corpo coletivo, e como essa experiência de criar painéis coletivos viraram também produções individuais, onde as crianças misturaram cores com muito método… Criando belas imagens!

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Como acontece? A arte invadindo o nosso quintal

Nosso trabalho com Artes nas “Alegrias de Quintal” caminha em três direções.

Algumas propostas são permanentes, ou seja, são oferecidas sempre. Acreditamos que alguns braços das linguagens artísticas, como o desenho e a construção, precisam estar todos os dias à disposição das crianças. Como atividades permanentes, temos espaços onde as crianças independem da supervisão direta de adultos para criar. É o caso da mesa de desenho livre (onde há suportes e materiais para desenhar), dos tapetes de materiais não estruturados ( onde as crianças podem construir arranjos estéticos) ou da parede de azulejos para pintura. Há também possibilidades de apreciação visual nos murais e paredes da escola, onde se pode olhar imagens produzidas por artistas ou por colegas.

Temos também algumas propostas auxiliares de arte. Nessas propostas, a arte é mais um recurso em um espaço onde outras atividades estão acontecendo. É quando, por exemplo, colocamos arte no parque, em um cantinho de brincadeira, ou no canto de descanso. Pode-se desenhar com giz ou gelo na quadra; ter um plástico no parque para desenhar; modelar massinha em um canto de brincadeira; pintar um pedaço do muro da escola; desenhar um boneco para brincar no canto das madeiras, e assim por diante.

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A arte ajudando a fazer pista de carrinho…

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Bonecos para brincar…

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E modelando massinha, a gente faz uma festa de aniversário!

E temos também as propostas de oficinas, onde há um tema e/ou técnica sugerida diretamente às crianças na quinzena. Nas oficinas quinzenais, as crianças têm oportunidade de aprofundar-se em uma possibilidade de arte, em um movimento que é só delas. Já passamos por várias experiências e fases. Há as crianças que sempre procuram as artes, e outras que vêm para essas oficinas conforme a proposta. Algumas delas chegam a ficar quase que todo tempo envolvidas no trabalho, seja observando ou produzindo algo.

A professora responsável fica no espaço e faz uma proposta aberta (mas com objetivos específicos) às crianças: fazer um painel grande de desenho e/ou pintura; trabalhar com mosaicos; construir máscaras; passar por uma oficina de percurso que mistura todos os materiais; fazer um retrato, ou autoretrato; formar um painel com colagem; modelar com argila; criar mandalas; construir brinquedos com sucata; pintar caixas de papelão para fazer carrinhos; fazer tinta com farinha; desenhar modelitos de roupas… E muitas outras possibilidades.

Aqui, a proposta de uma oficina de mandalas. No início, copiando modelos, depois, descobrindo os próprios traços… As crianças foram se superando em criar arranjos simétricos de cores e formas, que produziram belos painéis e produções:

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Considerações Finais

Com o tempo e a grande troca que acontece no quintal (a prática das crianças nos aprimorando como educadoras, e nós ajudando-as a avançar) percebemos que os limites para a criação existem, mas não estão nas crianças. Elas são capazes de “quase” tudo! Quem coloca o limite desse “quase” somos nós, adultas.

Com o tempo, nossa postura de mediação nessas oficinas foi mudando. Fomos entendendo o movimento das crianças. Percebemos que elas, frequentemente, nos surpreendem. Criam outros usos para os materiais. Trazem ideias de casa, fazem esboços, tentam muitas vezes e são extremamente exigentes consigo mesmas, colocando-se desafios. Percebemos que o fato de produzirmos junto com elas não as direciona para nossa estética, pelo contrário; compõe com a estética delas, e assim elas se sentem próximas de nós. Percebemos também que nossa relação de afeto com elas muda tudo. Elas se sentem seguras para conversar, para compartilhar coisas, para perguntar, para chorar ou rir conosco, ou perto de nós; toda essa relação de afeto aparece expressa no que estão fazendo.

Temos muitas imagens belíssimas das produções das crianças para mostrar. E também algumas imagens do processo de criação delas. Mas essas imagens não dão conta de explicar o que acontece de fato ali. É um processo de troca retroalimentado que, ao mesmo tempo, motiva e desafia a querer sempre mais.

As crianças podem escolher se levam ou não suas produções pessoais para a casa. Temos espaço de exposição dos trabalhos. Ao longo da quinzena, o trabalho vai amadurecendo, atingindo outras complexidades e contornos, enquanto as crianças ganham mais habilidade com os materiais e desenvolvem mais ideias. Às vezes, de acordo com a escolha das educadoras e das crianças, as oficinas permanecem por mais algum tempo. Os resultados são surpreendentes. É impressionante como a criação das crianças ficou mais livre e alcançou um nível de qualidade visual que nós não imaginávamos ser possível para os pequenos.

Percebemos que as crianças têm muita habilidade e um olhar estético apurado, muito propenso a se desenvolver rapidamente. Elas são críticas em tudo que fazem, e gostam de se superar. Gostam de trabalhar juntas – uma ajuda, estimula e avalia a outra.

Dividimos também esses resultados com as famílias, à medida que expomos o trabalho das crianças no mural da escola, sempre com textos que explicam o processo de criação e contam um pouco sobre nossas propostas. Usamos também o blog de nossa escola para divulgar essas práticas para as famílias e entrar em contato com outros educadores e educadoras que nos provocam novas reflexões.

Vemos também que a postura em relação à arte que é comum nas “Alegrias de Quintal” “vazou” para o trabalho que acontece nas salas de aula. Cada vez mais temos refletido todas juntas sobre o assunto, tentando abrir possibilidades de criação também nos cantinhos de artes que temos nas salas, alcançando o equilíbrio entre oferecer o contato com novas técnicas e materiais e deixar que as crianças usem esse conhecimento adquirido para criar livremente.

Continuamos tentando ser tão criativas quanto as crianças para propor coisas cada vez mais livres e cheias de possibilidades, abordando vários aspectos da linguagem artística. Para nós, também é um aprendizado superar a tendência de ver a arte como padrão, ou ato de mero ensino de técnicas. Buscamos o equilíbrio, em nossa mediação, entre a orientação direta e a espontaneidade.

As artes nas “Alegrias de Quintal” também são motivo de tudo que envolve o ideal da arte da nossa profissão: o prazer, a alegria de criar, a beleza, a cultura, o celeiro de ideias… A criação partilhada e renovada em nossa vontade de ir além.

É isso o que a arte faz: um muro velho e descascado vira um show de cores, formas, desenhos, experimentações. A criação é livre, e a aprendizagem também!

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Referências

 

BRASIL. Parecer CNE/CNB nº20/2009. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União. Brasília, D.F., 11 de Nov. 2009

 

GOBBI, Márcia e LEITE, Maria Isabel. O desenho da criança pequena: distintas abordagens na produção acadêmica em diálogo com a educação. Disponível em: <http://biblioteca.esec.pt/cdi/ebooks/docs/Gobbi_desenho.pdf>. Acesso em Setembro/ 2015

 

IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte. Porto Alegre, Artmed, 2003.

 

MAY, Rollo. A Coragem de Criar. Rio de Ja

Na última quinta-feira, dia 27 de agosto, tivemos a alegria e a honra de representar os educadores da infância da cidade de São Paulo em uma mesa que fechou o Seminário da DRE Santo Amaro em comemoração aos 80 anos da Educação Infantil no município, no CEU Alvarenga.

Foi um momento doce, e para nós, muito profundo, estar ali, falando da nossa prática diária.

Apresentamos aqui o texto lido e debatido lá, com as imagens que retratam o cotidiano de nossa escola.

É impossível colocar em palavras o tamanho da importância de um dos amores da nossa vida, que é o nosso trabalho… Mesmo cansadas, estressadas, esgotadas, seguimos lutando pela educação da infância, porque amamos o nosso ofício, e ele nos realiza.

Registramos, com a leveza do sonho e a crueza da prática, aquilo que nos faz ser quem somos, e dá sentido ao que fazemos todos os dias.

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Por Professora Karina Cabral

Este foi o texto trabalhado por todas as educadoras na última reunião de pais e mães. Ele veio de uma necessidade cada vez maior de discutir as questões do preconceito, discriminação e intolerância em nossa sociedade, como elas afetam a nós mesmos e como chegam às crianças. Essa necessidade veio de situações reais que vimos e vivemos com os pequenos, e que nos assustam… Mas também nos acordam. O texto calou fundo nos representantes das famílias. Aqui partilhamos com vocês!

Olá, famílias!

Como educadoras, gostaríamos de começar com vocês uma conversa difícil, mas necessária. É uma conversa que devemos fazer não apenas na escola, mas na sociedade como um todo. Ela diz respeito a três coisas que nos ferem, como pessoas e como comunidade: O PRECONCEITO¹, A DISCRIMINAÇÃO² E A INTOLERÂNCIA³ – problemas que, frequentemente, resultam em violência (física ou psicológica).

Nossas crianças são pequenas ainda, mas já têm formadas muitas ideias sobre o mundo. Observam não apenas o que dizemos, mas também cada uma de nossas ações, e a partir disso, refletem e constroem suas visões sobre elas mesmas, sobre as outras pessoas e sobre as coisas. E, mesmo tão pequenas, muitas vezes, elas já nos mostram atitudes preocupantes em relação à aceitação de outras pessoas.

Aqui na escola as crianças convivem muito e têm o direito de expressarem o que pensam e o que sentem. Cada uma delas vem de uma família, uma origem, tem uma cor de pele, uma religião, um jeito de ver a vida. Cada criança aqui teve experiências diferentes das outras e tudo isso faz com que elas sejam quem são; a isso chamamos de identidade. Do momento de nossa concepção, até envelhecermos, estamos sempre fazendo e refazendo as linhas de nossa identidade.

E se cada um tem uma identidade (que, como nossa impressão digital, é única no mundo), e se todos somos diferentes, certamente, ao nos relacionarmos com outras pessoas, estranharemos essas diferenças. É normal que as crianças se sintam curiosas acerca das diferenças, físicas ou psicológicas, que enxergam em outras crianças. Mas é o momento de mostrarmos pra elas que o diferente não é melhor nem pior, é apenas diferente. Nossa obrigação, como pessoas, como cidadãos e cidadãs, é respeitar toda e qualquer pessoa, seja ela como seja.

Aqui na escola convivemos com muitas crianças e sabemos o quanto elas, mesmo parecendo inocentes, podem ser cruéis. Identificamos, diariamente, situações de preconceito, discriminação e intolerância, contra as quais nos posicionamos firmemente como educadoras. Algumas delas:

  • Etnia: crianças que dizem “não gostar” de outras de pele negra; comentários sobre cabelos crespos, dizendo que são “feios” ou “ruins”, comentários maldosos sobre características físicas.
  • Gênero: crianças que não deixam os amigos ou as amigas brincarem por ser “brincadeira de menino” ou “menina”; meninos que se referem às colegas como “piriguetes” ou “vagabundas” (e outros nomes piores); crianças que repreendem colegas que choram dizendo que “homem não chora”.
  • Econômico/ Social: crianças que se referem com desprezo às funcionárias da limpeza, crianças que dizem que a mochila do amigo é “de pobre”, crianças que exibem um brinquedo, roupa ou pertence dizendo que o outro “não tem” ou “não pode comprar”.
  • Estético: crianças que ofendem ou zombam de colegas gordos ou obesos; crianças que não querem brincar com um amigo por achá-lo “feio”; crianças que riem de outras por alguma característica física.
  • Deficiência/dificuldade: crianças que se negam a entender as prioridades que são dadas aos colegas cadeirantes; crianças que riem dos outros por precisar de apoio (óculos, botas especiais, etc), ou por serem mais lentos ao andar ou brincar.

Cada vez que uma coisa assim acontece, nós conversamos com as crianças – as que magoam e as que são magoadas – para tentar conscientizá-las sobre a gravidade de excluir, discriminar ou desrespeitar uma pessoa. Mas não é uma tarefa fácil. Especialmente quando as crianças justificam suas ações citando a família – pais, mães, irmãos e irmãs, avós e avôs, tios e tias – como referência e modelo de comportamento.

Por isso, queremos que esta carta sirva de reflexão para vocês… Para que possam pensar sobre a responsabilidade que é educar uma criança para que seja uma pessoa íntegra, que conversa bem com todos e todas e que respeite as pessoas.

Para tanto, vocês, adultos referência, educadores responsáveis, família… Precisam observar bem suas próprias atitudes, a maneira como expressam suas crenças e conversar com elas sobre tudo isso. Precisam ser firmes em mostrar a elas o que esperam delas, e o que desaprovam em seus comportamentos. E acima de tudo, precisam dar bons exemplos e modelos de referência para elas.

Quando elas veem que vocês respeitam os outros; que os homens não xingam nem agridem mulheres; que vocês falam educadamente com todas as pessoas, que não discriminam ninguém, que não querem impor suas ideias, que não fazem piadas sobre características ou problemas de ninguém, que estão sempre espalhando paz e harmonia, evitando brigas e confusões… Que cuidam do que elas veem na televisão, ouvem no rádio, veem na internet, na rua, na igreja, nas festas… Que tomam cuidado para salvar a infância delas e não falar de assuntos inapropriados na frente delas… Em tudo isso, vocês estão educando-as para ser aquele tipo de humano com quem se deseja conviver, que respeita os demais e que ajuda na construção de um mundo bom de fato – bom para todos e todas!

Não é fácil, mas é possível. Precisamos da ajuda de vocês!

E certos da colaboração… Já agradecemos!

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

 

 

  1. “Preconceito” se refere a ideia que temos sobre algo antes de conhecer, pré-julgando.
  2. “Discriminação” é uma ação agressiva de excluir alguém de alguma situação por ele ou ela ser como é.
  3. “Intolerância” é uma postura de não aceitar nada diferente.

 

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