EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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SER EDUCADORA DA INFÂNCIA É…

Na última quinta-feira, dia 27 de agosto, tivemos a alegria e a honra de representar os educadores da infância da cidade de São Paulo em uma mesa que fechou o Seminário da DRE Santo Amaro em comemoração aos 80 anos da Educação Infantil no município, no CEU Alvarenga.

Foi um momento doce, e para nós, muito profundo, estar ali, falando da nossa prática diária.

Apresentamos aqui o texto lido e debatido lá, com as imagens que retratam o cotidiano de nossa escola.

É impossível colocar em palavras o tamanho da importância de um dos amores da nossa vida, que é o nosso trabalho… Mesmo cansadas, estressadas, esgotadas, seguimos lutando pela educação da infância, porque amamos o nosso ofício, e ele nos realiza.

Registramos, com a leveza do sonho e a crueza da prática, aquilo que nos faz ser quem somos, e dá sentido ao que fazemos todos os dias.

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O NOSSO DESEJO PARA 2014

BEM VINDAS, PESSOAS!

Por Professora Karina Cabral

Pessoas, sejam bem vindas a nossa escola!

A EMEI Jardim Monte Belo foi feita para os filhos e filhas de vocês. É uma escola pública, que todos pagamos com nossos impostos. Ela tem salas de aulas que são feitas para crianças pequenas – por isso, nessas salas, os móveis, os brinquedos, a disposição dos espaços – tudo isso foi pensado para elas. Aqui tem lugar para comer, para brincar sob o sol, para se molhar. Tem banheiros, tem corredores, tem pátio, quadra, ateliê de artes. Quem sabe consigamos fazer um jardim ou uma horta, pintar os muros e torná-la mais bonita. Mas ela já é linda. Tem livros, muitos livros. E brinquedos. Lugares onde as crianças podem se movimentar com liberdade e descansar, quando quiserem. Um lugar que é nosso, de todos nós.

Pessoas, sejam bem vindas em nosso grupo.

Aqui trabalham pessoas. Uma equipe que educa. Não importa se estamos assinando papéis, atendendo telefone, dirigindo uma perua, cuidando do portão, cozinhando, limpando, falando com as crianças na sala de aula, resolvendo problemas – estamos sempre trabalhando pelas crianças. Nós somos pessoas, e como pessoas, temos uma identidade, um jeito de ser, uma história, uma formação. E nós gostamos de pessoas. Não importa a cor da sua pele, a sua religião, a sua idade, o seu estilo de vida, não importa como é a sua família ou o lugar de onde você veio. Fazemos questão de que, aqui, todos os meninos e meninas sejam tratados com respeito por serem crianças… Por serem pessoas.

Pessoas, sejam bem vindas para partilhar das nossas ideias.

Acreditamos em muitas coisas, e queremos que, aos poucos, vocês compartilhem dessas crenças também. Defendemos a infância, o direito da criança ao brincar, o acesso dos pequenos e pequenas à cultura, à ciência, à convivência pacífica, à alegria. Não estamos só preocupadas em fazer uma escola onde a criança aprenda ou decore coisas, mas estamos preocupadas em dar a elas momentos onde possam se apaixonar pelo conhecimento e vencerem o desafio de conhecer a si mesmas e outros seres humanos.

Pessoas, sejam bem vindas para somar na nossa militância.

Acreditamos em gestão democrática. E isso significa que lidamos com transparência e respeito com as famílias. Queremos vocês aqui dentro tirando dúvidas, participando do Conselho de Escola, verificando as contas financeiras, dando a opinião de vocês. Queremos que vocês compreendam como as coisas funcionam, que se coloquem, que lutem conosco quando for necessário, que busquem o direito de seus filhos e filhas a uma educação de qualidade.

Pessoas… Sejam todas bem vindas ao nosso sonho.

O sonho de uma escola onde seu filho ou sua filha possa aprender, conviver e ser criança em plenitude. Nem sempre vamos acertar. Mas queremos você conosco. Agradecemos a sua confiança… E nos colocamos abertas ao diálogo. O nosso sonho é uma escola de qualidade que a gente construa juntos… E, a partir de agora, vocês estão convidadas a sonhar conosco.

Bem vindas, pessoas!

Um ótimo 2014 para nós.

QUANDO A CHEGADA É SUAVE… O CAMINHO É MAIS FELIZ!

Todo começo é difícil, e sabemos disso. Em contraponto à expectativa e a euforia de estar indo para uma nova experiência, está o medo do desconhecido… Estão também a ansiedade, a revisão de si mesmo, a angústia. Será que estou preparado para enfrentar o que virá? O que será que vai acontecer? Quem são as pessoas, como é o lugar que me espera?

Seja para assumir um novo emprego, conhecer uma nova pessoa, ir a um novo médico, participar da primeira aula de um novo curso, ou começar um novo ciclo… Nós adultos tendemos a agir diferente de como fazemos habitualmente. Frio na barriga, ansiedade, pensamentos incontroláveis imaginando o que será… E um excesso de cautela e retração ao se ver, enfim, no novo ambiente, cercado de novas pessoas, novas propostas. Pisamos em ovos até sentirmos com segurança o chão onde estamos.

Para uma criança pequena, que nunca deixou o colo dos pais e da família, é uma alegria, mas também uma dor e um medo muito grande ir para a escola pela primeira vez. Lá, ela não sabe o que vai acontecer. Quem ela mais conhece não estará por perto, e isso fará com que ela se sinta muito sozinha. Mil fantasias de abandono podem  passar por ela. É uma experiência forte e carregada de emoção essa de deixar os pais para enfrentar outras pessoas, outros jeitos de agir, outros acordos de coletividade. É um desafio social de conhecer os outros e uma proposta de conhecer melhor a si mesmo. São muitas coisas para dar conta. E é por isso que elas choram, se agarram com a mochila, gritam pedindo pela mãe e pelo pai, é por isso que muitas vezes se prendem ao portão e agridem as pessoas. Estão apenas dizendo que precisam de atenção, de carinho, de compreensão e alguém que diga pra elas que tudo vai dar certo, e que em pouco tempo as coisas vão se ajeitar.

Para a criança que já frequentava o CEI ou a própria escola, também há um período de reconhecimento da nova situação. Um novo horário, uma nova turma, uma nova sala, novas regras, uma nova professora… Uma nova fase, com outros desafios. Deixar o que antes era tão confortável e partir para o desconhecido também não é fácil, e às vezes custa algumas lágrimas, algumas unhas roídas, algumas regressões e enfrentamentos. Essa criança também precisa de compreensão e de segurança.

E para as famílias também não é fácil. Deixar o seu tesouro nas mãos de desconhecidos, recuperar todas as suas próprias experiências ( muitas vezes, nada boas ) com escolas, ver o filho ou filha chorando e não ter como acudir, ficar angustiado e ansioso com o que está acontecendo… Também não é fácil. Também é necessário que haja alguém que se mostre seguro, parceiro, que apóie, compreenda, esclareça e faça essa família sentir que está deixando seu filho em um lugar organizado, alegre, onde as pessoas estão preparadas para abraçar, cuidar e educar essa criança.

Nossa escola pensa sobre tudo isso. Procura enxergar todos esses lados, e cria estratégias para tornar esse começo uma passagem mais fácil para todos.

Antigamente, pensávamos esse período do começo como ADAPTAÇÃO. A criança e sua família que chega à escola deve compreender rapidamente a estrutura e procurar se adequar ao que está estabelecido, às regras, aos tempos, espaços e pessoas da escola. Quem chega tem que caber nesse espaço que já foi dado. E lidar com essa angústia do jeito que puder.

Hoje… Falamos em ACOLHIMENTO… Acolher é diferente. Parece mais com um abraço. Parece mais com conhecer um amigo. Parece mais com uma relação que vai ser construída pelas duas partes. Parece mais com se dispor a conhecer e suportar o outro com coração aberto.

Entendemos, em nossa EMEI, que a chegada na escola PRECISA ser bem pensada e planejada, para ser suave… Para ser alegre… Para ter o mínimo de dor possível e o máximo de confiança possível nesses novos vínculos que estão se estabelecendo.

É por isso que, logo de cara, escancaramos as portas da escola para que as famíias pudessem entrar. Instruímos, mostramos os espaços, apresentamos os funcionários, discutimos as principais regras de organização do dia-a-dia, deixamos que eles circulem nos corredores, que levem seus filhos até a porta da sala tranquilamente… Tiramos as dúvidas, e convidamos as famílias para ficarem com seus filhos nos primeiros dias. Conhecendo o trabalho da escola, eles ficam bem mais tranquilos, e transferem essa paz para suas crianças quando chega a hora de deixá-los sozinhos – hora que não é imposta friamente, mas acordada e respeitada.

É por acreditar nisso, também, que usamos parte de nossos primeiros dias de formação para discutir qual é a melhor postura de todos os educadores da escola diante de todo esse turbilhão de sentimentos, e combinamos nossas ações para que quem esteja chegando possa se sentir recebido de verdade, como alguém que há muito tempo está sendo esperado e que estamos alegres em ver chegar.

E também acreditando nisso tudo, procuramos tornar o ambiente da escola agradável, bonito, convidativo, cheio de brinquedos, de coisas bonitas na parede. Um ambiente limpo, belo, cheio de coisas interessantes para as crianças.

É por isso que nesses primeiros dias, todos os funcionários da escola se mobilizaram para acolher bem as crianças e suas famílias. Todos deram colo a quem estava chorando, deram ouvidos às mães e pais mais ansiosos, deram suporte para as professoras da sala, tiveram paciência de explicar muitas vezes as mesmas coisas, compreenderam as crianças que entraram em sala errada, que precisavam ser acompanhadas no corredor, que precisavam de ajuda no lanche ou no banheiro, ou para abrir a mochilha e guardar a blusa.

Tudo isso resultou em um período de acolhimento sereno, e hoje vemos nossos alunos bem mais seguros e alegres na escola.

Em uma parceria com o pessoal da Secretaria do Meio Ambiente, pais, filhos e educadores plantaram algumas mudas de árvore no espaço externo da escola. Mudas que vão crescer e frutificar. Mudas que vamos cuidar e acompanhar o desenvolvimento. Mudas que vão virar árvores diferentes uma das outras, mas que vamos admirar como são. Mudas que vamos observar, curtir, acompanhar, ajudar a resistir nas adversidades. E essas mudas que foram plantadas lá fora, queremos acreditar que também foram plantadas dentro do coração das crianças e suas famílias.

Que o ano de 2012 seja frutífero para todos nós!

Por Professora Karina Cabral

TODOS SÃO INCLUÍDOS

Por Professora Karina Cabral

Toda vez que a palavra inclusão é mencionada no ambiente escolar, logo imaginamos “incluir” alguém com uma deficiência explícita. Pensamos em alguém com cadeiras de rodas, alguém com um transtorno mental ou psíquico, alguém que não ouve, não fala ou não escuta bem e que precisará de ajuda extra para conviver e aprender em um ambiente com outras pessoas ditas “normais”.

Toda essa fantasia em torno da deficiência torna mais difícil a discussão e o amadurecimento de educadores e famílias. Minha experiência com meus alunos ditos deficientes me fez acordar para uma realidade – a diferença ( seja ela uma deficiência, uma qualidade, ou simplesmente uma característica ) faz parte do humano. E por isso, todos, em algum momento de nossas vidas, precisamos ser incluídos.

Fiquei pensando nas centenas de crianças que cruzaram comigo nesta vida. Cada um era de um jeito, cada um me via de um jeito, para cada um dei coisas diferentes de mim, de cada um recebi coisas diferentes. Tímidos, agressivos, falantes, inteligentes demais, arredios, desconcentrados, lunáticos, medrosos, gordinhos, magérrimos, crianças com alguma necessidade alimentar ou de saúde sutil, carentes, mimados, agitados, terríveis, abandonados, chatos, malvados, tristinhos ou alegrinhos, famílias complicadas… Cada um deles mereceu de mim um olhar especial, momentos de dedicação, uma conversa individual, um carinho diferente. Entre eles, estão as crianças deficientes. Faz parte da profissão de um educador acolher a diferença, e ao mesmo tempo, incentivar o grupo a ser um grupo de verdade.

Fiquei pensando nas vezes em que eu fiquei deficiente de algo por algum motivo. E nas deficiências que tenho até hoje. Quando torci o pé e precisei de uma rampa no meu local de trabalho, pensei na vida das pessoas que usam cadeiras de roda e muletas todos os dias. Não faz muito tempo tive uma conjuntivite fortíssima, e pensei como é horrível letras tão pequenas pra indicar as coisas em quase todos os lugares, quando a gente mal consegue ver. Penso nas minhas dificuldades que não consigo resolver, nas minhas incapacidades, nas coisas que não consegui aprender. Penso nas vezes em que não fui aceita em um grupo ou lugar por não corresponder às expectativas dos outros, pré-julgada. Tudo isso doeu, mas passou. Imagino como deve ser reviver isso todos os dias, todas as horas.

Convivendo com essas crianças, percebo que mais do que a consciência racional de uma deficiência, seja ela qual for, é preciso sensibilidade e firmeza para encará-la e transpô-la.

A verdade é que todos precisamos ser incluídos. E aí está o bonito e o difícil da coisa – se é ao nos confrontarmos com outros que nos damos conta das nossas diferenças, é também na empatia do que nos faz iguais que encontramos o conforto e a superação. E somos iguais por sermos humanos. Isso não é diferente pra nenhum de nós.

A INCLUSÃO É UM ABRAÇO

Por Professora Karina Cabral

A INCLUSÃO É UM ABRAÇO *

A inclusão é um abraço.

Como todo abraço, envolve pelo menos duas pessoas. Como todo abraço, envolve disposição de corpo, mente e alma. Como todo abraço, causa medo e prazer. Como todo abraço, traz conforto e aprendizado. Como todo abraço, é necessária para que continuemos crescendo como seres humanos. Como todo abraço, ela é desejável e importante. Como todo abraço, a inclusão exige de nós um olhar para o outro, a partir de nós mesmos.

Desde que comecei ouvir mais sobre a proposta ousada de trazer para a sala de aula de “crianças normais” os alunos que tinham algum tipo de deficiência – física, intelectual, psicológica – eu sabia que uma hora chegaria a minha vez.

Acompanhei, de perto e de longe, amigas que receberam em suas salas crianças e jovens com problemas auditivos, visuais, motores, cognitivos, afetivos. Vi o quanto todas elas sofreram para conseguir compreender a deficiência explícita de seus alunos, e o quanto tentaram, com tudo que podiam, fazer o melhor por essas crianças.

Acompanhei o descaso das instituições – públicas e privadas – com essa situação, deixando para as professoras e suas famílias a árdua tarefa de “dar um jeito” de praticar a inclusão a todo custo.

Acompanhei também famílias inseguras, educadores despreparados, crianças assustadas, infraestrutura precária, muito choro, muita revolta, muito estranhamento. E por tudo isso, eu tinha medo de quando chegasse minha vez de receber uma criança assim.

Este ano aconteceu. G.* apareceu na lista da minha sala com um asterisco, indicando que eu estaria finalmente colocada inteira nessa roda.

Na sala das crianças de 3 anos, o G. chegou risonho. Antes dele, chegaram seus pais, ansiosos e com medo, mas firmes em seu propósito de oferecer a seu filho o melhor que pudessem – inclusive a experiência de ir para a escola. Antes deles, chegou minha coordenadora, parceirona de valor, com o diagnóstico em mãos – transtorno de desenvolvimento global ( termo que diz tudo e não diz nada ). G. não pode andar sozinho, e todas as complicações decorrentes da dependência de não andar.

O primeiro gesto de G. pra mim foi estender os braços para que eu o abraçasse, ao retirá-lo do colo de sua mãe. Uma proposta de abraço acompanhada de um sorriso imenso.

Ali eu perdi o medo, e o abracei. Não abracei só o seu corpo, mas também a idéia de estarmos juntos durante esse período, aprendendo tudo que pudéssemos aprender um com o outro.

E então eu soube que, na verdade, não estava abraçando um diferente, e sim um igual a mim.

Professora Karina Cabral

* Texto originalmente publicado na Revista Avisa-lá, número 43, em 2010, e no blog “Abraçando“, que passa a fazer parte do “Gira, Cirandinha!” a partir de agora.

** O nome de G. foi abreviado para proteger sua identidade.

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