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ÁLBUM DE FIGURINHAS

Quantas aprendizagens e delícias cabem dentro de um álbum de figurinhas?

Por Professora Karina Cabral

Onde vemos números? Na sola do sapato, no calendário, na etiqueta da roupa, na régua, no cupom fiscal, no portão das casas, na capa dos livros, nos relógios, no teclado do telefone e do computador… Os números servem para contar, organizar, separar, agrupar, ordenar, qualificar, regularizar, categorizar, medir, quantificar, sequenciar, e muitas outras ações e habilidades relacionadas ao raciocínio lógico, tão importante para o desenvolvimento intelectual das crianças.

Porém, é difícil encontrar portadores numéricos que façam sentido para elas, que possam ir além da sequência de 1 a 20, ou que não se esgotem em pouco tempo. Mesmo usando o calendário convencional, ou brincando de recitar a sequência numérica básica com parlendas e músicas, eu percebi que as crianças já estavam prontas para fazer reflexões maiores sobre os números. Mas como provocá-las a pensar sobre isso de um jeito significativo?

Lembrei-me, da minha própria infância e de experiências anteriores como professora, de uma brincadeira deliciosa, e que parece esquecida pela maioria das crianças de hoje – o álbum de figurinhas. Quantas ações, possibilidades numéricas e diversão podem caber dentro de um álbum!

Fui até a banca de jornal e escolhi um álbum que pudesse interessá-los, que fosse recém lançado e que tivesse cromos auto-colantes. Ao trazê-lo para a roda de conversa e apresentar a proposta para as crianças, percebi algumas coisas:

  • Eles não conheciam “figurinhas”, nem álbuns para colecioná-las – apenas adesivos, que vivem trocando para colar nos cadernos de recados;
  • Para eles, era muito abstrato pensar em números maiores que 30 – embora soubessem que há uma nomenclatura para designar esses números ( “milhões”, “mil”, “cem” ), e soubessem também que esses números se referem a grandes quantidades, isso ainda era um mistério;
  • A leitura e escrita de algarismos ainda estava muito precária; para eles era difícil compreender que os números, tal como as letras, têm um jeito constante e regular para serem escritos.

Com esses dados em mente, foquei o objetivo do trabalho com o álbum. Ao final da brincadeira, as crianças deveriam ter tido a oportunidade de…

  • Familiarizar-se com os algarismos e com o aspecto marcador e indicativo dos números;
  • Ampliar suas referências de sequência numérica para números maiores;
  • Perceber a constância na escrita dos algarismos;
  • Ter contato com a tabela numérica, percebendo suas regularidades e seus “nós”.

Embora a atividade do álbum de figurinhas traga possibilidades mais complexas de trabalho com os números e quantidades, achei que esses objetivos iam de encontro com o que as crianças realmente precisavam, e a partir dele, pensei minhas ações.

Expliquei às crianças o procedimento de colecionar os cromos, fiz uma tabela numérica convencional e grande ( a do álbum não estava organizada em colunas iguais ), decidi com elas o procedimento de colagem ( decidimos que faríamos um calendário com os nomes anotados para saber quem ia colar os cromos a cada dia ), e pedi que as crianças informassem sobre esse trabalho a seus pais, para que ajudassem a comprar figurinhas ( alguns até ganharam o álbum para colecionar em casa ).

A tabela numérica, o calendário e o poster do àlbum - maneiras de as crianças acompanharem todo o trabalho e tomarem contato com diferentes portadores numéricos

No começo, a empolgação das crianças com o álbum era imensa, e por isso esperei um pouco para fazer maiores intervenções pedagógicas. É importante respeitar esse tempo de curtir os novos materiais, pois forçar a concentração das crianças quando estão muito empolgadas com alguma coisa é complicado e, creio eu, infrutífero. Em poucos dias brincando com o álbum eles já estavam mais calmos e prontos para me ouvir melhor.

Seguindo o calendário feito, cada criança destacava o cromo, colava e então marcava o número do cromo colado na tabela. Com o tempo, as crianças foram entendendo melhor como a tabela funcionava – que a linha horizontal representava a dezena, e a linha vertical as unidades, ainda que não soubessem usar essa nomenclatura. Em alguns dias, eles já estavam habilidosos em encontrar os números na tabela.

Marcar as figurinhas já coladas na tabela numérica - um desafio que trouxe muitas descobertas sobre os algarismos

Com o progresso do álbum, novos problemas foram surgindo. O que fazer com as figurinhas repetidas? Como conseguir as figurinhas que não estavam saindo? Como e em que lugares conseguir novos pacotinhos de figurinha? Com quem vai ficar o álbum quando ele estiver pronto? Quantas figurinhas faltam para o álbum estar completo?

A professora Daniela gostou da ideia e também comprou um álbum para a turma dela, e assim pudemos trocar cromos. As crianças ficaram práticas em encontrar o lugar certo das figurinhas, e em controlar a marcação na tabela. Mais ao final do álbum, usamos o recurso de pedir as figurinhas faltantes por carta. E quando os cromos chegaram, foi uma alegria muito grande ver o álbum completinho.

Ao final da atividade, que durou aproximadamente três meses, pude perceber que as dificuldades com os números que reconheci no início não foram completamente vencidas, mas as crianças avançaram muito. Alguns deles já estavam lendo e escrevendo os números, outros conseguiam ler e localizar números na tabela com muita rapidez e a maior parte dele ampliou o vocabulário numérico. Todas as crianças conseguiram compreender a função do número atrás do cromo, e localizar no álbum o espaço correspondente. Achei interessante também as soluções criadas para simplificar a colagem e a distribuição das figurinhas repetidas, que foram usadas como prêmio nos bingos de letras e nomes, e também nas brincadeiras competitivas que fizemos.

Foi uma experiência rica e divertida! Espero que a partir daqui, as crianças brinquem bastante de colecionar figurinhas e que possam aprender cada vez mais sobre os números.

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