EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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INCLUIR É UMA OPÇÃO!

O que caracteriza um educador não é o nome do seu cargo, nem se ele trabalha nos corredores da escola, na cozinha, na secretaria ou dentro da sala de aula – verdadeiro educador é aquele que trabalha pra valer contribuindo com tudo que pode, assumindo postura envolvida, investigativa, interessada e sensível em relação às crianças. Ana, uma de nossas ATEs ( inspetoras ), mostra, em seu relato sensível, a qualidade de seus ideais e de seu trabalho junto aos pequenos

INCLUIR É UMA OPÇÃO!

Por Ana Damasceno Nascimento

Olá!

Eu sou Ana, trabalho há quase três anos na EMEI Jardim Monte Belo, e o meu cargo é de ATE I – Inspetora ( Auxiliar Técnico Educacional ). Minha função na escola é auxiliar os pequenos na higiene, na alimentação, e também quando infelizmente eles estão mal de saúde ou sofrem algum acidente. Quando necessário, auxilio as professoras nas classes. Faço a entrada e saída das crianças… E onde precisarem de mim na escola, eu ajudo.

Falar de inclusão, para mim, é falar de uma via de mão dupla. Por quê? Aprendi que quando se matricula uma criança com necessidades especiais em minha escola, ela será, sim, inclusa neste novo convívio social. Mas eu, como educadora, também terei que ser inclusa na realidade dela, em seu mundo.

Tenho tido experiências indescritíveis com essas crianças… Experiências que levarei para onde eu for.

Quando comecei a trabalhar na EMEI Jardim Monte Belo, me deparei com pessoas que, querendo ou não, me assustaram, descrevendo como seria a minha realidade com alunos de inclusão. Confesso a vocês que “tremi na base”, senti medo de não saber o que fazer. Foi então que conheci o Rafael, a Vitória e o Diego. Realmente, era tudo muito diferente para mim. Por exemplo, o Rafa… Ele ia ao banheiro, mas se eu descuidasse, fazia a maior sujeira… Fora que, na hora do lanche, ele cismava de brincar de pega-pega – só que era eu quem corria atrás dele…

Não vou ser hipócrita dizendo que tudo eram flores, pois não era. Mas quando comecei a ver essas diferenças, na verdade, meus olhos mudaram… Eu comecei a ME incluir. Percebi que quando o Rafa sujava o banheiro, a sua sujeira era porque estava tentando se limpar sozinho; que quando babava demais é porque estava muito feliz com tudo que vivia na escola; e o melhor: ele entendia que eu o amava… Sinto que ele percebia o carinho das pessoas e respondia a isso do jeito dele.

Cá entre nós, me entristeço quando essas crianças têm que partir da nossa escola. Sei que lá fora há pessoas que não acreditam que é possível. A todo momento, essas crianças terão que lidar com a sorte… Sorte de cair em uma escola legal, sorte de ter quem pense sobre isso por perto, sorte de ter uma professora ou uma funcionária que abrace essa causa.

Se os educadores não optarem por dar continuidade a um trabalho como esse com essa criança, haverá a regressão… Eles estarão cada vez mais longe da autonomia, da dignidade de serem pessoas inteiras, dos seus direitos de cidadão… Do seu desenvolvimento pessoal.

Sei que o diferente, muitas vezes, assusta. Mas o que é mais aterrorizante é a indiferença!

Ana Damasceno Nascimento

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