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NOSSO QUINTAL É ALEGRE… NOSSO QUINTAL É DA INFÂNCIA! – O QUINTAL DA LUCIMAR

Por Professora Lucimar Apª Bittencourt Lara

A professora Lucimar revela, em seu relato, a qualidade das relações que tem com as crianças e também algumas possibilidades de propostas para a quadra; mas, além disso, revela também a flexibilidade de seu planejamento, ao compartilhá-lo com as crianças.

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O NOSSO QUINTAL É ALEGRE… O NOSSO QUINTAL É DA INFÂNCIA!

Por 

Educadoras do Projeto Alegrias de Quintal

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Se você tem um pouco mais de 20 anos, é bem possível que sua infância tenha tido um quintal. Sim, quintal, terreninho, terreiro, rua, terreno baldio. Um lugar onde as crianças podiam brincar juntas… Um espaço e tempo que era território de infância.

Muitas vezes o quintal não era dentro da casa de ninguém, era em um espaço que não tinha dono, que era de todos.E muitas vezes mesmo não era adequado pra brincar. E por isso, entrava todo tipo de gente. Menino e menina. Criança maior, bem grande, menor, bem pequena. Pobre, rico, criança mais calma ou mais agitada, doente ou saudável. Tinha até bicho – cachorro, gato, passarinho, bichinhos de jardim. E era todo mundo ali junto.

No quintal, adulto entrava só pra organizar e dar umas poucas ordens, ou pra socorrer quando algo mais sério acontecia. Quem reinava mesmo eram as crianças. Mais velho cuidando de mais novo… Mais novo brincando de coisas que ninguém achava que era capaz… Irmão, irmã, prima, vizinho, gente que ninguém nem conhecia, um chocando a cultura familiar com a cultura do outro. Brinquedo repartido, brinquedo criado, brinquedo catado no mato, brinquedo inventando, que ninguém via. Grito, correria, confusão. Natureza também era brinquedo. No quintal se tomava chuva, se cheirava mato, se brincava com terra, se empinava pipa usando o ar, se brincava até com fogo escondido de vez em quando.

No quintal, um comia na casa do outro. Todo adulto era pai e mãe de todo mundo – cuidava, dava bronca, assoprava machucado, dava conselho, dava asa pra brincadeira; porque antes, não era assim como é hoje, cada um na sua. Antes as crianças eram de todo mundo, e todo mundo zelava pela segurança e educação delas, por mais que cada família fosse diferente.

 O tempo do quintal também era outro. No quintal, as crianças geriam o tempo. Elas escolhiam se queriam ficar mais de canto, ou se queriam participar com todos, ou com poucos. Elas tomavam decisões sobre o tempo da brincadeira, e também sobre as regras, os jeitos. Ah, que delícia era esse quintal… Um cuidando do outro. Um brincando com o outro. Um desafiando o outro. Um imitando o  outro. Um junto com o outro, e todos juntos com todos. E muitos quintais duravam muito tempo. De manhãzinha até de noite. E duravam muito tempo também na vida da gente. Uma infância inteira.

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Veja as lindas imagens do pintor Cândido Portinari sobre os quintais de antigamente…

Os quintais de nosso tempo são outros. A rua tem muitos perigos. As casas são pequenas e apertadas. Os parques são escassos e difíceis de chegar. Tem muito fio elétrico, muito carro, muita droga e violência. As crianças de nosso tempo não sabem direito o que é um quintal. Aliás, as crianças de nosso tempo não sabem direito nem mesmo o que é ser criança. Elas estão aí, vitimizadas por tanto abandono, por tanta correria, por tanta violência, por tanto computador e TV… E perderam o direito a ter um quintal.

Por isso resolvemos juntar duas coisas que gostamos, e que acreditamos que são vitais para as crianças: o quintal e a escola. E daí nasceu o projeto Alegrias de Quintal – um jeito novo nosso de ensinar… Um jeito bonito para as crianças de aprender e conviver.

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A hora do quintal é o momento dos encontros. É bonito de se ver e de ouvir a euforia das crianças em estarem juntos.

Nesse encontro das turmas ( no pátio, às 11h para a turma da manhã, às 15h para a turma da tarde ), nós adultos contamos sobre os desafios que irão acontecer em cada espaço e qual adulto estará lá para eles e com eles. Segue-se uma hora e meia de atividades, quando as crianças podem escolher onde irão, com quem ficarão, com quem brincarão, e por quanto tempo.

Algumas crianças combinam onde irão primeiro, e há um diálogo interessante e rico em que as manifestações e argumentações entre eles acontecem sem que o adulto interfira. O único espaço que no decorrer do ano não usamos é a sala de aula. Procuramos pensar, organizar e otimizar os espaços externos e quando chove, “sambamos” um pouquinho, mas conseguimos fazer as coisas acontecerem sem negar o direito das crianças escolherem as brincadeiras.

A cada quinze dias, rodiziamos nos espaços e propomos novos desafios. Há crianças que seguem o adulto por conta do vínculo, da confiança estabelecida na relação ou por se identificar com o estilo do adulto. Há crianças que brincam e exploram um pouco de cada espaço e há também as que sempre procuram o mesmo local.

Entre as turmas da manhã e tarde, há características e especificidades diferentes. O resultado em relação ao que propomos, na maioria das vezes, pode ser diferente, mas não nos causa nenhum desconforto.

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Se você é criança, no nosso quintal, você pode escolher brincar no parque, se movimentar; pode ir almoçar; pode montar uma pista de carrinho; pode ir fazer alguma atividade de artes; pode ir jogar; pode ir mexer com madeiras e outros materiais não estruturados; pode descansar; pode ir fazer brincadeiras criativas, ou dirigidas; pode ir fazer uma máscara, ou uma experiência científica com luz e sombra; pode ir andar de motoca ou sentar um pouco pra bater papo com seu amigo; pode fazer um castelo de areia, ou balançar. Pode tudo isso junto e misturado… E pode só uma coisa dessas. Porque o quintal que é de todo mundo, ao mesmo tempo, é também de cada um.

E sempre vai ter por perto uma educadora te desafiando, te ensinando, te propondo desafios, falando de pertinho com você e observando seu crescimento, respeitando você e ao mesmo tempo tentando te mostrar algo diferente. E essas educadoras conversam! E trocam muitas ideias e olhares sobre você. E pensam novos desafios… E fazem a coisa acontecer com proximidade, diálogo. As educadoras não estão só brincando no quintal. Elas pensam pra você, que é criança, atividades muito interessantes que façam você sair de onde está e avançar mais um pouquinho na sua trajetória intelectual, social, pessoal… Emocional.

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No nosso quintal é assim: a gente brinca, se alegra, come, aprende, conversa, convive… E vive.

Nosso quintal é território de aprendizagem, de infância, de brincadeira, de gente. É gente que faz escola, que faz quintal, que faz coisas boas pra si mesma e pros outros, que faz cultura, que troca ideias.

Nós acreditamos nisso. E nessa série de seis textos, você vai entender melhor como cada professora pensa e faz acontecer o quintal, junto com as crianças.

Nosso quintal não tem cerca, pelo menos não pra trocar ideias! Pode entrar. Você é nosso convidado ou convidada. 🙂

AUTONOMIA SE APRENDE AQUI!

Atualmente são muitas as demandas da educação infantil. Socialização, inserção cultural, aprendizados de conhecimentos, desenvolvimento sócio-afetivo-cultural, enfim, tarefas diversas e complementares.

Nosso papel enquanto educadores é o de oportunizar as mais diversas vivências e desenvolver na criança capacidades e habilidades para que seja sujeito de sua existência hoje e no futuro, com responsabilidade, autonomia e valores para conviver em grupo.

Quando olhamos uma criança de 4 anos que, ao chegar à escola tem medo do desconhecido e, passados alguns meses, ao olharmos para esta mesma criança enxergarmos que já é capaz de se movimentar pelos espaços escolares, ir ao banheiro quando sente vontade, vivenciando experiências com seus colegas, experimentando sensações, se servindo na hora das refeições, temos uma visão do desenvolvimento humano que a escola propicia e que vai além do ensino de conteúdos.

É uma educação comprometida com os diferentes aspectos do desenvolvimento humano, onde cuidar e educar se entrelaçam e são consideradas as necessidades e o tempo de cada um para se desenvolver.

Desenvolvemos nossa identidade enquanto grupo partilhando conhecimentos, costumes, valores, enfim, tudo o que é necessário para um bom relacionamento na sociedade.

Todos somos sujeitos neste processo, pois ao nos relacionar estamos compartilhando experiências, pensamentos, estamos interagindo e nesta interação há trocas que nos enriquecem enquanto pessoas, fazendo com que repensemos processos, ações, provocando mudanças ou adaptações necessárias à nossa existência.

Educar não é tarefa de um, mas de todos os interessados no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e mais humana!

Professora Cláudia R. Moura

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