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O CANTINHO DO ANIVERSÁRIO

Por Professora Karina Cabral

Depois do sucesso do canto do mercadinho, que ressignificou a maneira como as crianças brincavam na sala, ficamos pensando em um novo canto de brincadeiras.

Eu sugeri algumas coisas, como montar um canto de fantasias, de brincar de médico, de escritório ou salão de cabeleireiros, mas nenhuma das minhas sugestões pareceu ter impacto sobre as crianças. Fiquei feliz – sinal que as elas já estão conseguindo fazer coisas por si mesmas, descentralizando de mim, conseguindo fazer escolhas e

organizarem-se sozinhas. Decidimos que daríamos um tempo e que eu continuaria observando, tentando reparar qual era a brincadeira mais frequente entre eles.

Tanto no parque como na sala, ela não demorou a surgir – percebi que as crianças montavam festas de aniversário com mil bolinhos e docinhos de areia e massinha, e depois de passar um tempo preparando a festa, se reuniam espontaneamente para cantar parabéns, mesmo que ele não tivesse um destinatário certo.

Com a massinha, as mãozinhas fizeram docinhos de extremo capricho!

Crianças conseguem ser quase sempre felizes com coisas simples, mas poucas coisas as encantam mais do que comemorar aniversários. Toda a cor, euforia, guloseimas e brincadeiras das festas são muito motivadoras para as crianças. E como a brincadeira tende a imitar a vida…

Abri uma roda de conversa sobre o assunto, e eles adoraram a possibilidade. Começaram a ter mil ideias sobre como montar, o que comprar, o que trazer de casa, como organizar, e eu percebi o quanto foi importante a experiência de ter montado a brincadeira anterior. Combinamos que eu compraria algumas coisas – como forminhas de brigadeiro, papel de bala, pratinhos e copinhos decorados – e eles trariam algumas coisas de casa, como velas, toalhas, garrafas de refrigerante vazias e o que mais tivessem que pudesse colaborar com a festa.

De propósito, ouvi tudo, mas não anotei nada. No dia seguinte, quando eles me cobraram as coisas, disse que não pude trazer, pois tinha esquecido o que eu devia comprar. Não demorou surgir a ideia de que eu fizesse uma lista de compras, e discutimos bastante sobre como essa lista deveria ser escrita, qual a ordem dos itens, e como eles estavam muito motivados e atentos, mantiveram a atenção e pude discutir aspectos notacionais da língua, como a organização das letras no papel, a posição dos itens, o sentido da escrita. Foi muito legal!

Trabalho duro e concentrado para montar toda a festa...

A partir daí, pude perceber que essa brincadeira pode motivar algumas atividades interessantes, como produzir a escrita dos convites, colocando o nome dos amigos; fazer uma receita de brigadeiro, de massinha, ou mesmo de bolo; fazer lista dos aniversariantes, ou utilizar o calendário para marcar as datas das festas… A minha intervenção, embora delicada, pode motivar as crianças a construir diversos conhecimentos a partir do cantinho do aniversário.

Hoje foi o primeiro dia da brincadeira, e fiquei muito feliz e surpresa de ver tanta animação, capricho, empenho e alegria!

O ápice da festa - a hora do parabéns, com vela acesa e muita alegria

Eu volto ( e dessa vez volto mesmo ) pra contar como está indo o nosso cantinho do aniversário.

O CANTINHO DO MERCADINHO

Todos os dias, nós separamos um bom tempo das 6 horas que passamos juntos na escola para brincar na sala. E nesse tempo, várias atividades acontecem simultaneamente e cada um pode escolher o que quer fazer, com quem quer estar e como utilizar os materiais disponíveis. Montamos pequenos cantos, e em cada um deles muita coisa pode acontecer.

Uma brincadeira simples e barata - não é preciso nada muito diferente de sucata e imaginação...

Um dos cantos que a turma do 6C e eu resolvemos montar juntos é o canto para brincar de “mercadinho”. No passo a passo, houve…

1. Uma conversa sobre a brincadeira de mercadinho, como ela podia ser, o que precisaríamos fazer para que ela acontecesse e por que seria uma brincadeira legal;

2. Organização – escrevemos um bilhete para as famílias pedindo que mandassem embalagens vazias e limpas de tudo que pudesse entrar no nosso mercado ( menos embalagens perigosas, como latas que cortam e vidros ), além de recolher pela escola os materiais que seriam úteis;

3. Ação – montamos a brincadeira e começamos a aproveitá-la. Todo mundo adorou, tanto que os outros cantinhos ficaram até abandonados por um tempo…

Uns vendem, outros compram, outros organizam... Todos brincam!

Para a nossa brincadeira de mercadinho, precisamos:

* Uma impressora e uma calculadora velha;

* Dinheirinho de mentira;

* Embalagens vazias e limpas ( que estragam rápido e precisam ser repostas );

* 1 toalha;

* 1 lençol;

* Elásticos de dinheiro;

* 2 mesas;

* 1 caixa para guardar tudo isso.

Colocamos uma mesa virada de ponta-cabeça em cima da outra na posição normal, e com o lençol a cobrimos, montando uma espécie de barraquinha. Na parte de baixo forramos com toalha, e prendemos o lençol com elásticos nos próprios pés da mesa. Colocamos lá dentro a impressora velha junto com a calculadora ( “caixa” ), uma caixa com o dinheirinho de brinquedo, as embalagens que tínhamos e algumas frutas de brinquedo. Em pouco tempo, os papéis foram definidos entre as crianças e o mercado começou a funcionar. As donas ( e donos! ) de casa faziam as compras e levavam logo para a casinha, que era o cantinho que ficava logo ali do lado, para cozinhar, limpar ou tomar um bom banho e se enfeitar… Os comerciantes se divertiram vendendo, negociando e contando dinheiro. Foi bem legal!

Depois da brincadeira conversamos sobre a experiência e como podíamos fazer para que ela durasse mais tempo – por exemplo, tomando mais cuidado para que as embalagens não estragassem muito rápido. Percebemos também que podemos incrementar o mercadinho, com papel pra fazer notas, sacolas pra carregar as compras, mais embalagens.

O mercadinho visto de longe, com as mesas viradas e os produtos "na banca"

Por que a brincadeira do mercadinho é um recurso pedagógico eficiente e divertido?

* Por ser uma atividade que as crianças conhecem bem na rotina de sua família, eles podem criar e recriar muitas situações diferentes e vivências sociais interessantes;

* A calculadora e o dinheiro são importantes portadores numéricos sociais, e estimulam as crianças a pensarem sobre valores, trocas, compensações, quantidades, algarismos e números;

* As crianças aprenderam, com essa experiência, que podem montar um canto diferente, o que pode abrir a porta para muitas outras brincadeiras que queiramos organizar daqui pra frente;

* Virar a mesa, colocar lençol e fazer outras mudanças estruturais na sala deu um “clique” na cabeça das crianças – o que imediatamente rendeu uma outra brincadeira. Usando as cadeiras, as crianças fizeram, sem nenhuma ajuda minha, um “ônibus” para ir ao mercado, e ali outras vivências começaram a acontecer – brincar de dirigir, pagar a passagem, ir a outros lugares… Creio que daqui por diante vou observá-los fazer muitas mudanças como essa, criando outras brincadeiras e espaços de criação artística e vivência social. As crianças perceberam que, ao modificar o ambiente, podem modificar também o próprio jeito de brincar, e isso é ótimo!

Um ônibus para ir ao mercado!

Eu volto pra contar como anda o nosso cantinho do mercado!

Professora Karina Cabral

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