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DIAS LEGAIS PARA COMEMORAR PARTE II – UMA CONVERSA COM AS FAMÍLIAS

Texto: Professora Karina Cabral

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Tempos atrás, postamos um texto em nosso blog que virou campeão de acessos e provocou muitas outras conversas com educadores e educadoras, via e-mail, encontros, discussões, fóruns – você pode ler o texto AQUI. Ele trata sobre a nossa postura em relação à comemoração de datas que as escolas infantis tradicionalmente comemoram. Esclarecemos, em nossa escrita, parte de anos de nossas discussões internas. Entendemos nosso papel como educadoras e educadores de escola pública. E a escola pública é laica ( não professa religião nenhuma ), inclusiva, consciente dos fatos de nossa História ( sempre contada pelos  dominantes, nunca pelos dominados ) e não pode incentivar o consumismo. Embora não fosse, na época, uma postura comum, era uma postura de acordo com as leis do nosso país ( Constituição Federal – 1988, e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB – 9394/96 ) e também de acordo com os ideais de uma educação democrática, para todos e todas, sem deixar ninguém de fora.

O texto rendeu muitas discussões, mas percebemos que faltava uma conversa que era a mais importante – com as famílias das crianças de nossa escola. Nas reuniões de Conselho de Escola, esse tema surgiu várias vezes. Todos os anos, metade dos alunos da escola vão para o Ensino Fundamental, e recebemos novas crianças. Essas novas famílias precisam entender nosso ponto de vista sobre esse assunto, tirar as dúvidas e dar sua opinião. E toda vez que essa troca acontece, também nos faz mudar de perspectiva, confirmando ou mudando nossas posições.

Aqui está o registro escrito da conversa que tivemos na última reunião de famílias e educadoras, este ano.

POR QUE COMEMORÁVAMOS DATAS NA ESCOLA?

Tempos atrás, aqui na EMEI Jardim Monte Belo, era comum comemorarmos essas datas na escola. É uma prática antiga, e que fazíamos sem pensar. Páscoa, dia das mães, festa junina, dia das crianças, dia do índio, dia disso, dia daquilo… Muitas escolas baseiam todo o seu planejamento educativo nessas datas. Mas aos poucos, começamos a nos perguntar SE deveríamos comemorar essas datas, e POR QUE deveríamos comemorá-las. E as respostas vieram… E atrás delas outras perguntas:

“Precisamos de temas para atividades pedagógicas.”

Mas…

Se estamos construindo um projeto pedagógico sério, estudando as melhores formas de educar as crianças, precisamos mesmo “disfarçar” as atividades em temas supostamente agradáveis?

“Todo mundo faz essas comemorações, é um costume.”

Mas…

De onde vem esse costume? Que ideologias estão por trás dele? Compactuamos com essa ideologia? A escola é um lugar de transformação ou reprodução do meio social?

“Fazemos isso para homenagear um determinado grupo de pessoas.”

Mas…

Será que essas pessoas estão sendo homenageadas da melhor forma? Comemorar o “dia do índio” é mesmo dar voz a um povo que é massacrado todos os dias? Comemorar o “dia da mulher” é falar sobre a luta das mulheres? Comemorar o dia das mães da maneira tradicional é respeitar as novas formatações de família que temos em nossa sociedade, e entre nossas crianças? Por que valorizar tanto o dia das mães, e negligenciar o dia dos pais?

“É um jeito de divulgar nosso trabalho para as famílias.”

Mas…

Será que as famílias não são capazes de compreender a fundo nossa proposta pedagógica, se explicarmos a elas? Será que um enfeite ou presentinho falará mais do que um debate, uma reflexão em grupo, uma conversa aberta, uma formação para os pais e mães?

“É uma desculpa para fazermos festas e brincadeiras para as crianças, elas gostam e se divertem.”

Mas…

A escola não deveria ser um lugar divertido e prazeroso para as crianças sempre? Não deveria ser um lugar  de brincadeiras, de ludicidade, de infância todos os dias do ano?

“As datas aproximam as famílias da escola.”

Mas…

Será que não podemos chamar as famílias em outras oportunidades, para vivenciar o trabalho da escola como ele é no cotidiano, e não apenas em uma ocasião “produzida” para isso?

“As datas ensinam valores religiosos, afetivos e morais importantes para as crianças.”

Mas…

Que valores são esses? Temos o direito de pisar em determinados terrenos sem permissão e tirar da família certas escolhas sobre a educação das crianças? Como fazemos com as crianças que são excluídas dessas comemorações por motivos afetivos, econômicos, sociais, religiosos? Manteremos essas pessoas à margem do padrão?

COMO FOI O NOSSO PROCESSO DE DISCUSSÃO?

Diante de tantas perguntas, pensamos, como grupo, que algo estava muito errado, e precisava mudar.

Partimos para um estudo detalhado sobre o tema de cada data, e também sobre as datas em si. Entramos em contato com os movimentos organizados da sociedade sobre as lutas das mulheres, dos índios, dos negros, e aprendemos muitas coisas.

Paralelamente à nossa discussão, foram acontecendo mudanças em nosso país também. Leis educacionais foram sendo promulgadas, garantindo direitos a grupos que antes eram desprezados pela sociedade ( Lei 10639/2003, e Lei 11645/2008). Começamos a entender que a escola só será para todos quando todos e todas forem estiverem dentro dela, podendo ser quem são, e tendo a origem, cultura e opções de vida respeitadas.

Começamos a fazer pequenas mudanças. Retiramos o viés de consumo e individualidade de datas como a páscoa. Paramos de comemorar datas que não tinham sentido para nós. Fomos eliminando algumas comemorações que não diziam respeito às crianças, e, ao mesmo tempo, nosso Projeto Político Pedagógico foi ganhando corpo, e mudando a nossa concepção de infância e de educação para a infância.

Nenhuma ação fica sem reação, e, claro, as famílias estranharam as mudanças. Abrimos um diálogo difícil, mas necessário com elas. Tocar nesse assunto é romper paradigmas; isso causa medo, insegurança; e muitas coisas precisam ser discutidas para que cheguemos a um consenso.

Amadurecendo e estudando cada vez mais… Chegamos, enfim, a um rompimento com essa prática. Abolimos as comemorações de páscoa, dia das mães, natal… E transformamos o caráter da festa junina e do dia das crianças. Foi um momento de postura radical do grupo, que já não via sentido nisso tudo.

Mas percebemos que esse também não era o caminho. Não há problema em comemorar… O problema é o que se comemora, e como se faz isso. E foi então que partimos para uma reelaboração do calendário de datas comemorativas da nossa EMEI.

FALAR DE DATAS COMEMORATIVAS NA ESCOLA É FALAR DE VALORES…

Percebemos que a ideia de valor é sempre individual ou social, nunca absoluta. Cada sociedade elege, em seu tempo, lugar e cultura, o que vai transformar em “valor” ou não. E se é assim, começamos a pensar em quais valores identificávamos em nossa sociedade. E percebemos que eles não eram, de fato, nossos, e não eram os valores que queríamos acordar com as crianças e famílias que passavam por aqui.

  • Nossa sociedade é baseada em individualismo… Cada um por si, e quem pode mais se dá melhor.

Mas nós pensamos em coletividade, em convivência mútua!

  • Nossa sociedade é baseada em meritocracia… Você ganha mais coisas tanto mais consegue produzir ou fazer, ainda que as condições não sejam as mesmas para todos no início.

Porém, acreditamos em solidariedade, justiça e igualdade!

  • Nossa sociedade é baseada em consumismo… Quanto mais você tem, mais você é valorizado.

Mas nós queremos valorizar o que as pessoas são, e não o que elas têm!

  • Nossa sociedade é baseada em esperteza… Não importa o que você faça, apenas tenha sucesso.

Mas nós buscamos a ética nos relacionamentos, onde ninguém passa ninguém para  trás para se dar bem, ainda que isso lhe custe algumas desvantagens!

  • Nossa sociedade é baseada em violência, exclusão e intolerância… Resolvemos os problemas da convivência com agressões, com discursos duros e egoísmo.

Mas nós queremos que nossas crianças respeitem todas as pessoas como são, aceitem a diversidade, incluam a todos e todas e sejam pacíficas!

  • Nossa sociedade é baseada em alienação… Fazemos as coisas no “automático”, sem pensar, refletir ou transformar; colocamos a nossa mente em uma tela de TV, celular ou computador e não observamos o que estamos fazendo com o mundo, com a natureza, com as outras pessoas, e conosco.

Mas nós acreditamos na consciência, responsabilidade, na capacidade de pensar e mudar as coisas para melhor!

  • Nossa sociedade é baseada em autoritarismo… Obedecemos ordens que nem sabemos de onde vêm, e o poder individual é sempre valorizado.

Mas nós acreditamos em diálogo, democracia e em construção de poder coletivo, dividido!

O trabalho com datas comemorativas, muitas vezes, reforçava valores da sociedade que temos, e não da que queremos ter.

COLETIVO, ESCOLA PÚBLICA E DEMOCRACIA

A palavra “coletivo” vem do latim “collectivus”, que significa “aquilo que agrupa, que ajunta” (fonte: site Origem da Palavra). Portanto, para fazer um coletivo, não podemos buscar o que entre nós é desacordo, é separado, é motivo de afastamento; buscamos aquilo que nos une.

E sendo assim, não vamos discriminar ninguém – de nenhum tipo de configuração familiar, religião, posição política. Não vamos sacrificar as posições de nenhuma família para fazer uma comemoração que é familiar, ou de um determinado grupo religioso; não vamos fazer o que é de todos e todas algo que é apenas de alguns e algumas.

A escola pública não é o quintal da casa de ninguém. Ela não é prolongamento de nenhuma família. Ela é um espaço que é, ao mesmo tempo, de todos e todas, mas não só desse ou daquela. É uma ideia difícil de entender, mas fácil de viver se conseguirmos nos respeitar e aceitar que  a nossa origem, as nossas posições, o nosso modo de ser, viver, pensar a vida não é o único… É só mais um, em um coletivo.

Há muita confusão acerca do conceito de democracia. Democracia não é apenas “seguir a vontade da maioria” massacrando as minorias… Mas é buscar soluções em conjunto para que todas as pessoas sejam, de alguma forma, acolhidas e respeitadas. Especialmente em um espaço público.

Por isso, nossa postura em relação às datas comemorativas tradicionais é firme, mas não é fechada. Ela tem princípios, mas pode se configurar de muitas maneiras alternativas. Mantendo a legalidade, a consciência, o diálogo, a inclusão, a qualificação pedagógica… Tentamos, então, dar um passo em direção ao futuro… E estamos conseguindo.

E ENTÃO… NÃO COMEMORAMOS MAIS NADA?

Mas nós gostamos de festa! Gostamos de celebrar! Há muitas datas interessantes que podemos recuperar, criar. Há muitas situações interessantes para viver com as crianças na escola, e nós agora estamos nesse momento… Em busca desse calendário alternativo.

Assim sendo, podemos não comemorar mais o “dia das mães”, ou o “dia dos pais”… Mas podemos fazer o “dia de quem cuida de mim”, que inclui todas as crianças e famílias que desejarem participar.

Podemos não mais fazer a “festa junina” tradicional da igreja católica, mas podemos fazer a “festa da cultura brasileira”.

Podemos não mais fazer comemorações sem sentido no “dia da mulher”, “dia do índio”, “dia da abolição da escravatura”. Mas podemos respeitar as lutas desses grupos e celebrar, com eles, as suas datas importantes.

Podemos não mais comemorar o “natal”, e a “páscoa”, datas religiosas extremamente tomadas pelo consumo. Mas podemos comemorar o “dia da solidariedade”, o “dia da gentileza”, o “dia da comunidade”. Por que não?

“Dia do livro”, “semana internacional do brincar”, “dia da poesia”, “dia da arte”… São muitas as possibilidades de festa, celebração e consciência.

Vamos celebrar?

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DIAS LEGAIS PARA COMEMORAR – NOSSA VISÃO SOBRE DATAS COMEMORATIVAS

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É uma característica do ser humano marcar a passagem do tempo de alguma forma, e fazer rituais de passagem e comemoração. Precisamos registrar o tempo. E precisamos, também, de memória. Precisamos marcar datas – lembrar um luto, uma luta, um momento especial, um aniversário, um fato histórico; precisamos homenagear pessoas e lembrar, periodicamente, situações que marcaram a vida de toda uma sociedade.

E toda sociedade estabelece um calendário de datas comuns que são importantes, sejam feriados ou não. São datas que vão pautando nossas vidas e nos fazendo crer quais dias são legais para se comemorar. Essas datas são aceitas por todas as instituições como “oficiais”, e logo acabam fazendo parte da rotina das pessoas. É assim com datas históricas e patrióticas ( Dia da Independência, Dia da Proclamação da República, Dia da Bandeira ), datas afetivas ( Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, Dia das Crianças ), datas festivas e religiosas ( Carnaval, Festa Junina, Páscoa, Natal ), datas simbólicas ( Dia da Mulher, Dia do Índio, Dia da Consciência Negra, Dia da Declaração dos Direitos Humanos, Dia da Paz ), datas culturais ( Dia do Livro, Dia das Bruxas, Dia do Esporte ), datas que marcam eventos naturais ( Início das estações do ano, Ano Novo, Aniversários ) e datas de homenagem ( Dia do Médico, Dia do Professor, Dia dos Animais ).

A escola, por muito tempo, acreditou que fosse importante comemorar todas essas datas dentro de seus portões. Acreditávamos que, ao dar um desenho para pintar com uma imagem sobre um desses temas, ao copiar um pequeno texto, ao fazer uma lembrancinha, pintar o rosto, fazer um trabalho artístico, uma brincadeira, ou fazer uma festa ou ritual religioso ou patriótico, estaríamos inserindo os alunos dentro da sociedade da melhor maneira. Porém, aos poucos, fomos percebendo que, na verdade, nosso papel não era simplesmente reproduzir os discursos sociais… E sim ter sobre eles uma visão crítica… Modificá-los.

E muita coisa mudou. Mudou nossa visão sobre sociedade, sobre história, sobre a escola e sobre o jeito de ensinar. Mudou nossa visão sobre consumo, sobre manipulação, sobre crítica. Mudou nossa visão sobre direitos do homem, da mulher e da criança. Mudou nossa visão sobre arte, sobre cultura, sobre o mundo. Mudaram as famílias e religiões. Mudou nossa visão sobre o que realmente é significativo ou não comemorar dentro da escola, sobre o papel do professor e da professora e sobre como as pessoas aprendem. E diante disso tudo… Como não mudaria nossa visão sobre datas comemorativas?

Não fazemos mais nosso planejamento baseado nessas datas como faziam ( e ainda fazem ) tantas escolas de Educação Infantil. Essa decisão é resultado de um longo processo que durou anos de discussão, e nos custou abrir mão de velhos hábitos que nem sabíamos de onde vinham.

Aqui expomos algumas de nossas razões porque não comemoramos mais alguns dias que todos comemoram sem pensar por quê.

*NÃO COMEMORAMOS DATAS RELIGIOSAS, PORQUE A ESCOLA PÚBLICA NÃO TEM RELIGIÃO

A escola pública, como todo o Estado brasileiro, é laica. E isso quer dizer que não temos nenhuma religião oficial. Isso é uma determinação legal da nossa Constituição Federal, que visa garantir que o Brasil, um país democrático, seja um lugar onde todos possam expressar seus pensamentos e crenças. Portanto, datas como o Natal, a Páscoa, Corpus Christi ou Dia de Nossa Senhora Aparecida, embora sejam feriados em nosso país, não podem ser comemorados com rituais religiosos dentro da escola, porque ações como essas ferem os princípios de pessoas que não são cristãs – pessoas que merecem ser respeitadas como todas as outras. Além disso, não podemos privilegiar uma religião em detrimento das outras, ou até mesmo das pessoas que não professam nenhuma fé. Católicos, evangélicos, ateus, espíritas, umbandistas, budistas, ou representantes de qualquer outro credo – cada família tem o direito de escolher sua religião e tê-la respeitada pela escola sem nenhum tipo de constrangimento.

A mesma postura temos em relação a festas como o Carnaval e as Festas Juninas, que não poderão mais levar nome de nenhum santo católico.

* NÃO COMEMORAMOS DATAS AFETIVAS E FAMILIARES, PORQUE RESPEITAMOS TODAS AS FORMAS DE FAMÍLIA

Já faz muito tempo que não temos mais uma família nuclear estruturada como era feito há 200 anos atrás, com pai, mãe, muitos filhos, avós, tios e primos por perto. Hoje temos outras realidades.

Lidamos com muitas famílias diferentes na escola, e não podemos impor um modelo como sendo o correto. Algumas de nossas crianças são criadas pelos avós, outros são adotados, outros são filhos de casais homoafetivos, outros de pais separados, alguns foram abandonados, outras crianças são institucionalizadas o tempo todo e não conhecem os pais e mães. Algumas crianças são filhos e filhas únicos, outros têm muitos irmãos. Alguns convivem com padrastos e madrastas, e outros, só com o pai ou só com a mãe. Muitos não sabem o que é um carinho de família. Como poderíamos entrar em terreno tão delicado de maneira leviana comemorando datas que não fazem sentido para tantas dessas crianças reforçando um modelo de pai ou mãe que muitas delas não têm?

*NÃO COMEMORAMOS DATAS QUE INCENTIVAM O CONSUMISMO DESENFREADO

Em uma sociedade consumista, individualista e pouco reflexiva como a nossa, um dos meios mais comuns de se expressar afeto é pagar por ele com presentes. Muitas datas comemorativas perderam o sentido para o consumo que a mídia prega de maneira indiscriminada. É assim com o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia dos Pais, a Páscoa, o Natal, o Dia das Crianças, o Dia da Mulher – são datas que perderam seu significado simbólico para a troca de presentes, sem que junto com isso necessariamente haja troca de afeto. Não queremos reforçar essa ideia; antes, preferimos ter uma visão crítica dessas datas, retomando, para nós, o seu significado original, e evitando repassar para as crianças o discurso da mídia que apenas visa fazer todos nós gastarmos mais e mais.

* NÃO COMEMORAMOS DE MANEIRA SUPERFICIAL DATAS QUE COSTUMAM TRATAR COM DESRESPEITO OU DE MANEIRA ESTERIOTIPADA A LUTA DE OUTRAS CULTURAS E GRUPOS DA NOSSA SOCIEDADE

Não faz nenhum sentido comemorar o Dia do Índio com um desenho no rosto ou reforçando ideias que nem existem de fato quando ignoramos, todos os dias, a matança dos povos indígenas que ocorre em nosso tempo, em nossa época, nas lutas por terra e recursos naturais em nosso país; não faz sentido comemorar o Dia da Mulher entregando uma rosa de papel sem discutir a opressão da mulher na nossa sociedade; não faz sentido comemorar o Dia da Consciência Negra com um discurso vazio quando alimentamos práticas racistas em nosso dia a dia sem perceber, por não conseguirmos fazer uma discussão séria sobre o assunto. Por isso, tratamos com muito respeito e seriedade todos esses temas e as lutas dessas pessoas, e procuramos não reforçar preconceitos e ideias que só atrapalham a compreensão das crianças sobre a razão de se homenagear índios, negros, mulheres e outros grupos de excluídos nesses dias especiais.

* NÃO COMEMORAMOS DATAS HISTÓRICAS QUE NÃO POSSAM SER VISTAS DE FORMA CRÍTICA E AMPLA POR NOSSOS ALUNOS E SUAS FAMÍLIAS

A História é uma ciência humana, e como tal, tem muitas visões; e cada visão traz em si uma ideologia, um jeito de ver o mundo, de pensar a vida. É muito difícil dizer que o Dia de Tiradentes mereça ser mais comemorado que o Dia da Conjuração Baiana, se ambos os movimentos buscavam a independência do país; é complicado falar em “Descobrimento” do Brasil, desconsiderando o fato de que aqui moravam índios antes da chegada dos portugueses, e que o Brasil não foi descoberto por acaso; muito estranho falar em Dia da Independência do Brasil, quando ela foi proclamada pelo filho do Rei de Portugal. Nossa História está cheia de fatos controversos e que precisam ser olhados de maneira crítica, e por isso acreditamos que não vale a pena repassar uma visão simplista a nossas crianças sobre essas datas.

*  *  *

Por essa razão, achamos que muitas das datas que tradicionalmente comemorávamos, não são mais dias legais para comemorar.

Mas isso não quer dizer que somos pessoas amargas, que não gostam de festa e não gostam de comemorar nada. Muito pelo contrário!

Estamos discutindo, e bastante, uma maneira de fazer um calendário REALMENTE significativo para as crianças e para a comunidade, e que dialogue com o nosso projeto pedagógico.

Por exemplo…

Que tal fazer um DIA DE QUEM CUIDA DE MIM, para comemorar a alegria de ter uma família, seja ela qual for?

Que tal fazer uma comemoração do DIA DO LIVRO, para mostrar que crianças têm direito ao legado cultural e artístico que a humanidade produziu?

Que bom seria fazer FESTAS sem motivos, apenas para dividir comida, brincar juntos e ter momentos em que possamos partilhar coisas?

E como seria interessante trabalhar com datas importantes para nós, como o DIA DA PROCLAMAÇÃO DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA, o DIA DO DEFICIENTE, ou o DIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL, que são datas de lutas que acreditamos e achamos importante divulgar?

Além disso, achamos importante manter algumas datas que já fazem parte da cultura e tradição da nossa comunidade, mas sem o sentido que tinham antes… Como a FESTA JUNINA ou os ANIVERSÁRIOS.

O importante é entender que a escola é, sim, lugar de comemoração, mas que seja uma comemoração inclusiva, consciente, transformadora… Feliz para todos e todas que aqui comungam de uma vida em comum.

Participe dessa discussão conosco!

DIA DA MULHER – O NOSSO PRESENTE

Imagem: Cecília Esteves

Por Professora Karina Cabral

Texto enviado às famílias na última sexta-feira por ocasião do Dia da Mulher

Qual Presente?

Queridas mães, avós, tias, irmãs, cuidadoras, vizinhas, amigas de nossa comunidade.

Domingo, dia 08 de março é o dia internacional da mulher.

Nó, aqui da EMEI Jardim Monte Belo, somos uma equipe de mulheres. Somos mães, filhas, esposas, trabalhadoras, cidadãs, amigas…  E educadoras de pequenas e pequenos que serão homens e mulheres em pouco tempo. E gostaríamos de dar a vocês, mulheres como nós, um presente no dia 08.

Não é uma flor, um poema, uma dobradura ou uma homenagem em forma de canção. Na verdade, o presente que gostaríamos de dar a vocês, mulheres… É um mundo diferente.

Um mundo onde mulher nenhuma fosse culpada, marginalizada ou maltratada simplesmente por ser mulher…

Um mundo onde não tivéssemos mais que saber que mulheres foram estupradas, abusadas, exploradas, mutiladas, coagidas, espancadas e assassinadas apenas por serem mulheres…

Um mundo onde mulheres e homens tivessem os mesmos direitos, os mesmos salários, as mesmas obrigações, as mesmas oportunidades de trabalho e estudo, as mesmas atribuições em casa e responsabilidades na criação dos filhos.

Um mundo onde todas as mulheres não tivessem que ter vergonha de seu corpo, seja ele do tamanho, cor, jeito que for, tenha as medidas que tiver. Um mundo onde nossas ideias, sentimentos e situações valessem mais que nossa aparência, e onde não nos tratassem como um pedaço de carne a ser escolhida no açougue.

Um mundo onde as mulheres percebessem qualquer abuso emocional, financeiro, físico, e não permitissem isso nunca mais.

Um mundo onde piadas sobre nossa capacidade e nossas características femininas não tivessem a menor graça.

Um mundo onde pudéssemos escolher o que é melhor para nós, onde nossa voz fosse ouvida, nossa opinião fosse respeitada e onde fossemos donas de nós mesmas.

Mas esse mundo ainda não existe. No nosso mundo, a mulher ainda é massacrada e desvalorizada.

Então, queridas mulheres… Nosso maior presente é a luta. É a solidariedade a outras mulheres (precisamos umas das outras!). É a oportunidade de refletir juntas é a mão estendida a qualquer mulher ofendida, humilhada, espancada, vitimada que precisa de nós. É dar aos nossos meninos e meninas o mesmo tratamento, como seres humanos lindos e inteiros que são. É refletir sobre o preconceito a discriminação, a discriminação que nós mesmas sofremos, e nos posicionar, lutando contra tudo isso.

É um mundo diferente que desejamos para nós mesmas, para vocês, para nossas filhas, sobrinhas, netas, afilhadas, amigas… Para nossas alunas.

No dia 08 de março, é nosso presente o compromisso de lutar todos os dias para esse mundo acontecer.

Não nos retiremos da luta!

Parabéns a todas as guerreiras.

Texto dedicado a todas as mulheres, pela equipe da EMEI Jardim Monte Belo

DIA DA MULHER – FELIZ TODOS OS DIAS!

Por Professora Valéria Marques Mendes

No último dia da mulher, para comemorar e homenagear, a professora Valéria nos presenteou com uma bela reflexão escrita, entregue a todas as famílias, sobre o papel da mulher na sociedade e sobre a luta diária de todas nós para superarmos a desigualdade e o preconceito. Dividimos isso aqui no blog também! 🙂

DIA 08 DE MARÇO, DIA DAS MULHERES…

Feliz Todos os Dias!

Por Professora Valéria

Já ouvi muitas vezes as pessoas dizendo por que DIA DA MULHER? Tem que ter essa comemoração mesmo? O nosso (dia dos homens) é todo dia…

A verdade é que todos/as nós, mulheres e homens fomos educados/as para acreditar que a mulher é inferior, que tem apenas deveres, e nada de direitos …

Essa visão de que a mulher é fraca, que não é capaz, também foi ensinada por muito tempo, mas sabemos (eu sei e você também), que não é bem assim. Hoje nós votamos, trabalhamos (dentro e fora de casa), ocupamos cargos importantes de decisão, e temos até uma Presidenta!

Todas as mulheres são importantes, assim como todos os homens. É na relação igualitária (lado a lado), em casa, no trabalho, na rua, no transporte público, no carro, é que vamos construindo e vivendo como pares de direitos e deveres.

Aqui em nossa escola, somos todas educadoras, batalhadoras, sonhadoras e acreditamos numa educação baseada na construção de uma sociedade justa e com equidade nas relações humanas entre homens e mulheres, independente de sua sexualidade, sua etnia e sua fé. É no encontro com outras pessoas que chegaremos à sonhada civilização do bem viver.

O dia 8 de março não é apenas uma data comemorativa, mas um dia para se firmarem discussões que descontruam os preconceitos frente o papel e importância da mulher no mundo.

Um ótimo Nosso (todo) dia, Mulheres da comunidade Jd. Monte Belo!
 

           VOCÊ SABIA?

História do  8 de março…

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma   fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram   uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores   condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para   dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de   salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do   salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento   digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência.   As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada.   Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente   desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma   conferência na Dinamarca, ficou   decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da   Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas   somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas   comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e   reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O   esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito   e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem,   em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva   de trabalho e desvantagens   na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser   modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932   foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o   voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de   reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos   no executivo e legislativo.

 

 

 

ARRAIAL MONTE BELO!

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É junho chegando, eita trem bão!

É mês de festa, de comemoração!
Bandeirolas, bexiga, foguete, balão,

Muita gente chegando, muita falação!

Na EMEI Monte Belo, não ia ser diferente:

Vem chegando a festa que deixa todo mundo contente,

Nossa festa junina, esteja frio ou quente,

É sempre um sucesso, vem toda gente!

Brincadeira de pesca, pro menino e pra menina,

Dança, música, balanço que contamina

Comilança da boa, e a gente junto, imagina:

Como vai ser alegre a nossa festa junina!

 

Dia 02 de junho, das 11h às 17h

Venha se divertir conosco e traga toda a família!

Você não pode perder o arraial da EMEI Jardim Monte Belo

( Desenhos feitos pelas crianças do 6F )

COMO SE CONTA UMA HISTÓRIA DE 10 ANOS?

Podemos contar 10 anos em números. 2000 dias letivos. 100 reuniões de conselho de escola, 50 de A.P.M.. Mais de 5000 matrículas e rematrículas. Mais de 150 funcionários. Mais de 15 milhões de refeições.

Talvez fosse melhor contar 10 anos como um conto de fadas. Era uma vez… Uma comunidade que desejou uma escola, lutou por ela, esperou por ela… E ela aconteceu! Foi assim…

Podemos contar 10 anos de problemas… Escola de lata e de madeira, falta dinheiro, falta funcionário. Aquela reunião que não apareceu ninguém, aquela regra que ninguém respeitou, aquele problema que ninguém percebeu, aquele cano que ninguém consertou, aquilo que todo mundo estava esperando acontecer, e nada. Problemas de todo dia, problemas ocasionais, problemas raros, problemas fáceis e outros impossíveis de resolver. Atrasou, brigou, discutiu, rompeu, faltou, quebrou, magoou, não entendeu, decepcionou, não deu certo, não veio, desistiu… Foi embora.

Quem sabe… 10 anos em conquistas. Um prêmio, um reconhecimento, a reunião que deu certo, um artigo na revista, a criança que aprendeu, a professora que conseguiu, a família que ajudou, aquilo que saiu melhor do que a gente supunha, aquilo que agradou a todo mundo, aquele monte de sorrisos, aquela cantoria toda, aquela festa grandiosa em que todo mundo veio, aquele dia de sol que parece que nunca mais acabou.

E como seriam 10 anos de abraços? Seja bem vindo! Muito prazer. Parabéns pelo seu aniversário, seu casamento, o nascimento do seu filho, pelo sucesso do seu trabalho. Senta aqui no meu colinho, sua mãe já vai voltar. Gosto tanto de você… Ainda bem que trabalhamos juntas. Nossa equipe arrasou! Sinto muito pela sua perda. Calma, sua dor já vai passar. Conte comigo. Não solta da minha mão, senão você se perde. Adeus… Foi muito bom te conhecer.

Podemos também contar 10 anos de nomes. Marias, Joãos, Déboras, Karinas, Reginas, Jeniffers, Josés, Pedros, Matheus, Danis, Lúcias, Elis,Anas, Cláudias, Paulas, Vicentes, Antônias, Valérias, Nices, Vergínias, Helenas, Meires, Betes, Fátimas… Jurandyr.

E 10 anos de reuniões e festas? Encontros pedagógicos, chás-de-panela e bebê, conselhos de escola, paradas, formações, festa junina, aniversários, nhoque da sorte, festa do sorvete, do macarrão, da leitura, natal, semana da criança, formatura, jogral, despedidas, apresentações de cinema, de teatro, show de mágica, lanche comunitário, excursões para museus, para  o circo, para o sítio, para o concerto, para o parque, para a biblioteca.

10 anos de papéis. Sim, de papéis!  Regimentos, matrículas, desenhos, bilhetes, pinturas, ocorrências, diários de classe, registros, portifólios, livros, cadernos, cartazes, informativos, boletins, relatórios, comunicados, pedidos, recibos, listas, cartões, telegramas… Ufa!

Existem muitas maneiras de se contar uma história de 10 anos. Mas o melhor de tudo é ter 10 anos de história para contar. Uma história de partilha… Partilha de ideais, de trabalho, de luta, de sonhos… De alegrias e tristezas. Uma história que temos muita felicidade em contar e fazer parte. Uma história viva… Uma história nossa!

Apareça para comemorar!

ARRAIAL MONTE BELO!

“Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).

 Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.”

FONTE: Site “Sua Pesquisa” – Clique AQUI para saber mais.

Preparamos nossa festa junina com muito carinho!

Sabemos que ela é um evento importante no bairro, por isso ela é aberta, e chamamos toda a comunidade para participar ( desde já agradecemos todas as famílias que ajudaram a fazer nossa festa até aqui, enviando prendas, incentivando as crianças e colaborando com a escola )…

Sabemos que ela é uma festa cultural marcante no nosso país, por isso escolhemos comemorá-la ( e não por motivos religiosos, uma vez que nossa escola, como qualquer outra escola pública, não professa nenhuma religião )…

Sabemos que nossa festa é alegre e partilhada, por isso ela envolve toda a equipe e nos deixa tão animados e motivados a fazer tantas coisas…

Sabemos que nossa festa é educativa, por isso nos preocupamos em envolver as crianças na preparação dela, escolhendo músicas de qualidade que falem das coisas do nosso povo, criando coreografias em parceria com os pequenos, desenhando, pintando e enfeitando a escola com as marcas das crianças…

Sabemos que ela arrecada fundos financeiros importantes para que possamos fazer melhorias na escola e fazer coisas legais para os alunos…

Sabemos que ela é um sucesso!

Por isso temos o prazer de convidá-los para a FESTA JULINA DA EMEI JARDIM MONTE BELO!

Será no dia 02 DE JULHO, das 10h às 16h.

Teremos comidas gostosas, brincadeiras, apresentações de dança e um momento de partilha bem gostoso com todas as famílias que forem lá curtir conosco essa tão aguardada festança!

Veja os horários das aprensentações de dança:

6D ( Professora Antonia ) e 5D ( Professora Karina Francisco )  – Pipoquinha Torradinha –  10h45

5B e 6E ( Professora Lucimar ) – Abre a roda, Tindolelê! – 11h45

5A ( Professora Sílvia ) e 6A ( Professora Daniela ) –  Casa do Zé –  12h45

5C ( Professora Cláudia ) e 5E( Professora Priscila ) Rala o Côco 13h45

6B ( Professora Roseli ) e 6C ( Professora Karina Cabral ) – Peixe Vivo – 14h45

Contamos com a sua participação! Traga toda a família e venha se divertir com a gente!

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