EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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DIAS LEGAIS PARA COMEMORAR PARTE II – UMA CONVERSA COM AS FAMÍLIAS

Texto: Professora Karina Cabral

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Tempos atrás, postamos um texto em nosso blog que virou campeão de acessos e provocou muitas outras conversas com educadores e educadoras, via e-mail, encontros, discussões, fóruns – você pode ler o texto AQUI. Ele trata sobre a nossa postura em relação à comemoração de datas que as escolas infantis tradicionalmente comemoram. Esclarecemos, em nossa escrita, parte de anos de nossas discussões internas. Entendemos nosso papel como educadoras e educadores de escola pública. E a escola pública é laica ( não professa religião nenhuma ), inclusiva, consciente dos fatos de nossa História ( sempre contada pelos  dominantes, nunca pelos dominados ) e não pode incentivar o consumismo. Embora não fosse, na época, uma postura comum, era uma postura de acordo com as leis do nosso país ( Constituição Federal – 1988, e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB – 9394/96 ) e também de acordo com os ideais de uma educação democrática, para todos e todas, sem deixar ninguém de fora.

O texto rendeu muitas discussões, mas percebemos que faltava uma conversa que era a mais importante – com as famílias das crianças de nossa escola. Nas reuniões de Conselho de Escola, esse tema surgiu várias vezes. Todos os anos, metade dos alunos da escola vão para o Ensino Fundamental, e recebemos novas crianças. Essas novas famílias precisam entender nosso ponto de vista sobre esse assunto, tirar as dúvidas e dar sua opinião. E toda vez que essa troca acontece, também nos faz mudar de perspectiva, confirmando ou mudando nossas posições.

Aqui está o registro escrito da conversa que tivemos na última reunião de famílias e educadoras, este ano.

POR QUE COMEMORÁVAMOS DATAS NA ESCOLA?

Tempos atrás, aqui na EMEI Jardim Monte Belo, era comum comemorarmos essas datas na escola. É uma prática antiga, e que fazíamos sem pensar. Páscoa, dia das mães, festa junina, dia das crianças, dia do índio, dia disso, dia daquilo… Muitas escolas baseiam todo o seu planejamento educativo nessas datas. Mas aos poucos, começamos a nos perguntar SE deveríamos comemorar essas datas, e POR QUE deveríamos comemorá-las. E as respostas vieram… E atrás delas outras perguntas:

“Precisamos de temas para atividades pedagógicas.”

Mas…

Se estamos construindo um projeto pedagógico sério, estudando as melhores formas de educar as crianças, precisamos mesmo “disfarçar” as atividades em temas supostamente agradáveis?

“Todo mundo faz essas comemorações, é um costume.”

Mas…

De onde vem esse costume? Que ideologias estão por trás dele? Compactuamos com essa ideologia? A escola é um lugar de transformação ou reprodução do meio social?

“Fazemos isso para homenagear um determinado grupo de pessoas.”

Mas…

Será que essas pessoas estão sendo homenageadas da melhor forma? Comemorar o “dia do índio” é mesmo dar voz a um povo que é massacrado todos os dias? Comemorar o “dia da mulher” é falar sobre a luta das mulheres? Comemorar o dia das mães da maneira tradicional é respeitar as novas formatações de família que temos em nossa sociedade, e entre nossas crianças? Por que valorizar tanto o dia das mães, e negligenciar o dia dos pais?

“É um jeito de divulgar nosso trabalho para as famílias.”

Mas…

Será que as famílias não são capazes de compreender a fundo nossa proposta pedagógica, se explicarmos a elas? Será que um enfeite ou presentinho falará mais do que um debate, uma reflexão em grupo, uma conversa aberta, uma formação para os pais e mães?

“É uma desculpa para fazermos festas e brincadeiras para as crianças, elas gostam e se divertem.”

Mas…

A escola não deveria ser um lugar divertido e prazeroso para as crianças sempre? Não deveria ser um lugar  de brincadeiras, de ludicidade, de infância todos os dias do ano?

“As datas aproximam as famílias da escola.”

Mas…

Será que não podemos chamar as famílias em outras oportunidades, para vivenciar o trabalho da escola como ele é no cotidiano, e não apenas em uma ocasião “produzida” para isso?

“As datas ensinam valores religiosos, afetivos e morais importantes para as crianças.”

Mas…

Que valores são esses? Temos o direito de pisar em determinados terrenos sem permissão e tirar da família certas escolhas sobre a educação das crianças? Como fazemos com as crianças que são excluídas dessas comemorações por motivos afetivos, econômicos, sociais, religiosos? Manteremos essas pessoas à margem do padrão?

COMO FOI O NOSSO PROCESSO DE DISCUSSÃO?

Diante de tantas perguntas, pensamos, como grupo, que algo estava muito errado, e precisava mudar.

Partimos para um estudo detalhado sobre o tema de cada data, e também sobre as datas em si. Entramos em contato com os movimentos organizados da sociedade sobre as lutas das mulheres, dos índios, dos negros, e aprendemos muitas coisas.

Paralelamente à nossa discussão, foram acontecendo mudanças em nosso país também. Leis educacionais foram sendo promulgadas, garantindo direitos a grupos que antes eram desprezados pela sociedade ( Lei 10639/2003, e Lei 11645/2008). Começamos a entender que a escola só será para todos quando todos e todas forem estiverem dentro dela, podendo ser quem são, e tendo a origem, cultura e opções de vida respeitadas.

Começamos a fazer pequenas mudanças. Retiramos o viés de consumo e individualidade de datas como a páscoa. Paramos de comemorar datas que não tinham sentido para nós. Fomos eliminando algumas comemorações que não diziam respeito às crianças, e, ao mesmo tempo, nosso Projeto Político Pedagógico foi ganhando corpo, e mudando a nossa concepção de infância e de educação para a infância.

Nenhuma ação fica sem reação, e, claro, as famílias estranharam as mudanças. Abrimos um diálogo difícil, mas necessário com elas. Tocar nesse assunto é romper paradigmas; isso causa medo, insegurança; e muitas coisas precisam ser discutidas para que cheguemos a um consenso.

Amadurecendo e estudando cada vez mais… Chegamos, enfim, a um rompimento com essa prática. Abolimos as comemorações de páscoa, dia das mães, natal… E transformamos o caráter da festa junina e do dia das crianças. Foi um momento de postura radical do grupo, que já não via sentido nisso tudo.

Mas percebemos que esse também não era o caminho. Não há problema em comemorar… O problema é o que se comemora, e como se faz isso. E foi então que partimos para uma reelaboração do calendário de datas comemorativas da nossa EMEI.

FALAR DE DATAS COMEMORATIVAS NA ESCOLA É FALAR DE VALORES…

Percebemos que a ideia de valor é sempre individual ou social, nunca absoluta. Cada sociedade elege, em seu tempo, lugar e cultura, o que vai transformar em “valor” ou não. E se é assim, começamos a pensar em quais valores identificávamos em nossa sociedade. E percebemos que eles não eram, de fato, nossos, e não eram os valores que queríamos acordar com as crianças e famílias que passavam por aqui.

  • Nossa sociedade é baseada em individualismo… Cada um por si, e quem pode mais se dá melhor.

Mas nós pensamos em coletividade, em convivência mútua!

  • Nossa sociedade é baseada em meritocracia… Você ganha mais coisas tanto mais consegue produzir ou fazer, ainda que as condições não sejam as mesmas para todos no início.

Porém, acreditamos em solidariedade, justiça e igualdade!

  • Nossa sociedade é baseada em consumismo… Quanto mais você tem, mais você é valorizado.

Mas nós queremos valorizar o que as pessoas são, e não o que elas têm!

  • Nossa sociedade é baseada em esperteza… Não importa o que você faça, apenas tenha sucesso.

Mas nós buscamos a ética nos relacionamentos, onde ninguém passa ninguém para  trás para se dar bem, ainda que isso lhe custe algumas desvantagens!

  • Nossa sociedade é baseada em violência, exclusão e intolerância… Resolvemos os problemas da convivência com agressões, com discursos duros e egoísmo.

Mas nós queremos que nossas crianças respeitem todas as pessoas como são, aceitem a diversidade, incluam a todos e todas e sejam pacíficas!

  • Nossa sociedade é baseada em alienação… Fazemos as coisas no “automático”, sem pensar, refletir ou transformar; colocamos a nossa mente em uma tela de TV, celular ou computador e não observamos o que estamos fazendo com o mundo, com a natureza, com as outras pessoas, e conosco.

Mas nós acreditamos na consciência, responsabilidade, na capacidade de pensar e mudar as coisas para melhor!

  • Nossa sociedade é baseada em autoritarismo… Obedecemos ordens que nem sabemos de onde vêm, e o poder individual é sempre valorizado.

Mas nós acreditamos em diálogo, democracia e em construção de poder coletivo, dividido!

O trabalho com datas comemorativas, muitas vezes, reforçava valores da sociedade que temos, e não da que queremos ter.

COLETIVO, ESCOLA PÚBLICA E DEMOCRACIA

A palavra “coletivo” vem do latim “collectivus”, que significa “aquilo que agrupa, que ajunta” (fonte: site Origem da Palavra). Portanto, para fazer um coletivo, não podemos buscar o que entre nós é desacordo, é separado, é motivo de afastamento; buscamos aquilo que nos une.

E sendo assim, não vamos discriminar ninguém – de nenhum tipo de configuração familiar, religião, posição política. Não vamos sacrificar as posições de nenhuma família para fazer uma comemoração que é familiar, ou de um determinado grupo religioso; não vamos fazer o que é de todos e todas algo que é apenas de alguns e algumas.

A escola pública não é o quintal da casa de ninguém. Ela não é prolongamento de nenhuma família. Ela é um espaço que é, ao mesmo tempo, de todos e todas, mas não só desse ou daquela. É uma ideia difícil de entender, mas fácil de viver se conseguirmos nos respeitar e aceitar que  a nossa origem, as nossas posições, o nosso modo de ser, viver, pensar a vida não é o único… É só mais um, em um coletivo.

Há muita confusão acerca do conceito de democracia. Democracia não é apenas “seguir a vontade da maioria” massacrando as minorias… Mas é buscar soluções em conjunto para que todas as pessoas sejam, de alguma forma, acolhidas e respeitadas. Especialmente em um espaço público.

Por isso, nossa postura em relação às datas comemorativas tradicionais é firme, mas não é fechada. Ela tem princípios, mas pode se configurar de muitas maneiras alternativas. Mantendo a legalidade, a consciência, o diálogo, a inclusão, a qualificação pedagógica… Tentamos, então, dar um passo em direção ao futuro… E estamos conseguindo.

E ENTÃO… NÃO COMEMORAMOS MAIS NADA?

Mas nós gostamos de festa! Gostamos de celebrar! Há muitas datas interessantes que podemos recuperar, criar. Há muitas situações interessantes para viver com as crianças na escola, e nós agora estamos nesse momento… Em busca desse calendário alternativo.

Assim sendo, podemos não comemorar mais o “dia das mães”, ou o “dia dos pais”… Mas podemos fazer o “dia de quem cuida de mim”, que inclui todas as crianças e famílias que desejarem participar.

Podemos não mais fazer a “festa junina” tradicional da igreja católica, mas podemos fazer a “festa da cultura brasileira”.

Podemos não mais fazer comemorações sem sentido no “dia da mulher”, “dia do índio”, “dia da abolição da escravatura”. Mas podemos respeitar as lutas desses grupos e celebrar, com eles, as suas datas importantes.

Podemos não mais comemorar o “natal”, e a “páscoa”, datas religiosas extremamente tomadas pelo consumo. Mas podemos comemorar o “dia da solidariedade”, o “dia da gentileza”, o “dia da comunidade”. Por que não?

“Dia do livro”, “semana internacional do brincar”, “dia da poesia”, “dia da arte”… São muitas as possibilidades de festa, celebração e consciência.

Vamos celebrar?

DIA DA MULHER – O NOSSO PRESENTE

Imagem: Cecília Esteves

Por Professora Karina Cabral

Texto enviado às famílias na última sexta-feira por ocasião do Dia da Mulher

Qual Presente?

Queridas mães, avós, tias, irmãs, cuidadoras, vizinhas, amigas de nossa comunidade.

Domingo, dia 08 de março é o dia internacional da mulher.

Nó, aqui da EMEI Jardim Monte Belo, somos uma equipe de mulheres. Somos mães, filhas, esposas, trabalhadoras, cidadãs, amigas…  E educadoras de pequenas e pequenos que serão homens e mulheres em pouco tempo. E gostaríamos de dar a vocês, mulheres como nós, um presente no dia 08.

Não é uma flor, um poema, uma dobradura ou uma homenagem em forma de canção. Na verdade, o presente que gostaríamos de dar a vocês, mulheres… É um mundo diferente.

Um mundo onde mulher nenhuma fosse culpada, marginalizada ou maltratada simplesmente por ser mulher…

Um mundo onde não tivéssemos mais que saber que mulheres foram estupradas, abusadas, exploradas, mutiladas, coagidas, espancadas e assassinadas apenas por serem mulheres…

Um mundo onde mulheres e homens tivessem os mesmos direitos, os mesmos salários, as mesmas obrigações, as mesmas oportunidades de trabalho e estudo, as mesmas atribuições em casa e responsabilidades na criação dos filhos.

Um mundo onde todas as mulheres não tivessem que ter vergonha de seu corpo, seja ele do tamanho, cor, jeito que for, tenha as medidas que tiver. Um mundo onde nossas ideias, sentimentos e situações valessem mais que nossa aparência, e onde não nos tratassem como um pedaço de carne a ser escolhida no açougue.

Um mundo onde as mulheres percebessem qualquer abuso emocional, financeiro, físico, e não permitissem isso nunca mais.

Um mundo onde piadas sobre nossa capacidade e nossas características femininas não tivessem a menor graça.

Um mundo onde pudéssemos escolher o que é melhor para nós, onde nossa voz fosse ouvida, nossa opinião fosse respeitada e onde fossemos donas de nós mesmas.

Mas esse mundo ainda não existe. No nosso mundo, a mulher ainda é massacrada e desvalorizada.

Então, queridas mulheres… Nosso maior presente é a luta. É a solidariedade a outras mulheres (precisamos umas das outras!). É a oportunidade de refletir juntas é a mão estendida a qualquer mulher ofendida, humilhada, espancada, vitimada que precisa de nós. É dar aos nossos meninos e meninas o mesmo tratamento, como seres humanos lindos e inteiros que são. É refletir sobre o preconceito a discriminação, a discriminação que nós mesmas sofremos, e nos posicionar, lutando contra tudo isso.

É um mundo diferente que desejamos para nós mesmas, para vocês, para nossas filhas, sobrinhas, netas, afilhadas, amigas… Para nossas alunas.

No dia 08 de março, é nosso presente o compromisso de lutar todos os dias para esse mundo acontecer.

Não nos retiremos da luta!

Parabéns a todas as guerreiras.

Texto dedicado a todas as mulheres, pela equipe da EMEI Jardim Monte Belo

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS TRANSFORMANDO E HUMANIZANDO O ESPAÇO FÍSICO

Por Regina Celia Soares Bortoto

Enfim, a palavra emotiva da diretora Regina, que explica a delicada e forte relação entre escola e comunidade por ocasião dos 10 anos da nossa EMEI


O título acima foi escrito em 2002 num dos livros pedagógicos desta Escola. Nada mais atual que esse título, pois esta Escola, que nasceu desejada como a um filho querido, continua em busca da transformação e humanização do espaço físico.

Essa característica original é preservada por seus funcionários através do sonho permanente de construir uma Escola de qualidade para os filhos dos trabalhadores que moram num dos montes mais belos desta região por sua geografia, por sua natureza e por sua população organizada. Quem aqui chegou primeiro certamente ficou assustado com os desafios com os quais se depararam. Foram corajosos. Mas era isso, ou seja, lutar sem trégua… Ou se contentar com o abandono do poder público. Sem luz, sem água tratada e encanada, sem asfalto, sem rede de esgoto, sem coleta de lixo, sem transporte, sem equipamentos públicos… Enfim sem quase nada—e com muito sofrimento.

Hoje, só podemos olhar com muito orgulho ao nosso redor, ver tudo que melhorou, e dar parabéns a todos que fizeram parte dessa História. Passados 10 anos, o Jardim Monte Belo, bem como a EMEI que carrega o mesmo nome, mudaram muito, causando sensações, sentimentos e opiniões. Moradores ergueram suas casas com as próprias mãos para abrigar suas famílias. Na mesma medida, professores e demais funcionários que por aqui passaram ou que por aqui ficaram edificaram um lugar para abrigar conhecimento.

Assim como os moradores, esses funcionários amassaram muito barro, passaram muito calor, muito frio, na escola de latinha, na escola de madeira, ficaram sem água, ou sofreram com a enchente, correram atrás de prefeito, de secretário da Educação, de subprefeito, de padre, de líderes comunitários… Não pouparam energia física e mental por acreditar e principalmente por amar o que fazem, lembrando realmente o Educador Paulo Freire que dizia “que não se faz Educação sem amor”.

Sinto-me feliz e muito à vontade para afirmar pela gestão – Regina, Valéria e Meire— que trabalhar nesta EMEI é dar a cada dia de trabalho um significado novo, pois contamos com um grupo de professoras e funcionários dispostos a pensar a Educação Infantil pra valer. São Educadores que conseguem transitar pela teoria e prática sem perder o rumo e a paixão. Cuidam com carinho, mas com a autoridade e responsabilidade de um adulto que Educa, sabendo discernir a hora de elogiar, advertir ou impor limites sem temer as conseqüências, porque refletem constantemente o seu fazer pedagógico.

Pessoas dedicam parte de suas vidas dentro deste prédio; e cada criança que entra pelo portão, trazida pelas mãos das monitoras do transporte escolar ou pelas mãos de sua família—pais, mães, irmãos, avós, avós, primos, primas, cuidadoras – é carinhosamente acolhida e tratada como seus filhos e filhas. Educadores atentos ao aprendizado escolar de crianças que não são vistas apenas como um número de matrícula, mas como seres completos aqui e agora, com sonhos, opiniões, direitos e ávidos por experimentar a vida.

Hoje, relembro e entendo alguns cumprimentos que recebi quando em 2010 para cá me removi. Foram manifestações de elogios—você vai adorar a Escola, você teve muita sorte, você vai trabalhar com uma Coordenadora Pedagógica que entende muito de Educação Infantil, você vai ver que grupo maravilhoso de professoras.. Expressando e reconhecendo o quanto esta EMEI é especial, composta por funcionários comprometidos com uma Educação de qualidade, que desenvolvem projetos voltados para a formação de sujeitos autônomos e capazes de viver e conviver com o outro com respeito e solidariedade.

Conhecer de perto e respeitar essa comunidade é o que possibilita  construir uma Escola onde as crianças sintam o mesmo prazer em ficar seja na classe, no parque, na quadra, na sala multiuso, no refeitório, ou em qualquer dependência, livres e felizes como se estivesse em suas próprias casas.

Sabemos que temos muito a fazer pelo nosso espaço ainda. Tratamos disso com muita seriedade. Ainda bem que não estamos sós, podemos contar com um Conselho de Escola e uma Associação de Pais e Mestres muito atuante e forte. Acreditamos que juntos e organizados somos co-autores de uma obra em constante movimento de vir a ser.

Por fim, só cabe dar parabéns a todos Educadores desta Escola que acreditam nos tempos de hoje que a Educação é uma ferramenta que contribui na formação de seres humanos capazes de compreender, intervir e transformar a realidade em que vivem.

COMO SE CONTA UMA HISTÓRIA DE 10 ANOS?

Podemos contar 10 anos em números. 2000 dias letivos. 100 reuniões de conselho de escola, 50 de A.P.M.. Mais de 5000 matrículas e rematrículas. Mais de 150 funcionários. Mais de 15 milhões de refeições.

Talvez fosse melhor contar 10 anos como um conto de fadas. Era uma vez… Uma comunidade que desejou uma escola, lutou por ela, esperou por ela… E ela aconteceu! Foi assim…

Podemos contar 10 anos de problemas… Escola de lata e de madeira, falta dinheiro, falta funcionário. Aquela reunião que não apareceu ninguém, aquela regra que ninguém respeitou, aquele problema que ninguém percebeu, aquele cano que ninguém consertou, aquilo que todo mundo estava esperando acontecer, e nada. Problemas de todo dia, problemas ocasionais, problemas raros, problemas fáceis e outros impossíveis de resolver. Atrasou, brigou, discutiu, rompeu, faltou, quebrou, magoou, não entendeu, decepcionou, não deu certo, não veio, desistiu… Foi embora.

Quem sabe… 10 anos em conquistas. Um prêmio, um reconhecimento, a reunião que deu certo, um artigo na revista, a criança que aprendeu, a professora que conseguiu, a família que ajudou, aquilo que saiu melhor do que a gente supunha, aquilo que agradou a todo mundo, aquele monte de sorrisos, aquela cantoria toda, aquela festa grandiosa em que todo mundo veio, aquele dia de sol que parece que nunca mais acabou.

E como seriam 10 anos de abraços? Seja bem vindo! Muito prazer. Parabéns pelo seu aniversário, seu casamento, o nascimento do seu filho, pelo sucesso do seu trabalho. Senta aqui no meu colinho, sua mãe já vai voltar. Gosto tanto de você… Ainda bem que trabalhamos juntas. Nossa equipe arrasou! Sinto muito pela sua perda. Calma, sua dor já vai passar. Conte comigo. Não solta da minha mão, senão você se perde. Adeus… Foi muito bom te conhecer.

Podemos também contar 10 anos de nomes. Marias, Joãos, Déboras, Karinas, Reginas, Jeniffers, Josés, Pedros, Matheus, Danis, Lúcias, Elis,Anas, Cláudias, Paulas, Vicentes, Antônias, Valérias, Nices, Vergínias, Helenas, Meires, Betes, Fátimas… Jurandyr.

E 10 anos de reuniões e festas? Encontros pedagógicos, chás-de-panela e bebê, conselhos de escola, paradas, formações, festa junina, aniversários, nhoque da sorte, festa do sorvete, do macarrão, da leitura, natal, semana da criança, formatura, jogral, despedidas, apresentações de cinema, de teatro, show de mágica, lanche comunitário, excursões para museus, para  o circo, para o sítio, para o concerto, para o parque, para a biblioteca.

10 anos de papéis. Sim, de papéis!  Regimentos, matrículas, desenhos, bilhetes, pinturas, ocorrências, diários de classe, registros, portifólios, livros, cadernos, cartazes, informativos, boletins, relatórios, comunicados, pedidos, recibos, listas, cartões, telegramas… Ufa!

Existem muitas maneiras de se contar uma história de 10 anos. Mas o melhor de tudo é ter 10 anos de história para contar. Uma história de partilha… Partilha de ideais, de trabalho, de luta, de sonhos… De alegrias e tristezas. Uma história que temos muita felicidade em contar e fazer parte. Uma história viva… Uma história nossa!

Apareça para comemorar!

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS DE FESTA!

ARRAIAL MONTE BELO!

“Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal).

 Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.  

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.”

FONTE: Site “Sua Pesquisa” – Clique AQUI para saber mais.

Preparamos nossa festa junina com muito carinho!

Sabemos que ela é um evento importante no bairro, por isso ela é aberta, e chamamos toda a comunidade para participar ( desde já agradecemos todas as famílias que ajudaram a fazer nossa festa até aqui, enviando prendas, incentivando as crianças e colaborando com a escola )…

Sabemos que ela é uma festa cultural marcante no nosso país, por isso escolhemos comemorá-la ( e não por motivos religiosos, uma vez que nossa escola, como qualquer outra escola pública, não professa nenhuma religião )…

Sabemos que nossa festa é alegre e partilhada, por isso ela envolve toda a equipe e nos deixa tão animados e motivados a fazer tantas coisas…

Sabemos que nossa festa é educativa, por isso nos preocupamos em envolver as crianças na preparação dela, escolhendo músicas de qualidade que falem das coisas do nosso povo, criando coreografias em parceria com os pequenos, desenhando, pintando e enfeitando a escola com as marcas das crianças…

Sabemos que ela arrecada fundos financeiros importantes para que possamos fazer melhorias na escola e fazer coisas legais para os alunos…

Sabemos que ela é um sucesso!

Por isso temos o prazer de convidá-los para a FESTA JULINA DA EMEI JARDIM MONTE BELO!

Será no dia 02 DE JULHO, das 10h às 16h.

Teremos comidas gostosas, brincadeiras, apresentações de dança e um momento de partilha bem gostoso com todas as famílias que forem lá curtir conosco essa tão aguardada festança!

Veja os horários das aprensentações de dança:

6D ( Professora Antonia ) e 5D ( Professora Karina Francisco )  – Pipoquinha Torradinha –  10h45

5B e 6E ( Professora Lucimar ) – Abre a roda, Tindolelê! – 11h45

5A ( Professora Sílvia ) e 6A ( Professora Daniela ) –  Casa do Zé –  12h45

5C ( Professora Cláudia ) e 5E( Professora Priscila ) Rala o Côco 13h45

6B ( Professora Roseli ) e 6C ( Professora Karina Cabral ) – Peixe Vivo – 14h45

Contamos com a sua participação! Traga toda a família e venha se divertir com a gente!

Leia Também:

Como fazer uma festa junina educativa?

PASSEIO PELO BAIRRO

Na maior parte dos Projetos Pedagógicos das escolas, públicas ou não, em algum ponto estará escrito que é preciso “conhecer a comunidade”, “trazer os pais para a escola”, “estimular o contato entre pais e educadores”, “receber e acolher as famílias”, “praticar a gestão participativa e democrática”. Termos bonitos e prontos que só quem se arrisca a colocá-los em ações práticas sabe como é delicado e difícil conseguir. Aproximar-se da comunidade é, antes de tudo, rever nossas concepções de mundo, de pessoa, de educação.

Na manhã chuvosa do último sábado, dia 12 de março, o grupo de funcionários saiu da escola para, mais uma vez, tentar dar um passo em direção à relação saudável entre educadores e comunidade que tanto buscamos. Fomos fazer um reconhecimento da geografia, da história e da estrutura social do bairro em que trabalhamos, conhecido como “Morro Doce“. É um bairro ligado ao distrito de Anhanguera, administrado pela subprefeitura de Perus. Fica na saída da Rodovia Anhanguera, no Oeste da cidade de São Paulo. O bairro conta com várias pequenas vilas – a maior parte delas iniciada em terrenos invadidos, agora já regularizados.

Ladeiras super íngremes, ruas estreitas, áreas em construção e outras de natureza intocada - um bairro em crescimento desordenado e explosão demográfica

Presas em um ideal de criança, um ideal de família e um ideal de bairro, e fechadas dentro da escola, muitas vezes não imaginamos como é a vida real das nossas crianças – como são suas casas, como são as ruas que andam, onde brincam, onde compram o pão, quem são seus vizinhos, o que vêem e ouvem, com quem convivem, onde vão, a que perigos estão expostas. Se não furarmos a bolha que separa a escola do bairro e da comunidade em que está inserida, corremos o risco de educar e construir relações segundo nossos preconceitos e estereótipos. Pensaremos que são mais ou menos carentes, mais ou menos interessados, mais ou menos vivenciados, mais ou menos felizes do que realmente são. Será uma relação falsa e distante.

Casas antigas, casas novas e lindas, construções inacabadas e barracos convivem na mesma paisagem

Depois da visita, que deixou a muitas de nós surpresas, sentamos para conversar e trocar nossas impressões. Alguns pontos levantados pelas educadoras:

* A geografia física do bairro realmente é rica e peculiar: vimos brejos, plantações de eucalipto, matas fechadas e intocadas, baixadas alagadas, picos e vales.

* O bairro é relativamente novo, está em crescimento e tem muitos contrastes. Vimos casas bem grandes e bem acabadas, casas antigas e que parecem sítios, barracos, ruas sem asfalto, sem coleta de lixo e onde o correio não chega.

* Recentemente algumas ruas foram “rebatizadas” oficialmente pela prefeitura, o que mudou os nomes que a própria comunidade  tinha escolhido.

* Embora seja um bairro numeroso e em explosão demográfica, temos pouquíssimas escolas, apenas duas unidades de saúde e quase nenhuuma área de cultura e diversão. Pessoas, às vezes, andam até dois quilômetros para conseguir chegar a um ponto de ônibus, e em muitas ladeiras, carros e caminhões não podem subir. A região de Perus, que abarca o bairro do Morro Doce e conta com 160 000 habitantes, não tem um leito sequer de hospital e apenas um pronto-socorro.

Vilas e bairros imensos, cheios de casas, pessoas... E poucas escolas, postos de saúde e possibilidades de diversão

* As educadoras que estão a mais tempo no bairro, reconhecem que ele melhorou muito em condições básicas e saneamento – asfalto, luz elétrica, coleta de lixo e canalização de córregos era algo distante da população 10 anos atrás, e por luta constante dos moradores, foi sendo conseguido, embora ainda não tenha chegado a todos.

* O comércio local conta com pequenos estabelecimentos, poucos bares, e algumas lojas específicas. Vimos também muitas igrejas e alguns centros sociais de apoio à população.

* As casas são apertadas no espaço estreito das ruas, e a maior parte delas não tem quintal. As ruas, por serem tão íngremes, não podem ser usadas para brincar, o que nos fez pensar que as crianças vêem na escola e seu entorno um espaço amplo e divertido que não parecem  ter em casa.

Educadoras saem da escola para conhecer de perto o bairro em que trabalham - muitas surpresas, construções e desconstruções nesse trajeto

* Por ser um lugar carente de infra-estrutura, as pessoas vão à escola acreditando que é um lugar onde podem ser ouvidas. Contam conosco, respeitam, dão valor, ainda que muitas vezes não façam isso do jeito que esperamos. Isso nos traz alegria e nos lembra da nossa responsabilidade junto a essas pessoas.

* O TEG ( transporte escolar gratuito ) é muito importante para as crianças, pois sem ele, para algumas, seria muito sofrido e até mesmo inviável andar tanto para chegar à escola. Os adolescentes do bairro têm que estudar na Lapa, e as crianças maiores muitas vezes andam mais de uma hora para chegar à escola. Nossos alunos, embora merecessem ter mais escolas perto de suas casas, ainda são “privilegiados” por serem pequenininhos.

O bairro começou e cresceu desordenadamente grudado nos morros - história que já ouvimos tantas vezes, e que esperamos que não acabe em tragédia como tantas outras

* A área é de mananciais e nascentes – tínhamos uma delas dentro do tanque de areia do parque. O solo é instável. Quando um buraco se abre na rua, logo vira uma cratera. E isso parece bem perigoso. Ficamos pensando o quanto a população corre o risco de sofrer com desabamentos e coisas do tipo.

* Embora seja um bairro tranquilo, já começamos a ouvir relatos de moradores dizendo ter medo do aumento da criminalidade e do uso de drogas. Com poucas opções de estudo, apoio social, saúde, trabalho e diversão, fica mais fácil que a juventude se envolva com entorpecentes. É uma doença social que também nos afeta, por mais que não queiramos enxergar.

* Falamos também sobre a arrogância de prestadores de serviços públicos que, apoiados por preconceitos econômicos e sociais, destratam a população como se estivessem prestando um favor a ela, quando na verdade são funcionários pagos com o dinheiro de todos para fazer um serviço de qualidade, seja na área que for.

Quantas ladeiras, ruas sem calçada, barreiras e problemas as crianças do bairro enfrentam até chegar à escola todos os dias...

* Ainda vemos no bairro coisas que parecem distantes do imaginário que temos do que seria um bairro urbanizado da cidade de São Paulo – pessoas sentadas na calçada conversando, churrasco na rua, casas sem portão, charrete, galinhas e vacas sendo criadas no quintal.

* Embora, ao longo desses dez anos, tenhamos ouvido muitas histórias tristes, o bairro do Morro Doce tem uma característica alegre e batalhadora. As pessoas têm orgulho de contar a história do bairro atreladas à história de suas próprias vidas. E isso faz com que adotemos o bairro e a comunidade como nossos também.

Vista aérea do bairro e no vale, a escola - um bairro que começou, cresceu e tem buscado a dignidade através da luta de seus moradores

Claro, as impressões, informações visuais e coisas que sentimos são impossíveis de colocarmos totalmente em palavras. Mas a experiência, com certeza, aumentou nossa sensibilidade e conhecimento para lidar com as pessoas que estão na escola todos os dias. Somos todos humanos em relação constante. E essa relação terá mais veracidade e qualidade quanto mais nos dispusermos a conhecer melhor uns os outros… Quanto mais nos abrirmos para essa relação. Valeu!

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