EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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O NOSSO DESEJO PARA 2014

BEM VINDAS, PESSOAS!

Por Professora Karina Cabral

Pessoas, sejam bem vindas a nossa escola!

A EMEI Jardim Monte Belo foi feita para os filhos e filhas de vocês. É uma escola pública, que todos pagamos com nossos impostos. Ela tem salas de aulas que são feitas para crianças pequenas – por isso, nessas salas, os móveis, os brinquedos, a disposição dos espaços – tudo isso foi pensado para elas. Aqui tem lugar para comer, para brincar sob o sol, para se molhar. Tem banheiros, tem corredores, tem pátio, quadra, ateliê de artes. Quem sabe consigamos fazer um jardim ou uma horta, pintar os muros e torná-la mais bonita. Mas ela já é linda. Tem livros, muitos livros. E brinquedos. Lugares onde as crianças podem se movimentar com liberdade e descansar, quando quiserem. Um lugar que é nosso, de todos nós.

Pessoas, sejam bem vindas em nosso grupo.

Aqui trabalham pessoas. Uma equipe que educa. Não importa se estamos assinando papéis, atendendo telefone, dirigindo uma perua, cuidando do portão, cozinhando, limpando, falando com as crianças na sala de aula, resolvendo problemas – estamos sempre trabalhando pelas crianças. Nós somos pessoas, e como pessoas, temos uma identidade, um jeito de ser, uma história, uma formação. E nós gostamos de pessoas. Não importa a cor da sua pele, a sua religião, a sua idade, o seu estilo de vida, não importa como é a sua família ou o lugar de onde você veio. Fazemos questão de que, aqui, todos os meninos e meninas sejam tratados com respeito por serem crianças… Por serem pessoas.

Pessoas, sejam bem vindas para partilhar das nossas ideias.

Acreditamos em muitas coisas, e queremos que, aos poucos, vocês compartilhem dessas crenças também. Defendemos a infância, o direito da criança ao brincar, o acesso dos pequenos e pequenas à cultura, à ciência, à convivência pacífica, à alegria. Não estamos só preocupadas em fazer uma escola onde a criança aprenda ou decore coisas, mas estamos preocupadas em dar a elas momentos onde possam se apaixonar pelo conhecimento e vencerem o desafio de conhecer a si mesmas e outros seres humanos.

Pessoas, sejam bem vindas para somar na nossa militância.

Acreditamos em gestão democrática. E isso significa que lidamos com transparência e respeito com as famílias. Queremos vocês aqui dentro tirando dúvidas, participando do Conselho de Escola, verificando as contas financeiras, dando a opinião de vocês. Queremos que vocês compreendam como as coisas funcionam, que se coloquem, que lutem conosco quando for necessário, que busquem o direito de seus filhos e filhas a uma educação de qualidade.

Pessoas… Sejam todas bem vindas ao nosso sonho.

O sonho de uma escola onde seu filho ou sua filha possa aprender, conviver e ser criança em plenitude. Nem sempre vamos acertar. Mas queremos você conosco. Agradecemos a sua confiança… E nos colocamos abertas ao diálogo. O nosso sonho é uma escola de qualidade que a gente construa juntos… E, a partir de agora, vocês estão convidadas a sonhar conosco.

Bem vindas, pessoas!

Um ótimo 2014 para nós.

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INCLUSÃO NA ESCOLA MUDANDO A SOCIEDADE EXCLUDENTE!

Hoje é um dia muito especial para a nossa EMEI! A qualidade do nosso trabalho com crianças portadoras de necessidades educacionais especiais foi reconhecida e estaremos no VI Congresso Paulista de Educação Infantil ( COPEDI ) para falar sobre nossos princípios, nossa prática e nossa equipe no tocante à inclusão.

É muito especial para nós mostrar a outros educadores, com alegria e paixão, que a inclusão dá certo!

Segue abaixo o texto que enviamos para o COPEDI. Ele retrata quais são as crenças e ações que guiam nosso trabalho com todas as crianças… Inclusive as portadoras de alguma necessidade especial.

Por Karina Cabral, Ana Damasceno e Lucimar Lara

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Inclusão: a escola que transforma vidas mudando uma sociedade excludente

A história de nossa EMEI com a inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais no contexto escolar, como tantas outras, começou a partir de um direito garantido externamente. Por determinações legais, as crianças com algum tipo de deficiência ou inseridas em alguma situação especial, passaram a ter direito de frequentar a escola regular. A Constituição Brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e posteriormente as portarias de matrícula da Prefeitura de São Paulo vieram para nós como uma determinação.

Não demorou em que essas crianças começassem a chegar à escola. Recebemos crianças com deficiência física e motora, e também um caso de deficiência intelectual. E embora nossos órgãos superiores tenham sido rápidos em apontar legalmente o direito das crianças, todas elas, de frequentar a escola… Também não demorou em percebemos que estaríamos sozinhas nesse processo, sem apoio institucional, sem orientação ou estudo especial, sem nenhuma mudança estrutural, sem tempo para refletir. As crianças e suas famílias estavam ali, nós também… E era preciso encontrar um modo de tornar esse convívio uma real oportunidade para que todos os envolvidos conseguissem conviver e avançar, de alguma forma, para o ideal proposto – uma escola onde todos tenham oportunidade de estar juntos… Uma escola como sonhou o mestre Paulo Freire – com todos se educando em comunhão.

E foi um longo caminho. Um caminho onde passamos por uma nova formação para os educadores; uma nova visão da equipe; um novo jeito de conversar com as famílias; uma nova visão de mundo; uma longa reflexão sobre a fragilidade e a força humana; um novo jeito de planejar e avaliar as práticas educativas; uma nova visão da função social dos educadores e da escola. Uma grande desconstrução e reconstrução de conceitos, práticas, ideais. E hoje, 10 anos depois, descobrimos que todas as inclusões de crianças com necessidades educativas especiais transformou nossa EMEI em uma nova escola para todos. Aprendemos todos… Todos fomos incluídos em um novo jeito de pensar as relações humanas, dentro e fora do ambiente escolar.

A história da escola, de maneira geral, é de exclusão. Por muitas vezes, ao longo de sua existência, a instituição educativa existiu para reforçar e propagar a diferença que se fazia na sociedade. Pobres, mulheres, negros e outras etnias, deficientes, idosos, pessoas com problemas e desajustes sociais e afetivos… Todos eles, em algum momento – hora de forma aberta e declarada, hora de forma velada – tiveram a porta do conhecimento e do convívio fechada por serem maiorias ou minorias rejeitadas e marginalizadas pela sociedade. Foi, e é uma luta muito grande abrir, escancarar, arrombar essa porta e deixar que todos passem por ela. Uma luta legal, ideológica, prática. E ao tomar parte disso como escola, nos engajamos nessa luta.

São muitas as histórias de sucesso, e poderíamos contar como Guihermes, Gustavos, Anas, Marias, Nicoles, Joãos e tantos outros entraram aqui e, a partir do que viveram na EMEI, conseguiram transpor seus limites. Poderíamos também dizer como receber essas crianças, apesar do medo, da dor, da revolta, do cansaço, mudou a vida de cada um dos educadores da escola. Mas para relatar nossa prática com a inclusão, pensamos no que todas essas crianças, seus pais e os educadores que passaram por aqui e cuidaram delas deixaram conosco, no que ajudaram a construir. Elencamos alguns princípios que fundamentam nosso trabalho. Esperamos assim esclarecer qual a nossa visão do assunto – sempre em construção, sempre mutante, sempre em busca de melhoria – e como chegamos a afirmar, com muita tranquilidade e orgulho, que a inclusão na escola infantil é possível… E que a desejamos. Cada vez mais.

 

  • INCLUIR É UM DIREITO INQUESTIONÁVEL

A criança com necessidade especial tem o direito de estar na escola, seja qual for sua característica peculiar, problema de saúde ou histórico. E isso não se discute – é direito dela. Ouvimos dos pais que chegaram com um filho diagnosticado com algum tipo de deficiência relatos doloridos de como foram rejeitados em outros lugares… De como lhes foi negado o direito de matricular seu filho ou filha na escola. Por isso, tomamos muito cuidado em esclarecer essas famílias que a inclusão é um direito.

O primeiro movimento por parte da escola é consciente, e sempre de aceitação – desde a secretaria, até a chegada na sala de aula, com a professora, procuramos abrir os braços para essa criança e sua família.

Não assustamos as famílias, não recomendamos que deixem a matrícula para depois, não damos informações erradas querendo expulsá-las de perto, não nos escondemos. As crianças – todas – são aceitas e participam de todas as atividades, conforme suas possibilidades.

  • INCLUIR É UM TRABALHO DE TODA A EQUIPE

Todos os funcionários da escola são educadores. Cremos nisso e procuramos agir de acordo com essa crença. A secretária que recolhe os documentos para a matrícula, a merendeira que prepara um alimento especialmente para aquela criança que não pode comer gordura ou açúcar, a auxiliar de limpeza que corre para limpar o vômito de um aluno, a diretora, o transportador, a professora, as agentes de apoio… Todos tomam parte responsável desse trabalho. Essas crianças precisam de atenção especial, cuidados especiais e isso envolve toda a equipe, que deve conhecer todos os casos e participar da vida da criança; o aluno ou aluna não é só da professora, mas de todos.

Essa unidade na equipe anula um dos principais fatores que dificultam a inclusão na maioria das escolas: sentindo-se amparada, a professora consegue lidar melhor com a criança e com a realidade da inclusão. Dividindo a responsabilidade, o peso físico, as dificuldades e avanços dos portadores de necessidades especiais, os educadores se envolvem mais no trabalho, a professora consegue refletir mais sobre suas ações de mediação, a família se sente mais tranquila e a criança, com toda certeza, é melhor atendida.

  • DENTRO DA ESCOLA QUE INCLUI NÃO PODE HAVER PEQUENAS EXCLUSÕES

Aos poucos fomos aprendendo que uma criança que não anda pode dançar; uma criança que não fala pode se comunicar, cantar, falar em público; uma criança que não consegue   controlar seus impulsos pode participar de uma festa de aniversário, ou de uma gincana; uma criança que não estabelece vínculos afetivos pode fazer amigos – e é justamente esse o nosso papel. A criança com necessidades especiais, mesmo que não entendamos muito sobre seus problemas, e levando em consideração questões de segurança e saúde, não deve ser negligenciada, e nem excluída de nenhuma atividade – seja dança, leitura de histórias, brincadeiras, refeições, escritas, desenhos, pinturas, passeios. Elas estão sempre junto às outras crianças, e se precisar de ajuda para realizar movimentos, ou para fazer algum tipo de raciocínio, o professor ou outra pessoa, ou mesmo as outras crianças estarão perto, ajudando a desafiá-las, para que possam contornar suas dificuldades, e até mesmo superá-las.

Não concordamos com a visão de colocar uma espécie de “babá” para a criança deficiente, fazendo com que ela seja acompanhada todo o tempo. Pensamos que ela, como todas as outras, pode conviver em grupo, aprendendo a colocar suas necessidades e viver os prazeres e dificuldades desse convívio.

  • NOSSO PLANEJAMENTO DIDÁTICO E AVALIAÇÃO SÃO REPENSADOS PARA ACOLHER AS CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

Ao contrário de tantas outras visões de educação, que pregam a homogeneidade como condição principal para a boa educação, acreditamos nas diferenças. Acreditamos na interação entre crianças de diferentes jeitos, idades, classes sociais, possibilidades. Acreditamos no adulto com intenções educativas claras mediando a ação de todas as crianças com objetos de conhecimento. E acreditamos no direito das crianças em ter acesso ao que de melhor a humanidade produziu em termos de cultura humana – ciência, arte, letras, tecnologia, relações, música, corpo, movimento. Acreditamos na brincadeira como grande estratégia de trabalho, como grande prazer. Acreditamos na capacidade das crianças de cuidarem de si mesmas, de cuidarem de outras crianças, de solicitarem a ajuda dos adultos. E tudo isso também deve ser oferecido às crianças com necessidades especiais.

Crianças diferentes são bem vistas, desejadas e participam de maneiras diferentes de nossas propostas… São avaliadas de maneiras diferentes. E não falamos apenas das crianças inclusas, mas de todas elas. Lutamos contra um ideal de aluno em nós, educadores; lutamos, em nós mesmas, contra essa ideia de que todos serão ensinados e aprenderão da mesma maneira. Planejamos situações onde as crianças podem contribuir com o que sabem, aprender com seus pares e mediadores… E avaliamos cada criança em comparação com ela mesma, e não apenas com nossas metas pedagógicas. Reconhecemos seus avanços e passamos a trabalhar as dificuldades que ainda restam.

  • A FAMÍLIA E A COMUNIDADE TAMBÉM SÃO INCLUÍDAS

No começo, é sempre estranho para todos. A criança com deficiência que chega é recebida com muito cuidado. Sua família é ouvida pela coordenadora e pela professora. A escola e os profissionais são todos apresentados. A criança tem uma conversa prévia e individual com a professora, para conhecê-la. E o horário de acolhimento é diferente – sempre respeitando as possibilidades da criança – para que ela possa se acostumar aos poucos com a escola.

A família da criança com necessidade especial é sempre acolhida com muito cuidado. As angústias dos pais são ouvidos à exaustão, porém, sempre deixamos clara a nossa postura – cuidado, sim, mas sem protecionismo. A criança irá participar de todas as atividades, e não a pouparemos de fazer coisas, e nem do convívio saudável com outras crianças.

Acompanhamos os tratamentos médicos, informamos periodicamente a família sobre o desenvolvimento da criança, e sempre que vai haver algum evento especial na escola – festas, danças, teatros, etc – fazemos questão de informá-los de maneira especial, pedindo que a criança participe.

Muitas mães e pais não admitem as necessidades especiais do filho ou filha, e com essas famílias as conversas costumam ser mais longas e difíceis… Mas são feitas mesmo assim. Muitas vezes é na escola que os problemas começam a aparecer, e nesse momento, tão difícil para a família, tentamos nos colocar como parceiros. Se a criança tem alguma necessidade prática especial – de alimentação, de material – ajudamos a providenciar, e organizar.

As outras famílias também são incluídas no debate. Tentamos esclarecer as coisas quando acontece algum ato de discriminação por parte delas, do tipo “não quero que meu filho brinque com esse tipo de criança”. E também ouvimos todas as angústias e dúvidas delas.

Buscamos na comunidade entidades, atividades, diálogos – especialmente através do Conselho de Escola – que possam ajudar nesse caminho, que não fazemos sozinhas.

  • A INCLUSÃO É UMA LUTA SOCIAL

Se dentro da escola fazemos o que podemos, fora dela também temos um papel muito importante. Por isso, estamos sempre lutando pelas crianças portadoras de necessidades especiais.

Lutando para que haja menos alunos por sala, lutando para que a equipe tenha mais pessoas e mais formação, lutando para que tenhamos material, apoio multidisciplinar suficiente, lutando para que todas as crianças sejam atendidas nos serviços médicos que necessitam, lutando para que as pessoas sejam informadas sobre o que é o direito do deficiente e do portador de necessidade especial.

  • BUSCAMOS AJUDA FORA DA ESCOLA, E OFERECEMOS NOSSA AJUDA TAMBÉM

Fazemos de tudo para interagir com os profissionais que cuidam dessa criança fora da escola, e para buscar apoio para ela. Se for preciso alguma adaptação na rotina, nos materiais que usamos ou no jeito de falar com a criança, ensiná-la, interagir com ela, será feito, na medida do possível – e às vezes do impossível também… Não nos negamos a participar de nenhum tratamento ou recomendação médica. E nos colocamos à disposição das equipes para relatar, conversar ou aprender coisas sobre a criança.

  • BUSCAMOS DIVULGAR NOSSAS PRÁTICAS COM INCLUSÃO

Nas reuniões de pais, em encontros com outros educadores, em revistas especializadas e em nosso blog estamos sempre contribuindo, escrevendo, registrando nossa prática, para que ela não seja perdida, e também para que a escola tenha uma cultura educacional que vá além das pessoas que lá estão hoje.

  • TODOS SÃO INCLUÍDOS

Toda vez que a palavra inclusão é mencionada no ambiente escolar, logo imaginamos “incluir” alguém com uma deficiência explícita. Pensamos em alguém com cadeiras de rodas, alguém com um transtorno mental ou psíquico, alguém que não ouve, não fala ou não escuta bem e que precisará de ajuda extra para conviver e aprender em um ambiente com outras pessoas ditas “normais”.

Toda essa fantasia em torno da deficiência torna mais difícil a discussão e o amadurecimento de educadores e famílias. A experiência com alunos ditos deficientes fez acordar para uma realidade – a diferença ( seja ela uma deficiência, uma qualidade, ou simplesmente uma característica ) faz parte do humano. E por isso, todos, em algum momento de nossas vidas, precisamos ser incluídos.

Cada criança que recebemos é de um jeito. Tímidos, agressivos, falantes, inteligentes demais, arredios, desconcentrados, medrosos, de todas as etnias e tipos físicos, crianças com alguma necessidade alimentar ou de saúde sutil, carentes, estressados, agitados, abandonados, tristes ou alegrinhos, com histórias familiares complicadas… Cada um deles merece um olhar especial, momentos de dedicação, uma conversa individual, um carinho diferente. Entre eles, estão as crianças deficientes. Faz parte da profissão de um educador acolher a diferença, e ao mesmo tempo, incentivar o grupo a ser um grupo de verdade.

Todos às vezes ficamos deficientes de algo por algum motivo. Alguém que torce o pé e precisa de uma rampa no local de trabalho, pensa na vida das pessoas que usam cadeiras de roda e muletas todos os dias. Podemos pensar em nossas dificuldades que não conseguimos resolver, nas incapacidades, nas coisas que não conseguimos aprender. Todos às vezes não são aceitos em um grupo ou lugar por não corresponder às expectativas dos outros, pré-julgada.

Convivendo com essas crianças, percebemos que mais do que a consciência racional de uma deficiência, seja ela qual for, é preciso sensibilidade e firmeza para encará-la e transpô-la. Todos precisamos ser incluídos. E aí está o bonito e o difícil da coisa – se é ao nos confrontarmos com outros que nos damos conta das nossas diferenças, é também na empatia do que nos faz iguais que encontramos o conforto e a superação. E somos iguais por sermos humanos. Isso não é diferente pra nenhum de nós.

 

RESULTADOS

Os benefícios da educação inclusiva não são apenas para a criança deficiente ou com alguma necessidade especial atendida, mas para todos. Os educadores começam a repensar seus métodos e intenções – não só para a criança em questão, mas para todos. Outros funcionários começam a se envolver mais no processo educativo, compreendê-lo melhor, e portanto começam a compreender melhor sua função educativa – TODOS na escola são educadores. O grupo de educadores também começa, a partir das necessidades dessa criança, a se ajudar, entrosar mais e trabalhar em conjunto. Funcionários e outras famílias começam a mudar o olhar sobre questões como deficiência, igualdade de direitos, limites, solidariedade – mudanças de paradigmas e de visão.

Mas o principal ganho está para as crianças que convivem com o portador de necessidade especial. Eles são colocados nessa reflexão sobre o relacionamento com outro ser humano diferente, e começam a pensar em coisas como respeito, ritmo, ajuda, diferença. Começam a enxergar as facilidades da criança com necessidade especial e também suas próprias dificuldades, e encarar isso como parte da vida. Eles serão cidadãos melhores na medida em que convivem com e deficiência, com a especificidade de outro ser humano e são envolvidos nesse processo de ajuda. Compreenderão melhor a conviver com essas pessoas, até que chegue um dia em que não precisemos mais falar em inclusão… Porque já será natural essa convivência e aceitação do diferente.

CONSELHO DE ESCOLA 2012 – GESTÃO IPÊ

Quando um grupo de pessoas bem intencionado e disposto se reúne para fazer algo, muita coisa boa pode acontecer. E é assim, com esse espírito de colaboração, boa vontade, respeito, entendimento e luta, que estamos constituindo mais um grupo de Conselho de Escola para a EMEI Jardim Monte Belo – Gestão Ipê – 2012.

No último sábado, dia 10 de março, realizamos a eleição final e posse dos novos membros. Foi uma reunião muito gostosa de pais, mães, familiares, professoras, agentes de apoio, diretora, coordenadora e membros da comunidade que toparam o desafio de doar seu tempo, seu esforço, suas ideias para melhorar a qualidade da educação que oferemos para as nossas crianças.

Seguimos os passos dos que vieram antes de nós, e há tanto tempo têm lutado para construir um Conselho de Escola de verdade – atuante, sério, onde todos podem falar, expressar suas opiniões, serem ouvidos. O Conselho não deve existir apenas para aprovar propostas prontas  e nem para servir a assinatura de papéis e encargos burocráticos. É um espaço de formação pessoal e social que nos torna pessoas, educadores, pais e cidadãos melhores.

No Conselho de Escola falamos sobre o conserto das lâmpadas, mas também sobre o nosso projeto pedagógico. Decidimos sobre a festa junina, mas também falamos sobre sustentabilidade e meio ambiente. Tomamos decisões sobre o uso das verbas, mas também nos posicionamos sobre as políticas públicas para a educação. Estudamos o calendário escolar, mas também ficamos por dentro das notícias sobre nossa cidade e sobre a educação. Fiscalizamos as contas da escola, mas também falamos sobre o emprego de verbas para a escola pública. Decidimos sobre o empréstimo do prédio da escola, mas também falamos sobre a comunidade e como podemos trazê-la para mais perto. Confraternizamos, nos conhecemos melhor, discutimos, resolvemos impasses, nos unimos, rimos, lamentamos juntos. E esse grupo, a cada ano, se mostra mais forte e habilidoso, crescendo em cidadania e participação.

Este é o grupo Ipê, que arregaçará as mangas e trabalhará para representar todos os educadores e famílias da EMEI durante o ano de 2012. Mais que uma escola melhor, queremos um mundo melhor. E nossa árvore está florida e forte como nunca!

CONSELHO DE ESCOLA – GESTÃO IPÊ – 2012

Segmento Famílias

Márcia – Mãe da Daniella ( 6C )

Diana – Mãe do Donathan ( 6C )

Maria Ivanir – Mãe do Francisco ( 6B )

Terezinha – Mãe do Ruan ( 5A )

Ana Cleide – Mãe do Vinícius ( 5A )

Rosineide – Mãe da Nicole ( 5B )

 Elineide – Mãe da Giovana ( 6B )

Marciana – Mãe do Herick ( 6A )

Maria Josefa – Mãe da Alexandra ( 6A )

João – Pai do João Vítor ( 5D ) ( Suplente )
Segmento Professores

Professora Karina Cabral – 5A ( Presidenta )

Professora Valéria – 5D ( Vice-Presidenta )

Professora Priscila – 6

Professora Sílvia – 6C

Segmento Equipe Técnica

Regina – Diretora

Meire – Coordenadora

Segmento Equipe de Apoio

Paula – A.T.E. – ( Secretária )

Maria – A.T.E.

QUANDO A CHEGADA É SUAVE… O CAMINHO É MAIS FELIZ!

Todo começo é difícil, e sabemos disso. Em contraponto à expectativa e a euforia de estar indo para uma nova experiência, está o medo do desconhecido… Estão também a ansiedade, a revisão de si mesmo, a angústia. Será que estou preparado para enfrentar o que virá? O que será que vai acontecer? Quem são as pessoas, como é o lugar que me espera?

Seja para assumir um novo emprego, conhecer uma nova pessoa, ir a um novo médico, participar da primeira aula de um novo curso, ou começar um novo ciclo… Nós adultos tendemos a agir diferente de como fazemos habitualmente. Frio na barriga, ansiedade, pensamentos incontroláveis imaginando o que será… E um excesso de cautela e retração ao se ver, enfim, no novo ambiente, cercado de novas pessoas, novas propostas. Pisamos em ovos até sentirmos com segurança o chão onde estamos.

Para uma criança pequena, que nunca deixou o colo dos pais e da família, é uma alegria, mas também uma dor e um medo muito grande ir para a escola pela primeira vez. Lá, ela não sabe o que vai acontecer. Quem ela mais conhece não estará por perto, e isso fará com que ela se sinta muito sozinha. Mil fantasias de abandono podem  passar por ela. É uma experiência forte e carregada de emoção essa de deixar os pais para enfrentar outras pessoas, outros jeitos de agir, outros acordos de coletividade. É um desafio social de conhecer os outros e uma proposta de conhecer melhor a si mesmo. São muitas coisas para dar conta. E é por isso que elas choram, se agarram com a mochila, gritam pedindo pela mãe e pelo pai, é por isso que muitas vezes se prendem ao portão e agridem as pessoas. Estão apenas dizendo que precisam de atenção, de carinho, de compreensão e alguém que diga pra elas que tudo vai dar certo, e que em pouco tempo as coisas vão se ajeitar.

Para a criança que já frequentava o CEI ou a própria escola, também há um período de reconhecimento da nova situação. Um novo horário, uma nova turma, uma nova sala, novas regras, uma nova professora… Uma nova fase, com outros desafios. Deixar o que antes era tão confortável e partir para o desconhecido também não é fácil, e às vezes custa algumas lágrimas, algumas unhas roídas, algumas regressões e enfrentamentos. Essa criança também precisa de compreensão e de segurança.

E para as famílias também não é fácil. Deixar o seu tesouro nas mãos de desconhecidos, recuperar todas as suas próprias experiências ( muitas vezes, nada boas ) com escolas, ver o filho ou filha chorando e não ter como acudir, ficar angustiado e ansioso com o que está acontecendo… Também não é fácil. Também é necessário que haja alguém que se mostre seguro, parceiro, que apóie, compreenda, esclareça e faça essa família sentir que está deixando seu filho em um lugar organizado, alegre, onde as pessoas estão preparadas para abraçar, cuidar e educar essa criança.

Nossa escola pensa sobre tudo isso. Procura enxergar todos esses lados, e cria estratégias para tornar esse começo uma passagem mais fácil para todos.

Antigamente, pensávamos esse período do começo como ADAPTAÇÃO. A criança e sua família que chega à escola deve compreender rapidamente a estrutura e procurar se adequar ao que está estabelecido, às regras, aos tempos, espaços e pessoas da escola. Quem chega tem que caber nesse espaço que já foi dado. E lidar com essa angústia do jeito que puder.

Hoje… Falamos em ACOLHIMENTO… Acolher é diferente. Parece mais com um abraço. Parece mais com conhecer um amigo. Parece mais com uma relação que vai ser construída pelas duas partes. Parece mais com se dispor a conhecer e suportar o outro com coração aberto.

Entendemos, em nossa EMEI, que a chegada na escola PRECISA ser bem pensada e planejada, para ser suave… Para ser alegre… Para ter o mínimo de dor possível e o máximo de confiança possível nesses novos vínculos que estão se estabelecendo.

É por isso que, logo de cara, escancaramos as portas da escola para que as famíias pudessem entrar. Instruímos, mostramos os espaços, apresentamos os funcionários, discutimos as principais regras de organização do dia-a-dia, deixamos que eles circulem nos corredores, que levem seus filhos até a porta da sala tranquilamente… Tiramos as dúvidas, e convidamos as famílias para ficarem com seus filhos nos primeiros dias. Conhecendo o trabalho da escola, eles ficam bem mais tranquilos, e transferem essa paz para suas crianças quando chega a hora de deixá-los sozinhos – hora que não é imposta friamente, mas acordada e respeitada.

É por acreditar nisso, também, que usamos parte de nossos primeiros dias de formação para discutir qual é a melhor postura de todos os educadores da escola diante de todo esse turbilhão de sentimentos, e combinamos nossas ações para que quem esteja chegando possa se sentir recebido de verdade, como alguém que há muito tempo está sendo esperado e que estamos alegres em ver chegar.

E também acreditando nisso tudo, procuramos tornar o ambiente da escola agradável, bonito, convidativo, cheio de brinquedos, de coisas bonitas na parede. Um ambiente limpo, belo, cheio de coisas interessantes para as crianças.

É por isso que nesses primeiros dias, todos os funcionários da escola se mobilizaram para acolher bem as crianças e suas famílias. Todos deram colo a quem estava chorando, deram ouvidos às mães e pais mais ansiosos, deram suporte para as professoras da sala, tiveram paciência de explicar muitas vezes as mesmas coisas, compreenderam as crianças que entraram em sala errada, que precisavam ser acompanhadas no corredor, que precisavam de ajuda no lanche ou no banheiro, ou para abrir a mochilha e guardar a blusa.

Tudo isso resultou em um período de acolhimento sereno, e hoje vemos nossos alunos bem mais seguros e alegres na escola.

Em uma parceria com o pessoal da Secretaria do Meio Ambiente, pais, filhos e educadores plantaram algumas mudas de árvore no espaço externo da escola. Mudas que vão crescer e frutificar. Mudas que vamos cuidar e acompanhar o desenvolvimento. Mudas que vão virar árvores diferentes uma das outras, mas que vamos admirar como são. Mudas que vamos observar, curtir, acompanhar, ajudar a resistir nas adversidades. E essas mudas que foram plantadas lá fora, queremos acreditar que também foram plantadas dentro do coração das crianças e suas famílias.

Que o ano de 2012 seja frutífero para todos nós!

Por Professora Karina Cabral

PASSEIO PELO BAIRRO

Na maior parte dos Projetos Pedagógicos das escolas, públicas ou não, em algum ponto estará escrito que é preciso “conhecer a comunidade”, “trazer os pais para a escola”, “estimular o contato entre pais e educadores”, “receber e acolher as famílias”, “praticar a gestão participativa e democrática”. Termos bonitos e prontos que só quem se arrisca a colocá-los em ações práticas sabe como é delicado e difícil conseguir. Aproximar-se da comunidade é, antes de tudo, rever nossas concepções de mundo, de pessoa, de educação.

Na manhã chuvosa do último sábado, dia 12 de março, o grupo de funcionários saiu da escola para, mais uma vez, tentar dar um passo em direção à relação saudável entre educadores e comunidade que tanto buscamos. Fomos fazer um reconhecimento da geografia, da história e da estrutura social do bairro em que trabalhamos, conhecido como “Morro Doce“. É um bairro ligado ao distrito de Anhanguera, administrado pela subprefeitura de Perus. Fica na saída da Rodovia Anhanguera, no Oeste da cidade de São Paulo. O bairro conta com várias pequenas vilas – a maior parte delas iniciada em terrenos invadidos, agora já regularizados.

Ladeiras super íngremes, ruas estreitas, áreas em construção e outras de natureza intocada - um bairro em crescimento desordenado e explosão demográfica

Presas em um ideal de criança, um ideal de família e um ideal de bairro, e fechadas dentro da escola, muitas vezes não imaginamos como é a vida real das nossas crianças – como são suas casas, como são as ruas que andam, onde brincam, onde compram o pão, quem são seus vizinhos, o que vêem e ouvem, com quem convivem, onde vão, a que perigos estão expostas. Se não furarmos a bolha que separa a escola do bairro e da comunidade em que está inserida, corremos o risco de educar e construir relações segundo nossos preconceitos e estereótipos. Pensaremos que são mais ou menos carentes, mais ou menos interessados, mais ou menos vivenciados, mais ou menos felizes do que realmente são. Será uma relação falsa e distante.

Casas antigas, casas novas e lindas, construções inacabadas e barracos convivem na mesma paisagem

Depois da visita, que deixou a muitas de nós surpresas, sentamos para conversar e trocar nossas impressões. Alguns pontos levantados pelas educadoras:

* A geografia física do bairro realmente é rica e peculiar: vimos brejos, plantações de eucalipto, matas fechadas e intocadas, baixadas alagadas, picos e vales.

* O bairro é relativamente novo, está em crescimento e tem muitos contrastes. Vimos casas bem grandes e bem acabadas, casas antigas e que parecem sítios, barracos, ruas sem asfalto, sem coleta de lixo e onde o correio não chega.

* Recentemente algumas ruas foram “rebatizadas” oficialmente pela prefeitura, o que mudou os nomes que a própria comunidade  tinha escolhido.

* Embora seja um bairro numeroso e em explosão demográfica, temos pouquíssimas escolas, apenas duas unidades de saúde e quase nenhuuma área de cultura e diversão. Pessoas, às vezes, andam até dois quilômetros para conseguir chegar a um ponto de ônibus, e em muitas ladeiras, carros e caminhões não podem subir. A região de Perus, que abarca o bairro do Morro Doce e conta com 160 000 habitantes, não tem um leito sequer de hospital e apenas um pronto-socorro.

Vilas e bairros imensos, cheios de casas, pessoas... E poucas escolas, postos de saúde e possibilidades de diversão

* As educadoras que estão a mais tempo no bairro, reconhecem que ele melhorou muito em condições básicas e saneamento – asfalto, luz elétrica, coleta de lixo e canalização de córregos era algo distante da população 10 anos atrás, e por luta constante dos moradores, foi sendo conseguido, embora ainda não tenha chegado a todos.

* O comércio local conta com pequenos estabelecimentos, poucos bares, e algumas lojas específicas. Vimos também muitas igrejas e alguns centros sociais de apoio à população.

* As casas são apertadas no espaço estreito das ruas, e a maior parte delas não tem quintal. As ruas, por serem tão íngremes, não podem ser usadas para brincar, o que nos fez pensar que as crianças vêem na escola e seu entorno um espaço amplo e divertido que não parecem  ter em casa.

Educadoras saem da escola para conhecer de perto o bairro em que trabalham - muitas surpresas, construções e desconstruções nesse trajeto

* Por ser um lugar carente de infra-estrutura, as pessoas vão à escola acreditando que é um lugar onde podem ser ouvidas. Contam conosco, respeitam, dão valor, ainda que muitas vezes não façam isso do jeito que esperamos. Isso nos traz alegria e nos lembra da nossa responsabilidade junto a essas pessoas.

* O TEG ( transporte escolar gratuito ) é muito importante para as crianças, pois sem ele, para algumas, seria muito sofrido e até mesmo inviável andar tanto para chegar à escola. Os adolescentes do bairro têm que estudar na Lapa, e as crianças maiores muitas vezes andam mais de uma hora para chegar à escola. Nossos alunos, embora merecessem ter mais escolas perto de suas casas, ainda são “privilegiados” por serem pequenininhos.

O bairro começou e cresceu desordenadamente grudado nos morros - história que já ouvimos tantas vezes, e que esperamos que não acabe em tragédia como tantas outras

* A área é de mananciais e nascentes – tínhamos uma delas dentro do tanque de areia do parque. O solo é instável. Quando um buraco se abre na rua, logo vira uma cratera. E isso parece bem perigoso. Ficamos pensando o quanto a população corre o risco de sofrer com desabamentos e coisas do tipo.

* Embora seja um bairro tranquilo, já começamos a ouvir relatos de moradores dizendo ter medo do aumento da criminalidade e do uso de drogas. Com poucas opções de estudo, apoio social, saúde, trabalho e diversão, fica mais fácil que a juventude se envolva com entorpecentes. É uma doença social que também nos afeta, por mais que não queiramos enxergar.

* Falamos também sobre a arrogância de prestadores de serviços públicos que, apoiados por preconceitos econômicos e sociais, destratam a população como se estivessem prestando um favor a ela, quando na verdade são funcionários pagos com o dinheiro de todos para fazer um serviço de qualidade, seja na área que for.

Quantas ladeiras, ruas sem calçada, barreiras e problemas as crianças do bairro enfrentam até chegar à escola todos os dias...

* Ainda vemos no bairro coisas que parecem distantes do imaginário que temos do que seria um bairro urbanizado da cidade de São Paulo – pessoas sentadas na calçada conversando, churrasco na rua, casas sem portão, charrete, galinhas e vacas sendo criadas no quintal.

* Embora, ao longo desses dez anos, tenhamos ouvido muitas histórias tristes, o bairro do Morro Doce tem uma característica alegre e batalhadora. As pessoas têm orgulho de contar a história do bairro atreladas à história de suas próprias vidas. E isso faz com que adotemos o bairro e a comunidade como nossos também.

Vista aérea do bairro e no vale, a escola - um bairro que começou, cresceu e tem buscado a dignidade através da luta de seus moradores

Claro, as impressões, informações visuais e coisas que sentimos são impossíveis de colocarmos totalmente em palavras. Mas a experiência, com certeza, aumentou nossa sensibilidade e conhecimento para lidar com as pessoas que estão na escola todos os dias. Somos todos humanos em relação constante. E essa relação terá mais veracidade e qualidade quanto mais nos dispusermos a conhecer melhor uns os outros… Quanto mais nos abrirmos para essa relação. Valeu!

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