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ISSO É DE MENINA, ISSO É DE MENINO…

Se a escola pode ajudar a mudar uma realidade social de injustiça, preconceito e discriminação, também pode ajudar a mantê-la… A professora Valéria Marques Mendes propõe uma reflexão importante a todos que educam crianças pequenas – o quanto nossas ações reforçam a diferença histórica construída entre homens e mulheres, quando eles ainda são meninos e meninas?

Isso é de menina… Isso é de menino

Relações de Igualdade na Infância

Por Valéria Marques Mendes

Para começo de conversa….

Vocês já pensaram que a construção da ideia de gênero – o que entendemos como papel social do homem e da mulher – passa por nós, educadoras, na Educação Infantil?

Há várias discussões sobre o tema GÊNERO. Comecemos esclarecendo dois conceitos que nos ajudarão a entender melhor esse tema:

* Na Biologia, usamos o termo “gênero” como categoria classificatória; os animais de determinada espécie nascem machos se forem do sexo masculino, e fêmeas se forem do sexo feminino; é um dado bem objetivo…

* Nas Ciências Sociais ( sociedade ), o gênero é visto como uma construção social do que vem a ser o homem e mulher na sociedade, qual é o papel de cada um no grupo. Assim não nascemos, somos ensinados a ser; o que vem ser a construção social.

Partindo dessa concepção, gênero ( masculino ou feminino ) é uma construção social, algo que nos é ensinado desde bem pequenos.

Como ocorre isso dentro de nossas escolas?

Meninos brincando de casinha - nem por isso deixam de ser e gostarem de ser meninos...

Educadoras e educadores da infância, pensem bem! Em nossas relações com as pessoas pequenas, em todos os espaços da escola ( sala, parque, refeitório, corredor, pátio…), pensar a relação entre mulheres e homens ( meninas e meninos ) com igualdade é algo que poderá nortear nosso fazer educacional, certo?

Desta forma, podemos pensar o gênero como categoria de análise social, e não como classificatória. Deveria ser nosso papel abrir questões, reflexões, e não reforçar padrões que nem mesmo sabemos de onde vieram, e que só servem para oprimir.

Em outras palavras…

Para melhor refletirmos nossa ação como educadoras e educadores , proponho algumas perguntas. Em nossa rotina diária quantas vezes reforçamos gênero (biológico ou social), em ações simples, como:

* Pilhas de cadernos de menino de um lado e meninas do outro;

* Meninas brincam com casinha, bonecas;

* Meninos brincam com carrinhos, oficina, animais;

* Brincadeiras de meninas ( amarelinha, corda, elástico, passa anel…);

* Brincadeiras de meninos ( pega-pega, esconde-esconde, futebol…);

* As meninas sentam- se de um lado,

* Os meninos sentam-se do outro;

* Azul, verde são cores de menino;

* Rosa, lilás e vermelho só as meninas podem usar;

* “Essa menina é tão moleca…”;

* “Esse menino é tão afeminado…”;

* Fila de menino;

* Fila de menina;

* E outras tantas ações.

Você pode ser fermento da mudança…

Vocês já pararam para pensar que as mulheres são maioria dentro da Educação Básica, principalmente nas séries iniciais (Educação Infantil -CEIS/ EMEIS – e Fundamental 1)? Em sua escola, quantos educadores ( homens ) há? Será que não é papel dos homens ( pais ) educarem seus filhos/as ou somente essa é função das mulheres? Será que a baixa remuneração justifica o afastamento dos homens nesse espaço? Ou será que tudo isso foi nos ensinado socialmente ( desde cedo ), que quem educa as crianças são as mulheres?!

Há necessidade de revermos nossas ações como mediadoras/es, para além de categorizar o que é masculino e feminino. Só assim, poderemos pensar uma sociedade onde haverá equidade dentre mulheres/homens /natureza de forma sustentável. Ou reforçamos certos valores ou emancipamos com uma pedagogia libertadora – a escolha é nossa… E precisamos estar bem conscientes para fazê-la.

Professora Valéria Marques Mendes

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