EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

Posts marcados ‘Protagonismo da Criança’

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS TRANSFORMANDO E HUMANIZANDO O ESPAÇO FÍSICO

Por Regina Celia Soares Bortoto

Enfim, a palavra emotiva da diretora Regina, que explica a delicada e forte relação entre escola e comunidade por ocasião dos 10 anos da nossa EMEI


O título acima foi escrito em 2002 num dos livros pedagógicos desta Escola. Nada mais atual que esse título, pois esta Escola, que nasceu desejada como a um filho querido, continua em busca da transformação e humanização do espaço físico.

Essa característica original é preservada por seus funcionários através do sonho permanente de construir uma Escola de qualidade para os filhos dos trabalhadores que moram num dos montes mais belos desta região por sua geografia, por sua natureza e por sua população organizada. Quem aqui chegou primeiro certamente ficou assustado com os desafios com os quais se depararam. Foram corajosos. Mas era isso, ou seja, lutar sem trégua… Ou se contentar com o abandono do poder público. Sem luz, sem água tratada e encanada, sem asfalto, sem rede de esgoto, sem coleta de lixo, sem transporte, sem equipamentos públicos… Enfim sem quase nada—e com muito sofrimento.

Hoje, só podemos olhar com muito orgulho ao nosso redor, ver tudo que melhorou, e dar parabéns a todos que fizeram parte dessa História. Passados 10 anos, o Jardim Monte Belo, bem como a EMEI que carrega o mesmo nome, mudaram muito, causando sensações, sentimentos e opiniões. Moradores ergueram suas casas com as próprias mãos para abrigar suas famílias. Na mesma medida, professores e demais funcionários que por aqui passaram ou que por aqui ficaram edificaram um lugar para abrigar conhecimento.

Assim como os moradores, esses funcionários amassaram muito barro, passaram muito calor, muito frio, na escola de latinha, na escola de madeira, ficaram sem água, ou sofreram com a enchente, correram atrás de prefeito, de secretário da Educação, de subprefeito, de padre, de líderes comunitários… Não pouparam energia física e mental por acreditar e principalmente por amar o que fazem, lembrando realmente o Educador Paulo Freire que dizia “que não se faz Educação sem amor”.

Sinto-me feliz e muito à vontade para afirmar pela gestão – Regina, Valéria e Meire— que trabalhar nesta EMEI é dar a cada dia de trabalho um significado novo, pois contamos com um grupo de professoras e funcionários dispostos a pensar a Educação Infantil pra valer. São Educadores que conseguem transitar pela teoria e prática sem perder o rumo e a paixão. Cuidam com carinho, mas com a autoridade e responsabilidade de um adulto que Educa, sabendo discernir a hora de elogiar, advertir ou impor limites sem temer as conseqüências, porque refletem constantemente o seu fazer pedagógico.

Pessoas dedicam parte de suas vidas dentro deste prédio; e cada criança que entra pelo portão, trazida pelas mãos das monitoras do transporte escolar ou pelas mãos de sua família—pais, mães, irmãos, avós, avós, primos, primas, cuidadoras – é carinhosamente acolhida e tratada como seus filhos e filhas. Educadores atentos ao aprendizado escolar de crianças que não são vistas apenas como um número de matrícula, mas como seres completos aqui e agora, com sonhos, opiniões, direitos e ávidos por experimentar a vida.

Hoje, relembro e entendo alguns cumprimentos que recebi quando em 2010 para cá me removi. Foram manifestações de elogios—você vai adorar a Escola, você teve muita sorte, você vai trabalhar com uma Coordenadora Pedagógica que entende muito de Educação Infantil, você vai ver que grupo maravilhoso de professoras.. Expressando e reconhecendo o quanto esta EMEI é especial, composta por funcionários comprometidos com uma Educação de qualidade, que desenvolvem projetos voltados para a formação de sujeitos autônomos e capazes de viver e conviver com o outro com respeito e solidariedade.

Conhecer de perto e respeitar essa comunidade é o que possibilita  construir uma Escola onde as crianças sintam o mesmo prazer em ficar seja na classe, no parque, na quadra, na sala multiuso, no refeitório, ou em qualquer dependência, livres e felizes como se estivesse em suas próprias casas.

Sabemos que temos muito a fazer pelo nosso espaço ainda. Tratamos disso com muita seriedade. Ainda bem que não estamos sós, podemos contar com um Conselho de Escola e uma Associação de Pais e Mestres muito atuante e forte. Acreditamos que juntos e organizados somos co-autores de uma obra em constante movimento de vir a ser.

Por fim, só cabe dar parabéns a todos Educadores desta Escola que acreditam nos tempos de hoje que a Educação é uma ferramenta que contribui na formação de seres humanos capazes de compreender, intervir e transformar a realidade em que vivem.

Anúncios

QUANDO A ESCOLA SEMPRE É UMA FESTA…

Por Professora Karina Cabral

Como educadoras e educadores, temos orgulho do trabalho que realizamos na EMEI Jardim Monte Belo.

E ao comemorar 10 anos de escola, estamos felizes, muito felizes.

E estamos felizes não só pelos sucessos pedagógicos, pelos trabalhos que dão certo, pelas experiências bem sucedidas, que – ainda bem – são muitas.

Estamos felizes não só pelos nossos erros, para os quais olhamos com reflexão e bondade, pois muito nos ensinaram.

Estamos felizes não só por olhar para trás e ver de quanto suor, sorrisos e lágrimas se faz uma comunidade escolar.

Estamos felizes não só por ver quantas dificuldades foram superadas.

Estamos felizes não só pelas conquistas da comunidade que, através do nosso Conselho de Escola bem estruturado e atuante,  e da nossa política de aproximação das famílias, conseguimos apoiar e compartilhar.

Estamos felizes não só pela gestão democrática e transparente de pessoas e recursos, que aproxima todos os membros da comunidade escolar e melhora, com muita luta, o nosso espaço físico e nossos recursos.

Estamos felizes não só pelo excelente trabalho realizado em uma escola pública, laica, gratuita e de qualidade, que tem por princípio respeitar todos os seres humanos, criando espaços para que se expressem livremente como cidadãos.

Nossa principal felicidade… São as crianças.

Sim, as crianças! Diante da proposta de fazer um concurso para escolher um desenho que representasse a escola que elas tinham, e a escola que queriam, por ocasião dos 10 anos da escola… Elas mostraram como são felizes dentro da EMEI Jardim Monte Belo. Foram muitos desenhos, até que todos conseguissem votar em um que simbolizasse esses 10 anos de festa.

E nossas crianças mostraram em suas pinturas que nossa escola sempre é uma festa para elas…

Uma escola colorida, alegre e cheia de detalhes…


Uma escola cheia de brinquedos interessantes para brincar…

Uma escola onde adultos e crianças estão sempre juntos, apoiando um ao outro…

Uma escola que é proteção para as crianças com necessidades especiais…

Uma escola inserida em um contexto social, que não está distante do que acontece no bairro…

Uma escola onde se brinca de montão…

Uma escola com um parque sempre iluminado por um sol sorridente…

Uma escola cercada de corações, carinhos e flores, com alguém de braços abertos, bem na porta…

Uma escola com adultos grandes e protetores…

Uma escola que é abrigo…

Uma escola que é espaço para crianças diferentes entre si…

Uma escola cheia de espaços diferentes…

Uma escola debaixo de um arco-íris…

Uma escola de paredes simpáticas, e de festas diversas…

Uma escola que é de professores e de alunos…

Uma escola que é da comunidade…

Uma escola que merece festa, bolo e brigadeiro…

Uma escola cheia de sorrisos…

Uma escola que é sempre uma festa!

ENTORNANDO UM BAÚ DE HISTÓRIAS

     

 ENTORNANDO

UM BAÚ

DE HISTÓRIAS

                        

    Contar e ouvir histórias faz parte da experiência humana há    muito tempo.

      O fascínio pelo universo imaginado por outros, seja ele  próximo ou distante de nossa realidade, nos estimula a criar imagens mentais, viajar, sonhar, e viver além do mundo concreto. Não só crianças gostam de histórias, que nos digam as novelas e as centenas de  filmes produzidos anualmente mundo afora.

Em nossa escola há um momento, todos os dias, de contato das crianças com as histórias, pois acreditamos ser essa a maneira mais gostosa e eficaz de aproximar a criança do mundo da leitura e da escrita. O acervo de livros, que já não era pequeno, foi recentemente enriquecido com mais de 100 títulos de excelente qualidade de texto e ilustração.

Percebemos que as histórias lidas ou contadas pelas professoras permitem que a criança entre num mundo de sonhos onde as letras e as palavras ganham novos significados e convidam-na a aprender a  pensar sobre o mundo, a imaginar, a criar e a ler as imagens e as palavras. Só que tudo isso de um jeito gostoso, respeitando seus interesses, seu modo próprio de aprender e seu ritmo.

      Visando aprimorar nossas práticas, em 2010 aderimos a um projeto da PMSP* que, em parceria com a Fundação Victor Civita, busca estimular a leitura para as crianças pequenas nas unidades educacionais de São Paulo. O  PROJETO ENTORNO teve como objetivo inicial fomentar o gosto pela leitura, propiciar vivências diferenciadas para as crianças e promover a troca de indicações e de experiências entre as crianças de uma mesma faixa etária.

Foram realizados vários encontros na DRE de Pirituba onde, com a ajuda das formadoras Rosângela e Márcia, houve subsídios para a discussão sobre as possibilidades e os encaminhamentos necessários para a realização da leitura de contos nos momentos de leitura simultânea.

O projeto apresenta, entre outras coisas, a  proposta de leitura, na íntegra, da história escolhida, buscando respeitar o texto tal como escrito pelo autor. Nós educadoras estudamos, lemos, conversamos sobres histórias, livros, modos de ler, de contar… Revisamos nossas práticas relacionadas ao letramento e começamos a desenvolver o projeto.

As trocas foram muito produtivas entre as educadoras e o resultado delas ficou evidente no sucesso da ação.

Pensamos nos 3 momentos que envolveriam a leitura da história: o que faríamos com as crianças antes de ler, como seria a leitura propriamente dita e o que ocorreria após a leitura.

PASSO 1- ESCOLHA DOS LIVROS

          Cada contadora de histórias escolheu o livro que desejava ler, pensou como faria a leitura, em que lugar, qual seria a entonação, etc… Após a escolha cada uma elaborou uma resenha convidando as crianças para participar da contação e fixou-a em local visível.

PASSO 2- LEITURA DAS RESENHAS

          As professoras levaram as crianças até as resenhas, exploraram com elas as capas dos livros, fizeram a leitura do texto e conversaram sobre cada história. Também contaram para as crianças da necessidade de escolher apenas um livro pra ouvir a história.

PASSO 3- ESCOLHA DOS LIVROS

As crianças tiveram oportunidade de “visitar” a exposição de resenhas muitas vezes enquanto andavam pelos corredores da escola e comentavam todo o tempo sobre as histórias que desejavam conhecer. Eram conversas de leitores, tipo as que acontecem nos corredores das grandes lojas de livros ou das bibliotecas: “vou ver esse porque gosto muito de jacarés”, “quero saber de lobos, não tenho medo de lobos”, “vou ouvir a do sanduiche” “essa cobra tem cara de boazinha mas aqui ta escrito que ela é lelé” etc..

No dia indicado as crianças fizeram a escolha definitiva da história que tinham preferência de ouvir e retiraram seus “ingressos” para a contação ( uma tira de papel colorido como o cartaz onde a resenha de cada livro estava colada).

PASSO 4 – O GRANDE DIA

As crianças foram reunidas no corredor da escola e descobriram enfim quem seria a contadora da história por eles escolhida. Todos os funcionários da escola participaram desse momento e viveram com as crianças a emoção dos contos.

As crianças acompanharam a contadora de histórias até o lugar que já estava todo preparado para recebe-las. Seus rostos expressavam a ansiedade e o desejo…

Desejar… Esse é o assunto  que merece de nós o maior respeito e apoio. Só aprendo quando desejo, quando quero de verdade, quando aquilo tem real significado para mim

 PASSO 5- SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA……………… 

 A escola parou, aquietou-se. Todos estavam lá, as crianças animadas, os adultos deixaram de lado outras funções e se dedicaram a deliciar-se com lobos, jacarés, galinhas, sanduiches, pêssegos, cobras e tantos outros.Nasceu um silêncio concentrado e sutil. Um silêncio de total envolvimento e de prazer expresso em cada rosto.         

   

                                    

 De volta à classe as crianças trocaram impressões sobre os textos, as histórias, as vivências de cada um naquele momento. Foi uma experiência fantástica, todas as crianças puderam participar e depois de 15 dias foi repetida, dando a oportunidade das crianças ouvirem a leitura de histórias sobre as quais também tinham acumulado curiosidade.

 PASSO 6- CRIATIVIDADE E SEUS EFITOS

          A profª Silvia viu as cópias das capas dos livros que foram utilizados nas resenhas e o interesse das crianças, bem como os diálogos que elas geravam. Resolveu fazer alguns jogos com elas.

Há em nossa escola um clima gostoso de colaboração e, por conta dele, pipocaram várias ideias. Entre elas a de que os quebra-cabeças seriam colocados em pastas juntos com os livros e fariam rodízio entre as salas, dando oportunidade de várias crianças brincarem com eles ( ver matéria sobre cantos caixas neste blog ).

REFLETINDO……

       O grupo concluiu que vivemos uma experiência gratificante, que acrescentou muito para as crianças e para nossa prática pedagógica também. É consenso entre as educadoras de que outras oportunidades devem ser propiciadas e que as discussões sobre o trabalho foram fundamentais para o sucesso.

      O esforço de todos foi muito grande para fazer isso dar certo.A escola toda parou nesses momentos, todos os funcionários dividiram o prazer de estar com as crianças e as histórias.

      Acreditamos que qualidade é uma conquista permanente, e que o trabalho com a infância precisa ter objetivos claros e esforço coletivo de aprimoramento dos profissionais e de suas ações.

       A valorização desse trabalho com a pequena infância não é fácil numa sociedade que privilegia tão pouco a criança, as culturas que ela produz e os profissionais que com ela trabalham.Mas o olhar atento e satisfeito das crianças até o final da contação e sua visível alegria e participação, foram para todos nós um grande prêmio.

    Por  Meire Festa

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Quantas aprendizagens e delícias cabem dentro de um álbum de figurinhas?

Por Professora Karina Cabral

Onde vemos números? Na sola do sapato, no calendário, na etiqueta da roupa, na régua, no cupom fiscal, no portão das casas, na capa dos livros, nos relógios, no teclado do telefone e do computador… Os números servem para contar, organizar, separar, agrupar, ordenar, qualificar, regularizar, categorizar, medir, quantificar, sequenciar, e muitas outras ações e habilidades relacionadas ao raciocínio lógico, tão importante para o desenvolvimento intelectual das crianças.

Porém, é difícil encontrar portadores numéricos que façam sentido para elas, que possam ir além da sequência de 1 a 20, ou que não se esgotem em pouco tempo. Mesmo usando o calendário convencional, ou brincando de recitar a sequência numérica básica com parlendas e músicas, eu percebi que as crianças já estavam prontas para fazer reflexões maiores sobre os números. Mas como provocá-las a pensar sobre isso de um jeito significativo?

Lembrei-me, da minha própria infância e de experiências anteriores como professora, de uma brincadeira deliciosa, e que parece esquecida pela maioria das crianças de hoje – o álbum de figurinhas. Quantas ações, possibilidades numéricas e diversão podem caber dentro de um álbum!

Fui até a banca de jornal e escolhi um álbum que pudesse interessá-los, que fosse recém lançado e que tivesse cromos auto-colantes. Ao trazê-lo para a roda de conversa e apresentar a proposta para as crianças, percebi algumas coisas:

  • Eles não conheciam “figurinhas”, nem álbuns para colecioná-las – apenas adesivos, que vivem trocando para colar nos cadernos de recados;
  • Para eles, era muito abstrato pensar em números maiores que 30 – embora soubessem que há uma nomenclatura para designar esses números ( “milhões”, “mil”, “cem” ), e soubessem também que esses números se referem a grandes quantidades, isso ainda era um mistério;
  • A leitura e escrita de algarismos ainda estava muito precária; para eles era difícil compreender que os números, tal como as letras, têm um jeito constante e regular para serem escritos.

Com esses dados em mente, foquei o objetivo do trabalho com o álbum. Ao final da brincadeira, as crianças deveriam ter tido a oportunidade de…

  • Familiarizar-se com os algarismos e com o aspecto marcador e indicativo dos números;
  • Ampliar suas referências de sequência numérica para números maiores;
  • Perceber a constância na escrita dos algarismos;
  • Ter contato com a tabela numérica, percebendo suas regularidades e seus “nós”.

Embora a atividade do álbum de figurinhas traga possibilidades mais complexas de trabalho com os números e quantidades, achei que esses objetivos iam de encontro com o que as crianças realmente precisavam, e a partir dele, pensei minhas ações.

Expliquei às crianças o procedimento de colecionar os cromos, fiz uma tabela numérica convencional e grande ( a do álbum não estava organizada em colunas iguais ), decidi com elas o procedimento de colagem ( decidimos que faríamos um calendário com os nomes anotados para saber quem ia colar os cromos a cada dia ), e pedi que as crianças informassem sobre esse trabalho a seus pais, para que ajudassem a comprar figurinhas ( alguns até ganharam o álbum para colecionar em casa ).

A tabela numérica, o calendário e o poster do àlbum - maneiras de as crianças acompanharem todo o trabalho e tomarem contato com diferentes portadores numéricos

No começo, a empolgação das crianças com o álbum era imensa, e por isso esperei um pouco para fazer maiores intervenções pedagógicas. É importante respeitar esse tempo de curtir os novos materiais, pois forçar a concentração das crianças quando estão muito empolgadas com alguma coisa é complicado e, creio eu, infrutífero. Em poucos dias brincando com o álbum eles já estavam mais calmos e prontos para me ouvir melhor.

Seguindo o calendário feito, cada criança destacava o cromo, colava e então marcava o número do cromo colado na tabela. Com o tempo, as crianças foram entendendo melhor como a tabela funcionava – que a linha horizontal representava a dezena, e a linha vertical as unidades, ainda que não soubessem usar essa nomenclatura. Em alguns dias, eles já estavam habilidosos em encontrar os números na tabela.

Marcar as figurinhas já coladas na tabela numérica - um desafio que trouxe muitas descobertas sobre os algarismos

Com o progresso do álbum, novos problemas foram surgindo. O que fazer com as figurinhas repetidas? Como conseguir as figurinhas que não estavam saindo? Como e em que lugares conseguir novos pacotinhos de figurinha? Com quem vai ficar o álbum quando ele estiver pronto? Quantas figurinhas faltam para o álbum estar completo?

A professora Daniela gostou da ideia e também comprou um álbum para a turma dela, e assim pudemos trocar cromos. As crianças ficaram práticas em encontrar o lugar certo das figurinhas, e em controlar a marcação na tabela. Mais ao final do álbum, usamos o recurso de pedir as figurinhas faltantes por carta. E quando os cromos chegaram, foi uma alegria muito grande ver o álbum completinho.

Ao final da atividade, que durou aproximadamente três meses, pude perceber que as dificuldades com os números que reconheci no início não foram completamente vencidas, mas as crianças avançaram muito. Alguns deles já estavam lendo e escrevendo os números, outros conseguiam ler e localizar números na tabela com muita rapidez e a maior parte dele ampliou o vocabulário numérico. Todas as crianças conseguiram compreender a função do número atrás do cromo, e localizar no álbum o espaço correspondente. Achei interessante também as soluções criadas para simplificar a colagem e a distribuição das figurinhas repetidas, que foram usadas como prêmio nos bingos de letras e nomes, e também nas brincadeiras competitivas que fizemos.

Foi uma experiência rica e divertida! Espero que a partir daqui, as crianças brinquem bastante de colecionar figurinhas e que possam aprender cada vez mais sobre os números.

O CANTINHO DO MERCADINHO

Todos os dias, nós separamos um bom tempo das 6 horas que passamos juntos na escola para brincar na sala. E nesse tempo, várias atividades acontecem simultaneamente e cada um pode escolher o que quer fazer, com quem quer estar e como utilizar os materiais disponíveis. Montamos pequenos cantos, e em cada um deles muita coisa pode acontecer.

Uma brincadeira simples e barata - não é preciso nada muito diferente de sucata e imaginação...

Um dos cantos que a turma do 6C e eu resolvemos montar juntos é o canto para brincar de “mercadinho”. No passo a passo, houve…

1. Uma conversa sobre a brincadeira de mercadinho, como ela podia ser, o que precisaríamos fazer para que ela acontecesse e por que seria uma brincadeira legal;

2. Organização – escrevemos um bilhete para as famílias pedindo que mandassem embalagens vazias e limpas de tudo que pudesse entrar no nosso mercado ( menos embalagens perigosas, como latas que cortam e vidros ), além de recolher pela escola os materiais que seriam úteis;

3. Ação – montamos a brincadeira e começamos a aproveitá-la. Todo mundo adorou, tanto que os outros cantinhos ficaram até abandonados por um tempo…

Uns vendem, outros compram, outros organizam... Todos brincam!

Para a nossa brincadeira de mercadinho, precisamos:

* Uma impressora e uma calculadora velha;

* Dinheirinho de mentira;

* Embalagens vazias e limpas ( que estragam rápido e precisam ser repostas );

* 1 toalha;

* 1 lençol;

* Elásticos de dinheiro;

* 2 mesas;

* 1 caixa para guardar tudo isso.

Colocamos uma mesa virada de ponta-cabeça em cima da outra na posição normal, e com o lençol a cobrimos, montando uma espécie de barraquinha. Na parte de baixo forramos com toalha, e prendemos o lençol com elásticos nos próprios pés da mesa. Colocamos lá dentro a impressora velha junto com a calculadora ( “caixa” ), uma caixa com o dinheirinho de brinquedo, as embalagens que tínhamos e algumas frutas de brinquedo. Em pouco tempo, os papéis foram definidos entre as crianças e o mercado começou a funcionar. As donas ( e donos! ) de casa faziam as compras e levavam logo para a casinha, que era o cantinho que ficava logo ali do lado, para cozinhar, limpar ou tomar um bom banho e se enfeitar… Os comerciantes se divertiram vendendo, negociando e contando dinheiro. Foi bem legal!

Depois da brincadeira conversamos sobre a experiência e como podíamos fazer para que ela durasse mais tempo – por exemplo, tomando mais cuidado para que as embalagens não estragassem muito rápido. Percebemos também que podemos incrementar o mercadinho, com papel pra fazer notas, sacolas pra carregar as compras, mais embalagens.

O mercadinho visto de longe, com as mesas viradas e os produtos "na banca"

Por que a brincadeira do mercadinho é um recurso pedagógico eficiente e divertido?

* Por ser uma atividade que as crianças conhecem bem na rotina de sua família, eles podem criar e recriar muitas situações diferentes e vivências sociais interessantes;

* A calculadora e o dinheiro são importantes portadores numéricos sociais, e estimulam as crianças a pensarem sobre valores, trocas, compensações, quantidades, algarismos e números;

* As crianças aprenderam, com essa experiência, que podem montar um canto diferente, o que pode abrir a porta para muitas outras brincadeiras que queiramos organizar daqui pra frente;

* Virar a mesa, colocar lençol e fazer outras mudanças estruturais na sala deu um “clique” na cabeça das crianças – o que imediatamente rendeu uma outra brincadeira. Usando as cadeiras, as crianças fizeram, sem nenhuma ajuda minha, um “ônibus” para ir ao mercado, e ali outras vivências começaram a acontecer – brincar de dirigir, pagar a passagem, ir a outros lugares… Creio que daqui por diante vou observá-los fazer muitas mudanças como essa, criando outras brincadeiras e espaços de criação artística e vivência social. As crianças perceberam que, ao modificar o ambiente, podem modificar também o próprio jeito de brincar, e isso é ótimo!

Um ônibus para ir ao mercado!

Eu volto pra contar como anda o nosso cantinho do mercado!

Professora Karina Cabral

Nuvem de tags