EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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O NOSSO DESEJO PARA 2014

BEM VINDAS, PESSOAS!

Por Professora Karina Cabral

Pessoas, sejam bem vindas a nossa escola!

A EMEI Jardim Monte Belo foi feita para os filhos e filhas de vocês. É uma escola pública, que todos pagamos com nossos impostos. Ela tem salas de aulas que são feitas para crianças pequenas – por isso, nessas salas, os móveis, os brinquedos, a disposição dos espaços – tudo isso foi pensado para elas. Aqui tem lugar para comer, para brincar sob o sol, para se molhar. Tem banheiros, tem corredores, tem pátio, quadra, ateliê de artes. Quem sabe consigamos fazer um jardim ou uma horta, pintar os muros e torná-la mais bonita. Mas ela já é linda. Tem livros, muitos livros. E brinquedos. Lugares onde as crianças podem se movimentar com liberdade e descansar, quando quiserem. Um lugar que é nosso, de todos nós.

Pessoas, sejam bem vindas em nosso grupo.

Aqui trabalham pessoas. Uma equipe que educa. Não importa se estamos assinando papéis, atendendo telefone, dirigindo uma perua, cuidando do portão, cozinhando, limpando, falando com as crianças na sala de aula, resolvendo problemas – estamos sempre trabalhando pelas crianças. Nós somos pessoas, e como pessoas, temos uma identidade, um jeito de ser, uma história, uma formação. E nós gostamos de pessoas. Não importa a cor da sua pele, a sua religião, a sua idade, o seu estilo de vida, não importa como é a sua família ou o lugar de onde você veio. Fazemos questão de que, aqui, todos os meninos e meninas sejam tratados com respeito por serem crianças… Por serem pessoas.

Pessoas, sejam bem vindas para partilhar das nossas ideias.

Acreditamos em muitas coisas, e queremos que, aos poucos, vocês compartilhem dessas crenças também. Defendemos a infância, o direito da criança ao brincar, o acesso dos pequenos e pequenas à cultura, à ciência, à convivência pacífica, à alegria. Não estamos só preocupadas em fazer uma escola onde a criança aprenda ou decore coisas, mas estamos preocupadas em dar a elas momentos onde possam se apaixonar pelo conhecimento e vencerem o desafio de conhecer a si mesmas e outros seres humanos.

Pessoas, sejam bem vindas para somar na nossa militância.

Acreditamos em gestão democrática. E isso significa que lidamos com transparência e respeito com as famílias. Queremos vocês aqui dentro tirando dúvidas, participando do Conselho de Escola, verificando as contas financeiras, dando a opinião de vocês. Queremos que vocês compreendam como as coisas funcionam, que se coloquem, que lutem conosco quando for necessário, que busquem o direito de seus filhos e filhas a uma educação de qualidade.

Pessoas… Sejam todas bem vindas ao nosso sonho.

O sonho de uma escola onde seu filho ou sua filha possa aprender, conviver e ser criança em plenitude. Nem sempre vamos acertar. Mas queremos você conosco. Agradecemos a sua confiança… E nos colocamos abertas ao diálogo. O nosso sonho é uma escola de qualidade que a gente construa juntos… E, a partir de agora, vocês estão convidadas a sonhar conosco.

Bem vindas, pessoas!

Um ótimo 2014 para nós.

EMEI JARDIM MONTE BELO – 10 ANOS TRANSFORMANDO E HUMANIZANDO O ESPAÇO FÍSICO

Por Regina Celia Soares Bortoto

Enfim, a palavra emotiva da diretora Regina, que explica a delicada e forte relação entre escola e comunidade por ocasião dos 10 anos da nossa EMEI


O título acima foi escrito em 2002 num dos livros pedagógicos desta Escola. Nada mais atual que esse título, pois esta Escola, que nasceu desejada como a um filho querido, continua em busca da transformação e humanização do espaço físico.

Essa característica original é preservada por seus funcionários através do sonho permanente de construir uma Escola de qualidade para os filhos dos trabalhadores que moram num dos montes mais belos desta região por sua geografia, por sua natureza e por sua população organizada. Quem aqui chegou primeiro certamente ficou assustado com os desafios com os quais se depararam. Foram corajosos. Mas era isso, ou seja, lutar sem trégua… Ou se contentar com o abandono do poder público. Sem luz, sem água tratada e encanada, sem asfalto, sem rede de esgoto, sem coleta de lixo, sem transporte, sem equipamentos públicos… Enfim sem quase nada—e com muito sofrimento.

Hoje, só podemos olhar com muito orgulho ao nosso redor, ver tudo que melhorou, e dar parabéns a todos que fizeram parte dessa História. Passados 10 anos, o Jardim Monte Belo, bem como a EMEI que carrega o mesmo nome, mudaram muito, causando sensações, sentimentos e opiniões. Moradores ergueram suas casas com as próprias mãos para abrigar suas famílias. Na mesma medida, professores e demais funcionários que por aqui passaram ou que por aqui ficaram edificaram um lugar para abrigar conhecimento.

Assim como os moradores, esses funcionários amassaram muito barro, passaram muito calor, muito frio, na escola de latinha, na escola de madeira, ficaram sem água, ou sofreram com a enchente, correram atrás de prefeito, de secretário da Educação, de subprefeito, de padre, de líderes comunitários… Não pouparam energia física e mental por acreditar e principalmente por amar o que fazem, lembrando realmente o Educador Paulo Freire que dizia “que não se faz Educação sem amor”.

Sinto-me feliz e muito à vontade para afirmar pela gestão – Regina, Valéria e Meire— que trabalhar nesta EMEI é dar a cada dia de trabalho um significado novo, pois contamos com um grupo de professoras e funcionários dispostos a pensar a Educação Infantil pra valer. São Educadores que conseguem transitar pela teoria e prática sem perder o rumo e a paixão. Cuidam com carinho, mas com a autoridade e responsabilidade de um adulto que Educa, sabendo discernir a hora de elogiar, advertir ou impor limites sem temer as conseqüências, porque refletem constantemente o seu fazer pedagógico.

Pessoas dedicam parte de suas vidas dentro deste prédio; e cada criança que entra pelo portão, trazida pelas mãos das monitoras do transporte escolar ou pelas mãos de sua família—pais, mães, irmãos, avós, avós, primos, primas, cuidadoras – é carinhosamente acolhida e tratada como seus filhos e filhas. Educadores atentos ao aprendizado escolar de crianças que não são vistas apenas como um número de matrícula, mas como seres completos aqui e agora, com sonhos, opiniões, direitos e ávidos por experimentar a vida.

Hoje, relembro e entendo alguns cumprimentos que recebi quando em 2010 para cá me removi. Foram manifestações de elogios—você vai adorar a Escola, você teve muita sorte, você vai trabalhar com uma Coordenadora Pedagógica que entende muito de Educação Infantil, você vai ver que grupo maravilhoso de professoras.. Expressando e reconhecendo o quanto esta EMEI é especial, composta por funcionários comprometidos com uma Educação de qualidade, que desenvolvem projetos voltados para a formação de sujeitos autônomos e capazes de viver e conviver com o outro com respeito e solidariedade.

Conhecer de perto e respeitar essa comunidade é o que possibilita  construir uma Escola onde as crianças sintam o mesmo prazer em ficar seja na classe, no parque, na quadra, na sala multiuso, no refeitório, ou em qualquer dependência, livres e felizes como se estivesse em suas próprias casas.

Sabemos que temos muito a fazer pelo nosso espaço ainda. Tratamos disso com muita seriedade. Ainda bem que não estamos sós, podemos contar com um Conselho de Escola e uma Associação de Pais e Mestres muito atuante e forte. Acreditamos que juntos e organizados somos co-autores de uma obra em constante movimento de vir a ser.

Por fim, só cabe dar parabéns a todos Educadores desta Escola que acreditam nos tempos de hoje que a Educação é uma ferramenta que contribui na formação de seres humanos capazes de compreender, intervir e transformar a realidade em que vivem.

TODOS SÃO INCLUÍDOS

Por Professora Karina Cabral

Toda vez que a palavra inclusão é mencionada no ambiente escolar, logo imaginamos “incluir” alguém com uma deficiência explícita. Pensamos em alguém com cadeiras de rodas, alguém com um transtorno mental ou psíquico, alguém que não ouve, não fala ou não escuta bem e que precisará de ajuda extra para conviver e aprender em um ambiente com outras pessoas ditas “normais”.

Toda essa fantasia em torno da deficiência torna mais difícil a discussão e o amadurecimento de educadores e famílias. Minha experiência com meus alunos ditos deficientes me fez acordar para uma realidade – a diferença ( seja ela uma deficiência, uma qualidade, ou simplesmente uma característica ) faz parte do humano. E por isso, todos, em algum momento de nossas vidas, precisamos ser incluídos.

Fiquei pensando nas centenas de crianças que cruzaram comigo nesta vida. Cada um era de um jeito, cada um me via de um jeito, para cada um dei coisas diferentes de mim, de cada um recebi coisas diferentes. Tímidos, agressivos, falantes, inteligentes demais, arredios, desconcentrados, lunáticos, medrosos, gordinhos, magérrimos, crianças com alguma necessidade alimentar ou de saúde sutil, carentes, mimados, agitados, terríveis, abandonados, chatos, malvados, tristinhos ou alegrinhos, famílias complicadas… Cada um deles mereceu de mim um olhar especial, momentos de dedicação, uma conversa individual, um carinho diferente. Entre eles, estão as crianças deficientes. Faz parte da profissão de um educador acolher a diferença, e ao mesmo tempo, incentivar o grupo a ser um grupo de verdade.

Fiquei pensando nas vezes em que eu fiquei deficiente de algo por algum motivo. E nas deficiências que tenho até hoje. Quando torci o pé e precisei de uma rampa no meu local de trabalho, pensei na vida das pessoas que usam cadeiras de roda e muletas todos os dias. Não faz muito tempo tive uma conjuntivite fortíssima, e pensei como é horrível letras tão pequenas pra indicar as coisas em quase todos os lugares, quando a gente mal consegue ver. Penso nas minhas dificuldades que não consigo resolver, nas minhas incapacidades, nas coisas que não consegui aprender. Penso nas vezes em que não fui aceita em um grupo ou lugar por não corresponder às expectativas dos outros, pré-julgada. Tudo isso doeu, mas passou. Imagino como deve ser reviver isso todos os dias, todas as horas.

Convivendo com essas crianças, percebo que mais do que a consciência racional de uma deficiência, seja ela qual for, é preciso sensibilidade e firmeza para encará-la e transpô-la.

A verdade é que todos precisamos ser incluídos. E aí está o bonito e o difícil da coisa – se é ao nos confrontarmos com outros que nos damos conta das nossas diferenças, é também na empatia do que nos faz iguais que encontramos o conforto e a superação. E somos iguais por sermos humanos. Isso não é diferente pra nenhum de nós.

INCLUIR É UMA OPÇÃO!

O que caracteriza um educador não é o nome do seu cargo, nem se ele trabalha nos corredores da escola, na cozinha, na secretaria ou dentro da sala de aula – verdadeiro educador é aquele que trabalha pra valer contribuindo com tudo que pode, assumindo postura envolvida, investigativa, interessada e sensível em relação às crianças. Ana, uma de nossas ATEs ( inspetoras ), mostra, em seu relato sensível, a qualidade de seus ideais e de seu trabalho junto aos pequenos

INCLUIR É UMA OPÇÃO!

Por Ana Damasceno Nascimento

Olá!

Eu sou Ana, trabalho há quase três anos na EMEI Jardim Monte Belo, e o meu cargo é de ATE I – Inspetora ( Auxiliar Técnico Educacional ). Minha função na escola é auxiliar os pequenos na higiene, na alimentação, e também quando infelizmente eles estão mal de saúde ou sofrem algum acidente. Quando necessário, auxilio as professoras nas classes. Faço a entrada e saída das crianças… E onde precisarem de mim na escola, eu ajudo.

Falar de inclusão, para mim, é falar de uma via de mão dupla. Por quê? Aprendi que quando se matricula uma criança com necessidades especiais em minha escola, ela será, sim, inclusa neste novo convívio social. Mas eu, como educadora, também terei que ser inclusa na realidade dela, em seu mundo.

Tenho tido experiências indescritíveis com essas crianças… Experiências que levarei para onde eu for.

Quando comecei a trabalhar na EMEI Jardim Monte Belo, me deparei com pessoas que, querendo ou não, me assustaram, descrevendo como seria a minha realidade com alunos de inclusão. Confesso a vocês que “tremi na base”, senti medo de não saber o que fazer. Foi então que conheci o Rafael, a Vitória e o Diego. Realmente, era tudo muito diferente para mim. Por exemplo, o Rafa… Ele ia ao banheiro, mas se eu descuidasse, fazia a maior sujeira… Fora que, na hora do lanche, ele cismava de brincar de pega-pega – só que era eu quem corria atrás dele…

Não vou ser hipócrita dizendo que tudo eram flores, pois não era. Mas quando comecei a ver essas diferenças, na verdade, meus olhos mudaram… Eu comecei a ME incluir. Percebi que quando o Rafa sujava o banheiro, a sua sujeira era porque estava tentando se limpar sozinho; que quando babava demais é porque estava muito feliz com tudo que vivia na escola; e o melhor: ele entendia que eu o amava… Sinto que ele percebia o carinho das pessoas e respondia a isso do jeito dele.

Cá entre nós, me entristeço quando essas crianças têm que partir da nossa escola. Sei que lá fora há pessoas que não acreditam que é possível. A todo momento, essas crianças terão que lidar com a sorte… Sorte de cair em uma escola legal, sorte de ter quem pense sobre isso por perto, sorte de ter uma professora ou uma funcionária que abrace essa causa.

Se os educadores não optarem por dar continuidade a um trabalho como esse com essa criança, haverá a regressão… Eles estarão cada vez mais longe da autonomia, da dignidade de serem pessoas inteiras, dos seus direitos de cidadão… Do seu desenvolvimento pessoal.

Sei que o diferente, muitas vezes, assusta. Mas o que é mais aterrorizante é a indiferença!

Ana Damasceno Nascimento

AUTONOMIA SE APRENDE AQUI!

Atualmente são muitas as demandas da educação infantil. Socialização, inserção cultural, aprendizados de conhecimentos, desenvolvimento sócio-afetivo-cultural, enfim, tarefas diversas e complementares.

Nosso papel enquanto educadores é o de oportunizar as mais diversas vivências e desenvolver na criança capacidades e habilidades para que seja sujeito de sua existência hoje e no futuro, com responsabilidade, autonomia e valores para conviver em grupo.

Quando olhamos uma criança de 4 anos que, ao chegar à escola tem medo do desconhecido e, passados alguns meses, ao olharmos para esta mesma criança enxergarmos que já é capaz de se movimentar pelos espaços escolares, ir ao banheiro quando sente vontade, vivenciando experiências com seus colegas, experimentando sensações, se servindo na hora das refeições, temos uma visão do desenvolvimento humano que a escola propicia e que vai além do ensino de conteúdos.

É uma educação comprometida com os diferentes aspectos do desenvolvimento humano, onde cuidar e educar se entrelaçam e são consideradas as necessidades e o tempo de cada um para se desenvolver.

Desenvolvemos nossa identidade enquanto grupo partilhando conhecimentos, costumes, valores, enfim, tudo o que é necessário para um bom relacionamento na sociedade.

Todos somos sujeitos neste processo, pois ao nos relacionar estamos compartilhando experiências, pensamentos, estamos interagindo e nesta interação há trocas que nos enriquecem enquanto pessoas, fazendo com que repensemos processos, ações, provocando mudanças ou adaptações necessárias à nossa existência.

Educar não é tarefa de um, mas de todos os interessados no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e mais humana!

Professora Cláudia R. Moura

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