EMEI Jardim Monte Belo – um lugar pra ser feliz!

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QUE PESSOAS DEIXAREMOS PARA O NOSSO MUNDO?

Por Professora Karina Cabral

Este foi o texto trabalhado por todas as educadoras na última reunião de pais e mães. Ele veio de uma necessidade cada vez maior de discutir as questões do preconceito, discriminação e intolerância em nossa sociedade, como elas afetam a nós mesmos e como chegam às crianças. Essa necessidade veio de situações reais que vimos e vivemos com os pequenos, e que nos assustam… Mas também nos acordam. O texto calou fundo nos representantes das famílias. Aqui partilhamos com vocês!

Olá, famílias!

Como educadoras, gostaríamos de começar com vocês uma conversa difícil, mas necessária. É uma conversa que devemos fazer não apenas na escola, mas na sociedade como um todo. Ela diz respeito a três coisas que nos ferem, como pessoas e como comunidade: O PRECONCEITO¹, A DISCRIMINAÇÃO² E A INTOLERÂNCIA³ – problemas que, frequentemente, resultam em violência (física ou psicológica).

Nossas crianças são pequenas ainda, mas já têm formadas muitas ideias sobre o mundo. Observam não apenas o que dizemos, mas também cada uma de nossas ações, e a partir disso, refletem e constroem suas visões sobre elas mesmas, sobre as outras pessoas e sobre as coisas. E, mesmo tão pequenas, muitas vezes, elas já nos mostram atitudes preocupantes em relação à aceitação de outras pessoas.

Aqui na escola as crianças convivem muito e têm o direito de expressarem o que pensam e o que sentem. Cada uma delas vem de uma família, uma origem, tem uma cor de pele, uma religião, um jeito de ver a vida. Cada criança aqui teve experiências diferentes das outras e tudo isso faz com que elas sejam quem são; a isso chamamos de identidade. Do momento de nossa concepção, até envelhecermos, estamos sempre fazendo e refazendo as linhas de nossa identidade.

E se cada um tem uma identidade (que, como nossa impressão digital, é única no mundo), e se todos somos diferentes, certamente, ao nos relacionarmos com outras pessoas, estranharemos essas diferenças. É normal que as crianças se sintam curiosas acerca das diferenças, físicas ou psicológicas, que enxergam em outras crianças. Mas é o momento de mostrarmos pra elas que o diferente não é melhor nem pior, é apenas diferente. Nossa obrigação, como pessoas, como cidadãos e cidadãs, é respeitar toda e qualquer pessoa, seja ela como seja.

Aqui na escola convivemos com muitas crianças e sabemos o quanto elas, mesmo parecendo inocentes, podem ser cruéis. Identificamos, diariamente, situações de preconceito, discriminação e intolerância, contra as quais nos posicionamos firmemente como educadoras. Algumas delas:

  • Etnia: crianças que dizem “não gostar” de outras de pele negra; comentários sobre cabelos crespos, dizendo que são “feios” ou “ruins”, comentários maldosos sobre características físicas.
  • Gênero: crianças que não deixam os amigos ou as amigas brincarem por ser “brincadeira de menino” ou “menina”; meninos que se referem às colegas como “piriguetes” ou “vagabundas” (e outros nomes piores); crianças que repreendem colegas que choram dizendo que “homem não chora”.
  • Econômico/ Social: crianças que se referem com desprezo às funcionárias da limpeza, crianças que dizem que a mochila do amigo é “de pobre”, crianças que exibem um brinquedo, roupa ou pertence dizendo que o outro “não tem” ou “não pode comprar”.
  • Estético: crianças que ofendem ou zombam de colegas gordos ou obesos; crianças que não querem brincar com um amigo por achá-lo “feio”; crianças que riem de outras por alguma característica física.
  • Deficiência/dificuldade: crianças que se negam a entender as prioridades que são dadas aos colegas cadeirantes; crianças que riem dos outros por precisar de apoio (óculos, botas especiais, etc), ou por serem mais lentos ao andar ou brincar.

Cada vez que uma coisa assim acontece, nós conversamos com as crianças – as que magoam e as que são magoadas – para tentar conscientizá-las sobre a gravidade de excluir, discriminar ou desrespeitar uma pessoa. Mas não é uma tarefa fácil. Especialmente quando as crianças justificam suas ações citando a família – pais, mães, irmãos e irmãs, avós e avôs, tios e tias – como referência e modelo de comportamento.

Por isso, queremos que esta carta sirva de reflexão para vocês… Para que possam pensar sobre a responsabilidade que é educar uma criança para que seja uma pessoa íntegra, que conversa bem com todos e todas e que respeite as pessoas.

Para tanto, vocês, adultos referência, educadores responsáveis, família… Precisam observar bem suas próprias atitudes, a maneira como expressam suas crenças e conversar com elas sobre tudo isso. Precisam ser firmes em mostrar a elas o que esperam delas, e o que desaprovam em seus comportamentos. E acima de tudo, precisam dar bons exemplos e modelos de referência para elas.

Quando elas veem que vocês respeitam os outros; que os homens não xingam nem agridem mulheres; que vocês falam educadamente com todas as pessoas, que não discriminam ninguém, que não querem impor suas ideias, que não fazem piadas sobre características ou problemas de ninguém, que estão sempre espalhando paz e harmonia, evitando brigas e confusões… Que cuidam do que elas veem na televisão, ouvem no rádio, veem na internet, na rua, na igreja, nas festas… Que tomam cuidado para salvar a infância delas e não falar de assuntos inapropriados na frente delas… Em tudo isso, vocês estão educando-as para ser aquele tipo de humano com quem se deseja conviver, que respeita os demais e que ajuda na construção de um mundo bom de fato – bom para todos e todas!

Não é fácil, mas é possível. Precisamos da ajuda de vocês!

E certos da colaboração… Já agradecemos!

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

Educadoras da EMEI Jardim Monte Belo

 

 

 

 

  1. “Preconceito” se refere a ideia que temos sobre algo antes de conhecer, pré-julgando.
  2. “Discriminação” é uma ação agressiva de excluir alguém de alguma situação por ele ou ela ser como é.
  3. “Intolerância” é uma postura de não aceitar nada diferente.

 

O NOSSO DESEJO PARA 2014

BEM VINDAS, PESSOAS!

Por Professora Karina Cabral

Pessoas, sejam bem vindas a nossa escola!

A EMEI Jardim Monte Belo foi feita para os filhos e filhas de vocês. É uma escola pública, que todos pagamos com nossos impostos. Ela tem salas de aulas que são feitas para crianças pequenas – por isso, nessas salas, os móveis, os brinquedos, a disposição dos espaços – tudo isso foi pensado para elas. Aqui tem lugar para comer, para brincar sob o sol, para se molhar. Tem banheiros, tem corredores, tem pátio, quadra, ateliê de artes. Quem sabe consigamos fazer um jardim ou uma horta, pintar os muros e torná-la mais bonita. Mas ela já é linda. Tem livros, muitos livros. E brinquedos. Lugares onde as crianças podem se movimentar com liberdade e descansar, quando quiserem. Um lugar que é nosso, de todos nós.

Pessoas, sejam bem vindas em nosso grupo.

Aqui trabalham pessoas. Uma equipe que educa. Não importa se estamos assinando papéis, atendendo telefone, dirigindo uma perua, cuidando do portão, cozinhando, limpando, falando com as crianças na sala de aula, resolvendo problemas – estamos sempre trabalhando pelas crianças. Nós somos pessoas, e como pessoas, temos uma identidade, um jeito de ser, uma história, uma formação. E nós gostamos de pessoas. Não importa a cor da sua pele, a sua religião, a sua idade, o seu estilo de vida, não importa como é a sua família ou o lugar de onde você veio. Fazemos questão de que, aqui, todos os meninos e meninas sejam tratados com respeito por serem crianças… Por serem pessoas.

Pessoas, sejam bem vindas para partilhar das nossas ideias.

Acreditamos em muitas coisas, e queremos que, aos poucos, vocês compartilhem dessas crenças também. Defendemos a infância, o direito da criança ao brincar, o acesso dos pequenos e pequenas à cultura, à ciência, à convivência pacífica, à alegria. Não estamos só preocupadas em fazer uma escola onde a criança aprenda ou decore coisas, mas estamos preocupadas em dar a elas momentos onde possam se apaixonar pelo conhecimento e vencerem o desafio de conhecer a si mesmas e outros seres humanos.

Pessoas, sejam bem vindas para somar na nossa militância.

Acreditamos em gestão democrática. E isso significa que lidamos com transparência e respeito com as famílias. Queremos vocês aqui dentro tirando dúvidas, participando do Conselho de Escola, verificando as contas financeiras, dando a opinião de vocês. Queremos que vocês compreendam como as coisas funcionam, que se coloquem, que lutem conosco quando for necessário, que busquem o direito de seus filhos e filhas a uma educação de qualidade.

Pessoas… Sejam todas bem vindas ao nosso sonho.

O sonho de uma escola onde seu filho ou sua filha possa aprender, conviver e ser criança em plenitude. Nem sempre vamos acertar. Mas queremos você conosco. Agradecemos a sua confiança… E nos colocamos abertas ao diálogo. O nosso sonho é uma escola de qualidade que a gente construa juntos… E, a partir de agora, vocês estão convidadas a sonhar conosco.

Bem vindas, pessoas!

Um ótimo 2014 para nós.

CORAGEM E AMOR

Texto trabalhado com algumas classes na reunião de pais da nossa EMEI, a partir das nossas dificuldades em educar as crianças para a cultura da paz, para o contato saudável com o outro, para a consciência ambietal e social. Precisamos das famílias conosco nessa difícil tarefa de lutar contra a mídia, o consumismo e o individualismo em favor de um mundo melhor!

O texto foi muito bem recebido pelos pais presentes, e partilhamos aqui com vocês também.

 

CORAGEM E AMOR

 Por Professora Karina Cabral

Nos meus sonhos adolescentes, quando sonhava com a família que eu queria ter no futuro, eu pensava, em minha ingenuidade, que para ser mãe ou pai bastava ter muito amor. Afinal, o que mais uma criança pode querer ou precisar de um adulto, se não ser amada?

Mas bastou viver mais alguns anos para perceber que não é bem assim. Hoje, em pleno ano de 2012, estamos vendo crescidos os primeiros adultos da geração que foi criada só com amor. Educados com rigor, falta de diálogo e violência no passado, os pais e mães acharam que bastaria amar seus filhos para que fossem felizes. E o resultado é assustador. Estamos construindo um mundo estranho e triste, onde milhares de pessoas cansadas, sem ideais, ansiosas, deprimidas, agressivas tentam se entender umas com as outras, sem sucesso. Ter a carteira cheia de dinheiro é muito mais importante do que ser uma pessoa capaz de amar ao próximo. Conhecimento, cultura, reflexão viraram pura perda de tempo. Coisas como honestidade, caridade, respeito, fidelidade caíram em desuso. É muito fácil se destruir com drogas, bebidas, violência gratuita. Pouca gente se lembra de como conseguir as coisas sem mentir, trapacear, tirar vantagem. Esforçar-se, instruir-se, virou piada. É a mídia que dita quem é bonito e quem é feio, quem é esperto e quem é lerdo, quem é bem sucedido e quem é perdedor. E o consumismo e desperdício desenfreado estão acabando com o planeta e com as pessoas. Que cenário triste vai se pintando adiante para a humanidade…

Percebi que para criar um filho ou uma filha é preciso mais que amor. Muito mais que dinheiro. Muito mais que condições ideais. É preciso muita, mas muita coragem. E é por isso que suplico… Pais e mães, pelo amor que nutrem por seus filhos, tenham coragem!

Tenham coragem de não deixar que eles vejam de tudo na televisão, no vídeo game ou no computador. Violência, maus exemplos, besteirol, temas adultos, coisas que não acrescentam nada à educação das crianças pode e deve ser vetado por vocês. Tenham coragem também de pensar sobre as músicas que eles ouvem, as revistas que folheiam, os lugares onde vão. Tenham a coragem de parecerem antiquados o suficiente para garantir a infância de suas crianças, com toda pureza e alegria que ela precisa.

Pais e mães, tenham coragem de colocar regras claras e coerentes dentro de suas casas. Façam refeições saudáveis, de preferência juntos. Tenham horários para dormir. Tenham tempo para conversar. Tenham momentos em que todos os aparelhos – telefones, televisores, computadores – serão desligados para que vocês, como família, se liguem uns aos outros pelo contato, pelo afeto, pelo carinho, pelo olho no olho, pelo toque. Tenham coragem de desagradar suas crianças ao pedir que guardem o que espalharam, que limpem o que sujaram, que corrijam o que estragaram, que assumam o que disseram. Tenham a coragem de negar presentes, guloseimas, passeios, vontades, mesmo que tenham dinheiro para comprar o mundo inteiro.

Pais e mães, por favor, por este mundo que é nosso, tenham coragem de refletir sobre valores com seus filhos! Digam a eles que não é certo pegar o que é dos outros. Que não é bom rir ou caçoar de alguém em dificuldades. Que não temos só direitos, mas também deveres. Que ninguém tem sucesso puxando o tapete dos outros. Que não se resolve as coisas na pancadaria. Ajudem seus filhos a aprender que nada se consegue sem esforço, sem luta, sem planejamento… Sem ajuda. E ensinem também a agradecer quem os ajudou, e a pedir licença, e a pedir desculpas. Digam a eles que devemos respeito aos outros, tenham a idade, sexo ou história que tiverem. Que não se julga uma pessoa por sua aparência ou suas posses. Que não se desfaz de um amigo por uma vantagem qualquer. Que não nos envergonhamos de nossa origem e nem de nossa história. Tenham coragem de enfrentar seus filhos quando eles se zangarem. Não deixem que agridam as pessoas, que joguem coisas no chão, que gritem com quem mal conhecem. Ensinem a eles que quem tem razão fala baixo, sabe esperar e mantém a calma.

Pais e mães, tenham a coragem de rever a si mesmos para ser exemplo a seus filhos. Pensem duas vezes antes de xingar aquela pessoa no trânsito, antes de fofocar sobre a vida de outras pessoas, antes de discriminar alguém, antes de tratar mal quem os está servindo, antes de discutirem questões do casal agressivamente na frente de seus filhos. Afastem deles todo o vestígio de álcool, drogas, violência dentro de suas casas. Pensem bem antes de dizer uma coisa e fazer outra, antes de mentir, de fingir. Não desanimem de instruir, todos os dias, seus filhos sobre os perigos e coisas ruins do mundo. Cuidem do planeta, comprem menos coisas, reflitam mais.

Pais e mães, tenham coragem de ensinar a condição frágil da humanidade aos seus filhos! Digam a eles que nem tudo sempre vai dar certo, mas que estarão sempre perto para ampará-los, protegê-los, amá-los o quanto puderem. Digam que no mundo há dor, há tristeza, há maldade, há perigo. Digam que há dias difíceis, que há injustiças, que há coisas horríveis acontecendo, e a nós cabe não silenciar e lutar contra tudo que for ruim. Ensinem a essas crianças desprotegidas que precisam cuidar de si mesmas. Tratem-nas como bebês no coração, mas deixem que cresçam, que aprendam a comer, a se limpar, a amarrar os próprios cadarços, a viver as próprias experiências o quanto antes. Enxerguem os seus defeitos, suas limitações, suas dificuldades e deficiências, e por mais que seus filhos sejam especiais e únicos, deixem que convivam com outras pessoas para que aprendam que também são só mais uma pessoa na humanidade, como todas as outras.

Pais e mães, tenham coragem de assumir a educação de seus filhos. Não deixem para que a babá, a professora, o padre, o pastor, a televisão, a mídia ou outros jovens façam isso em seu lugar. São vocês, e ninguém mais, quem pode ensinar o que eles precisam saber; os outros são apenas parceiros, mas vocês são os responsáveis. Por isso, arrumem tempo e disposição para os seus filhos, para estar com eles, para acompanhá-los. Valorizem as experiências deles, ouçam, sorriam, entristeçam-se, mas não os abandonem por aí!

Acima de tudo, pais e mães, tenham coragem de encarar a realidade – ao embalar seus filhos, estão embalando o próprio futuro do mundo. Ter coragem é fazer deste mundo algo melhor do que é hoje. Ter coragem é amar. De verdade.

 

DIA 12 TEM REUNIÃO DO CONSELHO DE ESCOLA!

Na última sexta-feira, dia 04 de março, mesmo debaixo de chuva, um bom grupo de pais e mães compareceram à EMEI para conversar sobre o Conselho de Escola.

Foi um papo agradável sobre o que é o conselho, como ele se organiza e como é importante participar para fazer da escola um lugar de alegria e cidadania para todos que andam por lá. Muita gente saiu animada para participar!

Nosso Conselho de Escola tem crescido ao longo dos anos, em quantidade de participantes e na qualidade das ações. Cada vez mais estamos aprendendo, juntos, o que é de fato a gestão compartilhada da escola, e o papel de cada um na construção de uma escola pública cada vez melhor para todas as crianças.

Você está mais do que convidado a participar da primeira reunião ordinária do Conselho de Escola da EMEI Jardim Monte Belo do ano de 2011! Será no próximo sábado, dia 12 de março, às 10h30. Nesta reunião vamos eleger os novos membros, discutir questões importantes sobre a organização da escola, conhecer melhor as metas pedagógicas e administrativas para este ano e falar sobre as comemorações dos 10 anos da EMEI.

Lembrando que TODOS os interessados podem participar e se candidatar a ser representante do seu segmento, e mesmo quem não for eleito pode e deve continuar frequentando as reuniões e dando sua opinião.

Se você quer entender melhor o que é o Conselho de Escola, clique no link abaixo e leia o material de apoio:

ACEITA UM CONSELHO – Power Point informativo sobre o Conselho de Escola

CONTAMOS COM VOCÊ!

“Digo: o real não está nem na saída e nem na chegada. Ele se dispõe pra gente é no meio da travessia…”

Guimarães Rosa

 

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