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ENTORNANDO UM BAÚ DE HISTÓRIAS

     

 ENTORNANDO

UM BAÚ

DE HISTÓRIAS

                        

    Contar e ouvir histórias faz parte da experiência humana há    muito tempo.

      O fascínio pelo universo imaginado por outros, seja ele  próximo ou distante de nossa realidade, nos estimula a criar imagens mentais, viajar, sonhar, e viver além do mundo concreto. Não só crianças gostam de histórias, que nos digam as novelas e as centenas de  filmes produzidos anualmente mundo afora.

Em nossa escola há um momento, todos os dias, de contato das crianças com as histórias, pois acreditamos ser essa a maneira mais gostosa e eficaz de aproximar a criança do mundo da leitura e da escrita. O acervo de livros, que já não era pequeno, foi recentemente enriquecido com mais de 100 títulos de excelente qualidade de texto e ilustração.

Percebemos que as histórias lidas ou contadas pelas professoras permitem que a criança entre num mundo de sonhos onde as letras e as palavras ganham novos significados e convidam-na a aprender a  pensar sobre o mundo, a imaginar, a criar e a ler as imagens e as palavras. Só que tudo isso de um jeito gostoso, respeitando seus interesses, seu modo próprio de aprender e seu ritmo.

      Visando aprimorar nossas práticas, em 2010 aderimos a um projeto da PMSP* que, em parceria com a Fundação Victor Civita, busca estimular a leitura para as crianças pequenas nas unidades educacionais de São Paulo. O  PROJETO ENTORNO teve como objetivo inicial fomentar o gosto pela leitura, propiciar vivências diferenciadas para as crianças e promover a troca de indicações e de experiências entre as crianças de uma mesma faixa etária.

Foram realizados vários encontros na DRE de Pirituba onde, com a ajuda das formadoras Rosângela e Márcia, houve subsídios para a discussão sobre as possibilidades e os encaminhamentos necessários para a realização da leitura de contos nos momentos de leitura simultânea.

O projeto apresenta, entre outras coisas, a  proposta de leitura, na íntegra, da história escolhida, buscando respeitar o texto tal como escrito pelo autor. Nós educadoras estudamos, lemos, conversamos sobres histórias, livros, modos de ler, de contar… Revisamos nossas práticas relacionadas ao letramento e começamos a desenvolver o projeto.

As trocas foram muito produtivas entre as educadoras e o resultado delas ficou evidente no sucesso da ação.

Pensamos nos 3 momentos que envolveriam a leitura da história: o que faríamos com as crianças antes de ler, como seria a leitura propriamente dita e o que ocorreria após a leitura.

PASSO 1- ESCOLHA DOS LIVROS

          Cada contadora de histórias escolheu o livro que desejava ler, pensou como faria a leitura, em que lugar, qual seria a entonação, etc… Após a escolha cada uma elaborou uma resenha convidando as crianças para participar da contação e fixou-a em local visível.

PASSO 2- LEITURA DAS RESENHAS

          As professoras levaram as crianças até as resenhas, exploraram com elas as capas dos livros, fizeram a leitura do texto e conversaram sobre cada história. Também contaram para as crianças da necessidade de escolher apenas um livro pra ouvir a história.

PASSO 3- ESCOLHA DOS LIVROS

As crianças tiveram oportunidade de “visitar” a exposição de resenhas muitas vezes enquanto andavam pelos corredores da escola e comentavam todo o tempo sobre as histórias que desejavam conhecer. Eram conversas de leitores, tipo as que acontecem nos corredores das grandes lojas de livros ou das bibliotecas: “vou ver esse porque gosto muito de jacarés”, “quero saber de lobos, não tenho medo de lobos”, “vou ouvir a do sanduiche” “essa cobra tem cara de boazinha mas aqui ta escrito que ela é lelé” etc..

No dia indicado as crianças fizeram a escolha definitiva da história que tinham preferência de ouvir e retiraram seus “ingressos” para a contação ( uma tira de papel colorido como o cartaz onde a resenha de cada livro estava colada).

PASSO 4 – O GRANDE DIA

As crianças foram reunidas no corredor da escola e descobriram enfim quem seria a contadora da história por eles escolhida. Todos os funcionários da escola participaram desse momento e viveram com as crianças a emoção dos contos.

As crianças acompanharam a contadora de histórias até o lugar que já estava todo preparado para recebe-las. Seus rostos expressavam a ansiedade e o desejo…

Desejar… Esse é o assunto  que merece de nós o maior respeito e apoio. Só aprendo quando desejo, quando quero de verdade, quando aquilo tem real significado para mim

 PASSO 5- SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA……………… 

 A escola parou, aquietou-se. Todos estavam lá, as crianças animadas, os adultos deixaram de lado outras funções e se dedicaram a deliciar-se com lobos, jacarés, galinhas, sanduiches, pêssegos, cobras e tantos outros.Nasceu um silêncio concentrado e sutil. Um silêncio de total envolvimento e de prazer expresso em cada rosto.         

   

                                    

 De volta à classe as crianças trocaram impressões sobre os textos, as histórias, as vivências de cada um naquele momento. Foi uma experiência fantástica, todas as crianças puderam participar e depois de 15 dias foi repetida, dando a oportunidade das crianças ouvirem a leitura de histórias sobre as quais também tinham acumulado curiosidade.

 PASSO 6- CRIATIVIDADE E SEUS EFITOS

          A profª Silvia viu as cópias das capas dos livros que foram utilizados nas resenhas e o interesse das crianças, bem como os diálogos que elas geravam. Resolveu fazer alguns jogos com elas.

Há em nossa escola um clima gostoso de colaboração e, por conta dele, pipocaram várias ideias. Entre elas a de que os quebra-cabeças seriam colocados em pastas juntos com os livros e fariam rodízio entre as salas, dando oportunidade de várias crianças brincarem com eles ( ver matéria sobre cantos caixas neste blog ).

REFLETINDO……

       O grupo concluiu que vivemos uma experiência gratificante, que acrescentou muito para as crianças e para nossa prática pedagógica também. É consenso entre as educadoras de que outras oportunidades devem ser propiciadas e que as discussões sobre o trabalho foram fundamentais para o sucesso.

      O esforço de todos foi muito grande para fazer isso dar certo.A escola toda parou nesses momentos, todos os funcionários dividiram o prazer de estar com as crianças e as histórias.

      Acreditamos que qualidade é uma conquista permanente, e que o trabalho com a infância precisa ter objetivos claros e esforço coletivo de aprimoramento dos profissionais e de suas ações.

       A valorização desse trabalho com a pequena infância não é fácil numa sociedade que privilegia tão pouco a criança, as culturas que ela produz e os profissionais que com ela trabalham.Mas o olhar atento e satisfeito das crianças até o final da contação e sua visível alegria e participação, foram para todos nós um grande prêmio.

    Por  Meire Festa

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“PRÔ, BORA PRA BILOTECA!”

Uma das coisas que mais levamos a sério na EMEI é a leitura. Como grupo de educadoras, acreditamos, de verdade, que ler todos os dias BONS LIVROS para as crianças garante que elas entrem em contato com a língua, e a partir disso, com todo o encanto, prazer e conhecimento que os livros e materiais escritos podem trazer.

A prática constante ( a leitura é uma atividade permanente e diária em todas as salas ) leva a uma observação mais criteriosa das reações e aprendizagens das crianças, das possibilidades de leitura feita pela professora e também a um conhecimento dos melhores livros, revistas, gibis e álbuns para a faixa etária. Em nossa escola, as crianças vêem livros por todos os lados, com estantes nas salas e um acervo especial caprichado, de fazer inveja a muita biblioteca infantil. As práticas variam de sala para sala, mas contamos com coisas como empréstimo de livros, bliblioteca comunitária para os adultos, escrita de resenhas e organização de rodas de leitura feitas pelas crianças. Há projetos com intenção de envolver todos os funcionários e as famílias para que leiam para os alunos, e será uma delícia!

Escolher os melhores livros é um desafio interessante; especialmente em um mercado editorial que tem crescido em oferta de livros ruins, com textos pobres, ilustrações tortas e mal feitas e livros-brinquedo atraentes, mas sem qualidade textual. Mas quando nos aperfeiçoamos, como educadoras, na prática de ler, vamos construindo um repertório de histórias interessante, que cresce ao trocarmos nossas impressões com as crianças e com outras educadoras.

Separadas por gênero, de vez em quando, teremos aqui algumas listas com as indicações de  livros bons e aprovados pelas educadoras e por quem mais interessa – as próprias crianças. São sucessos garantidos entre os pequenos, e servem como boa dica para presentear uma criança pequena com leitura de qualidade, como família ou como professora. Vamos começar com um gênero que é dos mais queridos…

Contos de Acumulação e Repetição

São histórias divertidas para as crianças. Geralmente há uma frase ou situação na história que se repete pelo livro todo – simplesmente se retomando ou se acumulando – e por isso elas conseguem acompanhar com mais facilidade. É uma leitura que parece brincadeira, e por isso agrada tanto e traz tanto prazer, para quem lê e para quem ouve.


1) “A Casa Sonolenta“, de Audrey Wood . Ilustrações de Don Wood. Editora Ática
Em uma casa especial, num dia chuvoso, todos parecem gostar de dormir demais. Até que uma pulguinha resistente causa uma reviravolta na situação e traz um colorido diferente a essa história que costuma deixar as crianças de olhos vidrados. A dupla Don Wood e Audrey Wood é especialista em casar textos simples com ilustrações que enchem os olhos, cheias de detalhes e beleza. É deles também “O Rei Bigodeira e sua Banheira” ( Editora Ática ), e “Rápido como um Gafanhoto” ( Brinquebook ), ambos queridíssimos pelas crianças.


2) “Tanto, Tanto…“, de Trish Cooke. Ilustrações de Helen Oxenburry. Editora Ática
Para um bebê muito querido pela família, um dia especial, quando todos estão reunidos, é uma festa intensa e alegre. Todos querem apertar, beijar, mimar o bebê, que, sendo o centro das atenções, se percebe como pessoa importante e amada. Um livro com texto delicioso, protagonistas negros ( raridade… ) e um encadeamento de fatos que toca o coração das crianças. Os bebês costumam adorar ouvir a leitura dessa história, e pedem para repeti-la inúmeras vezes.


3) “O Grúfalo“, de Julia Donaldson e Axel Scheffer. Brinquebook
Um ratinho esperto propaga a existência de um animal estranho, perigoso e nunca antes visto, e com isso consegue se livrar de muitos perigos. Até que… O Grúfalo aparece! Para as crianças maiores, vale pelo humor fino das entrelinhas. E os menores gostam muito da figura diferente e divertida do Grúfalo. A história continua em “O Filho do Grúfalo” ( Brinquebook ).


4) “Maria-Vai-com-as-Outras“, de Sylvia Orthof.
Um clássico da Literatura Infantil, é um livro simples e gostoso de ler. Maria é uma ovelhinha sem cara própria que, por sempre seguir as ações do rebanho, acaba nunca fazendo sua vontade. É uma delícia acompanhar suas reflexões e seu processo de mudança, quando descobre que pode ser ela mesma, além do grupo. A história é muito sonora, e as crianças mais sensíveis conseguem compreender a problemática de Maria já na primeira leitura.


5) “Da Pequena Toupeira que Queria Saber quem Tinha feito Cocô na Cabeça Dela“, de Werner Holzwarth. Companhia das Letrinhas.
A Pequena Toupeira se revolta quando acorda com um cocô sobre sua cabeça. Parte, bravíssima, para procurar o autor da façanha, e nesse caminho, descobre como é o cocô de vários animais amigos. O final é surpreendente para as crianças, que se divertem muitíssimo. Trata de um tema evitado de forma leve, com muita delicadeza e diversão. A Companhia das Letrinhas fez uma versão Pop-Up encantadora.


6) “Menina Bonita do Laço de Fita“, de Ana Maria Machado. Ilustrações de Claudius. Editora Ática.
Outro clássico. Um coelho bem branquinho conhece uma menina negra e linda. E quer saber como faz para ficar preto como ela. Aos poucos, descobre que o caminho para ter uma filha pretinha como a menina é mais delicioso do que ele podia imaginar. Outra história com protagonistas negros, muito bem desenhada, e com o texto sempre primoroso e desafiador de Ana Maria Machado. Sucesso garantido.


7) “Macaco Danado“, de Julia Donaldson e Axel Scheffer. Editora Ática
Mais um livro da mesma dupla de autores de “O Grúfalo”. Nesta história, de ilustrações belas e divertidas, o macaquinho perdido procura sua mãe contando com a ajuda de uma borboleta atrapalhada e bem intencionada. No caminho, ambos descobrem que cada animal é de um jeito, e que cada filhote, embora adore descobrir o mundo, se sente feliz de verdade mesmo quando encontra os braços de sua mamãe. Sensacional e favoritado pelos pequenos todos os dias.

8 ) “Porcolino e Mamãe“, de Margaret Wild. Ilustrações de Stephen Michael King. Brinquebook.
Porcolino é um porco bebê que se perdeu de sua mãe. E procura desesperadamente pelo carinho que lhe falta em vários animais, sem sucesso. Até que percebe que o amor de verdade só está ao lado da mamãe tão querida. História doce, ilustrações suaves e uma deliciosa continuação em “Porcolino e Papai”, e “Porcolino e Vovó”.


9) “Bruxa, Bruxa, Venha a Minha Festa“, de Arden Druce. Ilustrações de Pat Ludlow. Brinquebook
Esse livro é realmente uma leitura de sucesso para os pequenos. Imagens perfeitas, cheias de detalhes, apóiam um verdadeiro conto de repetição, que as crianças rapidamente decoram e amam repetir. Uma festa vai acontecer, uma bruxa é convidada… Mas como condição para aparecer, pede para convidar o gato, que por sua vez exige a presença do espantalho… Até que o final surpreendente remete novamente ao começo da história, que precisa ser repetida muitas vezes, dada o amor das crianças por esse livro.


10) “Mamãe, você me ama?“, de Barbara Josse. Ilustrações de Barbara Lavalee. Brinquebook.
De uma delicadeza incrível e emocionante, esse livro mostra a pergunta de uma menininha inuit a sua mãe; para saber se é amada, ela vai propondo várias situações – até se convencer que o amor de sua mãe é infinito. Livro de ilustrações muito bem feitas, e que esclarece um pouco sobre a cultura dos esquimós.

BÔNUS

Assistindo a entrega do Oscar 2011, soube que um dos concorrentes ao melhor curta de animação foi justamente a história do Grúfalo, feita com maestria pela equipe da BBC de Londres. Não encontrei a versão dublada, mas segue a legendada para vocês conhecerem…

O Grúfalo

 

Texto e Seleção: Professora Karina Cabral

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